quinta-feira, 8 de março de 2018

Para vidas pouco ou muito enroladas, chegou o Desenrola


O objetivo é restaurar a motivação de quem se sente desmotivado, meio ou muito perdido e sem saber como resolver seus problemas.
O curso contém oito módulos que abordam aspectos da sua vida, como amor, finanças, carreira, saúde, família, tempo, lazer e mente.

Todo on-line, o curso conta com uma estrutura de ensino a distância e está estruturado com testes, avaliações, planos de ação e material de apoio.
E entrar no Desenrola e começar.

A verdade é a principal vítima da Hydro e de seus asseclas



ISMAEL MORAES – advogado socioambiental

O repórter da Rede Globo Fabiano Vilella, em matéria no Fantástico de domingo passado, resumiu toda a nossa revolta, indignação e até vergonha com apenas uma pergunta feita ao presidente mundial da Hydro o norueguês Svein Richard Brantzaeg: “A Hydro também comete crime ambiental na Noruega como faz no Brasil?”
A resposta em inglês dada por Brantzaeg resumiu toda à relação dele com o governo Jatene e com a estrutura em que esteve à frente na Semas o delegado Luiz Fernandes até o dia seguinte ao estouro do escândalo: “Nós respeitamos as legislações dos 40 países em que atuamos”.
Em bom português: onde “a lei” é a corrupção, nós damos propina, resolvemos com “ponta”...
Logo depois que Brantzaeg foi a Barcarena na sede da Hydro Alunorte, sábado passado, os empregados da mineradora norueguesa passaram a apresentar sintomas de algo nunca registrado: o acometimento coletivo da chamada “síndrome de Estocolmo”. Como se sabe, a “síndrome de Estocolmo” é o estado psicológico em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a nutrir simpatia, amor ou amizade pelo seu agressor.
Logo em seguida, na segunda feira, em vez de exigirem condições de saúde, de meio ambiente de trabalho e de respeito e dignidade às comunidades do entorno, os empregados da Norsk Hydro Alunorte foram bater na porta do Ibama em Belém exigindo o desembargo da mineradora, para que ela volte a funcionar sem cessar o envenenamento diário das águas dos rios e igarapés, os lençóis freáticos, o solo e o subsolo de uma região densamente povoada.
O norueguês Svein Richard Brantzaeg deve ser uma especialista em hipnose coletiva por meio da “síndrome de Estocolmo”.
Até o presidente do sindicato dos químicos de Barcarena, Gilvandro Santa Brígida, passou a defendê-la com unhas e dentes, ele, a mesma pessoa que no ano passado denunciou diversas mazelas causadas pela Hydro nas comunidades locais, em um seminário promovido pelo Ministério Público Federal.
(Obs.: os membros do governo Jatene são imunes à moléstia, porque agem conscientes dos seus negócios com a mineradora).
A Hydro iniciou uma campanha publicitária maciça, utilizando dos seus empregados, e em conjunto com seus comparsas no Governo Jatene.
No dia de hoje (07), o delegado Luiz Fernandes Rocha, então todo-poderoso Secretário de Meio Ambiente que mantinha o controle absoluto sobre o funcionamento da Semas, foi a uma rádio e disse que tudo isso está acontecendo porque eu, o advogado das 105 comunidades representadas pela Associação Cainquiama, “manipulo as comunidades”, porque eu sou candidato a cargo eletivo e outras desculpas que não explicam o essencial.
Então, indago: quem manipula o Instituto Evandro Chagas, centro de excelência científica mundial?
Quem manipula os Ministérios Públicos Federal e Estadual, que identificaram várias fraudes perpetradas e mantidas no período em que ele foi Secretário de Meio Ambiente?
Quem manipula as células das pessoas portadoras de câncer, diabetes, demência e diversas outras doenças que vivem nas comunidades do entorno da Hydro?
Ele pode responder bem a umas outras perguntas: quem manipula os sistemas da Semas, onde foi apagado o registro da reserva ecológica onde foram construídas as bacias de rejeito químico? Quem manipula a fiscalização da Semas que nunca viu o dreno clandestino? Quem manipula o Departamento de Licenciamento que deixou funcionar a bacia de rejeitos DRS 2 sem Licença de Operação?
Delegado Luiz Fernandes, responda isso, sem colocar culpa em ninguém.
Na segunda feira, dia 12 de março, às 14h, estarei na Assembleia Legislativa para ser ouvido pela CPI e pela Comissão de Meio Ambiente e Direitos Humanos. Vá lá que quero perguntar essas e outras, diretamente, se os deputados estaduais permitirem.

O que ela disse


Desde que uma mulher tenha brilho nos olhos, nenhum homem irá reparar se ela tem rugas em volta deles
Dolores del Río (1904-1983), atriz mexicana

quarta-feira, 7 de março de 2018

“The Guardian” destaca reportagem sobre o Pará



Espiem aí.
The Guardian, um dos jornais britânicos de maior circulação no Reino Unido, publicou na última segunda-feira (05) reportagem sobre a entrega do título coletivo de terra para a comunidade quilombola Cachoeira Porteira, em Oriximiná, no Oeste do Pará.
“Seus antepassados foram escravizados. Agora, 400 anos depois, seus filhos são donos da própria terra - Rara vitória para os pobres brasileiros: a entrega de título de terra aos quilombolas descendentes de escravos que vivem na Amazônia” é o título da matéria, que faz parte de uma série do jornal sobre possíveis soluções para alguns dos problemas do mundo.
“Compartilho com vocês o link e algumas fotos deste belo momento, pois se ele foi possível, cada paraense é também responsável por mais esta conquista, que é também de todos nós e faz parte da nossa história”, diz o governador Simão Jatene, em sua página no Facebook.
Par lerem a reportagem, cliquem aqui.

Galvão Bueno e Neto. Embrulhe os dois e leve pra sua casa.

Neto, o Gilmar Mendes do jornalismo esportivo, fala até mesmo quando está calado

Impressionante.
A Globo e a Band eram as opções que tínhamos para assistir, nesta terça-feira (06), ao jogo entre PSG e Real Madrid, pela Liga dos Campeões.
A terceira melhor opção era a seguinte: deixar o televisor ligado em qualquer das duas emissoras, mas tirar o som.
Porque, na Globo, a antipatia de Galvão Bueno segue num crescendo que não para. Há décadas.
Quem consegue acompanhar a narração de Galvão Bueno é um herói. Sinceramente que é.
E na Band pontificava o ex-jogador Neto, uma espécie de Gilmar Mendes do jornalismoesportivo no Brasil: ele não para de falar um segundo sequer. Fala mais, inclusive, que o próprio narrador.
Neto, acreditem, continua falando até quando está calado.
Putz!

Manoel Maria, o craque que merecia ter ido mais longe



Muito bacanas, muito mesmo, as reportagens – como esta aqui – sobre os 70 anos do santareno Manoel Maria, que despontou no futebol, inclusive no Santos de Pelé, nas décadas de 1960 e 1970.
Para o repórter, especialmente, a matéria evocou muitas e boas lembranças.
Nunca vi Manoel Maria jogar. Quando eu era, como se diz, criança pequena em Santarém, no início dos anos 1970, Mamá, que jogou pelo São Raimundo, já havia saído de lá para jogar por outros clubes.
Mas cresci ouvindo muitas histórias sobre ele. As melhores histórias. E criei uma imagem meio mítica do jogador, mesmo sem nunca tê-lo visto jogar.
Aliás, e se não estou enganado, acho que o vi jogar, sim, apenas uma vez, no velho estádio Elinaldo Barbosa dos Santos. Foi mais uma apresentação de Manoel Maria, depois de ter sofrido o acidente de carro que o forçaria a abandonar o futebol.
Ainda que Mamá tenha jogado apenas pelo São Raimundo, seu pai, o calmo, sereno Davi Natanael, foi técnico de vários clubes de Santarém, inclusive o meu São Francisco, o Leão santareno.
Daí o repórter permitir-se acreditar que, por ligações genéticas (rssss), havia uma pontinha do Manoel Maria no São Francisco.
Uma pena que sua carreira tenha sido tão curta.
Ele merecia ter ido mais longe.
Muito mais longe.

segunda-feira, 5 de março de 2018

A macabra matemática norueguesa: 4 mil empregos por 60 mil vidas


ISMAEL MORAES – advogado socioambiental

O primeiro ministro inglês Winston Churchill, ao resistir ao nazismo, fez a humanidade acreditar que, mesmo diante das maiores dificuldades, o bem pode vencer o mal.
Nas suas “Memórias da Segunda Guerra Mundial”, obras pelas quais recebeu o Nobel de Literatura em 1953, há uma passagem onde revela o caráter hipócrita de alguns noruegueses: enquanto a Inglaterra ameaçava a Alemanha caso invadisse a Noruega, uma missão da Marinha britânica flagrou militares noruegueses dando cobertura, por meio de mentiras, a alemães que mantinham 300 marinheiros ingleses aprisionados nos porões de uma embarcação de Hitler. E o governo da Noruega sabia de tudo e colaborava com os nazistas.
Nestas últimas semanas, os Ministérios Públicos Federal e Estadual flagraram diversos crimes contra a humanidade perpetrados pela mineradora noruguesa Hydro, após mais um de uma série de dezenas de vazamentos/derramamentos de rejeitos químicos em que ela sempre sai impune, sem pagar qualquer multa ou sem que algum dos seus executivos, brasileiros ou noruegueses, seja preso.
Foi descoberto um dreno/sangradouro por onde a Hydro despejava diretamente rejeitos químicos contendo enorme quantidade de metais pesados (em especial o chumbo, veneno causador de câncer e diabetes) em rios e igarapés que banham dezenas de comunidades em Barcarena, águas que também se espalham pelas bacias hidrográficas e chegam às torneiras da população da Grande Belém. Mesmo diante das evidências que a própria mineradora foi obrigada a reconhecer, o governador Simão Jatene em pessoa continua a afirmar inexistir irregularidades na empresa e afirma que a poluição e as doenças são causadas pelas chuvas.
Foi necessário que o Ministro do Meio Ambiente determinasse ao IBAMA o embargo das atividades da mineradora, assim como o juiz de Direito de Barcarena Iran Sampaio.
Agora, a Fiepa e o governo Jatene estão fazendo coro em tentar convencer a população do Pará a aceitar o produto de uma matemática macabra dos noruegueses da Hydro: a mineradora ameaça demitir 4 mil empregados (detalhe, quase todos não são paraenses) se o Ibama e o juiz de direito de Barcarena Iran Sampaio continuarem a impedir que ela siga despejando nos rios e igarapés os rejeitos químicos da bacia DRS 2.  Começa-se a perceber que uma parte da imprensa começou a fazer coro, ressaltando a perda dos empregos, e quase nada dizendo ou dando pouca importância ao envenenamento humano, ao risco de desastre ambiental e a toda a corrupção governamental envolvida na questão.
Em 1940, quando tudo parecia perdido diante da mortífera máquina de guerra nazista, Winston Churchill fez um memorável discurso que elevou o moral do povo inglês. Disse que os britânicos lutariam em todo e qualquer lugar, de qualquer forma. E resumiu: “Nós nunca vamos nos render” (We shall never surrender).
Aos executivos da Hydro, que envenenam nossas águas com a mesma frieza letal dos nazistas, nós paraenses e brasileiros devemos mostrar que também nós nunca vamos nos render!

sábado, 3 de março de 2018

O Brasil em suspense por Neymar? Contem outra.

É brincadeira, gente!
O Brasil não está em suspense por causa da operação do dedo mindinho do pé direito do Neymar.
Está em suspense mesmo é pra saber se milhares de pessoas, entre a vida e a morte, conseguirão ser atendidas daqui a um mês, a dois meses em hospitais públicos.
Está em suspense pra saber se milhares de pessoas, milhões de miseráveis, vão ter alguma coisa pra comer hoje.
Está em suspense pra saber se milhões de brasileiros poderão sair de suas casas, neste sábado, sem que se vejam atacados por bandidos que estão ali na próxima esquina, esperando para dar o bote.
Estão em suspense pra saber quem é larápio que estão surrupiando os cofres públicos para locupletar-se escandalosamente e criminosamente.
É sobre isso que o Brasil está em suspense.
Ah, sim. Boa sorte ao Neymar.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Gilmar Mendes, o logorreico, incomoda-se com outros tagarelas



Socoooorrooooooooooo!
Mil vezes: socoooorrooooooooooo!
Este país, gente, está fora de esquadro.
Completamente fora.
Quando vocês quiserem conhecer um país em que 2 + 2 são cinco, ou 55, corram para o Brasil.
Quando vocês quiserem conhecer um país em que um tagarela se diz revoltado com a falação de outro tagarela, corram para o Brasil.
Neste Brasil fora de esquadro, temos o magistrado mais falador, mais palrador, mais palpiteiro, mais tagarela, mais verborrágico, mais opinioso e opiniático do mundo.
Chama-se Gilmar Mendes, ministro do augusto Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele é um juiz que não fala apenas dentro autos.
Ele fala dentro dos autos, pelo lado dos autos, por cima dos autos, por baixo dos autos, por fora dos autos – em todo lugar, a todo minuto, a qualquer hora.
E fala muito, muito, muito, muitíssimo.
Gilmar Mendes é praticamente um caso clínico de logorreico, assim compreendido aquele que sofre de logorreia, aquela disfunção, como diríamos, em que a pessoa é presa de incontinência verbal e fala aos borbotões, pelos cotovelos.
Pois é.
Mas vejam o que Gilmar Mendes diz, nesta matéria publicada no G1, referindo-se à procuradora-geral da República, Raquel Dodge:

"Sou amigo dela, mas por que não faz nada com os procuradores que ficam falando? Por que não suspende os procuradores? Eles palpitam sobre tudo."

Vejam, agora, o que Mendes, o logorreico, diz na mesma matéria sobre seu colega o ministro Luís Roberto Barroso:

"O Barroso que não sabe o que é alvará de soltura, fala pelos cotovelos. Antecipa julgamento. Fala da malinha rodinha. Precisaria suspender a própria língua.

Socoooorrooooooooooo!
Mil vezes: socoooorrooooooooooo!
Neste país, um logorreico se diz incomodado porque há gente que, segundo ele, estaria falando pelos cotovelos e dando palpites sobre tudo.
Ah, sim.
A propósito da logorreia de Gilmar Mendes, o ministro Luís Roberto Barroso disse o seguinte:

Jamais antecipei julgamento. Nem falo sobre política. Eu vivo para o bem e para aprimorar as instituições. Sou um juiz independente, que quer ajudar a construir um país melhor e maior. Acho que o Direito deve ser igual para ricos e para pobres, e não é feito para proteger amigos e perseguir inimigos. Não frequento palácios, não troco mensagens amistosas com réus e não vivo para ofender as pessoas.

Toma-te!

Atletas negros protestando no pódio. Leifert, o gracinha, iria odiar.

Lembram-se da postagem?
Nesta quinta-feira (28), o Espaço Aberto publicou a postagem intitulada Por que Tiago Leifert não nos deixa em paz?
No comentário, critica-se a gracinha de Leifert, que se mostra irresignado quando um evento esportivo vira palco de manifestações políticas. "Um evento como jogo de futebol serve a manifestações políticas? Eu acho que não. Não vejo motivos para politizar o esporte", escreveu o gracioso.
Na postagem, escreveu o poster:

O futebol e o esporte são, sim, espaços maravilhosos para manifestações políticas. E oferecem um espaço imenso, equivalente a um estádio, a dois estádios, a 3 milhões de estádios para manifestações políticas quaisquer que sejam. Há um espaço enorme a ser ocupado para que atletas se mostrem ativos politicamente. Mas eles, de um modo geral, mantêm-se omissos, silentes, esquivos, tímidos para se posicionar politicamente no âmbito de suas profissões.

Pois olhem abaixo essa postagem no Instagram.
É uma espécie de pá de cal na gracinha de Leifert, o engraçadinho.
Porque mostram que, em 1968, havia atletas muito, mais muito mesmo, à frente de seu tempo.
Do tempo deles e do tempo de Tiago Leifert.


O Esporte e a política: ✊🏿 Uma bela história de protesto Foto icônica tirada durante os jogos olímpicos de 1968. Os dois negros no pódio são John Carlos e Tommie Smith, terceiro e primeiro lugares na prova dos 200 metros rasos na edição olímpica daquele ano. A fotografia é, ainda hoje, símbolo da luta contra o racismo e causadora de forte impacto emocional toda vez que sua história é contada.  A década de 1960 foi o ápice da luta contra o Racismo nos EUA, no ano dos jogos, o movimento negro passava por momentos difíceis, pois havia perdido líderes importantes como Malcom X, em 1965, e Martin Luther King, meses antes do inicio do evento.  Os dois corredores americanos chegaram às Olimpíadas do México como favoritos para vencerem a prova dos 200 metros, com tempos excepcionais, conseguiram lugar ao pódio, junto com o Australiano Peter Norman. Os dois americanos, no momento do hino nacional, levantaram os braços com os punhos cerrados(em referência à luta pelos direitos humanos) e colocaram uma luva nas mãos(representando o poder negro). Até o atleta australiano que acompanhava Tommie e John, concordou com o protesto, e usou um botom dos direitos humanos em seu peito, já que ele era a favor do protesto, pois a Austrália também tinha um regime bastante racista. A manifestação chamou a atenção do mundo inteiro, e foi o evento mais comentado daquela edição dos jogos Olímpicos. Tommie, John e Norman foram expulsos para sempre do esporte e tiveram que pagar pesadas multas. Mas a coragem deles e o ato de indignação ficaram para a história como um dos momentos mais emblemáticos do esporte. Os três atletas continuaram amigos até o fim da vida, Norman(o homem branco) sofreu muito quando voltou para sua terra natal, foi simplesmente deixado de lado pela Comitê Esportivo Nacional da Austrália e nunca mais conseguiu competir em alto nível. Em 2006 Peter Norman faleceu, Tommie e John carregaram seu caixão até a sepultura. Texto - Joel Paviotti
Uma publicação compartilhada por Imagens Históricas 🗞 (@historiaemimagens) em

Juízes federais param no dia 15 de março em todo o País

Juízes federais de todo o País decidiram mesmo suspender suas atividades por 24 horas, no dia 15 de março, em protesto contra a decisão do Supremo de julgar, no dia 22 do mesmo mês, ação que envolve o pagamento do auxílio-moradia.
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) quer tratamento isonômico: não aceita que apenas a ação sobre o benefício pago a magistrados federais seja levado ao plenário da Corte, enquanto uma outra, referente ao pagamento da mesma vantagem a outros segmentos da magistratura, continua em banho-maria no STF.
"Esse mesmo benefício é pago em dinheiro ou através de concessão de moradia funcional a membros dos três Poderes da República, agentes políticos, oficiais das Forças Armadas, oficiais das Polícias Militares, servidores públicos, dentre tantas outras carreiras da União, dos Estados e dos Municípios, tudo dentro da mais estrita normalidade e sem nenhuma reclamação", diz nota da Ajufe.
Mesmo assim, argumenta a entidade, "de maneira seletiva, somente a magistratura é alvo de questionamento e de ataques injustos e levianos, mesmo percebendo o benefício com base na lei e em uma decisão judicial legítima e extensamente fundamentada."
Leia, abaixo, a íntegra da nota da Ajufe anunciando a paralisação:

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Encerrada a consulta aos associados, que integram a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), na data de ontem (28/02), os juízes federais se manifestaram, por ampla maioria, compreendendo 81% de mais de 1.300 votantes, pela realização do movimento com paralisação no próximo dia 15 de março. A indignação contra o tratamento dispensado à Justiça Federal se materializou.
A operação Lava Jato vem mudando a cultura brasileira em relação à corrupção, combatendo-a, sem limites, o que está comprovado pela condenação de diversas autoridades nacionais que ocuparam cargos expressivos, fato inédito, até então, na história da República. É bom lembrar que várias pessoas poderosas estão atrás das grades.
Assim, a forma encontrada para punir a Justiça Federal foi atacar a remuneração dos seus juízes. Primeiro e de forma deliberada, quando não se aprovou a recomposição do subsídio, direito previsto na Constituição Federal, cuja perda já atinge 40% do seu valor real; segundo, quando foi acelerada a tramitação do projeto de alteração da lei de abuso de autoridade, em total desvirtuamento das 10 medidas contra a corrupção, projeto esse de iniciativa popular.
Essa perseguição à magistratura federal é similar à que ocorreu depois da Operação Mãos Limpas, na Itália dos anos de 1990, quando, para enfraquecer o combate à corrupção, várias medidas foram aprovadas como punição aos juízes.
Chega-se, então, ao debate sobre o auxílio-moradia, ajuda de custo devida à magistratura, conforme previsão na Lei Orgânica da Magistratura Nacional há quase 40 anos.
Esse mesmo benefício é pago em dinheiro ou através de concessão de moradia funcional a membros dos três Poderes da República, agentes políticos, oficiais das Forças Armadas, oficiais das Polícias Militares, servidores públicos, dentre tantas outras carreiras da União, dos Estados e dos Municípios, tudo dentro da mais estrita normalidade e sem nenhuma reclamação.
Porém, de maneira seletiva, somente a magistratura é alvo de questionamento e de ataques injustos e levianos, mesmo percebendo o benefício com base na lei e em uma decisão judicial legítima e extensamente fundamentada.
Os juízes federais não irão aceitar um tratamento discriminatório.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Juiz suspende parcialmente as operações da Hydro

O juiz Iran Ferreira Sampaio, da Vara Criminal da Comarca de Barcarena, determinou liminarmente, nesta quarta-feira, a suspensão parcial das atividades da Norsk Hydro, por entender que é “premente necessidade de evitar tragédia que coloque em risco a vida das comunidades envolvidas e o meio ambiente”. A empresa, de acordo com laudo do Instituto Evandro Chagas, contaminou as águas da região com metais pesados, que escaparam de suas bacias de rejeitos.
Ao apreciar medida cautelar proposta pelo Ministério Pública, o magistrados também proibiu uso da bacia DSR2, “enquanto não obtidos, cumulativamente, a Licença de Operação e demonstrada a sua capacidade operacional eficiente e a segurança de sua estrutura, reavaliados os taludes e todos os demais requisitos técnicos construtivos, adequados a um padrão de chuva e de operação.
Sampaio determinou ainda a redução da produção da planta industrial a um patamar equivalente a 50% da produção média mensal dos últimos 12 meses ou ao menor nível de produção mensal verificado nos últimos dez anos, o que for menor dentre os dois resultados.
 O descumprimento das medidas acarretará a incidência de multa diária de R$ 1 milhão à Hydro, além da responsabilização por crime de desobediência e até a decretação da prisão preventiva do responsável pelo descumprimento da ordem.
A decisão ressalta que do MP, Semad, Semas e Instituto Evandro Chagas, dentre outros órgãos, “já permitiram a formação de um preocupante quadro de descontrole da atividade da empresa, resultando na efetiva constatação de despejo de uma quantidade ainda incerta de produtos tóxicos no meio ambiente, colocando em risco direto a saúde de ao menos três comunidades próximas (Bom Futuro, Vila Nova e Burajuba).”
O magistrado se ampara ainda em dados de relatório de vistoria técnica, assinado por dois engenheiros, que acusa a existência de tubulação irregular de efluentes de dentro da área da empresa, diretamente no meio ambiente, destacando que a área onde foi encontrado esse dreno possuía outras duas tubulações. A empresa informou que ambos estariam vedadas com concreto, mas foram detectadas evidências de descarte anterior, em função da cava já existente no solo.
“Enfim, todas estas constatações técnicas, ainda que a demandar aprofundamento, com realização de mais perícias e análises, já evidencia claramente preocupações quanto a segurança das barragens e bacias, do sistema de drenagem e controle de lançamento de efluentes tanto mais em razão da constatação da tubulação irregular, fora do licenciamento, que realizava lançamento de efluentes do interior da empresa para o meio ambiente, o que levou na ocasião os Órgão Ambientais a notificar e autuar a Hydro Alunorte, justificando, também, por todas essas razões, e outras mais já destacadas, a concessão da medida cautelar que ora se pleiteia, sobretudo em razão de já ter sido constatado pelo IEC, conforme coleta realizada e análises concluídas, que água possui contaminantes que causam danos à saúde humana”, diz a decisão judicial.

Iran Sampaio acrescenta também que, “a contrapeso da riqueza desta região as grandes empresas vem trazer a destruição e degradação ao meio ambiente e à população local, sem nenhuma contrapartida, escondendo-se por trás de uma cortina de fumaça de míseros empregos à população, ressaltando-se que os cargos que exigem conhecimento técnico são ocupados por pessoas de fora do Estado, que não possuem nenhum compromisso e envolvimento com esta Região além da busca dos recursos aqui abundantes.”

Ibama multa em R$ 20 milhões e embarga Hydro Alunorte



O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) embargou nesta quarta-feira (28) o depósito de rejeitos sólidos e a tubulação de drenagem de resíduos da área industrial da refinaria Hydro Alunorte, em Barcarena (PA). A empresa também foi multada em R$ 20 milhões. O empreendimento é licenciado pelo governo estadual do Pará.
Laudo do Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde, apresentado na semana passada, comprovou que um depósito de resíduos da mineradora transbordou no fim de semana anterior despejando uma quantidade incerta de rejeitos tóxicos no meio ambiente.
De acordo com o documento, o vazamento colocou em risco a saúde de moradores de pelo menos três comunidades da região: Bom Futuro, Vila Nova e Burajuba. As famílias atingidas pelo vazamento estão recebendo água potável desde sexta-feira (23), por determinação do governo do estado. O caso foi denunciado pelos próprios moradores, que notaram a alteração na cor da água de igarapés e de um rio.
De acordo com o Ibama, foram aplicados dois autos de infração (multas) no valor de R$ 10 milhões cada um contra a Hydro Alunorte. Um por realização de atividade potencialmente poluidora sem licença válida da autoridade ambiental competente e outra por operar tubulação de drenagem também sem licença. O depósito e a tubulação são justamente as estruturas que deram origem ao vazamento.
Equipes do Ibama realizaram vistoria no local ontem (27) e hoje, em conjunto com pesquisadores do Instituto Evandro Chagas. A medida foi determinada pelo próprio ministro do Meio Ambiente, na última segunda-feira (26).
A Hydro Alunorte é considerada a maior refinaria de alumina (matéria-prima para produção de alumínio) do mundo e opera em Barcarena desde 1995. Ela nega que tenha havido vazamento ou transbordamento de resíduos sólidos de sua produção.
Procurada pela Agência Brasil, a mineradora informou, em nota, que “está analisando a decisão do Ibama, as medidas necessárias para implementá-la e seus possíveis impactos na operação” e que “divulgará novas informações o mais breve possível”.

Por que Tiago Leifert não nos deixa em paz?


Tiago Leifert, o jornalista que virou apresentador, é uma gracinha.
De gracinha em gracinha, vai se tornando cada vez mais engraçadinho. Um engraçadinho que é, reconheça-se, queridinho aí de meio-país.
Mas entre ser queridinho e engraçadinho medeia uma distância razoável.
Leifert já foi engraçadinho, por exemplo, quando disse que, ora bolas, é mais do que natural que a Globo transmita mais jogos de Corinthians e Flamengo, porque são os times de maior torcida do País. E o nível de audiência é que conta.
Disse isso com as pernas cruzadas, com um ar professoral  - meio engraçadinho, vá lá -, para uma plateia formada, se não estou enganado, por alunos de jornalismo. Que ouviram essa gracinha calados, estáticos e extáticos. Ouviram isso mesmerizados.
Não disseram a ele, por exemplo:
- Está certo, gracinha. É certo que os dois times de maior torcida do País merecem ter o maior número de transmissões num canal qualquer. Mas isso, gracinha, se os telespectadores que não torcem para Corinthians e Flamengo dispusessem de 25 mil opções para ver outros jogos. E não têm. Eles só podem ver jogos num canal, entendeu? Aí é covardia, por exemplo, com os torcedores do Íbis, o pior time do mundo, que também querem ver jogos do seu clube.
Mas ninguém disse isso. E Leifert está avançando em suas opiniões graciosas.
Agora, está de volta.
Engraçadíssimo, Leifert causou polêmica ao defender que "evento esportivo não é lugar de manifestações políticas". Para ele, os dois temas não devem se misturar. "Um evento como jogo de futebol serve a manifestações políticas? Eu acho que não. Não vejo motivos para politizar o esporte", escreveu o gracioso.
Além disso, argumentou de que o esporte é um "desligamento da realidade": "Imagine só: você chega em casa cansado, abre uma garrafa de vinho e ela grita ‘Fora, Temer!’. A gente precisa respirar". "Textão é no Facebook. Deixem o esporte em paz", concluiu Tiago.
Hehe.
Olhem, o bordão certo seria: Leifert, deixe-nos em paz. Poupe-nos de gracinhas como essa.
O futebol e o esporte são, sim, espaços maravilhosos para manifestações políticas. E oferecem um espaço imenso, equivalente a um estádio, a dois estádios, a 3 milhões de estádios para manifestações políticas quaisquer que sejam.
Há um espaço enorme a ser ocupado para que atletas se mostrem ativos politicamente. Mas eles, de um modo geral, mantêm-se omissos, silentes, esquivos, tímidos para se posicionar politicamente no âmbito de suas profissões.
Sócrates, Maradona e Muhammad Ali são algumas das exceções que confirmam a regra.
Aliás, relembre-se episódio ocorrido em 1967, quando, juntamente com Martin Luther King (de quem era amigo), Ali esteve em Louisville (EUA) para apoiar a luta da população local por moradia. Foi aí que ele disse: "Por que me pedem para vestir um uniforme e me deslocar 10.000 milhas para lançar bombas e balas no povo marrom do Vietnam, enquanto os negros de Louisville são tratados como cachorros, sendo-lhes negados os mais elementares direitos humanos? Não, não vou viajar 10.000 milhas para ajudar a assassinar e queimar outra nação pobre para que simplesmente continue a dominação dos senhores brancos sobre os povos de cor mais escura mundo afora. É hora de tais males chegarem ao fim.
Entendeu, Leifert?
Isso não é gracinha.
Isso é política no esporte.
Pura política.
Genuína política.
Elementar política.
Essencial política.
É isso.

Lixo que entope os canais agrava alagamentos



Espiem só.
A foto acima é da Prefeitura de Belém.
Esse lixo todo que você vê aí foi retirado, somente nesta quarta-feira (28), da comporta do canal do Una, onde a limpeza é feita diariamente.
O lixo, não esqueçam, é jogado dentro dos canais, que vai parar nas comportas e impede que a água escoe rapidamente.
Quando chove intensamente, como nos últimos dias, os alagamentos, que já ocorreriam mesmo se os canais estivessem limpos, tornam-se assustadores, colossais quando estão entupidos de lixo.
Está comprovado, por a + b, que os maus hábitos, como o de despejar rejeitos em cada esquina, não fazem bem à cidade.
Se é certo, então, que a prefeitura, por força de imposições legais, é obrigada a fazer a parte dela, por que os belenenses não fazem a sua?
Custa isso?

Técnicos brasileiros - muitos deles - estão ultrapassados


De leitor do Espaço Aberto, sobre a postagem Givanildo no Remo sinaliza salários em dia. Ainda bem!:

Gente, com todo o respeito à terceira idade - estou nela também -, mas esses técnicos dirigiam os times de futebol na Arca de Noé. No Brasil, há uma casta de técnicos ultrapassados, como Luxemburgo, Abel Braga, Mano Menezes e Oswaldo de Oliveira. Não se atualizaram.
Basta ver que no futebol europeu não há sequer um técnico em time da elite. Tal qual nossos dirigentes e jogadores, os técnicos brasileiros acham que ainda estão em 1970. E a Globo continua dominando tudo, com narradores histéricos como esse tal de Luís Roberto e mantendo contratos exclusivos com alguns jogadores como o Neymar, o "herói " brasileiro. 
O que é um herói?

O que ele disse


“Nós sofremos da leifertização do jornalismo esportivo. É muita gracinha. Briga-se pra saber quem é mais engraçadinho, quem faz a melhor piada. Não estou pregando o mau humor, é bom dar risada. Mas tem uma hora pra rir e uma hora pra chorar. Não podemos eliminar o que há de sério no esporte, porque as coisas se misturam, são faces da mesma moeda. Não dá para pensar o Brasil sem pensar o futebol brasileiro. Não dá pra pensar o futebol brasileiro sem pensar na política, na supraestrutura do Brasil.”
Juca Kfouri, jornalista, em entrevista ao programa Voz Ativa.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Qual a missão de Galloro no comando da PF? Falar pouco.

Rogério Galloro: para ser um ótimo diretor-geral da PF, basta ele falar 30% menos que Segovia
Convenhamos: Rau Jungmann, o novo ministro da Defesa, chegou chegando.
Ao chegar ao novo Ministério da Segurança demitindo o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, Jungmann revelou, claramente, que sua aceitação para comandar a nova pasta teve como pré-condição obter do presidente Temer carta branca para mexer no comando da PF.
E fica evidente que a carta branca foi-lhe mesmo concedida.
Se foi, Jungmann passa à condição de um dos ministros com maior cacife político perante Temer, que, sabem todos, vinha travando uma enorme, comovente, cativante convivência com Segovia.
É que o agora ex-comandante da PF, desde o primeiro momento em que assumiu o cargo, parecia não trabalhar propriamente para garantir e preservar a autonomia de sua instituição, mas para defender o presidente da República.
Foi assim, por exemplo, quando disse que uma mala com R$ 500 mil, como a que Rocha Loures conduziu numa inesquecível corridinha, não era uma prova definitiva de crime.
E foi assim, mais recentemente, quando disse, simplesmente, que o inquérito que apurar malfeitorias em portos atribuídas a Temer tem tudo - ou tinha tudo - para ser arquivado.
E qual a missão do novo diretor-geral, Rogério Galloro? Falar menos que Segovia.
Se Galloro falar apenas 30% menos do que Segovia, já será uma dos melhores chefes da Polícia Federal.

Givanildo no Remo sinaliza salários em dia. Ainda bem!


O Remo anuncia a contratação do técnico Givanildo Oliveira no lugar de Ney Matta.
Givanildo é um bom profissional, mas é um chato.
É autoritário.
Tem relacionamento sempre difícil com jornalistas.
Como Oswaldo de Oliveira, acha que técnicos podem ter opinião, jornalistas não.
Mas, no caso do Remo, Givanildo sinaliza uma grande vantagem: salários em dia para todo mundo – para o elenco e para os funcionários que lidam diretamente com o plantel, como roupeiros, massagistas, cozinheiros etc.
É que, se não mudou o seu estilo – e tudo indica que não, porque ranzinzas, como ele, não mudam de estilo tão facilmente -, Givanildo não tolera atrasos de salários nos clubes por onde passa.
Tomara que seja assim no Remo.
Tomara.

Juiz chama advogada de desqualificada, imatura e ingênua


Do JOTA

Uma advogada, minha filha, que se envolve emocionalmente no processo é uma advogada desqualificada. O advogado dá uma assessoria técnica e somente. Você se queimou comigo. Lamento dizer, você está começando agora… se queimou comigo”. “Como é que a OAB dá um título a uma pessoa que não está qualificada para exercer a profissão?”.
Foi desta maneira que o juiz Joaquim Solón Mota Junior, da 2ª Vara de Família da Comarca de Fortaleza, se dirigiu à advogada Sabrina Veras, durante uma audiência.
Desde o dia 23 de novembro do ano passado, a advogada havia juntado num processo um pedido de tutela de urgência para que duas crianças que sofriam violência da mãe tivessem a guarda transferida para o pai. Mas, sempre que procurava o juiz, ela diz que era informada de que ele estava ocupado. Em janeiro, contudo, uma das crianças morreu, antes que o juiz avaliasse o caso.
Segundo a advogada, ao procurar o magistrado para pedir celeridade no caso, ela “sempre era informada que o senhor estava ocupado, tanto que chega um tal dia que eu vim e esperaria o dia inteiro”. Ao narrar o caso ao magistrado, chegou a chorar ao relembrar a morte de uma das garotas. “Isso me tocou muito, se não toca outras pessoas, não sei”, disse chorando.
Na última quinta-feira, o magistrado repreendeu a advogada ao tomar conhecimento de que ela estaria responsabilizando a equipe da 2ª Vara da Família pela morte da criança. Ao ouvir da advogada que a irmã de quatro anos havia gravado um vídeo dizendo que não queria mais ficar com mãe, o juiz respondeu: “Uma criança de quatro anos tem discernimento? Vai interferir num posicionamento de um juiz?”.
O magistrado, então, deu um recado à advogada durante a audiência:
“Você tem idade de ser minha filha e não desmentiu a versão que ela tinha dito aqui de que você saiu propagando aí que elas tinham matado a criança. Isso é um ato absolutamente irresponsável, além de criminal. Na hora que elas me contaram isso, eu mandei as duas ir registrar uma ocorrência na delegacia e abrir um processo contra você. Esse favor você vai ficar devendo a elas a vida toda, não tem como. Qual é o conselho que eu dou a você? Uma advogada, minha filha, que se envolve emocionalmente no processo é uma advogada desqualificada. O advogado dá uma assessoria técnica e somente. Você se queimou comigo. Lamento dizer, você está começando agora… se queimou comigo. E vai se queimar com tantos quanto eu fale essa história. Não é assim que se trabalha. A gente tem que ter maturidade para agir como profissional, ser técnico, agir com polidez, com educação, como seu colega e sua colega agiram durante toda audiência. Então, só queria advertir a você: eu não vou mais permitir da sua parte que trate mal alguma assessora minha ou alguém da 2ª vara. Porque aí sou eu que vou levar o caso par aa OAB. Está entendendo? Como é que a OAB dá um título a uma pessoa que não está qualificada para exercer a profissão? Então era isso que eu queria dizer a você, não ia dizer na frente do povo, mas queria dizer a você. Não continue assim porque você vai prejudicar a sua profissão. É um conselho que eu dou a você. Eu vou atribuir à sua imaturidade, à sua ingenuidade, à sua pouca vivência da prática, mas sair propagando que passoa A e B matou outra… Eu acho isso muito sério. Eu não teria deixado por menos. E esse favor a senhora vai ficar devendo à doutora Lidiane e à doutora Milena, tá certo?”
A OAB-CE afirmou vai requerer providências junto ao Conselho Nacional de Justiça e à Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado para apurar os fatos e tomar medidas por justiça e evitar novas afrontas aos advogados cearenses.
A Associação Cearense de Magistrados (ACM) apoiou o juiz e disse ser “inadmissível tornar pública conversa que trata de um processo que corre em segredo de justiça, violando a própria lei”.
JOTA procurou tanto o juiz quanto a advogada, mas não obteve retorno de nenhum dos dois até a publicação desta reportagem.

O que ele disse


“As inteligências, elas sempre funcionaram. Quando você centraliza e unifica o comando, a tendência é que isso agilize o trabalho de inteligência. O que deverá ocorrer agora é uma maior agilidade. O Rio de Janeiro, ele é um laboratório para o Brasil. Se será difundido o que está sendo feito aqui para o Brasil, aí já não cabe a mim responder.”

General Walter Braga Netto, interventor federal na Segurança Pública do Rio.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Noruega passa de estilingue a vidraça



Vamos e convenhamos.
Golpismos à parte, Temer é mesmo um cara de sorte.
No ano passado, ficou famoso esse pito - que você pode ver no vídeo - da primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, no presidente do Brasil.
Um pito cara a cara. Olho no olho. Frente a frente.
Ninguém esperava que, seis meses depois, o governo da Noruega, que controla nada menos de 34% das ações da Hydro, passasse de estilingue a vidraça, depois que a mineradora entrou no olho de um furacão de denúncias por ter contaminado as águas da região de Barcarena com rejeitos químicos.
Nesta segunda-feira (26), o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, defendeu “multas pesadas” e a suspensão das atividades da Hydro. Ele disse ter determinado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que apure a situação com “urgência” e tome todas as providências legais e administrativas necessárias para “cessar imediatamente os atuais danos ambientais” causados pelo vazamento.
Entre as medidas que podem ser tomadas pelo Ibama, segundo o Ministério do Meio Ambiente, está o embargo e a aplicação de multas pecuniárias. Segundo Sarney Filho, a expectativa é que, nas próximas 48 horas, o Ibama tome alguma providência sobre o caso.
“Os elementos são muito claros e, já que existe uma análise técnica e científica a respeito da contaminação da água, eu acho que o Ibama hoje tem os elementos completos para tomar providências o quanto antes”, disse o ministro.
Acionista majoritário e controlador da Hydro, o governo da Noruega decidiu, em junho do ano passado, reduzir à metade o repasse de verba para o Fundo para a Proteção da Amazônia em 2018. O país criticou publicamente o aumento do desmatamento na região. Nesta segunda, Sarney Filho classificou como “lamentável” o fato de uma empresa norueguesa estar envolvida no vazamento em Barcarena.
Sarney Filho avalia ainda que a situação de Barcarena é “diferente” da tragédia de Mariana (MG), em 2015, quando o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco deixou 19 mortos.“Não estamos, como muita gente está pensando, à beira de uma nova Mariana, mas esse vazamento é sério, vem de uma empresa que pertence ao governo da Noruega, portanto, uma empresa que deveria ter responsabilidades, ainda mais na Amazônia. Portanto, nossa decisão é que o corpo técnico do Ibama faça a avaliação devida e a partir daí se tome todas as medidas possíveis e necessárias”, concluiu Sarney Filho.

Estado triplica multa e manda Hydro reduzir produção à metade


Da Agência Pará

Por conta do não cumprimento do prazo de 48 horas dado pelo Governo do Estado para que a Hydro reduzisse os níveis das bacias de resíduos ao nível de pelo menos um metro, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) notifica a empresa, na manhã desta terça-feira (27), com a determinação de que reduza a produção da refinaria em 50%.
A Semas também triplicará a multa definida anteriormente, cumprindo a legislação ambiental em vigor, chegando a cerca de R$ 1 milhão por dia de descumprimento (300 mil Unidades de Padrão Fiscal). A empresa informou formalmente que reduziu os índices, mas não integralmente no total determinado de um metro.
A determinação de redução emitida pela Semas reforça ainda que devem ser mantidos e ampliados os esforços para tratamento dos efluentes e de redução dos níveis das bacias. As equipes da Semas permanecem em campo 24 horas, trabalhando em conjunto com a Defesa Civil e outros órgãos, monitorando a situação.
Por precaução, a Semas também está notificando a empresa Mineração Paragominas para que suspenda a operação do Sistema de Rejeitos I, em Paragominas, onde é feita a extração de bauxita, matéria-prima da refinaria Hydro, em Barcarena. Ambas as empresas pertencem ao mesmo grupo. Técnicos da Semas já estão no município para fiscalizar nesta terça-feira os níveis de rejeitos no sistema da empresa.
Notificação – Na sexta-feira (23), em coletiva à imprensa, o governador Simão Jatene anunciou a medida determinada pela Semas à empresa de redução dos níveis das bacias de resíduos em pelo menos um metro, considerado como índice de segurança. A notificação ocorreu no sábado (24) e o prazo expirou nesta segunda-feira (26).
Atuação pela população - As ações do Governo do Estado nas comunidades afetadas pela contaminação constatada pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), no entorno da área de atuação da empresa Hydro, continuam. Até esta segunda-feira (26), mais de mil galões de água potável foram entregues a cerca de 400 famílias da região. O abastecimento, feito em conjunto com a Prefeitura de Barcarena, será semanal e a quantidade varia em função do número de pessoas residentes em cada casa, com média de uma unidade de 20 litros para cada duas pessoas.
O Laboratório Central (Lacen), da Secretaria de Estado de Sáude (Sespa), também segue coletando amostras de água de poços das comunidades atingidas para verificar a qualidade da água. Ao todo, 30 profissionais da saúde, além de 16 assistentes sociais e da Defesa Civil, entre outros profissionais do Estado e Município, estão atuando nos últimos dias nas comunidades de Bom Futuro, Vila Nova e Bujaruba. As equipes estão em campo para mapear e identificar as necessidades das famílias que residem nesses locais e que tipo de impacto elas podem ter sofrido.
Técnicos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) estão no município para fazer o monitoramento dos níveis das bacias do sistema de tratamento dos rejeitos da bauxita nas instalações da Hydro. No sábado (23), a equipe aplicou novas notificações reiterando os pedidos de outras instituições que visam à proteção da saúde dos moradores, para mitigar os problemas já causados ao meio ambiente e evitar novas ocorrências.

Ação conjunta
Para minimizar os impactos à população e ao meio ambiente, o Governo do Estado criou um Grupo de Trabalho, após determinação direta do governador Simão Jatene, logo após a divulgação do laudo do Instituto Evandro Chagas (IEC), sobre a qualidade da água coletada nas imediações da área onde ficam localizadas as bacias de resíduos da refinaria.
Entre as entidades atuantes estão as Secretarias de Estado de Saúde Pública (Sespa), de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), além da Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codec), Defesa Civil do Estado e Procuradoria Geral do Estado, incluindo peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves.

Histórico
Logo que surgiram as primeiras denúncias, equipes da Semas estiveram no local, em conjunto com representantes do Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal e Secretaria de Meio Ambiente de Barcarena, além de técnicos do Instituto Evandro Chagas, que coletou amostras de água para análise, produzindo o laudo que, antes mesmo de ser divulgado, foi encaminhado para avaliação pela Secretaria de Saúde Pública do Estado (Sespa).
Durante a vistoria, não foi identificado rompimento das bacias de resíduos. Porém, os fiscais identificaram o lançamento irregular de efluentes da área alagada da empresa para o ambiente externo. As secretarias estadual e municipal de Meio Ambiente notificaram a empresa de imediato.
É importante destacar que a situação dos resíduos da empresa Hydro é bastante distinto do que ocorreu no município em Mariana (MG). Diferentemente do acidente que ocorreu na cidade mineira com a empresa Samarco, quando romperam as barragens de resíduos da empresa. Já em Barcarena, os depósitos para tratamento de resíduos são estruturas diferentes, como grandes bacias. Portanto, não existe risco de rompimento, mas sim planejamento para que se evitem transbordos.
Condições meteorológicas - De acordo com dados da Estação Metereológica da Hydro, instalada na área da empresa, o mês de fevereiro de 2018 já registra o maior volume de chuvas para o período na área nos últimos 13 anos, desde que o monitoramento passou a ser realizado. Com índice de 695,9 milímetros é quase o dobro do último ano. A série histórica de quase 40 anos, entre 1970 e 2007 foi de 370, milímetros em Barcarena.
Apenas esta semana (16 a 22), o índice de chuva registrado chegou a 453mm, o que é mais do que foi registrado em todo o mês de 2017, que foi de 440 milímetros, enquanto este ano, antes mesmo de encerrar, está com 695,9 milímetros.