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quarta-feira, 10 de julho de 2024

O tudo ou nada contra Daniel. E se ele ganhar de lavada?


A política tem dessas coisas, você sabe.
O santo - puro e imaculado - de hoje será o patife de amanhã. E vice-versa. Tudo vai depender das cirscunstâncias ditadas pelas disputas e paixões políticas.
É o que ocorre com Daniel Santos (PSB), o Doutor Daniel, prefeito de Ananindeua e pré-candidato a se reeleger com uma margem avassaladora de votos, segundo as pesquisas - tanto as críveis como as nem tanto (e muito pelo contrário).
Daniel rompeu com Helder Barbalho (MDB) e passou a ser a Geni da vez.
Os dois jornais de Belém exibiram nos últimos dias (um no domingo, outro nesta quarta), com destaque, matérias sobre o patrimônio amealhado por Daniel nos últimos anos.
As matérias dão continuidade a tantas outras. As acusações menos graves - as menos graves, repita-se - apontam o prefeito como caloteiro que teria inviabilizado, por falta de pagamento, o funcionamento de um pronto-socorro na cidade.
É um tudo ou nada contra Daniel, como se vê.
Consulto três ou quatro pessoas que residem na área de Ananindeua. As quatro responderam que têm conhecimento das denúncias envolvendo o gestor. Mas, de propósito, não quis perguntar-lhes se acreditam ou não nas acusações feitas a ele.
Já que fazem pesquisas pra tudo, essa questão - sobre os efeitos das denúncias contra Daniel na preferência do eleitorado - poderia ser levantada com maior profundidade pelos interessados em buscar projeções em relação ao pleito de outubro.
Mas uma coisa é certa: se Daniel, apesar da avalanche de denúncias contra ele, for reeleito com a margem enorme de votos que se prevê neste momento, seu cacife político tende a aumentar ainda mais. E aí, 2026 é logo ali.
Todavia, aguardemos!
Em política, esperar é, muitas vezes, a conduta mais prudente.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Uma vitória épica do Remo. Uma derrota humilhante do torcedor paraense.


Escrevi isso aqui em 2011. Faz 12 anos, portanto. Doze!
Mas escrevi a mesmíssima coisa outras tantas vezes, antes mesmo de 2011.
Nesta quarta-feira (12) à noite, fui ao Mangueirão ver o Remo, uma de minhas paixões, jogar.
Vivi uma noite épica, extasiante, com a vitória remista por 2 a 0 sobre o Corinthians pela Copa do Brasil, o primeiro gol marcado por Richard Franco e o segundo, por Muriqui, que aparece na foto (Ascom/Remo).
O Leão excedeu-se em suas próprias forças e ganhou. Viva!
Nós - e eu mais 39.999 torcedores -, que comparecemos ao Mangueirão, perdemos. Fomos derrotados. Humilhados. Desprezados. Maltratados.
E sempre somos - derrotados, humilhados, desprezados e maltratados. Só não desistimos porque, ao contrário da sentença euclidiana de que o sertanejo é, antes de tudo, um forte, o torcedor paraense, também ele, é um forte. Fortíssimo.
Segue o fio.

Torcedor castigado no trânsito
O trânsito estava um caos. O caos normal, da hora do rush, foi quadruplicado. Saí de casa, em Nazaré, às 18h10, três horas e meia antes de a partida começar. Ingressei no estacionamento do Mangueirão duas horas e dez minutos depois, às 20h20. No percurso de 14 quilômetros (medidos no Google Maps) entre minha casa e o estádio, não vi um, um sequer, agente de trânsito. Para dizer que não vi nenhum, estavam uns três ou quatro no Elevado Daniel Berg, onde estreitaram uma via para facilitar o trânsito de quem vinha pela Pedro Álvares Cabral para chegar à Júlio César e depois à Centenário.

Torcedor desorientado pela desinformação
Para ingressar no estádio, levei meia hora. Comprei uma cadeia no Setor A. Ninguém sabia me informar qual o portão a que deveriam se dirigir os portadores de ingressos no Setor A.
Depois de ir a quatro portões e me dizerem que não era ali que eu deveria entrar, travei um diálogo excitante, quase orgásmico, com um cidadão que estava entre os 400 mil escalados para orientar, para ensinar aos torcedores o rumo que deveriam tomar para entrarem no estádio.
- Amigo, por onde eu entro? - perguntei-lhe, mostrando o ingresso no celular.
- Não é aqui. Aqui é só quem vai pra arquibancada.
- Então, onde é o meu portão?
- Não sei.
- Mas tu não não estás aqui pra orientar?
- Estou. Mas só oriento este espaço aqui - respondeu, indicando com os dedos para o chão.
Olhem, já assisti a jogos no Parc des Princes, no Maracanã, Morumbi, Itaquerão, Allianz Parque, Vila Belmiro e Brinco de Ouro, entre outros. No Planeta Pará, já estive até no Diogão, em Bragança, sob um sol de 400 graus.
Em qualquer um desses templos do futebol, as pessoas que orientam torcedores sabem tudo. No Parc des Princes, em Paris, se você perguntar - até mesmo em português - onde fica o Diogão, eles vão te dizer. E no Diogão, se você perguntar - até mesmo em francês - como se chega ao Parc des Princes, eles também vão te dizer.
No Mangueirão, neste não.
No Mangueirão, ninguém sabe dizer, ao que parece, nem mesmo onde fica o Mangueirão.

Torcedor barrado nos portões
Felizmente, não passei por esta situação, mas há evidências concretas de que milhares de torcedores, com ingressos na mão, não puderam entrar no Mangueirão porque os portões foram fechados alguns minutos antes de a partida começar. A alegação: o estádio já estaria lotado.
A direção do Remo garante que não vendeu ingressos a mais e que não mandou fechar o portão. Quem mandou, então? A Seel? A PM? Quem? O Remo, a Seel e a PM precisam acertar esse discurso.
E quem vai ressarcir os torcedores lesados? O Remo? A Seel? A PM? Quem, afinal?

Torcedor exposto a violências
Às proximidades, vândalos organizados (que alguns insistem em chamar de torcidas organizadas) se engalfinharam-se às proximidades do Mangueirão. Civilizados, não usaram os punhos, mas bombas e outros objetos contundentes. Um horror! Saldo, segundo se sabe até agora. Pelo menos uma pessoa ferida e um torcedor morto, após ser atingido por um rojão.

Estão aí os troféus ofertados ao torcedor paraense conjuntamente - pelo Remo, pela Segurança Pública, pela Semob e pela Seel -não necessariamente nessa ordem.
Nós, torcedores, merecemos isso?
É claro que merecemos. Se não merecêssemos, não seríamos paraenses. Ou melhor, torcedores paraenses.
Ah, sim. Apenas mais uma coisa.
Sabem aquela música inebriante que a galera remista canta? Aquela: Uma coisa te peço / joga com raça e paixão / honra essa camisa / meu poderoso Leão / ôôôôôôôôôôôôôôôôôô
Pois é.
O Leão honrou a camisa.
E nós, honramos a nossa: a de fortes torcedores paraenses.
Viva nóis!

sábado, 15 de janeiro de 2022

As paixões políticas, os noivos, o oficialismo, as artes. A História na vitrine, em 200 anos de jornalismo no Pará.




Jornais, de larga ou diminuta circulação, de longa ou curta existência, não se tornam vitrines da História apenas porque publicam ocorrências de grande repercussão e que afetam, por isso, coletividades inteiras. Eles se tornam vitrines da História porque também veiculam hábitos, costumes, práticas, aspirações e expressões artísticas e culturais das sociedades, externadas nas individualidades, nas rotinas, no dia a dia dos cidadãos comuns.
Os jornais que circularam em Belém nos séculos XIX e XX (alguns deles circulando até agora), demonstram bem isso, seja quando festejavam a vitória eleitoral do líder político que apoiavam, seja quando publicavam em suas páginas - inclusive na primeira - anúncios de noivados que uniriam pessoas de "famílias gradas", seja quando anunciavam espetáculos apresentados em seus teatros ou advertiam que, nas festas de Carnaval, só seria permitido o ingresso de pessoas "decentemente" trajadas.
Constata-se isso - os jornais como expressões vivas de suas épocas - quando se visita, como eu visitei neste sábado (15), a 3ª edição da exposição “Belém Viva Belém”, projeto desenvolvido pelo Castanheira Shopping para homenagear Belém no mês de seu aniversário.
Sob a curadoria da doutora e professora de História da Arte Rosa Arraes, foi aberta na última quarta-feira (12), no 2º e 3º pisos do shopping, exposição que tem como tema as “Memórias do Nosso Jornalismo Impresso” ao longo de 200 anos, que mostra a primeira edição de vinte dos mais duradouros jornais impressos de Belém, a começar pelo “O Paraense”, de 1822 - primeiro jornal impresso no Pará.
Homenageados - Um dos homenageados da mostra é o jornalista e empresário Romulo Maiorana, que faria 100 anos em 2022 e fez de seu O LIBERAL o primeiro jornal do Pará e um do primeiros do Brasil a imprimir em offset, a partir de maio de 1972.
O outro homenageado é o jornalista Paulo Maranhão, que completaria 150
anos neste 2022 e viveu até os 94 anos escrevendo para a Folha do Norte, que funcionava na Gaspar Vianna, na sede que posteriormente foi de O LIBERAL, até este jornal transferir-se para a Avenida Romulo Maiorana, no bairro do Marco.
Maranhão foi considerado o jornalista mais antigo do mundo em atuação. Humberto de Campos, o excelente escritor maranhense que chegou a integrar a Academia Brasileira de Letras e integrou o quadro de redatores de "A Província do Pará", descreveu assim a paixão de Paulo Maranhão por seu jornal: “Folha do Norte, por ela vivia, por ela morria”.
Oficialismo e paixão - Na exposição, salta aos olhos a orientação editorial dos jornais, que ora eram oficialistas aos extremos, ora projetavam-se como defensores de causas ou de projetos políticos que faziam de suas páginas estopins para a explosão de emoções desabridas, que não raro desembocaram em atentados e mortes, como a de Paulo Eleutério, que foi morto a tiros dentro da redação de O LIBERAL, em maio de 1950.
Ressaltem-se dois exemplos emblemáticos.
Em seu Treze de Maio, que circulou de 1840 a 1862, Honório José dos Santos avisa logo que não admitiria a publicação de qualquer comentário que envolvesse a vida particular de alguém. E em relação ao Poder Público? Também não, a menos que a autoridade permitisse. Escreveu o jornalista: Repelimos qualquer correspondência, ou polêmica, que tenha por objeto a vida particular de alguém, ou por fim a oposição aos atos de qualquer Autoridade que seja, exceto se da Autoridade competente tivermos, por nossa salvaguarda, permissão para o fazer.
Já O LIBERAL, em seu primeiro número, demarca claramente seu território: defender com unhas e dentes o governo de Magalhães Barata, que na época enfrentava severa oposição da Folha do Norte, de Paulo Maranhão. Dizia editorial publicado na primeira página: Saberemos revidar as afrontas, destruir e pulverizar as infâmias de nossos detratores, mas sempre prevenidos higienicamente, tomando as necessárias precauções todas as vezes que tenhamos de intervir de bisturi em punho nas purulências morais dos nossos conhecidos inimigos.
Omissões - Exposições como a do Castanheira, que pretendem enfrentar um tema que compreende nada menos do que dois séculos, acabam, incontornavelmente, omitindo informações. Essas omissões, ressalte-se, nem sempre decorrem da falta de critérios escolhidos pela curadoria para exibir as peças que entende essenciais, mas decorrem de vários outros fatores, até mesmo da indisponibilidade do espaço físico para abrigar tudo o que seria importante e imprescindível.
Chama atenção, de qualquer forma, não ter sido feita qualquer referência a veículos que marcaram época na história dos jornais do Pará, como é o caso do Resistência, o principal veículo de comunicação da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos desde 1978, que foi alvo até mesmo de empastelamentos pela ditadura militar. Ainda hoje o jornal sobrevive, e recentemente abriu um versão on-line, ainda incipiente.
Neste sábado (15), na coluna que assina no Diário do Pará, o jornalista Raymundo Mário Sobral reclama que o seu PQP - Um Jornal Pra Quem Pode foi sido esquecido pela mostra do Castanheira. "As pessoas podem alegar que PQP - Um Jornal Pra Quem Pode foi alienado, insano, indiferente às magnas questões que assolavam a Nação. Concordo. Em parte. Ocorre que mesmo assim, como todos os senões, 'PQP' existiu e fez parte, queiram ou não queiram, de um ciclo de 23 anos da Imprensa de nossa terra natal", escreve sobral, num texto que intitulou de "O 'sequestro' do PQP".
As omissões nesse tipo de exposição, como já dito, são inevitáveis. Mesmo assim, ressalte-se a relevância da mostra em exibição no Castanheira, sobretudo por destacar a enorme influência que os jornais exerciam em sociedades que ainda não contavam com meios eletrônicos, como emissoras de rádio e televisão, mas que tinham nos veículos impressos poderosos, para não dizer poderosíssimos instrumentos de interação social

Serviço: A exposição “Belém Viva Belém - Memórias do Nosso Jornalismo Impresso” foi aberta dia 12 de janeiro e continua no 2º e 3º pisos do Castanheira Shopping (BR-316 – Km 01 -S/N). Visitação aberta ao público de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, das 14h às 22h, até 31 de janeiro.

sábado, 19 de setembro de 2020

Os resilientes ainda não acreditam, mas Úrsula não poderia mesmo participar das eleições deste ano

Úrsula Vidal: os resilientes podem até não acreditar, mas ela não poderia
mesmo disputar as eleições deste ano. Palavra do TSE.

Resiliência é substantivo inscrito no léxico há trocentos milhões de anos.

Mas, parece, foi descoberto apenas mudernamente.

E mudernamente tem sido usado exaustivamente para definir quase tudo.

Inclusive para definir equivocadamente condutas que nada têm de resilientes.

E assim é que há os, digamos assim, juristas resilientes.

Eles não se rendem, não se curvam, não se dobram às evidências nem que a vaca tussa.

Quando contaminados por paixões político-partidárias, então, aí mesmo é que nada é capaz de convencê-los de que dois e dois são quatro e muito menos de que a Terra é redonda (ou plana, como acredita uma certa catiguria de patriotas).

Pois o Espaço Aberto ainda está recebendo, aqui e ali, opiniões de leitores que não se conformam com a inalterabilidade dos prazos previstos na PEC nº 107/2020 (convertida na LC n° 64/90, que adiou as eleições deste ano de outubro para novembro e acabou inviabilizando a candidatura da secretária de Cultura, Úrsula Vidal.

Mesmo que o prazo das convenções já tenha expirado na quarta-feira passada, dia 16, leitores anônimos, com linguajar que trai sua atuação na área do Direito e indica suas paixões político-partidárias, precisam conhecer, pelo menos, a resposta do TSE a uma consulta formulada sobre o prazo para desincompatibilização relativo às eleições de novembro.

Se quiserem, vejam no TSE o processo nº 0601158-37.2020.6.00.0000.

O consulente foi o deputado Félix Mendonça (PDT-BA) e relator, o ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.

O acórdão da Corte, lavrado em 20 de agosto e publicado em 2 de setembro, é claro, claríssimo, ao reforçar que o prazo para desincompatibilização de servidores públicos e agentes políticos expirou em 4 de junho de 2020, e não em 15 de julho de 2020, como chegou a acreditar a secretária Úrsula Vidal.

Os juristas resilientes podem não acreditar, mas, como diria José Luiz Datena, aquele filósofo, pré-socrático, "essa é a realidade dos fatos".

Leiam, abaixo, o acórdão:

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1. Consulta formulada nos seguintes termos: "as hipóteses previstas na LC n° 64/90 que repousam na

necessidade dos servidores públicos e agentes políticos se afastarem dos seus cargos e funções pelo

prazo de 04 (quatro) meses anteriores a data da eleição, deverão considerar a data 4 de junho de 2020

ou 15 de julho de 2020?".

2. A formulação de consulta válida pressupõe o cumprimento de três requisitos cumulativos: i) a

legitimidade do consulente; ii) a pertinência temática; e iii) a inequívoca abstração aliada à objetividade

e clareza da dúvida plausível. Atendimento, no caso, de todos os elementos.

3. Os prazos de desincompatibilização quadrimestrais da Lei Complementar no 64/90, levando-se em

conta a data anteriormente prevista para o pleito eleitoral, venceram em 4 de junho de 2020, ou seja, em

data anterior à da publicação da Emenda Constitucional nº 107/2020, o que impõe a incidência do

instituto da preclusão disposto no art. 1º, § 3º, IV, b, da referida norma, vedada a sua reabertura.

4. Consulta conhecida e respondida no sentido de que o prazo para desincompatibilização para aqueles

agentes públicos que, nos moldes da Lei das Inelegibilidades, devem se afastar de suas funções quatro

meses antes das eleições segue o disposto no art. 1º, § 3º, IV, b, da Emenda Constitucional no 107/2020.

Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em responder a consulta no

sentido de que o prazo para desincompatibilização para aqueles agentes públicos que, nos moldes da Lei

das Inelegibilidades, devem se afastar de suas funções 4 (quatro) meses antes das eleições segue o

disposto no art. 1º, § 3º, IV, b, da Emenda Constitucional no 107/2020, nos termos do voto do relator.


Brasília, 20 de agosto de 2020.

MINISTRO TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO - RELATOR

Publicado em 02.09.2020

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Dez candidatos querem governar Belém. Terá, cada um, pelo menos dez propostas viáveis e concretas para Belém?

Belem vista a partir da Ilha do Combu: apenas cinco promessas bem cumpridas já servem
(Foto: Espaço Aberto)

Edmilson Rodrigues (PSOL), Thiago Araújo (Cidadania), Cássio Andrade (PSB), José Priante (MDB), Gustavo Sefer (PSD), Everaldo Eguchi (Patriota), Mário Couto (PRTB), Vavá Martins (Republicanos), Guilherme Lessa (PTC) e Cleber Rebelo (PSTU).

São dez os candidatos confirmados a prefeito de Belém nas eleições de novembro.

É muito candidato, gente.

São muitos partidos.

São muitos nomes.

Belém, sabemos, tem uma miríade de problemas.

Há mais de 1 mil problemas para cada candidato.

Eleições, também sabemos, são um sorvedouro de promessas. Cumpri-las é sempre um drama, no decurso do qual governantes eleitos revelam, geralmente, todo o potencial que possuem para enganar todo mundo, todo dia, ao mesmo tempo.

Se cada candidato apresentasse dez propostas - fundamentadas, factíveis, viáveis - de largo alcance (social, inclusive) para Belém, Belém agradeceria.

E se cinco - pelo menos cinco - dessas dez propostas fossem plenamente cumpridas, o nome desse governante já mereceria uma estauta.

Belém terá isso desta vez?

Terá pelo menos cinco bons motivos para acreditar que o compromisso do Poder Público com o bem-estar coletivo pode operar-se concretamente, acima inclusive de paixões políticas?

A conferir.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Dom Alberto e dom Erwin assinam carta que é um torpedo contra o governo Bolsonaro

Dom Alberto e dom Erwin: signatários de uma carta que
desfecha críticas diretas e contundentes ao governo Bolsonaro


O arcebispo de Belém, dom Alberto Taveira Corrêa, e o bispo prelado emérito do Xingu (PA), dom Erwin Krautler, estão entre os 152 bispos, arcebispos e bispos eméritos com atuação no Brasil que assinam uma carta com críticas diretas e contundentes ao governo Jair Bolsonaro. A revelação do documento foi feita pela repórter Monica Bergamo, que assina matéria publicada na página A7 do jornal Folha de S.Paulo, edição desta segunda-feira (27).

A profundidade das críticas, a aspereza de seu linguajar e a expressão objetiva do sentimento de preocupação e de repulsa dos signatários diante da conjuntura do País são razões que talvez tenham levado a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a segurar a divulgação do documento, que está submetido a uma análise do conselho permanente da entidade.

A carta dos religiosos é um míssil de muitos megatons contra o governo Bolsonaro. Um míssil carregado de verdades que, por serem tenebrosamente claras para todo mundo, tornam-se muito expressivas e significativas quando abordadas, sem retoques e maiores refinamentos, por pastores da Igreja Católica que exercem funções de comando em suas arquidioceses ou dioceses em várias regiões do Brasil.

O texto afirma que o Brasil atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história, vivendo uma "tempestade perfeita", combinando uma crise sem precedentes na saúde e um "avassalador colapso na economia" com a tensão sofre "fundamentos da República, provocada em grande medida por Bolsonaro e outros setores da sociedade.

" Analisando o cenário político, sem paixões, percebemos claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises", diz o documento. "Assistimos, sistematicamente, a discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela Covid-19, tratando-o como fruto do acaso ou do castigo divino", segue a carta.

O documento refere-se ainda ao "caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço".

"Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja, no seguimento àquele que veio `para que todos tenham vida e a tenham em abundância`”.

Os signatários reconhecem que o país precisa de reformas, "mas não como as que foram feitas, cujos resultados pioraram a vida dos pobres, desprotegeram vulneráveis, liberaram o uso de agrotóxicos antes proibidos, afrouxaram o controle de desmatamentos e, por isso, não favoreceram o bem comum e a paz social. É insustentável uma economia que insiste no neoliberalismo, que privilegia o monopólio de pequenos grupos poderosos em detrimento da grande maioria da população".

O documento afirma ainda que o "sistema do atual governo" não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, "mas a defesa intransigente dos interesses de uma economia que mata, centrada no mercado e no lucro a qualquer preço".

Para eles, o ministro da Economia, Paulo Guedes, "desdenha dos pequenos empresarios" e o governo promove "uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda". ​A carta diz ainda que "o desprezo pela educação, cultura, saúde e pela diplomacia" estarrece, sendo visível nas demonstrações de "raiva" pela educação pública e no "apelo a ideias obscurantistas".

Cita também o que julga ser o uso da religião para "manipular sentimentos e crenças", provocando tensões entre igrejas."Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associação entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário", segue o documento.

Além de dom Alberto e dom Erwin, assinam o texto, entre outros, o arcebispo emérito de São Paulo, dom Claudio Hummes, o bispo emérito de Blumenau, dom Angélico Sandalo Bernardino, pelo bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), dom Edson Taschetto Damian, o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), dom Joaquim Giovani Mol, e o arcebispo de Manaus (AM) e ex-secretário-geral da CNBB dom Leonardi Ulrich.

A CNBB vai assumir como sua, como institucional a carta dos bispos? Eis a grande que, presume-se, será respondida quando o conselho permanente da Conferência concluir a análise do texto. 

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Bolsonaro prega a guerra e depois a paz. E segue em sua ciclotimia.



Bolsonaro, esse ciclotímico, parece que sempre se mostra mais claro, elegante, sincero e autêntico em certos ambientes, como naquela reunião de lordes, realizada em 22 de abril.
Em outros ambientes, Bolsonaro não consegue traduzir nem o que ele mesmo diz.
Na manhã desta quarta (17), o presidente afirmou isso que você assiste no vídeo.
Horas depois, na solenidade de posse do novo ministro das Comunicações, mudou de tom, de mensagem, de linguajar, de tudo, enfim.
E pregou, vejam só, a harmonia entre os poderes e proclamou suas paixões pela Constituição e pela democracia.
Viva Bolsonaro, esse ciclotímico.
Ah, sim.
O vídeo foi pinçado do perfil, no Twitter, de deputada bolsonarista que está entre os investigados pelo Supremo de financiar protestos antidemocráticos.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

O prefeito de Belém reverteu um erro grave. Mas está sendo tratado como o jogador que, mesmo fazendo um gol, é vaiado porque o lance foi feio.


Não sei, sinceramente, quem é o autor dessa frase - em verdade uma sentença que encerra a mais profunda sabedoria.
Porque é isso mesmo: o Brasil conseguiu politizar uma doença que mata. E porque está politizada, a doença pode matar muito mais ainda, porque abandonam-se preceitos médicos e científicos em proveito da prevalência de paixões político-ideológicas que não levam a nada, a não ser tornarem-se um combustível que alimenta fanatismos e discussões estéreis.
Vejam o que aconteceu nesta quinta-feira (30).
A Procuradoria-Geral do Município, que integra a estrutura de governo do prefeito tucano Zenaldo Coutinho, ajuizou ação tresloucada que, ao fim e ao cabo, pedia pura e simplesmente que a Justiça determinasse, em decisão liminar, a suspensão do funcionamento do Hospital Abelardo Santos, transformado em pronto-socorro pelo governador Helder Barbalho (MDB).
O que fez Zenaldo?
Logo depois que a ação começou a repercutir publicamente, o prefeito fez circular um vídeo em que não apenas informava haver determinado à PGM que retirasse a ação como ainda agradeceu o aumento do número de leitos disponíveis para Belém, conforme anunciado pelo governador Helder Barbalho, eis que o “Abelardo Santos”, tranformado em pronto-socorro, ajudará a minorar a situação de colapso em que se encontra o atendimento em unidades de saúde administradas pelo município.
O gesto do prefeito foi louvável por razões várias e inequívocas.
Porque não hesitou em reconhecer um erro. Porque não demorou em revertê-lo. Porque admitiu que diferenças políticas com o governador não devem sobrepor-se ao interesse maior de salvar vidas. Porque demonstrou nobreza em reconhecer que, estando o sistema de saúde do município em colapso, toda e qualquer ajuda do estado será bem-vinda.
Tudo bem? Tudo certo? Agiu bem o prefeito?
Não.
Por quê?
Porque entrou em campo aquela refinada politização, que de tão refinada chega a ser inacreditavelmente incompreensível e escandalosamente desarrazoada.
Pois os refinados politicamente ignoraram a essência da conduta do prefeito e passaram a atacá-lo porque, ora vejam só, ao anunciar publicamente sua decisão, Zenaldo, na percepção desses refinadíssimos apaixonados políticos, teria exposto à execração a Procuradoria Geral do Município, que assinava a ação.
E mais: os refinados políticos também acharam que uma peça jurídica dessa magnitude teria de ser submetida ao crivo de Zenaldo antes de ser proposta, daí entenderem que o principal erro foi dele, e não da PGM.
Essas críticas se parecem com aquela em que um jogador faz um gol, mas a torcida, em vez de comemorar, põe-se a vaiá-lo porque, antes de mandar a bola para as redes, ele trombou com zagueiros, patinou, caiu, levantou-se e, em horríveis e desastradas coreografias, acabou fazendo o gol.
Ou então se parecem com aquele time que conquista um título, mas a torcida inteirinha se põe a vaiá-lo porque, durante todo o campeonato, o novo campeão perdeu e empatou várias vezes.
Vivemos esse clima.
A politização extremada, que  idiotiza e embota a capacidade de avaliação, acaba transformando um gesto objetivamente correto como se fosse um crime.
A que ponto chegamos, gente!

terça-feira, 14 de abril de 2020

Médicos de Belém passam a usar a hidroxicloroquina em pacientes que estão no estágio precoce do Covid-19

Médica vítima do coronavírus em Divinópolis usou hidroxicloroquina ...

Médicos de Belém já estão usando, desde a semana passada, a hidroxicloroquina em pacientes que ainda se encontram em estágios precoces da Covid-19. Essa linha de atuação é um passo adiante à que vem sendo recomendada pelo Ministério da Saúde, cujos protocolos preveem a prescrição do remédio apenas a pacientes graves, sobretudo os que se encontram em grupos de riscos e já se encontram em UTIs.
“Se o paciente se apresenta no atendimento apresentando tosse, febre e se os pulmões dele começarem a apresentar alterações observada em tomografia computadorizada e que apresentem um aspecto de vidro fosco, aqui em Belém esse tipo de paciente já sai pra casa com a receita da hidroxicloroquina associada a um antibiótico, que pode ser a azitromicina, em alguns casos até a lebofloxicina 750mg (que deve ser tomada por cinco dias), ou às vezes um antiviral, o tamiflu. Eles [os médicos] não estão esperando o paciente complicar mais, não”, diz um clínico geral, com especialidade em gastroenterologia, ouvido pelo Espaço Aberto nesta terça-feira (14). Para melhorar a imunidade do paciente e as alterações no organismo causadas pelo vírus, ele reforça que muitos profissionais estão acrescentando no seu esquema terapêutico o zinco e a vitamina D.
O médico esclarece que não conhece qualquer experiência com o uso da hidroxicloroquina em caráter profilático, ou seja, para ser ministrada de forma preventiva, em pacientes que ainda não apresentaram os sintomas do Covid-19.
“No caso da prevenção, não vejo sentido e nem conheço alguém que esteja prescrevendo o remédio nessa situação. Mas nos casos em que o paciente não apresentou sintomas severos do Covid-19, ele já sai do hospital com a sua receita para tomar a hidroxicloroquina. Isso já está sendo feito aqui em Belém”, garante.
O profissional avalia como “correta” a linha de atuação dos médicos que indicam a hidroxicloroquina, em decorrência da forma como se tem observado a ação do novo coronavírus no organismo. "O que se tem notado é que a medicação consegue evitar a replicação viral quando o Covid-19 ainda não tomou conta de todo o parênquima pulmonar. Então, fazer uma medicação com a hidroxicloroquina numa fase muito complicada da doença não vai adiantar muito, porque já haverá outras implicações e aí não haverá mais jeito”, alerta o médico.

O caso de Kalil
Ele refere-se ao caso recente do médico cardiologista de renome nacional Roberto Kalil Filho, que contraiu a doença, já se recuperou e confessou ter tomado a hidroxicloroquina. “Quando perguntaram ao dr. Kalil se ele se salvou porque havia tomado a hidroxicloroquina, o que foi que ele disse? Disse que não sabia se foram os vários remédios que ele tomou, se foram os cuidados médicos ou se foi a hidroxicloroquina especificamente. Mas ele tomou. Ou seja, essa foi uma resposta inteligente, uma vez que não se sabe ainda, com a máxima certeza, se esse remédio é eficaz no combate ao Covid-19. Mas se sabe que, nos pacientes que não apresentam comorbidades, o medicamento não mata. Então, por que não usá-lo?”, questiona o médico.
O profissional deplora que os debates sobre a eficácia sobre o uso da cloroquina e da sua versão mais branda, a hidroxicloroquina, estejam sendo contaminados por paixões ideológicas, a partir do momento em que o presidente Jair Bolsonaro passou a defender o uso do remédio com mais intensidade e frequência do que o recomendado pelo próprio Ministério da Saúde.
“Deveríamos parar com essa política suja. Se o Bolsonaro acertou lá, parabéns pra ele. Quando ele errar, vamos dar vaia. E assim vai. Mas aqui parece que quando um não gosta da outro na política, mesmo que o cara acerte há um outro que está sempre batendo. Então, acho que há autoridades que se recusam a admitir o uso da hidroxicloroquina por pura implicância política. E isso é ruim”, afirma o médico.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

A selvageria num estádio é o retrato deste Brasil - generoso e acolhedor



Vocês já viram essas imagens?
Se não, tirem as crianças da sala quando forem ver.
Porque envolve criança.
E as imagens são um horror.
São verdadeiramente horrorosas.
São horrorosas porque oferecem a dimensão exata sobre o grau de imbecilidade e de insensatez a que as paixões podem levar.
Inclusive as paixões clubísticas.
A cena ocorreu no Grenal de sábado, que terminou empatado em 1 a 1 no estádio Beira-Rio, arena do Inter.
Mãe gremista, que comprara ingresso para assistir ao jogo na zona mista das cadeiras, juntamente com o marido e o filho, foi parar na área reservada à torcida colorada.
Terminado o jogo, resolveu comemorar desfraldando uma camisa do Grêmio.
E despertou a fúria, a selvageria da torcedora colorada, acompanhada de mais dois homens.
E toda essa cena de violência, selvageria, imbecilidade e irracionalidade dos torcedores do Internacional transcorreu sob a vistas do garoto.
A torcedora gremista errou?
Sim. Errou.
Se estava na área destinada à torcida adversária, nunca, jamais, em tempo algum deveria ter feito o que fez.
Deveria, ao contrário, manter-se quieta e comemorar em outra área – das cadeiras, das arquibancadas, fora do estádio, onde fosse.
Cometeu, portanto, uma insensatez.
Mas isso justificava esse grau de violência?
Não.
Nunca, jamais, em tempo algum.
Sobretudo diante de uma criança- indefesa, apavorada e, quem sabe, agora traumatizada por tudo a que assistiu.
Mas é que estamos no Brasil, né?
Este país acolhedor, generoso, amistoso e hospitaleiro.
Pois é.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

A rejeição ao governo do Capitão cresce. Porque crescem os delírios.


Vocês se lembram.
Durante a última campanha eleitoral, redes sociais tornaram-se repositórios de lixos, de imundícies, de excrementos sem fim, inclusive e sobretudo de fake news, despejadas às toneladas com o intuito de defender valores que, conforme se afirmava, são caros à família brasileira.
Vocês sabem.
Tendo assumido o novo governo, há seis meses que o Brasil, aquele mesmo Brasil que, dizia-se, estaria transformado num país de encantos e maravilhas em dois dias, por conta das mágicas de um presidente puro, imaculado e patriota, pois esse mesmo Brasil, gente, continua na mesma. Há seis meses.
Mas a insatisfação, essa não.
Não continua a mesma.
Ela cresce. Sobe. Aumenta e se amplia.
Por quê?
Porque o governo do Capitão ainda não entendeu que pautas ideológicas e titicas de galinhas são a mesmíssima coisa: a gente as notas, mas elas não fazem diferença alguma na vida da pessoas, a não ser, é claro, provocar o acirramento das paixões, agudizar os preconceitos e disseminar os estigmas (sempre horrorosos, vocês sabem).
Meninos de azul e meninas de rosa?
Dizer que universidades são um antro de maconheiros e que é preciso exterminá-las, suprimindo-lhes verbas de custeio?
Facilitar a posse e o porte de armas, a título de garantir a própria segurança, enquanto o estado, a quem caberia nos guardar, nada faz para honrar essa obrigação constituticonal?
Elevar a tolerância com os maus motoristas, a ponto de inexigir-se a obrigatoridade de cadeirinhas nos veículos?
Pois é.
Nada disso concorre para a construção de um país menos injusto, menos intolerante, menos preconceituoso e menos tendente a cair nas armadilhas dos extremismos.
O que conta?
O que realmente conta é melhorar a segurança pública, mas armando o estado, e não os cidadãos.
O que conta é melhorar o meio ambiente, a educação, o combate ao desemprego (que já põe na exclusão mais de 13 milhões de pessoas).
Isso, sim, é que conta.
Isso, sim, é que dá liga.
Pois vejam o infográfico acima, pinçado da edição de O Globo desta sexta-feira (28).
Observem a rejeição do governo Bolsonaro: está em 32%, segundo a mais nova pesquisa do Ibope.
E prestem bem atenção nos índices de percepção sobre o governo.
De nove itens, o índice de reprovação supera o de aprovação em sete (combate à inflação, combate à fome e à pobreza, educação, combate ao desemprego, saúde, impostos e taxa de juros).
Viram?
Em vez de estar dando trela a um celerado como Olavo de Carvalho, de estar entretido em tirar cadeirinha de veículos, armar a população e ficar com essa invencionice de que tudo é culpa da tal velha política (na qual, aliás, ele foi criado e cresceu até ser presidente da República), Bolsonaro deveria mesmo era cuidar de coisas como combate à fome e à pobreza, educação, combate ao desemprego, saúde, impostos e taxa de juros.
Se fizesse isso, poderia, enfim, reduzir seu monumental índice de rejeição.
Se fizesse pouca coisa, já conseguiria reduzir, quem sabe, de 32% para 31%.
Como nada faz, sua rejeição cresce sem parar.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Uma imagem encantadora


Mas que fofura, gente!
O Capitão Jair Messias Bolsonaro e o ministro Sergio Moro envergando essa camisa.
E o mais bacana: Moro foi de terno ao Mané Garrincha, ontem à noite, para assistir ao jogo entre CSA x Flamengo, na última quarta-feira (14), destoando até mesmo do próprio chefe - que deixou o terno de lado -, um palmeirense transfigurado repentinamente em flamenguista.
Moro, ao que se diz, tem com o futebol a mesma intimidade com que boleiros têm com hemenêuticas jurídicas.
Mas, sabem como é, em tempos de vazamentos aterradores, nada como usar o futebol para transmitir à grande, fanática e heróica torcida brasileira a impressão de que tudo está como dantes no quartel d'abrantes.
Está?
Ah, sim: tem rubro-negro, leitor do blog, que, depois dessas imagens, está meio inclinado a tirar a partir de hoje, uma espécie de licença sabática para reavaliar melhor suas paixões.
Hehe.

terça-feira, 9 de abril de 2019

O boêmio Machadinho


Sob o título acima, o Espaço Aberto republica o artigo assinado por Cristovam Senna, do Instituto Cultural Boarnerges Sena e disponível no site de O Estado do Tapajós:

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Hoje, 9 de abril, foi sepultado aos 91 anos Edenmar da Costa Machado, "o Machadinho", como era de modo popular conhecido em Santarém. 
Nós últimos anos, olhando seu semblante sereno, ninguém poderia imaginar que ele já foi identificado como boêmio, sendo reconhecido pelos seus pares como uma das vozes mais bonitas de Santarém, quiçá do Pará, quem sabe do Brasil.
Vale ressaltar que o boêmio, no seu cotidiano, não é necessariamente um desocupado, um inútil para a sociedade, um desacreditado. 
Basta lembrar de boêmios bem sucedidos, a começar pelo Machadinho, que ombreou com figuras ilustres como Isoca, Laudelino, Joaquim Toscano, João Fona, Emir Bemerguy, Armando Soares, fazendo "serenata entre o rio e a verde mata, ponteando o violão". 
Não é qualquer boêmio seresteiro que tem o privilégio de cantar para um presidente da república, como aconteceu em 1974 quando o Garrastazu Médici visitou Santarém; nem representar seu povo no Teatro da Paz durante a Semana de Santarém, em 1972, acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Pará, tendo ao piano seu inesquecível companheiro Isoca; ou ser convidado pela VARIG a ir ao Rio Grande do Sul fazendo parte de uma comitiva composta por músicos santarenos, para participar de encontro de agentes da companhia aérea, onde cantou "Terra Querida" e foi efusivamente aplaudido. 
Um dia, quando perguntado onde nasceu, Machadinho afirmou que se considerava santareno de coração, unido pelo amor que dedica e este chão, mesmo tendo nascido em Belém, no dia 14 de abril de 1928. Em  dezembro de 1982 recebeu o título de Cidadão Santareno. Em 1988 a medalha João Felipe Bettendorf. 
Aprendeu a se interessar por música com a mãe, que tocava piano e gostava de cantar. Acreditava que ali estava a raiz de tudo. 
A primeira vez que mostrou sua voz em público foi como estudante do Dom Amando, uma apresentação no dia 7 de setembro de 1944, no antigo Teatro Vitória. 
O sucesso da voz começou naquela primeira apresentação. Teve que voltar três vezes ao palco, nascia ali o boêmio Machadinho. 
Passou a acompanhar os seresteiros que cantavam e tocavam pelas tranquilas ruas de Santarém da metade do século passado. 
No início chegou a duvidar do seu potencial, do volume da sua voz. Uma noite, cantando no Teatro Cristo Rei, época em que o artista tinha que usar o peito como único recurso para se apresentar, pois o microfone ainda não tinha desembarcado por aqui, foi aplaudido de pé, não queriam que saísse do palco. 
Naquela noite, nos bastidores do Teatro, teve a certeza que era verdade o que diziam dele. Passou a acreditar que era um cantor de sucesso, que era querido não só em Santarém, mas na região. 
O pai queria que estudasse para ser doutor, mas preferiu se dedicar à música. Para ele a vida era cantar, tocar violão, ser feliz. Chegou a ir estudar em Belém mas, um dia, de férias, encontrou uma moça chamada Áurea, se apaixonou, teve de abandonar os estudos e vir embora. Preferiu trabalhar para sustentar a família. 
O casamento não o privou da boemia. Quando ainda estavam noivos selaram o pacto da boa convivência. Machadinho foi categórico com a noiva Áurea: você vai casar com uma pessoa que gosta da boemia, da noite, veja o que você esta fazendo! 
Ela aceitou a concorrência da boemia,  nunca o impediu das serestas, depois passou a acompanhá-lo em alguns eventos pela cidade.
Estava com 23 anos quando casou em julho de 1951. Segundo ele, foi a mulher pra quem mais cantou, porque era difícil o namoro naquela época. Namorava cantando, altas horas da noite na frente da sua casa, pra ela saber que ele a amava. Conversas só de mês em mês.
Seu instrumento preferido era o piano, que nunca conseguiu aprender. O violão substituiu o piano, mais adaptado à sua vida de boemia. 
Começou a cantar com 14 anos, com 18 já estava no auge da fama em Santarém. Teve convites para sair, ir cantar no Rio de Janeiro e São Paulo, gravar discos, mas o pai nunca deixou que fosse. Naquela época, dizia ele, quem mandava nos filhos eram os pais.
Machadinho sabia que fazia parte de um restrito número de pessoas consideradas como  patrimônio da cidade. Ao lembrar das serenatas do seu tempo falava com saudade do luar que banhava as ruas, dos boêmios a cantar para a mulher amada.
Falava com carinho do Centro Recreativo, que fez parte da sua vida, sendo diretor por vários anos. 
O Mascote era o ponto de encontro da turma da seresta. A boemia lá se reunia, os que não tinham namorada ficavam a esperar o namoro dos outros terminar para começar a serenata. 
Ficavam a conversar, faziam coleta para depois da cantoria ir para o mercado comer linguiça no Zé Olaia. 
O personagem Machadinho é digno de uma biografia. 
Sua participação na vida religiosa merece destaque, como também na esportiva, onde foi presidente do São Francisco.  
Um dia sua voz foi sumindo devagarzinho, minguando, fazendo com que deixasse de lado o violão, abandonasse uma das suas duas grandes paixões, porque a outra, a esposa, continuou até a definitiva separação terrena. Passaram a fazer parte do passado, lembranças misturadas com saudades, mas que emergem do fundo do peito onde são guardadas com carinho, basta chegar o enlevo que as transporte, sentindo cheiros, ouvindo os acordes de uma música. Sofria resignado as duas separações.  
Em agosto de 2014 o grupo musical Canto de Várzea prestou merecida homenagem ao seresteiro Machadinho, com o show "Cantando pra Machadinho, realizado no Centro Recreativo. Para marcar a data, foi lançada a revista "Machadinho", editada pelo ICBS. 
Aproveitei uma entrevista que o Anderson Dizencourt e o Amarildo Gonçalves fizeram com o Machadinho, numa noite de 1989, durante um encontro de bar, para entre um gole e outro de cerveja colher do seresteiro longo depoimento. 
Ainda bem que o destino fez com que uma cópia da entrevista chegasse ao ICBS. Aproveitei a entrevista para compor a maior parte da revista e escrever este artigo. 
Encerro com o que o Emir Bermeguy escreveu no seu livro "Diário de um convertido", editado pelo ICBS em 2000. 
No dia 26 de junho de 1968 Emir anotou: 
"Com os amigos de ontem, tive mais algumas horas de deleite espiritual. Eu lhes prometera trazer aqui o maior cantor que possuímos, esse inexcedível Machadinho, e Laudelino Silva, um catarinense há vinte anos naturalizado santareno, que desvendou todos os segredos e manhas do cavaquinho. Os forasteiros ficaram visivelmente fascinados pela belíssima voz de nosso boêmio conterrâneo, não se conformando com o fato de vê-lo, anônimo, por aqui, quando lhe sobram credenciais artísticas para se projetar em todo o país. Contei-lhes, então, o seguinte: 
Herivelto Martins, há uns quinze anos, trouxe até cá o seu famoso “Trio de Ouro”, formado por si, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas. Reconhecendo o valor excepcional de Edenmar Machado, ofereceu-se para levá-lo ao Sul naquela mesma viagem, pois sem dificuldade lhe asseguraria o êxito radiofônico; entretanto, o pai do rapaz negou-se a dar seu consentimento, mutilando, talvez, um destino, uma vida."
Machadinho foi sepultado hoje a tarde, dia 14 faria aniversário. 

Fotos:

01 - Machadinho e Áurea
02 - Moacir, Antônio Von, Machadinho e Peruano
03 - Semana de Santarém, cantando Poema de Amor 1971
04 - Rio Grande do Sul - 1973

quinta-feira, 21 de março de 2019

O maior inimigo do governo Bolsonaro é o governo Bolsonaro!



Quando bolsonaristas – de primeira, segunda, terceira ou quarta hora – choramingam ou bradam irresignados contra supostas conspirações, é sinal de que precisam parar uns dois ou três segundos para olhar no entorno.
Se olharem no entorno e despirem-se, também por dois ou três segundos que sejam, de suas desvairadas paixões, vão descobrir que, ora pois, o maior inimigo do governo do Capitão é, sim, o governo do Capitão.
Espiem agora.
O maior, senão o único, articulador político do governo tem sido o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
À ausência e à falta de operatividade das ditas lideranças governistas no Congresso, é Maia quem vendo sugerindo caminhos, advertindo sobre desacertos e amenizando os efeitos corrosivos que a desarticulação progressiva da base alidada está causando ao governo.
Pois qual é a retribuição do governo Bolsonaro? É sentar a pua no Congresso. Simplesmente isso.
"Vocês sabem que as pressões são enormes porque a velha política parece que quer nos puxar para fazer o que eles faziam antes. Nós não pretendemos fazer isso", disse o Capitão há uma semana.
E a reação de Maia?
"Eu acho engraçado. Quando dizem que o Parlamento quer indicar alguém no governo é toma lá da cá. Quando eles querem indicar relator aqui e interferir no processo legislativo não é toma la da cá?", afirmou, nesta quarta-feira (20), o presidente da Câmara.
Entenderam?
O maior inimigo do governo Bolsonaro não são comunistas de foice e martelo, não é a mídia golpista (hehe), não é a velha política (credo!).
Não.
O maior inimigo do governo Bolsonaro é o governo Bolsonaro!
Avante!

sexta-feira, 1 de março de 2019

Enfim, Bolsonaro está acordando para o fato de que é presidente


Bolsonaro, parece, está pegando no susto.
Está, como se diz, pegando no tranco.
Está caindo na real: “Sou presidente do Brasil”.
Menos mal que seja assim.
Poderia o presidente perceber-se presidente tão logo venceu as eleições de outubro do ano passado.
Não o fez de imediato, nem mesmo no minuto seguinte ao que tomou posse. Por isso seu governo tem-se mostrado, até aqui, errático, confuso, atabalhoado, hesitante, desorientado e destrambelhado.
Mas o presidente deu demonstrações evidentes de que caiu na real ao convidar jornalistas para um café da manhã, nesta quinta-feira (28).
Reuniu-se com jornalistas profissionais, de diferentes veículos.
Durante o encontro, disse basicamente o seguinte.
Que continuará usando as redes sociais para comunicar-se, mas dará mais relevância às relações do governo com a imprensa profissional, que ele mesmo reconheceu como a mais credenciada e preparada para levar a público temas de interesse coletivo.
Disse claramente que nenhum de seus três filhos – o vereador Carlos, o o deputado Eduardo e o senador Flávio – mandam no seu governo.
Relevou ter dito a Carlos, o pitbull que já derrubou até um ministro e que é tido como um guerilheiro virtual, a dar uma segurada, ou seja, a controlar seus instintos mais primitivos, como diria - lembram-se? - Roberto Jefferson.
Disse ainda que a sua anunciada pretensão de transferir a sede da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jesusalém não está, de fato, nem decidida nem descartada, mas vai subordinar-se a uma avaliação mais acurada dos interesses estratégicos do Brasil. Ou seja (e isto é uma conclusão deste blog): dificilmente, mas muito dificilmente mesmo, Bolsonaro vai tirar a embaixada de Tel Aviv, porque isso representará uma tragédia para o Brasil, em termos estratégicos e comerciais.
Sim, gente.
Bolsonaro, parece, acordou na manhã desta quinta-feira para o fato de que é o presidente do Brasil.
Isso significa que, muito embora todos saibamos sobre suas disposições e predisposições ideológicas e os vieses morais que sempre seguiu, é possível que Jair Bolsonaro apague o facho de suas paixões políticas e abrande o fogo do radicalismo que sempre o notabilizou.
Aguardemos.
E acompanhemos atentamente.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

O jornalismo. Por onde andais?


Parece que, em tempos idos - mas nem tão antigos assim -, jornalistas já foram mais jornalistas quando instigados a participar, como profissionais, de processos eleitorais.
Como assim?
Parece que, em tempos idos - mas nem tão antigos assim -, jornalistas tinham, como diríamos, mais senso crítico, mais crivo para perceber, no mínimo, que pedra é pedra e água e água.
Não estou falando de isenção, mas de senso crítico.
Naqueles tempos idos, os que não resistiam à tentação de dar vazão - sobretudo publicamente - às suas paixões, faziam-no de forma muito mais comedida, deixando sempre uma ponta, uma pontinha que fosse, de dúvida para não cair de cabeça, tronco e membros em discursos de candidatos fanáticos.
Hoje, infelizmente, coleguinhas que se inebriam por aí, nessas redes sociais que atraem maluquices sem fim, repetem conceitos, preconceitos e prejulgamentos que não têm o mínimo amparo em fatos. Simplesmente em fatos.
Resultado: em vez de jornalistas, viraram militantes mais apaixonados, mais radicais, mais imoderados e mais assustadoramente preconceituosos do que os candidatos que declaradamente apoiam, muito embora não confessem nominalmente isso com todas as letras.
Uma pena que o jornalismo tenha resvalado para essas paixões, que sempre me apavoram, como eu já disse aqui neste blog.
Mas ainda há tempo de sermos mais jornalistas.
Eu acho!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Lula preso. Viva a histeria, a paixão, as vísceras. E a pequenez!


Confesso: as paixões me apavoram.
Porque um apaixonado não pensa; ele sente.
Não raciocina; reage a impulsos.
Não racionaliza; ele berra, literalmente, as suas paixões.
Mais ou menos como esses jovens - ou nem tanto - que berram, esgoelam-se histericamente, alucinadamente, imbecilmente quando se deparam com seus ídolos - cantores, jogadores, atores, quaisquer que sejam.
O apaixonado pensa com as vísceras. E esses pensamentos produzem apenas rejeitos, entenderam? Esses ditos pensamentos expelem elementos contaminantes.
Apavoram-me os extremismos - confesso.
Os ismos me são apavorantes - também confesso.
Por isso, estou meio alarmado com muitas reações - viscerais, figadais, impulsivas, irracionais, doentias, histéricas e imbecis - favoráveis e contrárias à ordem de prisão contra Lula.
Poucos têm condições de debater esse assunto com um mínimo de ponderação.
Porque estão atados, atados, condenados ao lulismo ou antilulismo, ao petismo ou ao antipetismo.
São, portanto, eméritos em pensar com as vísceras.
É uma pena que num momento capital da história do País a disposição predominante, entre contrários que deveriam ser apenas adversários, mas são inimigos, seja o de estapearem-se e quase estriparem-se.
Acham, os contrários, que estripar-se mutuamente haverá de fazê-los pensar melhor, já que, pensando com as vísceras, poderiam pensam melhor se as eliminassem.
Faz até sentido.
Mas isso é péssimo, porque os degrada como cidadãos e seres essencialmente políticos, inclusive.
É duro dizer isso, mas o Brasil, em termos de tolerância democrática, está exatamente do tamanho da sua pequenez.
Da sua enorme pequenez.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Paixões, emoções e sentimentos. "Passione".

O Studio Ludmilla Raissuli se encarrega de acrescentar uma sétima paixão  àquelas ditas no livro “As Paixões da Alma”, obra de René Descartes de 1649, que é um verdadeiro tratado sobre o tema. Apesar da filosofia cartesiana, o físico e matemático francês certamente influenciou os outros pensadores que depois escreveram sobre paixões, emoções e sentimentos.
As mulheres são o epicentro do espetáculo Passione, outro ponto em comum com essa obra de Descartes: ele a escreveu esta obra graças a uma mulher, Elizabeth da Boémia, estudiosa de filosofia e interessada em entender a relação entre o corpo e a alma. A longa amizade entre eles e a profunda admiração pela inteligência dela estimulou-o a escrever sobre o tema.
Segundo Descartes, são seis as “paixões primitivas”, e todas as outras derivam destas: Admiração, Amor, Ódio, Desejo, Alegria e Tristeza. O Studio Ludmilla Raissuli pretender asurpreender o público ao acrescentar uma sétima paixão à obra do autor. Este é o sétimo ano em que Ludmilla Raissuli realiza o festival, em que coreografa, dirige e dança com suas alunas e sua companhia. "E, segundo os místicos, 7 é o número da perfeição", comemora a diretora do espetáculo.
Além de Descartes, o espetáculo também se apoia na obra de poetas, filósofos e outros escritores que será traduzida através da expressão corporal de mais de 50 mulheres, em apresentações de dança do ventre, balé, jazz e dança contemporânea.
A trilha sonora do espetáculo também promete emocionar. Apesar de a música árabe ser a mais presente na noite, a plateia também vai se emocionar com composições de Edith Piaf, Rimsky-Korsakov, Nina Simone e Mozart.
Para adquirir ingressos on-line, clique aqui.

Fonte: Assessoria de Imprensa