quarta-feira, 21 de novembro de 2012

PT e PMDB devem se compor para disputar Mesa da Alepa

O PT já bateu o martelo: formalizará ainda hoje, à bancada do PMDB na Assembleia Legislativa, a proposta para que os representantes de ambas as legendas apresentem uma candidatura alternativa à presidência da Casa.
Até agora, despontava como candidato apenas o tucano José Megale. Desde a semana passada, o PT já decidira apoiar a candidatura de Airton Faleiro. E agora, Martinho Carmona (PMDB), com o apoio de seu partido, já anunciou que também está disposto a pleitear a disputa a presidência da Alepa.
Com o novo quadro que se formou na disputa, o PT concluiu que unir-se aos peemedebistas num bloco único permitirá às duas bancadas muito mais condições de se tornar competitiva no confronto com o PSDB e seus aliados.
"De início, já temos garantidos 16 votos. Mas ainda poderemos contar com os apoios do deputado Edmilson Rodrigues, único membro do PSOL, e do PPS, através do deputado João Salame", disse ao Espaço Aberto o deputado Carlos Bordalo. Com 18 votos, num universo de 41 parlamentares, o bloco alternativo imaginado pelo PT ficaria muito próximo de conquistar a maioria e levar a presidência.
"Precisamos oxigenar a correlação das forças de poder no Pará. Veja só: já temos o governo do Estado com o PSDB, vamos ter a Prefeitura de Belém com o PSDB, poderemos ter a Câmara de Belém com o PSDB e ainda teremos, como nova nova presidente do Tribunal de Justiça do Estado, uma desembargadora [Nadja Nascimento] que é esposa do procurador Manoel Santino, ele que sempre foi muito ligado aos tucanos", acrescenta Bordalo, lembrando ainda que a Prefeitura de Ananindeua, maior município da Região Metropolitana, também será governado nos próximos quatro anos por um tucano, o atual deputado Manoel Pioneiro.
O deputado petista informou que, nas discussões iniciais para a a formação de um bloco único, não haverá a preocupação de discutir quem encabeçará a chapa, se Carmona ou Faleiro. "Isso será discutido no momento oportuno. Será o caso de avaliarmos quem, naquele momento, está em melhores condições de ganhar", disse Bordalo.

Mário Couto diz que foi vítima de tentativa de extorsão



Da Agência Senado

Em pronunciamento nesta terça-feira (20), o senador Mário Couto (PSDB-PA) disse ter encaminhado ofício ao presidente da Casa, José Sarney, para que seja investigada uma tentativa de extorsão feita contra ele, em sua própria casa, em Belém (PA).
O senador relatou que R$ 400 mil foram pedidos a ele por um advogado que teria citado “várias vezes” o nome do juiz Elder Lisboa da Costa, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Belém, responsável pela investigação de supostos atos de improbidade no período de 2007 a 2010 na Assembléia Legislativa do Pará.
A gravação foi encaminhada ao Tribunal de Justiça do Pará, a quem Mário Couto solicitou o afastamento do magistrado.
- O advogado diz que é R$ 400 mil e que o juiz quer receber de duas vezes. Se eu tivesse R$ 400 mil, eu não daria. Se eu tivesse um real, eu não daria, doa a quem doer – afirmou.
Mário Couto disse que o Ministério Público do Pará por mais de um ano realizou investigações “e no final não achou nada sobre a minha pessoa”, em apurações sobre a sua passagem pela presidência da Assembléia Legislativa do estado.
Mário couto disse ainda que quer pedir uma audiência ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, tão logo ele assuma a presidência daquela Corte, “para pedir o julgamento de processo de senadores que tem mais de 20 processos no Supremo e que precisam ser julgados, já deveriam ter sido julgados para que o Congresso Nacional seja limpo e tenha moral”.
Em aparte, manifestou solidariedade a Mário Couto o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), para quem os esclarecimentos sobre os fatos são “necessários e urgentes”.

Joaquim Barbosa para presidente. Eita!


Joaquim Barbosa para presidente. Em 2014.
É isso mesmo.
Sua Excelência o ministro do augusto Supremo Tribunal Federal já tem até site.
Além de fãs - muitíssimos -, já tem eleitores. Não se sabe se o suficiente para eleger-se presidente. Mas tem.
Cliquem aqui.
Vocês vão ver o site Joaquim Barbosa - presidente 2014.
Tem gente, é sério, acreditando que o ministro, relator do caso mensalão, estaria entregando-se, de mansinho, a tentações políticas.
Sua Excelência, é claro, já disse que longe disso.
Quer mesmo apenas continuar como juiz.
Agora, seria muito bacana ver Barbosa disputando uma eleição.
Seria muito bom vê-lo flexibilizando certos conceitos - ou princípios - para fazer alianças e conquistar votos.
Mas, quem sabe se ainda  não o veremos nessas contingências, não é?
Afinal de contas, site ele já tem. Já fizeram pra ele.
Só falta candidatar-se.
E ter votos, evidentemente.

Justiça veta emissão de licença para hidrelétrica


O juiz federal José Airton de Aguiar Portela, da 2ª Vara da Subseção de Santarém, proibiu nesta segunda-feira (19), que a União, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Eletrobras e Eletronorte concedam licença ambiental prévia para a construção da Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, que vai afetar diretamente os municípios de Itaituba e Trairão, na região oeste do Pará.
Na decisão que concedeu a liminar (veja a íntegra), a Justiça Federal determina que a licença ambiental prévia só poderá ser concedida após Avaliação Ambiental Integrada (AAI) em toda a bacia dos rios Tapajós e Jamanxim, com base em critérios técnicos, econômicos e socioambientais. A avaliação deverá considerar, inclusive, “a necessidade de mitigações e compensações no que diz respeito à infraestrutura urbana, rodoviária, portuária e aeroportuária, além de investimentos em saúde e educação nos municípios de Santarém, Jacarecanga, Itaituba, Novo Progresso, Trairão, Rurópolis, Aveiro e Belterra.”
A liminar também ordena que o Ibama, a Aneel, Eletrobras e Eletronorte ouçam as comunidades indígenas Andirá-Macau, Praia do Mangue, Praia do Índio, Pimental, KM 43, São Luiz do Tapajós e outras que não tenham sido localizadas. Só ficarão dispensadas da audiência as comunidades indígenas que se recusarem a opinar sobre o aproveitamento hídrico nas áreas em que habitam, devendo a recusa ser demonstrada claramente pelos réus.
A Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós é projeto que integra o Complexo Tapajós, conjunto de sete grandes usinas hidrelétricas projetadas para a produção de energia, cuja fonte é o barramento dos rios Tapajós e Jamanxim. Segundo a ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal, uma série de medidas legislativas e administrativas vêm sendo tomadas, sem levar em consideração os impactos decorrentes do empreendimento.
A Eletronorte e a Elotrobras alegaram que os estudos de impacto ambiental realizados não indicam a possibilidade de prejuízos ambientais ou às comunidades tradicionais. Argumentaram ainda que, apesar ausência de exigência legal, a Avaliação Ambiental Integrada (AAI) sobre a bacia do rio Tapajós está em fase de contratação pelos empreendedores junto a uma empresa, estimando-se que os procedimentos administrativos se encerrarão em março de 2013, antes da finalização do EIA/Rima para entrega ao Ibama.

Portaria
O juiz José Airton Portela reconhece que não há lei que imponha diretamente a observância de AAI para aprovação de inventário. Tal obrigação está prevista na Portaria nº 372/2009, do próprio Ministério das Minas e Energias - MME. “Diante disso, cabe então responder-se à seguinte pergunta: podem os órgãos públicos envolvidos no projeto hidrelétrico em debate deixar de observar a determinação da Portaria Ministerial 372/2009? A resposta há que ser negativa”, afirma o magistrado.
Para Portela, a observância da Avaliação Ambiental Integrada “é medida protetiva e como tal dispensa lei como instrumento de materialização, já que apenas cumpre determinação do art. 225 da Constituição Federal, quando impõe ao Poder Público e a coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente”.
O Poder Público, acrescenta a decisão, “não pode negligenciar regras que ele próprio instituiu, por mais urgentes que sejam as demandas energéticas do Pais, pois não surgiram da vontade caprichosa de algum burocrata, mas como reclamo da própria realidade da exploração dos potenciais hidrelétricos no Brasil, que registre-se, revelou-se desastrosa por não tomar em consideração os diversos elementos presentes em uma bacia hidrografia.”

Fonte: Justiça Federal - Seção Judiciária do Pará

O Plano Plurianual 2012-2015 e o Desenvolvimento


Por ESTHER BEMERGUY

A recuperação da capacidade de planejamento pelo poder público brasileiro é uma das fontes da nova fase vivenciada em nosso país, internacionalmente reconhecida e nacionalmente aprovada. A mobilidade social em curso; a descoberta do petróleo na camada pré-sal; a redução da proporção entre dívida pública e PIB; o status de credor do FMI; o fato de sermos referência mundial em política social e anticíclica; e as questões simbólicas, como a conquista da sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, têm sua explicação no planejamento.


O Plano Plurianual Mais Brasil (PPA 2012-2015), instrumento de planejamento do Estado brasileiro, informa 65 Programas Temáticos, cada um com indicadores que se desdobram em 492 objetivos e 2.417 metas. E desde 2004 os planos plurianuais trazem consigo o avanço da reflexão estratégica do projeto nacional em curso: do consumo de massas ao investimento em infraestrutura, passando pela universalização dos serviços públicos essenciais.


Uma das mais importantes inovações incluídas no Plano Mais Brasil é a alteração da linguagem contábil, que destaca e torna mais visíveis políticas públicas como as voltadas para jovens, negros, mulheres, idosos, LGBT, crianças e adolescentes, pessoas com deficiência, comunidades quilombolas,  indígenas e povos tradicionais, entre outras. Essas mudanças foram feitas para responder ao novo patamar de transparência pública e democracia social do Brasil. Isso se expressa principalmente nas Agendas Transversais,  documento elaborado pelo Ministério do Planejamento em 2011 que identifica essas políticas específicas e como estes grupos sociais têm qualificado o projeto nacional dentro da programação universal e interministerial. Elas permitirão, através do monitoramento participativo do PPA, pactuado com a sociedade civil no último 09.11, verificarmos a efetivação dos direitos como bússola do desenvolvimento.


O crescimento dos investimentos públicos federais contribuiu para ampliar a materialização dos direitos, construindo a convergência entre os objetivos sociais e econômicos, visando o desenvolvimento inclusivo. De 2000 a 2011, cresceu em 84% o investimento em Previdência, 254% em Educação, 70% em Saúde, 390% em Assistência Social, 153% em Trabalho. 


O fortalecimento do sistema de direitos sociais estabelecido pela Constituição Federal de 1988 é um caminho que vem sendo percorrido desde 2003 com a institucionalização de novos direitos e a implementação de diversos programas e políticas visando organizar e expandir o acesso a serviços públicos de forma universal através de iniciativas como a criação do Bolsa Família, a instituição do Brasil Sem Miséria, do Prouni, do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego e Política de Valorização do Salário Mínimo, entre outras políticas públicas de cunho social, cujo êxito é comprovado pelo  desenvolvimento registrado pelo país na última década. Nestes primeiros quatro anos de governo da presidenta Dilma, o PPA sinaliza o aprofundamento desta tendência, apresentando, de seus 5,5 trilhões em investimentos, 2,5 só para a área social e 57% dos previstos em infraestrutura voltados para habitação e energia elétrica.



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ESTHER BEMERGUY é secretária de Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

O que ele disse

“O que temos visto no sistema prisional brasileiro é um depósito de presos, pessoas abandonadas à própria sorte por irresponsabilidade do poder público. É importante que o ministro tenha feito essa observação de maneira muito cândida, mas é preciso que o poder público exerça a parte executiva, sob pena de se frustrar a finalidade para a qual a pena foi concebida.”
Celso de Mello (na foto), comentando declarações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de que preferiria morrer a cumprir pena nas cadeias do sistema penitenciário brasileiro.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Um olhar pela lente

Ribeirinhos.
Nos arredores, nos caminhos de águas que cercam Belém.
A foto é de Felipe Paim.

Vicente Fonseca lança livro sobre o pai, Isoca


Ao longo da vida, Vicente José Malheiros da Fonseca empreendeu o que ele considera a ‘missão’ de toda uma existência: divulgar a obra do pai, o músico santareno Wilson Fonseca, mais conhecido como Maestro Isoca, cujo centenário de nascimento é celebrado este ano. A dedicação de Vicente está resumida na mais recente homenagem do magistrado e também compositor ao maestro, o livro “A vida e a obra de Wilson Fonseca”, lançado no sábado passado na terra natal de Isoca, Santarém (PA). O lançamento também deve ocorrer na capital paraense no próximo mês. “Primeiro Santarém, depois Belém. Essa é a ordem, você sabe”, brinca o autor. “Era importante lançar lá, na terra dele”, justifica.
A obra sintetiza as pesquisas que Vicente Malheiros vem realizando há anos sobre a trajetória do pai, que morreu em 2002 depois de não resistir às complicações decorrentes de uma queda. O livro traz análises de composições musicais, discografia, bibliografia, influências, parcerias do maestro Isoca, inclusive com os filhos, e fotos.
“Boa parte da produção musical de Wilson Fonseca, que ultrapassa a marca de 1.600 composições, permanece inédita e aguarda pela descoberta de estudiosos e da grande mídia nacional”, descreve Vicente em um dos textos do livro.
Nascido e criado no interior da Amazônia, a obra musical do compositor revela influências do meio em que viveu, mas se projeta para além. “Alheio a modismos ou escolas, tenho dito que Wilson Fonseca jamais se afastou das autênticas raízes nacionais, daí porque a sua música, impregnada de sadio regionalismo, guarda a essência e as características da alma brasileira e, ao mesmo tempo, possui uma dimensão universal, mesmo quando aborda as manifestações folclóricas, a cadência sincopada do maxixe ou o ritmo inconfundível do choro. Nela se observa uma nítida identificação com a herança transmitida por seus grandes mestres (Bach, Ernesto Nazareth e José Agostinho da Fonseca)”, comenta o filho do maestro em um artigo publicado em 2002 e que compõe a publicação.
Ainda sem data para chegar às livrarias, “A vida e obra de Wilson Fonseca” é um importante registro da história e memória musical do Pará. Uma bela e merecida reverência de um filho ao legado do pai.

História e memória vivas
Primeira biografia sobre o maestro, a obra foi publicada pela gráfica do Banco Brasil, no Rio de Janeiro. Nada mais carregado de simbolismo. Wilson Fonseca trabalhou no Banco do Brasil por 31 anos. Foi o primeiro funcionário, aprovado em 1º lugar em concurso público, da primeira agência do interior do Pará. Só deixou o posto em 1972, quando se aposentou. Ao banco, Isoca dedicou a música “BB-130” – Dobrado nº 35 (1990).
Wilson Fonseca nasceu em 17 de novembro de 1912. Cresceu em um ambiente musical criado pelo pai, o alfaiate e maestro José Agostinho da Fonseca (1886-1945). O mestre foi responsável pela formação de inúmeros grupos, orquestras e bandas de Santarém. Dividia a casa entre a alfaiataria e a aulas de música que dava para jovens e quem mais quisesse no local.
Nesse mundo compartilhado, Isoca - apelido dado pelo pai, como de costume para cada um dos rebentos – aprendeu e compartilhou o que sabia. E produziu mais de 1.600 composições e arranjos para canto, piano, conjuntos de câmara, sacras e orquestrais. Fez valsas, toadas, modinhas, boleros, marchinhas, sambas, entre outros gêneros, num acervo musical que vai do erudito ao popular - documentado em 20 volumes, quatro deles já publicados; e nos discos ‘Projeto Uirapuru – Canto da Amazônia’; ‘Encontro com Maestro Isoca’; e ‘Sinfonia da Amazônia’.

Charge - Frank


Ex-prefeito é condenado por envolvimento com "sanguessugas"



O ex-prefeito de Bragança José Joaquim Diogo teve seus direitos políticos suspensos por três anos e terá que pagar multa equivalente a 30 vezes o valor atualizado da última remuneração obtida como prefeito.
A condenação, determinada pelo juiz federal José Valterson de Lima, da Subseção de Castanhal, foi publicada no processo em que o ex-prefeito foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de fazer parte da máfia dos sanguessugas, um esquema de corrupção que desviava recursos públicos destinados à compra de ambulâncias.
Pelos próximos três anos, o ex-prefeito também está proibido de fazer contratos com o poder público. O empresário Luiz Antonio Vedoin, integrante da família que montou o esquema de corrupção em todo o país, foi condenado às mesmas penas aplicadas contra José Joaquim Diogo.
No processo atuaram pelo MPF os procuradores da República José Augusto Torres Potiguar e Bruno Araújo Soares Valente.
Também por participação na máfia dos sanguessugas, este ano a Justiça Federal condenou o ex-prefeito de Anapu, João Scarparo, e a prefeita de Novo Repartimento, Valmira Alves da Silva. Cabem recursos contra todas essas decisões.

Fonte: Ministério Público Federal

Charge - J. Bosco

Acesse o Lápis de Memória

Eleição para a Assembleia começa a esquentar

A eleição para presidente da Assembleia Legislativa vai engatar, esta semana, uma terceira.
Que pode ser uma quarta.
Até agora, as coisas estão - ou estavam - em banho-maria.
Mantinham-se, como se diz, em compasso de espera.
Mas a mobilização da bancada do PMDB, que tem Martinho Carmona como candidato autoproclamado, em busca do apoio de sua legenda, vai acabar espertando os tucanos, à frente José Megale, que pretende emplacar o cargo hoje ocupado por Manoel Pioneiro.
Megale vinha trabalhando na moita, sem levantar muito a lebre.
Até agora, estava mais na conversa de pé de ouvido.
Mas precisa se assanhar um pouco mais.
Porque sabe que a eleição para a presidência da Assembleia não será um simples eleição.
Terá a ver, entre outras coisas, com a eleição para o governo do Estado, em 2014.
E 2014 ficará muito mais próximo quando os candidatos, verdadeiramente, se assanharem para a disputar pela presidência da Assembleia.

Claus Roxin e Dirceu? Nada, mas nada a ver.


Agora é que é.
As declarações e entrevistas de Claus Roxin, em sua passagem pelo Brasil, acabaram numa confusão danada.
Roxin, vocês sabem, é o autor da teoria do domínio do fato, uma espécie de guarda-chuva para abrigar culpabilidades, quando as culpabilidades não se mostram assim tão evidentes.
A Folha de S. Paulo já publicou matéria informando que Roxin, ele próprio, já disse que sua teoria não dispensa a presença de provas, quando se trata de configurar a conduta dos que exercem posição de mando e são apontados como os mentores de crimes, como o Supremo interpretou ter sido a conduta do ex-ministro José Dirceu no caso do mensalão.
Pois as declarações de Roxin e as ilações que delas se extraíram acabaram levando à errônea, infundada e irresponsável conclusão de que o professor estaria, vejam só, até mesmo demonstrando um certo interesse em assessorar a defesa de Dirceu.
Que absurdo.
O absurdo é tanto que Claus Roxin fez um esclarecimento, divulgado pelo site Consultor Jurídico.
Como o Espaço Aberto tem debatido ultimamente sua teoria, convém publicar o esclarecimento aqui.
Leiam, abaixo, o texto assinado Luís Greco, Alaor Leite e Augusto Assis:

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É de conhecimento geral que o professor Claus Roxin esteve no Rio de Janeiro para receber um título de doutor honoris causa da Universidade Gama Filho e para participar do Seminário Internacional de Direito Penal e Criminologia ocorrido na Escola da Magistratura entre os dias 30 de outubro e 1o de novembro, em convite formulado por intermédio do professor Juarez Tavares. Por ocasião dessa visita, alguns meios de comunicação pediram a concessão de entrevistas, o que foi feito de bom grado. Em nome do professor Roxin e a pedido dele, na condição de seus alunos, gostaríamos de repassar ao público brasileiro os esclarecimentos feitos pelo professor em relação a alguns fatos divulgados nos últimos dias:

O professor manifesta, em primeiro lugar, o seu desgosto ao observar que a entrevista dada ao jornal Folha de São Paulo, concedida em 29 de outubro de 2012 e publicada em 11 de novembro de 2012,[1] ocasionou grande repercussão, mas em sentido errôneo. As palavras do professor, que se referiam apenas a aspectos gerais da teoria por ele formulada, foram, segundo ele, transformadas, por conta exclusiva do referido veículo, em uma manifestação concreta sobre a aplicação da teoria ao caso conhecido como “mensalão”. O professor declara, ademais, sua mais absoluta surpresa ao ler, no dia 18 de novembro de 2012, notícia do mesmo jornal, em que consta que ele teria manifestado “interesse em assessorar defesa de Dirceu”. O professor afirma tratar-se de uma inverdade.

A redação final dada pela Folha de S.Paulo à referida entrevista publicada em 11 de novembro de 2012 é imprecisa, segundo o professor, as respostas não seriam mais do que repetições das opiniões gerais que ele já defende desde 1963, data em que publicou a monografia sobre “Autoria e domínio do fato” (Täterschaft und Tatherrschaft). A imprecisão deve-se ao título ambíguo conferido à matéria, que faz supor que houvesse uma manifestação sobre o caso ora em curso no Supremo Tribunal Federal brasileiro: “Participação no comando do mensalão tem de ser provada, diz jurista”. O professor não disse a seguinte frase a ele atribuída: “Roxin diz que essa decisão precisa ser provada, não basta que haja indícios de que ela possa ter ocorrido”, que é inclusive juridicamente duvidosa. A entrevista foi concluída com uma declaração posta fora de contexto, a respeito da necessária independência do juiz em face da opinião pública. Essa pergunta foi a ele dirigida não pela Folha de S.Paulo, e sim pelo magistrado aposentado Luiz Gustavo Grandinetti, na presença do professor Juarez Tavares, de Luís Greco e de Alaor Leite, estes dois últimos seus alunos. A Folha já havia terminado suas perguntas quando Grandinetti, em razão de uma palestra em uma escola para juízes (a EMERJ) que Roxin proferiria, indagou se havia alguma mensagem para futuros juízes, que, muitas vezes, sofrem sob a pressão da opinião pública. O professor respondeu a obviedade de que o dever do juiz é com a lei e o direito, não com a opinião pública.
A Folha, contudo, ao retirar essa declaração de seu contexto, criou, segundo o professor, a aparência de que ele estaria colocando em dúvida a própria isenção e integridade do Supremo Tribunal Federal brasileiro no julgamento do referido caso. A notícia do dia 18 de novembro vai além, afirmando: “O jurista alemão disse à Folha que os magistrados que julgam o mensalão ‘não tem (sic) que ficar ao lado da opinião pública, mesmo que haja o clamor da opinião pública por condenações severas’”. O professor recorda que nenhuma dessas ambiguidades existe na entrevista publicada pela Tribuna do Advogado do mês de novembro, entrevista essa concedida, inclusive, na mesma ocasião, à mesma mesa redonda, que a entrevista concedida à Folha.
O professor declara tampouco ter interesse em participar na defesa de qualquer dos réus. Segundo ele, não só não houve, até o presente momento, nenhum contato de nenhum dos réus ou de qualquer pessoa a eles próxima; ainda que houvesse, o professor comunica que se recusaria a emitir parecer sobre o caso. Em primeiro lugar, o professor desconhece o caso quase por completo. Em segundo lugar, afirma que, pelo pouco que ouviu, o caso não desperta o seu interesse científico. O professor recorda que interesses políticos ou financeiros lhe são alheios, e que não foi sobre tais alicerces que ele construiu sua vida, sua obra e sua reputação. Por fim, o professor declara que não se manifestou sobre o resultado da decisão e que não tem a intenção de fazê-lo. Além disso, não está em condições de afirmar se os fundamentos da decisão são ou não corretos, sendo esta uma tarefa que incumbe, primariamente, à ciência do Direito Penal brasileira.
Estes são os esclarecimentos que o professor Claus Roxin gostaria de fazer ao público brasileiro, na esperança de que, com a presente nota, possa pôr um fim a essas desagradáveis especulações.

Munique, Alemanha, 18/11/2012.

Crea deveria cassar registro de engenheiro

De um Anônimo, sobre a postagem Relatório favorece envolvido na execução de engenheiro:

Qual a relação da morte do engenheiro com o serviço de engenharia? Até onde sei nenhum. Qual atribuição do Crea na fiscalização ou apuração de homicídio?
Nenhuma. Se a morte estivesse relacionada à queda de um prédio por negligência do profissional de engenheiro, aí sim, o Crea deveria cassar o registro. Mas no caso, a policia Civil e o Judiciário devem investigar e punir o engenheiro.

Doze do extinto Cefet são condenados por peculato


Dois membros da direção do Centro Federal de Ensino Tecnológico do Pará (Cefet) - atual Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – no período de 1993 a 2001, além de dez servidores, alguns deles professores, foram condenados em sentença da 3ª Vara Federal pela prática de peculato. O crime consiste em apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio.
Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, os docentes recebiam seus vencimentos sem comparecer ao trabalho. Se somadas, as penas ultrapassam os 30 anos de prisão. Ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com sede em Brasília.
A sentença (veja a íntegra), assinada pelo juiz federal Rubens Rollo D’Oliveira, tem a data de 12 de novembro, mas somente nesta segunda-feira é que foi divulgada. Sérgio Cabeça Braz, ex-diretor geral do Cefet, foi condenado a oito anos de reclusão, a serem cumpridos em regime semiaberto. Em maio do ano passado, ele foi apenado, em outro processo, a 16 anos de prisão também pelo crime de peculato.
Na nova decisão, além de Sérgio Cabeça, Antônio Cláudio Fernandes Farias, ex-diretor de Pessoal, foi sentenciado a cinco anos de reclusão. Por insuficiência de provas, Fabiano Assunção de Oliveira, ex-diretor do Departamento de Ensino (Depen), foi absolvido. O réu José Garcia Neto, responsável pelo convênio firmado entre o então Centro Federal de Ensino Tecnológico do Pará e o Instituto de Aviação Civil (IAC), teve declarada extinta a punibilidade, uma vez que já faleceu, o mesmo ocorrendo em relação a Felisberto Ribeiro de Souza e Jorge Cantanhede França.
Os réus Antônio Valentin Perin, Gustavo Batalha Vilas Boas, Paulo Sérgio Mendes Rodrigues, Victor Swami Ribeiro Alves, Leila Maria Costa dos Santos, Adelaide Maria Freire Viggiano, Maria de Nazaré de Mello e Silva Soares, Patrícia Freire de Avelar, José Guilherme Jaime de Avelar Júnior e Mayra Rodrigues Garcia foram condenados, cada um, a dois anos de reclusão, em regime aberto. Em decorrência da quantidade da pena privativa de liberdade, o juiz substituiu-a. determinando que os réus doem o valor referente a dois salários-mínimos a instituições beneficentes, que ainda serão indicada pela 3ª Vara.

Irregularidades
“Poucas vezes vi um órgão com tantas irregularidades quanto o hoje extinto Cefet/PA”, diz na sentença o juiz federal. “O caso dos autos, além de prevaricação e nepotismo atingiu também o peculato. Usou-se a Lei nº 8.745, de 09.12.1993, com fundamento na excepcionalidade do interesse público e sua temporariedade para contratar amigos e parentes da cúpula”, acrescenta o magistrado.
Rubens Rollo reconheceu que o processo seletivo simplificado não exige concurso público, mas também não dispensa a ampla divulgação. “Isso no Cefet não ocorria, como já exaustivamente auditado, bastando as famigeradas publicações de editais internos (se é que existiam). Desrespeito para com os milhares de candidatos que aguardam a chance de concorrer honestamente a um cargo público, mesmo temporário”, afirma a sentença.
O magistrado ressaltou que o favorecimento a parentes, amigos e apadrinhados político ligados à direção do Cefet configurou o crime de prevaricação, que estava, porém, prescrito. “Entretanto, pagar o contratado sem dele exigir-se trabalho é peculato bilateral (dirigente e servidor) porque a finalidade da cúpula era enriquecer, sem causa, os protegidos. Os dirigentes responsáveis pelo fato concorreram para que servidores se apropriassem de dinheiro público, embora não tendo a posse do dinheiro, valendo-se da qualidade de funcionário”, reforçou Rubens Rollo.

Fonte: Justiça Federal - Seção Judiciária do Pará

"Dido and Aeneas" estreia na quinta-feira


O Estúdio Ópera Pará-Amazônia, projeto de Extensão da Escola de Música da Universidade Federal do Pará, e o Madrigal da Universidade Estadual do Pará apresentam a montagem cênica da mais importante ópera inglesa do período barroco. "Dido and Aeneas", de Henry Purcell, com libreto de Nahun Tate, estreia no próxima quinta-feira (22), com reapresentação todos os dias, até o domingo, 25, sempre às 20 horas, no Teatro Cláudio Barradas. A direção musical e regência é de Milton Monte e direção cênica de Guál Dídimo. O elenco é paraense e os solistas são a soprano Luciana Tavares (Dido), o tenor Alcântara Júnior (Enéias), a contralto Gabriella Florenzano (Sorceress), as sopranos Symone Serruya Elmescany (Belinda) e Yashmin Friaça (2ª Dama), e os tenores Wilson Ferreira (Espírito) e Moisés Batista (Marinheiro).  
Composta em 1689 e considerada a primeira ópera genuinamente inglesa, Dido & Aeneas tem libreto baseado no IV Canto da Eneida, de Virgílio. Relata a história de amor trágico de Dido, rainha de Cartago, e do herói troiano Enéias, encarregado pelos deuses de fundar Roma. Em sua longa viagem, ele para em Cartago e se apaixona por Dido, que retarda sua partida, no que é ajudada por sua amiga Belinda. Mas, enquanto os enamorados estão caçando, a Sorceress (feiticeira) reúne bruxas numa caverna a fim de privar Dido de fama, vida e amor. Uma tempestade é criada para atrair o casal para a caverna, onde a Sorceres, através de um Espírito que se passa pelo deus Mercúrio, ordena a Enéias que deixe Cartago. O dever se impõe e Enéias segue em sua epopeia. Dido sofre e morre de amor.
Todo o elenco estuda no Conservatório Carlos Gomes e atua no Madrigal da UEPA e Madrigal da EMUFPA, à exceção da soprano Luciana Tavares e da contralto Gabriella Florenzano. O regente Mílton Monte fez um esforço hercúleo, sem patrocínio nem qualquer ajuda oficial.
Barítono paraense graduado pela Guildhall School of Music and Drama, de Londres, Bacharel em Canto pela UNESP, Milton Monte é Mestre em Música pela UFBA e professor da EMUFPA desde 2002, onde criou o Núcleo de Música Antiga. Fundou em 2001 e dirigiu o Madrigal da UEPA nos últimos onze anos, desenvolvendo trabalho artístico-pedagógico representativo na área da música barroca.
A soprano lírico Luciana Tavares é graduada pela Escola de Música de Brasília e se aperfeiçoou nos Estados Unidos, na University of Missouri, sob a orientação de Jo Ella Todd e Ann Harrell. Sua trajetória operística começou como Mimi na montagem de La Bohème, sob a regência do maestro Sílvio Viegas, no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em 2004. Atuou nos papéis de Delia, emFosca, no X Festival Amazonas de Ópera, e comoMusetta, em La Bohème, no II Festival de Ópera da Amazônia, em Belém, além da Fada do Orvalho, em João e Maria, este ano, no Festival de Ópera do Theatro da Paz. Cantou sob a batuta dos maestros Emílio De Cesar, Lionello Cammarotta, Ernani Aguiar, Philippe Forget, Alessandro Santoro, Mateus Araújo, Elena Herrera, Sílvio Barbato, Donald Schleicher e Alessandro Sangiorgi.
A contralto Gabriella Florenzano é graduada em Canto Lírico pela Faculdade de Música Carlos Gomes-USP, além de Publicidade e Propaganda pela Unama. Fez master classes com Reginaldo Pinheiro, professor da Universidade de Música de Freiburg; com o tenor argentino Raúl Gimenez; com o maestro Andrés Máspero, diretor do Coro daStaatsoper de Munique; com a soprano italiana Mara Zampieri, com a mezzo soprano chilena Graciela Araya, e com o maestro, compositor e cantor francês Philippe Forget, além de curso de Interpretação em Ópera com a cantora lírica Neyde Thomas, o barítono italiano Rio Novello e o maestro Joaquim do Espírito Santo. Cantou no coral Marina Monarcha e no Madrigal da UEPA, em Belém.
Teve seu debut operístico em 2010, com o papel daSorceress em Dido And Aeneas, regida pelo maestro francês Philippe Forget, personagem que voltou a interpretar este ano, desta vez sob a regência do maestro Mílton Monte. Em 2011 participou do Festival de Ópera do Theatro da Paz, como “Flora” na cantata cênica “Carmina Burana”, no coro de “Tosca”, e no Concerto de Encerramento. Com a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia, se apresentou em diversos palcos em Belém e excursionou pelo País.

Fonte: Assessoria de Imprensa

O que ele disse

"Eu não posso dizer que a impunidade está com os dias contados, eu estaria dourando a pílula, sendo ufanista. Agora, diria que a impunidade sofreu um duro revés, um tranco."
Ayres Britto, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o sentido pedagógico do julgamento dos envolvidos no mensalão.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Um olhar pela lente


No Engenhão, jogadores do Fluminense levantam o troféu de tetracampeão brasileiro, num jogo em que, mesmo com a equipe tendo perdido por 2 a 0 para o Cruzeiro, a torcida fez a festa.

"A impunidade sofreu um duro revés, um tranco"


Do Consultor Jurídico

Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ayres Britto, se afasta ao completar neste domingo (18/11) 70 anos de idade, limite para a aposentadoria compulsória. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o ministro comenta sobre o julgamento do mensalão além de suas convicções filosóficas.
Os últimos três meses, marcados por tensões e explosões no plenário, foram o auge da carreira do pacato Britto. Autor de seis livros de poesia, ele diz conciliar "atenção e descontração" em suas meditações diárias, que infundem uma boa dose de espiritualismo na rigidez habitual da ciência jurídica.
Para explicar os conflitos no tribunal, recorre a frases como "sem o eclipse do ego, ninguém se ilumina". Em sua visão de mundo, é preciso "expulsar de si o ego" para que o espaço dentro de você seja "preenchido pelo universo, pelo Cosmos, pela existência, que outros preferem dizer por Deus".
Britto faz uma avaliação realista e entusiasta do resultado do processo do mensalão, último julgamento no seu comando, que não tem data para terminar, mas já condenou 25 réus, entre deputados e ex-deputados, empresários e ex-ministros, por crimes como corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
"Eu não posso dizer que a impunidade está com os dias contados, eu estaria dourando a pílula, sendo ufanista. Agora, diria que a impunidade sofreu um duro revés, um tranco", afirmou. Em sua opinião, o Supremo está "quebrando paradigmas ultrapassados", exercendo a "sabedoria da coragem, do desassombro, para vedar comportamentos antijurídicos".
Nascido em 1942, na cidade de Propriá (SE), filho de um juiz e de uma professora de francês, Britto sonhava em ser jogador de futebol profissional. Acabou na profissão do pai e virou poeta nas horas vagas, tendo publicado livros como "Ópera do Silêncio" e "Varal de Borboletras".
Casado, pai de cinco filhos, ele diz não querer seguir a carreira política: seria um retrocesso para quem já militou no PT por 18 anos e chegou a tentar uma vaga na Câmara dos Deputados. Foi com o amargo "gosto de jiló, de mandioca roxa ou de berinjela crua", como disse recentemente, que ele puniu inclusive antigos colegas de partido, como José Dirceu e José Genoino. E recorre novamente à sua formação eclética para resumir sua visão tanto sobre o PT como o PSDB: "Eles perderam o que os gregos chamam de Deus dentro da gente, entusiasmo".

Leia mais aqui.

Charge - Frank


Mesmo longe, Zenaldo ficará perto de Duciomar

Duciomar Costa é duro na queda.
Duríssimo.
Como prefeito de Belém, fez a pior administração em oito séculos da história da cidade - os quatro que estão para se completar e os quatro do porvir.
Como ex-prefeito, tem tudo para ficar rindo, mangando, debochando da cara do sucessor e dos, como dizem, munícipes.
O sucessor, no caso, é Zenaldo Coutinho, eleito no final de outubro passado.
Os munícipes, ninguém se engane, são todos aqueles que passaram oito anos convivendo com uma gestão que, a rigor, só concluiu três obras: a Duque, a Marquês de Herval e aquele portal ali em frente ao Castanheira.
No mais, Duciomar começou mas não terminou.
Deixou tudo inconcluso.
Até calçada.
Até o Projeto Orla.
Até o tal BRT, aquele que o gestão municipal pariu do dia para a noite e está aí, como um dos legados que retratam, à exaustão, o estilo Duciomar de gerir a coisa pública.
Pois são especialmente essas obras que motivam Duciomar, como já dito, a mangar de seu sucessor.
É que Zenaldo, quando assumir, não pode apenas se valer daquelas velhas e surradas ações de emergência para mostrar que a nova administração começou trabalhando duro.
Por ações de emergência entendam-se aquelas desobstruções de canais que a Prefeitura se põe a fazer a cada início de ano, período em que as chuvaradas começam a se intensificar.
Zenaldo precisará, isso sim, anunciar algumas medidas concretas, mais estruturantes, como se diz, para mostrar à população que o período de pasmaceira é coisa do passado.
O prefeito eleito está ciente dessa necessidade.
Não à toa, tem viajado constantemente a Brasília, ultimamente, em busca de verbas que lhe permitam anunciar a construção, ainda no próximo ano, de um pronto-socorro em Icoaraci, que contribuirá para desafogar os dois de Belém.
Também tem tentado regularizar questões burocráticas que permitam ao governo municipal concluir as obras do BRT, um mondrongo que Duciomar plantou bem no meio da Almirante Barroso.
E igualmente tenta descolar alguns milhões para dar seguimento ao Projeto Orla, que prevêm a urbanização de seis quilômetros, mas que Duciomar só se dignou entregar pouco mais de um quilômetro.
O prefeito em final de mandato sabe que deixou esses pepinos todos.
Tem consciência de que não será fácil destrinchar a liberação de recursos para dar sequência a essas obras.
E sabe que, afinal de contas, não seria nada mal um prefeito assumir o mandato sem ter plenas condições de anunciar medidas capazes de mostrar a Belém que a nova gestão não será tão ineficaz como a anterior.
É por isso que Duciomar, no fundo do fundão, deve estar torcendo para que Zenaldo não comece com essa bola toda.
Até porque o tucano, como é amplamente sabido, fez questão deixar bem claro, durante toda a campanha, que queria distância do apoio de Duciomar.
Pois vejam só: mesmo depois que assumir, Zenaldo continuará bem perto de Duciomar.
Ou por outra: continuará bem perto, de frente, de cara com uma cidade abandonada - a marca da gestão Duciomar.

Era preciso provar a culpabilidade de Dirceu. E agora?

Claus Roxin: teoria do domínio do fato, que ele criou, não dispensa provas.
Então é assim.
Nada como um dia atrás do outro para que todos possamos ter uma leitura melhor, mais adequada, mais ponderada e mais acertada sobre teses e teorias que orientam a judiciosa manifestação de magistrados, aos quais se impôs a missão de decretar a culpabilidade ou a inocência de cidadãos acusados de certos crimes.
Vejam o julgamento do mensalão.
Ali, o distinto público, que acompanhou com inaudita curiosidade o julgamento ao vivo e em cores, tomou conhecimento de uma teoria chamada domínio do fato.
A teoria, como disse o Espaço Aberto, é uma espécie de guarda-chuva que abriga as mais amplas conjecturas que provariam a culpa de uma pessoa, mesmo quando as evidências nesse sentido são escassas, muitíssimo escassas.
A teoria é mais ou menos como panaceia de todas as culpabilidades.
Quando não sobressaem, quando não avultam, quando não ressoam clamorosas e inequívocas provas, os aderentes à teoria do domínio do fato vão atrás dela para concluir que fulano, beltrano ou sicrano foi o mentor de um crime, por indícios que compensariam a falta de provas.
A teoria do domínio do fato foi a que inspirou algumas de Suas Excelências do augusto Supremo, inclusive o relator, ministro Joaquim Barbosa, a concluírem que o ex-ministro José Dirceu, funcionou realmente como o "chefe da quadrilha" que teria operado o esquema do mensalão.
Aqui mesmo no blog, numa postagem intitulada Dirceu, então, foi condenado. Mas, e as provas?, escreveu-se assim:

O fato de o Ministério Público não ter conseguido colher provas contundentes, robustas, bastantes, clamorosas, irretorquíveis contra Dirceu significa que o ex-ministro, verdadeiramente, não participou do esquema?
Não.
Absolutamente não.
É claro, claríssimo que não.
Dirceu pode, sim, ter sido o mentor de tudo isso.
Dirceu pode, sim, ter sido o comandante em chefe.
Dirceu pode, sim, ter sido o "chefe da quadrilha", no dizer do MP.
Dirceu pode, sim, ter sido o mais envolvido, o mais interessado, o mais empenhado em criar um esquema de malfeitorias para influenciar, inclusive, as consciências no Congresso.
Mas quedê as provas?

Pois eis que a Folha de São Paulo publicou, há alguns dias, uma entrevista com o jurista alemão Claus Roxin, 81 anos.
Ele é ninguém menos que o pai, o autor, o progenitor, o procriador da teoria do domínio do fato.
"Quem ocupa posição de comando tem que ter, de fato, emitido a ordem. E isso deve ser provado".
Quem o diz?
Quem assim sentencia?
Quem assim ensina?
Quem assim leciona?
Ele mesmo: Claus Roxin.
Dirceu, segundo a acusação da Procuradoria-Geral da República, esposada pela maioria dos ministros do Supremo, ocupava posição de mando.
Foi sob suas instâncias, segundo o Ministério Público, que o mensalão teria sido engendrado e de onde emanavam as ordens e as orientações para a compra de votos.
Dirceu, atestaram os ministros, não deixou provas materiais nesse sentido.
Mas Dirceu foi o cara do mensalão.
Quedê as provas? - perguntaram muitos.
Provas assim não existem. Porque grandes ladrões, grandes meliantes nem sempre deixam provas - concluiu a maioria do Supremo.
Pois então, tome teoria do domínio do fato nele.
Mas "isso deve ser provado", diz Roxin.
E agora, José?
E agora, Josés?
Agora é tarde.
Dirceu está condenado.
Com teoria do domínio do fato e tudo.
Abaixo, a íntegra da matéria disponível no site da Folha:

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Insatisfeito com a jurisprudência alemã - que até meados dos anos 1960 via como participante, e não como autor de um crime, aquele que ocupando posição de comando dava a ordem para a execução de um delito -, o jurista alemão Claus Roxin, 81, decidiu estudar o tema.
Aprimorou a teoria do domínio do fato, segundo a qual autor não é só quem executa o crime, mas quem tem o poder de decidir sua realização e faz o planejamento estratégico para que ele aconteça.
Roxin diz que essa decisão precisa ser provada, não basta que haja indícios de que ela possa ter ocorrido.
Nas últimas semanas, sua teoria foi citada por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão. Foi um dos fundamentos usados por Joaquim Barbosa na condenação do ex-ministro José Dirceu.
"Quem ocupa posição de comando tem que ter, de fato, emitido a ordem. E isso deve ser provado", diz Roxin. Ele esteve no Rio há duas semanas participando de seminário sobre direito penal.

Folha - O que o levou ao estudo da teoria do domínio do fato?
Claus Roxin - O que me perturbava eram os crimes do nacional socialismo. Achava que quem ocupa posição dentro de um chamado aparato organizado de poder e dá o comando para que se execute um delito, tem de responder como autor e não só como partícipe, como queria a doutrina da época.
Na época, a jurisprudência alemã ignorou minha teoria. Mas conseguimos alguns êxitos. Na Argentina, o processo contra a junta militar de Videla [Jorge Rafael Videla, presidente da Junta Militar que governou o país de 1976 a 1981] aplicou a teoria, considerando culpados os comandantes da junta pelo desaparecimento de pessoas. Está no estatuto do Tribunal Penal Internacional e no equivalente ao STJ alemão, que a adotou para julgar crimes na Alemanha Oriental. A Corte Suprema do Peru também usou a teoria para julgar Fujimori [presidente entre 1990 e 2000].

É possível usar a teoria para fundamentar a condenação de um acusado supondo sua participação apenas pelo fato de sua posição hierárquica?
Não, em absoluto. A pessoa que ocupa a posição no topo de uma organização tem também que ter comandado esse fato, emitido uma ordem. Isso seria um mau uso.

O dever de conhecer os atos de um subordinado não implica em co-responsabilidade?
A posição hierárquica não fundamenta, sob nenhuma circunstância, o domínio do fato. O mero ter que saber não basta. Essa construção ["dever de saber"] é do direito anglo-saxão e não a considero correta. No caso do Fujimori, por exemplo, foi importante ter provas de que ele controlou os sequestros e homicídios realizados.

A opinião pública pede punições severas no mensalão. A pressão da opinião pública pode influenciar o juiz?
Na Alemanha temos o mesmo problema. É interessante saber que aqui também há o clamor por condenações severas, mesmo sem provas suficientes. O problema é que isso não corresponde ao direito. O juiz não tem que ficar ao lado da opinião pública.

A rosa, a saboneteira e o Poeta

O que tem a ver uma saboneteira com uma rosa?
Aparentemente nada.
Absolutamente nada.
Saboneteiras se vinculam, no máximo, a noções de higiene.
As rosas podem despertar múltiplas sensações. Podem expressar uma notável variedade de significados.
Mas, à primeira vista, será difícil associar uma saboneteira a uma rosa.
Pois há anos, há muitos anos, Emir Bemerguy, que subiu para a eternidade há sete dias, em Santarém, associou, casou, uniu uma saboneteira a uma rosa.
Durante anos, ele habituou-se a levar pra casa, regularmente, uma rosa que era extraída de roseira plantada em área próxima à Sacristia da Matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Ao término da missa das 18h, Emir saía, passava a mão numa tesourinha que levava no bolso, tirava a rosa cortando-a pelo talo, colocava-a dentro da saboneteira e ia embora pra casa.
"Nós até já sabíamos quando era o dr. Emir que tinha tirado uma rosa da roseira. Quando era ele, a rosa estava cortada no talo. Quando eram outros, tudo ficava retorcido", testemunhou padre Ronaldo, ao final da missa de corpo presente do poeta, na quarta-feira da semana passada.
Ao chegar em casa, Emir tirava a rosa de dentro da saboneteira e a entregava a Berenice, uma rosa viva, uma flor de pureza, com quem viveu há 53 anos.
A saboneteira, rósea, está guardada próximo à escrivaninha do poeta. Dentro dela, rebrilhante, a tesourinha que ele usou tantas vezes para tirar uma rosa e levá-la à sua mulher.
Um saboneteira tem tudo a ver com uma rosa quando ambas caem nas mãos de um poeta.
Um poeta que se inspira a tomar uma saboneteira para guardar uma rosa pode até ter optado, racionalmente, por um associação esquisita, desconexa, estranha.
Mas não estranhem os poetas.
Não estranhem.
Não estranhem a saboneteira e a rosa de Emir Bemerguy.
Ele fez da simplicidade e da singeleza inspirações para sua poesia.
Na poesia, externou seu amor.
Por Berenice.
Por seus filhos.
E por Santarém, que ele amou e cantou irresistivelmente, quase até o esgotamento.
Foi Santarém que o inebriou a fazer versos ternos, que falavam de luares, banzeiros, de piracaias, de amores derramando-se sob o vento de cima soprado a partir do Tapajós, esparramado em frente à cidade.
Foi essa Santarém que, há uma semana, se despediu de Emir Bemerguy de uma forma comovente, encantadora, terna, inebriante.
Emir Bemerguy se foi.
Ficaram 20 livros prontinhos para serem publicados.
Ficou uma saboneteira com uma tesourinha dentro.
Ficou a lembrança de muitas rosas - dezenas, centenas - que ele usou para externar seu amor.
Ficou a lembrança de que as coisas simples da vida é que, verdadeiramente, têm beleza e odor.
Têm olor e sabor.
Encanto e ternura.
Tudo em sintonia.
Tudo em harmonia.
Como uma saboneteira que guarda uma rosa.

Emir Bemerguy, por seus filhos


Os textos abaixo foram lidos na missa de corpo presente em que Santarém se despediu do professor, poeta e escritor Emir Bemerguy, que faleceu na terça-feira feira passada, em Santarém, aos 79 anos de idade.

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CARTA AO PAI

Por Lila Rosa Bemerguy

Ao acordar na manhã de hoje, a primeira imagem que me veio foi vê-lo sentado na sala de casa, datilografando na máquina de escrever. Eras ágil, embora usasses para isso somente um dos dedos! O som da máquina é música agora. Quando sentavas ali, era como se entrasse num transe: não atendia chamados e ficava zangado com interrupções. As letras fluíam, eram parte do teu espírito. Coisa mais fácil era quando, na escola, o dever de casa era fazer um versinho pra mamãe: rapidamente, onde estivesses, nos dizia um novinho, feito na hora, que seria o melhor com certeza, dentre o de todos os coleguinhas. Fazias versos para aniversários, nascimentos, morte. Certa vez me deste uma pasta pra ler, com teus mais de 600 poemas. Fiquei surpresa porque ali conheci muito mais quem eras. Tua vida estava toda ali, rimada!
Nunca foste de muitos “nhenhenhes” conosco. Eras o pai à moda antiga. Presente, participavas da vida, mas deixavas essa outra parte para mamãe, que sabe como nunca fazê-lo! Porém,  algo fizeste cujas marcas estão e estarão em todos nós. Deixaste um pouco do teu tesouro a cada um dos teus filhos. O teu exemplo como homem íntegro, honesto, que não tolerava mentiras e engodos, tua paixão pela música, que nos passava ao ouvir canções de Nelson Gonçalves, ao tocar violão e cantar, a fé em Deus, na Virgem Maria, o amor pela mamãe, manifestado em rosas que furtavas e colocavas sob a xícara que ela ia tomar café, com um versinho. Até a dureza das palavras quando nos corrigias, ficará na memória. Poderia ficar muito tempo lembrando de tantas outras coisas. Mas o tempo, esse “senhor dos destinos”, como disse outro poeta, passou. Tivemos o privilégio de conviver contigo por tantos e tantos anos. Ver-te envelhecer e morrer, como é o curso natural de pais e filhos. Seus netos mais velhos tiveram o privilégio de conhecer um avô terno, como era o teu pai conosco. O mais novinho, João, era nos teus últimos dias, o grande motivo para sorrires. Vou falar a ele do vovô, para que saiba quem fostes.
Até o fim, ainda me ensinaste. No leito do hospital, em meio ao desconforto que te acometias, querias dormir e me perguntaste: “posso fundear? ” E eu perguntei: “o que significa essa palavra”. E com dificuldade, a fala difícil, me explicaste: “É coisa de marinheiro. Significa prender o barco no fundo pra ele não andar”. Agora eu te digo: lança tuas âncoras, deixa a canoa parada, e fica em paz, pescando em outras águas, no céu, junto aos teus pais, mano Eros e mana Edith, tua filha Telma, o compadre Isoca e tantos outros amigos que prepararam uma festa cheia de música pra ti. Vai. Aqui ficamos, com saudades, mas imensamente felizes por termos estado contigo.

Da filha, Lila.

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MEU PAI

Por Lúcio Ércio Bemerguy


O que mais lhe agradou  a alma, o coração?
O que diriam  os amigos,
Qual sua visão?
A poesia!
Os mais apressados,
Certamente dirão.
E não lhes tiro a razão
Pois mais de setecentos poemas
Brotaram de sua inspiração,
Mas não foi isso não.
Lhes garanto,  meus irmãos.
As pescarias!
Lembrariam outros.
Decerto, outra boa opção
Pois nos rios da Amazônia
Só não pescou tubarão.
Aquela ou esta opção,
São lógicas escolhas
E de fácil aceitação
Pois nos momentos difíceis,
Na luta diário do pão
Era nos rios e nos lagos
Ou com a caneta na mão
Que recuperava as forças
E renovava a disposição.
Nós, no entanto,
Filhos, netos, mamãe
Bem sabemos de outra,
Esta, a grande opção
O que mais lhe caracterizou a vida
É muito mais grandioso,
Estava no coração
Não foi poesia ou pescaria,
Não, não foi isso não
E agora, lhes digo então:
Era ser pai de família,
Ser honesto e cristão,
Ser  instrumento de Deus
Operário da Evangelização
Fez isso todos os dias,
Diante de nossa visão
Com o auxílio da Virgem Maria,
A Senhora da Conceição!

Excesso de exposição


Antes de tudo, usando as lentes propostas pelo ministro-relator Joaquim Barbosa pude entender melhor como é difícil julgar. Ouso dizer que Barbosa definiu muito claramente os delitos a que os réus deste interminável “mensalão” foram acusados. A seriedade e a reputação de Barbosa em nenhum momento foram arranhadas. Mesmo os que estão do outro lado, os amigos dos que estão sentados no banco dos réus do “mensalão”, reconhecem que não houve movimentação estranha e nem mercado de balcão de negócios.
Foi de fundamental importância a forma como se conduziu o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Britto, que após sete anos como ministro do STF, se aposentou pela compulsória, no domingo, 18, e dirigiu os trabalhos deste que foi, talvez, o maior julgamento da história do STF de maneira técnica e consistente. Foi alvo de muitas homenagens. Ao se despedir falando com a Imprensa, disse: “A toga gostou dos meus ombros”. O ministro abandona a toga sem esclarecer uma dúvida crucial entre os fãs dele: Britto é melhor juiz do que poeta ou é melhor poeta do que juiz?
Com certa assiduidade, assisti pela TV Justiça verdadeiras aulas magnas de todos os juízes togados, mas não há dúvida, o ministro decano Celso de Mello foi o mais diferenciado. Pela qualidade e análise, Mello nos brindou com seu notório saber jurídico diante desse imenso salão escuro e malcheiroso que se tornou a Ação Penal 470. Deu a entender que numa sociedade dos significados invertidos e pervertidos cabe às associações de cidadãos lutarem pela fiscalização infatigável dos poderes públicos e privados.
Ademais, tem aquela turminha que, digamos assim, decididos a não se decidirem, ficam tirando a fórceps conclusões precipitadas. Achando que se enganou quem esperava um STF mais tranquilo durante a fase de definição das penas dos condenados no chamado “mensalão”. Deu-se exatamente o oposto. Assim que os ministros retomaram o julgamento após uma parada de dez dias, os ânimos se acirraram. Não bastassem as costumeiras discussões entre o relator Barbosa e o revisor Ricardo Lewandowski, outros juízes resolveram entrar no sururu. Acham que além do desentendimento técnico, há outra razão para o aparente nervosismo dos ministros. Acreditam que estão incomodados com a proposta de Marcos Valério de “delação premiada”, com redução da pena em troca de hipotéticas revelações. Nada disso. Os entreveros, os bate-bocas com acaloradas trocas de acusações são perfeitamente normais. Faz parte da liberdade de expressão e do regime democrático.
Ações e interpretações realizadas fora de tempo e contexto são alguns dos principais motivos da insatisfação generalizada e desigualdade visíveis no mundo de hoje. Sobretudo aqueles que querem ver na própria sombra a silhueta fantasmagórica da perseguição. Os incomodados querem a qualquer custo alertar para o excesso de exposição da Corte. Do histrionismo de alguns magistrados, o foco da crítica é a transmissão pela televisão, das sessões de julgamento. Acham os magistrados preocupados com o visual, pelo exagero de certas gravatas coloridas, perucas bem tratadas e melenas brancas matizadas ou ocultadas pela tintura preta.
No mais, já se começa sentir falta do ministro Britto, do seu talento em promover a concórdia. Um jurista que com certeza vai ficar na memória e no respeito de todos os brasileiros. Ayres Britto já tem lugar garantido na história.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ele disse

"Não permito, senhores, que ninguém
goste mais do que eu de Santarém"!
Emir Bemerguy, em Sonho Predileto, uma das centenas de músicas em que ele, nascido em Fordlândia, canta seu amor por Santarém, onde faleceu na terça-feira passada, aos 79 anos de idade.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Emir Bemerguy

Emir Bemerguy - Emir Hermes Bemerguy -, 79 anos, fechou os olhos para sempre por volta das 9h30 de hoje, num hospital de Santarém.
Morreu serenamente.
Placidamente.
Tranquilamente.
Acalmou-lhe não a prostração, não a debilidade que progressivamente o dominava nos últimos meses, desde que sofreu AVCs, dos quais sobrevieram graves e irreversíveis complicações pulmonares.
Acalmou-lhe, sim, inebriar-se com as canções sobre Santarém, que ele ouvia num gravador posto ao lado da cama.
Acalmou-lhe ouvir algumas poesias, das centenas e centenas que compôs, lidas por sua filha Lila Rosa.
Acalmou-lhe saber-se confortado, querido, estimado, lembrado mesmo por vozes de longe.
Ontem ainda, ligaram de Santarém para pedir-me que dissesse alguma coisa a meu tio.
Ele praticamente já não falava mais.
Mas ouvia perfeitamente.
E melhor que isso, sentia.
- Sou eu, meu tio. Um beijo no senhor. Um beijo no seu coração. Toda a força do mundo. Fique em paz. Fique com Deus. - eu lhe disse bem alto ao telefone, para que pudesse ouvir bem.
Não ouvi nem um sussurro do outro lado.
Mas quem estava ao seu lado me disse que, ao ouvir minha voz, Emir arregalou os olhos e lagrimou.
Uma lágrima - apenas uma - aflorou-lhe aos olhos.
Uma lágrima que representava uma turbilhão de emoções.
Uma lágrima que talvez tenha sido de gratidão.
A gratidão de ser lembrado em todos os momentos, inclusive aquele.
Uma lágrima de quem fez das emoções - todas, as boas e ruins - a motivação para fazer o que sempre lhe deu prazer na vida.
Emir Bemerguy foi dentista.
Mas exerceu a profissão apenas para sobreviver.
O que lhe dava prazer na vida eram as letras.
Eras as humanidades.
Era escrever.
Compor.
Poetar.
Versejar.
E ensinar.
Foi professor de gerações e gerações que passaram pelos Colégios Dom Amando e Santa Clara, dois dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino em Santarém.
Ensinou biologia, química, literatura, língua portuguesa... Até matemática e física, que não eram muito a sua praia.
Além de poesias, sua produção intelectual incluiu romances - cheguei a ler uns dois -, crônicas e memórias.
Tudo sempre esteve meticulosamente arquivado em pastas, às centenas.
Tudo catalogado e guardado em vários armários.
Chegou a fazer várias composições com o Maestro Isoca, de quem foi vizinho, compadre e por quem nutria uma afeição fraterna que ultrapassou, em muito, as meras e eventuais relações de compadrio e vizinhança.
Com o grande Paulo Rodrigues dos Santos, o autor do insuperável Tupaiulândia, travou igualmente uma amizade que o enriqueceu intelectualmente.
Por mais de 20 anos, assinou artigos que O LIBERAL publicava todos os domingos.
Emir Bemerguy não nasceu em Santarém.
Nasceu em Fordlândia, ainda quando ali florescia a experiência épica de Henry Ford, de fazer daquele pedaço de chão um microcosmo do território americano, em tempos em que as grandes corporações capitalistas já expandiam seus tentáculos, ensaiando o que hoje chamam de globalização.
Mas Santarém era que inspirava Emir Bemerguy.
Ele amava aquela cidade.
Tratava-o como o torrão que lhe fermentava o espírito para extravasar os seus sonhos, as suas ilusões, as suas críticas de costumes, como também suas desesperanças e frustrações.
Foi em Santarém que ele formou sua família, tendo ao lado uma companheira, Berenice, que não foi propriamente uma mulher, mas uma flor, uma joia rara, preciosa. Uma gigante que nem chega a ter 1,60 m de altura, mas carrega sentimentos e uma pureza d'alma de dimensões indescritíveis.
Foi em Santarém que nasceram seus filhos - Emir, Vidal Antônio, Telma Suely (que faleceu há mais de 30 anos), Márcia Regina, Lúcio e Lila Rosa.
Há pouco mais de um mês, precisamente no dia 27 de setembro, Emir Bemerguy perdeu seu irmão Eros, meu pai, meu querido, meu velho, meu amigo.
Há pouco mais de um mês, dois golpes muito grandes.
Lancinantes.
Desconcertantes.
Dolorosos.
Terrivelmente dolorosos.
Dois golpes que confirmam, porém, a certeza de que a vida é mesmo feita de momentos que não podemos escolher, mas que são inevitáveis.
Que a lágrima de meu tio, ao ouvir que recebia um beijo de quem está longe, seja também um sinal de que o amor e a afeição nunca haverão de morrer.
Um sinal de que há vida para viver.
Porque é preciso continuar vivendo.

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O corpo de Emir Bemerguy será velado hoje, inicialmente na capela mortuária da Matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Depois da missa das 18h, será transferido para o interior da própria igreja, onde permanecerá até amanhã, às 8h, quando haverá uma missa especial.
Posteriormente, o sepultamento no Cemitério de Nossa Senhora dos Mártires.
O Espaço Aberto para por alguns dias.

Emir Bemerguy, um sábio

VICENTE JOSÉ MALHEIROS DA FONSECA

EMIR HERMES BEMERGUY (filho de Vidal Macedo Bemerguy e Raimunda Ribatejo Bemerguy) nasceu no Vale do Tapajós (Fordlândia, Pará), em 4 de março de 1933 e reside em Santarém há mais de meio século. Começou a estudar em Belterra (PA) e prosseguiu os estudos no Colégio Dom Amando (Santarém) e no Colégio Nazaré (Belém). Graduou-se em Odontologia (1956) e exerceu a profissão por 30 anos. Em 1958, casou-se com Berenice Maria de Souza Bemerguy – sua colega de turma na Universidade Federal do Pará – com quem teve seis filhos: Emir Filho, Vidal Antônio, Telma Suely (falecida), Márcia Regina, Lúcio Ércio e Lila Rosa, além de Socorro (adotiva), que lhes deram os netos Vitor, Maitê, Rafael, Marcos, Tiago, Telma, Mateus, Mauri e Maria Clara. Durante 25 anos exerceu o magistério nos Colégios Santa Clara e Dom Amando, ministrando aulas de Física, Química, Biologia, Higiene, Ciências Naturais, Puericultura, Francês e Português; e também foi professor de Estudos dos Problemas Brasileiros nas Faculdades Integradas do Tapajós (FIT), em Santarém. Seresteiro, tocador de violão, apreciador da boa música e compositor, manteve por vários anos o programa “Poemas e Canções”, na Rádio Rural de Santarém. Dedicou-se ainda à literatura, como escritor e poeta. Escreveu inúmeras crônicas, contos, romances e possui mais de vinte livros de prosas e poesias (cerca de 700 poemas), quase todos inéditos. É autor dos livros “Aquarela Mocoronga” (1984), coletânea de poemas sobre a magia, as lendas, a natureza e aspectos humanos da vida santarena; “Diário de um Convertido” (2000); “Momentos Poéticos” (2007) e “Santarenices – Coisas de Santarém” (2010), estes últimos editados pelo Instituto Cultural Boanerges Sena e apoio da Prefeitura Municipal de Santarém (Governo Maria do Carmo Martins Lima). O seu quarto livro reúne crônicas escritas originariamente para o antigo Jornal de Santarém, no período de 1966 a 1998, inclusive os perfis de diversas personalidades da história da cidade, como Aloysio Melo, Osmar Simões, Francisco Coimbra Lobato, Wilson Fonseca (maestro Isoca, meu pai), Carlos Meschede, Everaldo Martins, Manoel de Jesus Moraes, Zeca BBC, Vicente Malheiros (meu avô materno) e outros. Foi organizador da “Antologia dos Poetas Santarenos”, edição comemorativa dos 337 anos de Fundação de Santarém (1661-1998), Prefeitura Municipal de Santarém – Coordenadoria de Cultura, Gráfica e Editora Tiagão, 1998. Há 30 anos escreve em jornais de Santarém (“Jornal do Baixo Amazonas”, “Hiléia Amazônica”, “Tapajós” e outros). Publicou artigos dominicais (mais de 700) no jornal “O Liberal”, de Belém, desde 1977, e foi colaborador dos Diários Associados.
É autor de uma dezena de composições próprias e de mais de uma centena de letras de músicas compostas por Wilson Fonseca (maestro Isoca), inclusive hinos de diversas instituições, como o Hino da Festa de N. S. da Conceição (1971). Em 1993, recebeu o “Troféu Felisbelo Sussuarana”, prêmio máximo da literatura santarena, concedido pela Associação de Poetas e Escritores do Oeste do Pará. Por muitos anos coordenou a comissão organizadora da Revista do Programa da Festa de N. S. da Conceição, onde escreveu numerosos artigos.
Artigo especial para o Programa da Festa de N. S. da Conceição, Santarém (PA), 2010. Desembargador Federal do Trabalho, Professor na Universidade da Amazônia (UNAMA) e Compositor.
É membro efetivo e vitalício da Academia de Letras e Artes de Santarém, na Cadeira nº 38, cujo patrono é o Bispo Dom Tiago Ryan, em sucessão ao Bispo Dom Lino Vombommel.
O poeta Emir Bemerguy é parceiro musical de três gerações da família Fonseca. De parceria com meu avô José Agostinho da Fonseca (1886-1945), Emir escreveu, em 1970, a letra da Canção do Forasteiro (samba) – adaptação da música O Relógio (parte integrante da revista teatral “Eu Vou Telegrafar”, de Felisbelo Sussuarana, de 1925); e a letra, em 1986, do schottisch Idílio do Infinito (1906), a primeira composição musical escrita em Santarém (PA).
Aliás, a Canção do Forasteiro foi cantada por mim, acompanhado do Conjunto “Os Mocorongos”, na gravação do LP “Santarém do Meu Coração” (6ª faixa do lado B), que registra músicas executadas na memorável “Semana de Santarém”, realizada no Theatro da Paz, em Belém (PA), em outubro de 1972. Confira no livro “José Agostinho da Fonseca – O Músico-Poeta” (Wilmar Dias da Fonseca), Imprensa Oficial do Estado do Pará, 1978, Belém/Santarém (PA), p. 152. Eram integrantes do Conjunto “Os Mocorongos”: Wilson Fonseca (piano), José Agostinho da Fonseca Neto (órgão e contrabaixo), Vicente Fonseca (violão), Djalma Vasconcelos (bateria) e Conceição Fonseca (ritmista).
E quanto ao Idílio do Infinito, transcrevo o registro que fiz na biografia que venho elaborando sobre meu avô José Agostinho da Fonseca: “A sua primeira composição, o schottish Idílio do Infinito (1906), foi executada pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, na Casa da Cultura, em Santarém (PA), em 17 de novembro de 2006, com arranjo orquestral elaborado por seu neto Vicente José Malheiros da Fonseca, especialmente escrito para comemorar o centenário desta peça, considerada a primeira música escrita na Pérola do Tapajós, durante o lançamento da coletânea ‘Meu Baú Mocorongo’ (Wilson Fonseca – Maestro Isoca), editada pelo Governo do Estado do Pará, data em que também ocorreu a inauguração, pela Infraero, do busto do seu filho no Aeroporto de Santarém (PA) – ‘Maestro Wilson Fonseca’ (Lei Federal nº 11.338, de 03.08.2006 – DOU 04.08.2006)”.
Emir Bemerguy escreveu diversos textos poéticos para músicas compostas por meu pai Wilson Fonseca (1912-2002), que se tornaram clássicos do cancioneiro santareno: Adeus, Vera-Paz; Cabocla Tapajônia; Canção da Vera-Paz; Curupira; Feira Santarena; Hino da Festa de N. S. da Conceição; Peixada na Praia; Quando Canta o Uirapuru; Saudade da Seresta; Sonho Predileto; Triunfal Consagração; Hino do Colégio Santa Clara e tantas outras.
Confrade na Academia de Letras e Artes de Santarém, Emir Bemerguy é também meu parceiro em 12 obras musicais, como autor de belos textos poéticos. A parceria se iniciou com a música Queixumes do Fim, que completou, em 2008, 40 anos. Na ocasião, universitário de Direito, eu estava em Santarém passando férias. Em seguida, veio a Missa Popular, tocada nas missas celebradas pelo Padre Raul Tavares de Sousa, na Casa da Juventude (onde morei quando universitário), em Belém. Foi cantada na missa de Colação de Grau das Pedagogistas de 1970, no Colégio Santa Clara, de Santarém, de que faziam parte minha irmã Maria da Conceição e Maria Zuíla Lima Dutra, colega de magistratura trabalhista e esposa do jornalista Manuel Dutra. [Compus outras peças sacras, como a Ave Maria (dedicada ao Papa Bento XVI); Cânticos em homenagem a Santíssima Trindade (letra: Padre Ronaldo Menezes); e Maria – Ave Maria dos Migrantes (Coro a 4 vozes mistas e Órgão), vencedora no Concurso Nacional de Composição de Música Sacra (2010), promovido pela Paróquia Nossa Senhora de Boa Viagem – Igreja Matriz de São Bernardo do Campo (SP)].
O Hino do Coral de Santarém tem parceria tríplice: Emir, Wilson Fonseca e eu. Fiz a introdução e a 1ª parte. Meu pai, o estribilho e o arranjo para coro. A Praça da Matriz é a quarta música de nossa parceria. Depois vieram o samba Jóia de Deus, o Hino das Olimpíadas do Colégio Dom Amando, Lenda da Vitória-Régia, Lenda da Mãe D’Água (estas duas cantadas pelo Coro Carlos Gomes, em Belém, sob regência da maestrina Maria Antônia Jimenez), a valsa Eliane (para os 15 anos da homenageada, filha de Wilmar Frazão, no Centro Recreativo), o samba-enredo Tempos de Criança (encomendado pelo artesão e cantor Laurimar Leal, dirigente da Escola de Samba Ases do Samba, para o carnaval santareno de 1978), o Hino ao Centenário do Theatro da Paz (dedicado ao maestro Waldemar Henrique, a quem entreguei a partitura para canto e piano; depois escrevi outros arranjos, inclusive para orquestra sinfônica) e a canção Saudade Perfumada (que subintitulei de Elegia para Telminha, sua filha).
Falemos um pouco da Praça da Matriz. Em 1975, o poeta Emir Bemerguy enviou-me um belo soneto, escrito em 1970. Seu título: Praça da Matriz. Compus então a marcha-rancho, gravada pelo cantor Ray Brito e o Conjunto Os Hippies (de Odilson Matos), onde tocava o meu irmão José Agostinho (Tinho). A música tornou-se muito conhecida em Santarém. Meu pai (Isoca) elaborou um arranjo, tocado pela Banda (atual Filarmônica) Municipal Prof. Agostinho. Desse arranjo sobraram apenas as partes individuais de alguns instrumentos, segundo me disse o primo João Paulo, filho de Wilde Fonseca (tio Dororó), dirigente da banda. Resolvi fazer outro arranjo para orquestra, ainda inédito. Elaborei diversos arranjos para a Praça da Matriz, um deles gravado em CD pelo Coral da FIT-Faculdades Integradas do Tapajós, sob regência da maestrina Ádrea Taiana Figueira Lopes.
Por ocasião dos 348 anos da fundação da Pérola do Tapajós (22.06.2009), como parte integrante da programação do Projeto Produção de Réplicas e Catalogação dos Prédios Históricos da cidade, realizado pelas Faculdades Integradas do Tapajós, foi afixada uma placa, na Praça da Matriz, que contém a letra e a partitura musical da Praça da Matriz, cantada pelo Coral da FIT. Não pude ir a Santarém, mas enviei um texto de agradecimento. Na verdade, a obra musical constitui homenagem do poeta e do compositor à secular Praça da Matriz de Santarém.
Na década de 70, já magistrado, toquei a Praça da Matriz na Banda Prof. José Agostinho, no coreto da praça, durante a Festa de N. S. da Conceição, em companhia de pedreiro, alfaiate, tratorista, biscateiro, pescador e outros operários humildes. Todavia, naquele grupo musical não estava o magistrado, mas o executante de sax-horn e barítono, todos sob a direção de meu pai e meu tio Dororó. Que saudade daquele tempo: ‘pedaços coloridos de uma vida’., como diz o belo poema de Emir. Naquela época, Emir me escreveu uma cartinha em que alertava: “Diz o Eclesiastes que, na vida ‘chega a hora para tudo’.. Percebo, encantado, que soou, nos relógios de Deus, o momento de o jovem e talentoso amigo ser acometido por uma bendita, crescente e incurável febre criativa, em termos de música! Não tome qualquer chá, nem se sujeite a benzeduras: deixe que a moléstia o envolva inteiramente, para o deleite de todos nós! ‘Praça da Matriz’.. Linda marcha-rancho!” Digo eu: lindo poema! Quando me recuperava de uma intervenção cirúrgica, em agosto de 2000, Presidente do TRT-8ª Região, duas coisas eu fazia todos os dias, em convalescência: a leitura do livro “Diário de um Convertido”, de Emir Bemerguy; e a audição da 9ª Sinfonia, de Beethoven, uma de minhas músicas preferidas (especialmente, o maravilhoso Adágio), agradáveis companhias, que certamente ajudaram na minha cura. Salve o grande poeta e parceiro Emir Bemerguy. Um sábio!

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VICENTE JOSÉ MALHEIROS DA FONSECA é desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, músico e compositor. É filho do saudoso Maestro Wilson Fonseca, o Isoca.

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ATUALIZAÇÃO ÀS 19H40:


Parcerias de Vicente Fonseca com Emir Bemerguy

Abaixo, em ordem cronológica:

1. "Queixumes do Fim" (samba lento)
2. "Missa Popular" (7 partes)
3. "Hino do Coral de Santarém" (música: Vicente Fonseca e Wilson
Fonseca)
4. "Praça da Matriz" (marcha-rancho)
5. "Jóia de Deus" (samba lento)
6. "Lenda da Vitória-Régia" (canção – samba)
7. “Hino das Olimpíadas do Colégio ‘Dom Amando’”
8. "Lenda da Mãe D'Água" (toada moderna – samba lento)
9. "Eliane (II)" (valsa)
10."Tempos de Criança" (samba-enredo)
11."Hino ao Centenário do Theatro da Paz"
12.“Saudade Perfumada” (Elegia para Telminha) – canção
13.“Quinze Anos” (valsa)
14. Hino da Academia de Letras e Artes de Santarém” (letra: Vicente Fonseca e Emir Bemerguy. Música: Vicente Fonseca)
15.“Cidadela de Bravos” (hino-marcha)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

"Sou tricolor de coração", sou do clube tetracampeão


Olhem, meus caros.
Com a licença de vocês, mas o Espaço Aberto, por imposição aqui da redação, unanimemente tricolor (rss), precisa começar as suas postagens com este hino.
O Fluminense é tetracampeão brasileiro.
Todos os títulos tocam fundo o torcedor, não é?
Pode ser até um título de jogo de peteca, mas o campeão se comove.
Imaginem então quando é um título brasileiro.
Um título incontestável.
Magistral.
Fenomenal.
Um título em que o campeão botou a mão na taça com três rodadas de antecipação.
Um título em que o campeão faturou, até agora, o maior pontuação na fase dos pontos corridos do Campeonato Brasileiro da Série A.
Este, amigos, é o Tricolor.
Este é um time que dá orgulho aos seus torcedores.
Este é um time de guerreiros, que em nenhum momento mostrou soberba.
Sempre mostrou humildade.
Dedicação.
Solidarismo no elenco.
Quantas vezes vocês não viram o pessoal que está no banco correr para o gramado para festejar o gol contra os companheiro.
Rapazes e moças: este é um verdadeiro campeão.
Ou melhor: tetracampeão brasileiro de 2012.
Com todos os méritos.
E mais alguns.

Fred, o cara. O guerreiro que já está no panteão.


Fred foi o cara no jogo de ontem.
Fred, aliás, é o cara.
Fred, há muito, já inscreveu seu nome no Fluminense, o novo tetracampeão brasileiro.
O Flu de Castilho, de Félix (grande e saudoso Félix), de Flávio, Samarone, de Lula, Gerson, Carlos Alberto Pintinho, Rivelino, do casal 20 Assis/Washington, o Fluminense de todos esses craques, alguns já na eternidade, também é o de Fred.
Ele inscreveu seu nome no panteão dos heróis tricolores não apenas por ter marcado os três gols de ontem.
Não apenas por ser o artilheiro do Brasileiro.
Fred é o cara porque se firmou como uma liderança no elenco do Fluminense e já deu, ele próprio, fartas demonstrações de amor ao Flu.
Fred é o cara porque, a um grupo - um reduzido, diminuto grupo - de torcedores que o acusava de cair nas baladas, respondeu dentro de campo, com uma humildade que só os grandes têm.
Quem acompanha futebol e especialmente o Fluminense deve estar lembrado que Fred já salvou até gol, tirando bola que estava quase nas rede do Tricolor.
Frequentemente, Fred, o artilheiro, vai para a área de seu time reforçar a defesa, durante as cobranças de escanteio do adversário.
Esse é Fred.
O cara.
Um guerreiro que encarna o espírito dos outros guerreiros que jogam com ele.