quinta-feira, 16 de setembro de 2021

"Curva da banheira" pode ser uma das explicações para acidente que matou família que viajaria até o Pará, diz especialista

Paraenses que conheciam as cinco pessoas de uma mesma família que morreram tragicamente na última terça-feira (14), quando o avião em que viajavam caiu numa área de mata apenas 15 segundos após decolar de Piracicaba (SP), num voo que as levaria ao Pará, ainda estão em estado de choque e sem entender o que de fato aconteceu.

No avião, estavam o empresário Celso Silveira Mello Filho (73 anos), sua esposa Maria Luiza Meneghel (71) e os filhos Celso Meneghel Silveira Mello (46), Camila Meneghel Silveira Mello Zanforlin (48) e Fernando Meneghel Silveira Mello (46), além do piloto Celso Elias Carloni (39) do copiloto Giovanni Dedini Gullo (24), que também morreram.

 E não são apenas os amigos e familiares das vítimas não conseguem compreender o que de fato aconteceu, uma vez que a aeronave era nova, havia saído do período de manutenção e encontrava-se com a documentação regular. Profissionais ligados à aviação também estão intrigados com as circunstâncias em que a aeronave.

Um profissional que já atuou em investigação de acidentes aeronáuticos explicou ao Espaço Aberto que, ao contrário do que muita gente pensa, sobretudo os leigos no assunto, aeronaves que acabam de sair da manutenção não estão de todo a salvo de acidentes. Que são raros, mas acontecem, como demonstra o caso do ocorrido em Piracicaba.

Curva da banheira É que existe, segundo o especialista, aquilo que os técnicos chamam de curva da banheira, um gráfico no formato da letra U. Isso significa que tanto equipamentos, aparelhos e até aeronaves, no período imediatamente após a manutenção, estão sujeitas a um alto índice de falhas, uma vez que foram submetida a alterações feitas por intervenção humana. À medida que o tempo passa, observa-se um baixo índice de falhas, decorrente, justamente, dos ajustes feitos na manutenção. Até que chega o limite entre as inspeções, fazendo-se necessário uma nova manutenção, porque o índice de falhas tende a subir novamente.

"A curva da banheira pode ser apenas uma das explicações para o acidente. Mas outras causas precisam ser investigadas, como um problema operacional, elevado peso e performance da aeronave (já que o avião faria uma perna longa, de Piracicaba até o Pará) ou uma outra. Neste momento, qualquer levantamento de probabilidade que vier a ser feito por qualquer profissional é até leviano, daí a necessidade de esperarmos pelo resultado das investigações que vão se iniciar, a cargo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB)", disse o especialista ao blog.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Jatene desconversa sobre seu futuro político, classifica o governo Helder de "essa coisa que está aí" e acusa o governador de implantar estado policialesco

Simão Jatene: "Jamais utilizamos o estado para perseguir adversários"

"Eu desafio qualquer comparação entre o nosso governo e essa coisa que está aí. Eu desafio, em qualquer área. Não foram só os 18 hospitais regionais, que estão sendo praticamente destruídos com os escândalos de corrupção e de desvios de recursos públicos, inclusive num momento dramático, quando as pessoas mais precisaram. Não foram apenas os quilômetros de estradas e pontes que foram construídos. Foi sobretudo uma coisa que é um legado: foi o respeito os paraenses. Acho que esse foi o maior legado [do nosso governo]".


O desafio foi lançado nesta segunda-feira (13), pelo ex-governador Simão Jatene, na primeira entrevista que concedeu após ter transmitido o governo a Helder Barbalho (MDB), em 1º de janeiro de 2019. Durante quase duas horas e meia, Jatene falou numa live a Felipe Canté e Neto D'Ippolito, do Canal MangoCast (veja aqui a íntegra), e fez duras críticas ao atual governador.

Jatene lembrou que teve sua vida "vasculhada" por seus sucessores, nas três vezes após ter exercido o mandato de governador do Pará eleito pelo voto democrático (o único na história do estado, até agora). "Vasculharam minha vida de cabo a rabo", afirmou o (até agora) tucano, citando especificamente as acusações de que teria envolvimento em fraudes no Caso Cerpasa, cuja denúncia sequer foi aceita pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Tapas na mesa - Com direito a tapas na mesa, Jatene fez novo desafio e insinuou que a família Barbalho acumulou um vasto patrimônio de forma no mínimo suspeita. "Agora eu quero saber: como é que se constrói império de comunicação sendo só político? Isso eu quero saber. Eu quero saber como é que, com um salário de deputado, de prefeito, de governador, de senador ou seja lá o que for dá pra ter rádio, televisão, jornal. Eu quero saber como é que se faz isso. Me expliquem como faz isso. Eu já desafiei algumas vezes pra pegar o nosso Imposto de Renda e comparar os impostos de Renda. Agora, cada um [tem que] dizer como conseguiu aquilo que conseguiu. E mais do que isso: assinar um documento dizendo que tudo o que estiver em nome de laranja não será utilizado nem por mim, nem por meus descendentes até a quarta geração. Quero ver se tem coragem para fazer isso", atacou Jatene.

O ex-governador acusou o governo Helder Barbalho de implantar um estado policialesco para perseguir adversários e jornalistas que o criticam nas redes sociais, uma referência a duas operações realizadas no ano de 2020, uma delas no mês de abril, a outra no mês de junho, ambas de busca e apreensão na residência de blogueiros e jornalistas que estariam disseminando notícias falsas. Ambos os inquéritos, até agora, não foram concluídos.

"Jamais utilizamos o estado para perseguir adversários. As pessoas nas redes sociais - os exemplos são vários - tinham a liberdade para fazer suas críticas, muitas vezes injustas. Mas nós jamais utilizamos a polícia, de forma a ser a polícia do governador, e não a polícia do estado. Me conta aí: quem foi na verdade o jornalista, a jornalista ou o blogueiro, enfim, que foi perseguido pelo nosso governo?", indagou Jatene.

Futuro político - O ex-governador desconversou quando confrontado com a insistente pergunta que lhe fazem, sobre se vai concorrer ao governo do estado em 2022, muito embora, no momento, esteja legalmente impedido de fazê-lo, em virtude da rejeição de suas contas pela Assembleia Legislativa, em setembro do ano passado. 

"Eu sempre fui muito cuidadoso nessa história de aceitar ser candidato. Primeiro, porque ninguém é candidato de si mesmo. Segundo, pela questão do respeito coletivo. Sempre tive muito cuidado com isso, no sentido de que a percepção da sociedade precisa ser respeitada, a capacidade de levar adiante um projeto precisa ser respeitada", desconversou Jatene.

O ex-governador, porém, foi um pouco mais explícito ao falar sobre seu futuro político no âmbito do PSDB, legenda que o tem entre os fundadores históricos no estado do Pará, juntamente com o falecido ex-governador Almir Gabriel. Ele informou que essa possibilidade será concretamente discutida na próxima segunda-feira, sem dar maiores detalhes.

E para qual partido irá o ex-governador, se realmente resolver desfiliar-se do PSDB? "Acho inclusive que há possibilidade de Jatene em nenhum partido", respondeu o ainda tucano, outra vez desconversando.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Ciro Gomes em êxtase: foi o preferido de 15 ou 20 que foram à Paulista protestar no domingo

Vejam aí essa pérola que o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, postou no Twitter, no início da tarde desta segunda (13).

Candidato preferido do público?

Hehe.

Mas que público?

Dos 15 ou 20 que foram à Avenida Paulista?

Conforme se previu aqui e conforme todo mundo previa, foi uma tragédia essa convocação burra do MBL e do Vem Pra Rua para manifestações contra o desgoverno do Mitômano na tarde de domingo (12), em várias cidades do País.

As manifestações foram precipitadas.

Desorganizadas.

Politicamente, desconectaram-se de um propósito fundamental: procurar o mínimo de agregação entre os mais amplos segmentos políticos que se opõem ao desgoverno Bolsonaro.

E deu no que deu: o esvaziamento vergonhoso dos protestos em todo o País.

Mas se Ciro sente-se extasiado de ter sido o prefeito do público de 15 ou 20 que compareceu à Paulista, isso é problema dele.

Indicação de Aras no lugar de Mendonça para o Supremo é uma especulação sem pé nem cabeça

Quando foi que alguém ouviu Bolsonaro dizer que indicará Augusto Aras para o
Supremo Tribuna Federal, caso o nome de André Mendonça não vingar?

Analistas políticos de vários veículos insistem numa análise completamente sem pé nem cabeça.

Acreditam que as maluquices de Bolsonaro no 7 de Setembro e a desmoralização que se autoimpôs, assinando dois dias depois aquela declaração bizarra que o ex-presidente Temer escreveu pra ele, confluem para a convicção de que teria ficado mais fácil o caminho para o PGR Augusto Aras chegar ao Supremo.

Como?

Simples, no entender desses coleguinhas analistas: André Mendonça, o indicado de Bolsonaro para ocupar a vaga de Marco Aurélio, agora enfrentaria maiores obstáculos até mesmo para ir à sabatina, uma vez que sofre severa resistência do presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Assim, estariam aumentando a cada dia as chances de Augusto Aras ser indicado por Bolsonaro, uma vez confirmada a impossibilidade de passar o nome de Mendonça na CCJ.

Essa é a análise.

Mas, esperem aí.

Bolsonaro já disse a alguém que, se o nome de Mendonça não vingar, ele vai mesmo indicar Augusto Aras?

Ninguém diz ter ouvido isso do Mitômano, mas muitos se afirmam convictos de que Aras será o indicado no lugar de Mendonça.

De onde esses analistas tiraram esse elemento de certeza para firmar suas projeções?

domingo, 12 de setembro de 2021

Chapa de Sávio Barreto define candidata a vice na disputa das eleições na OAB-PA

O advogado Sávio Barreto, que disputará as eleições para a OAB-PA marcadas para novembro, terá como vice a advogada Brenda Araújo.

Militando há mais de dez anos nas áreas do Direito Administrativo e Empresarial, ela também desenvolve projetos que visam fomentar a liderança feminina na advocacia. Na atual gestão da OAB, Brenda exerceu a vice-presidência da Comissão de Compliance.

Aliás, o grupo encabeçado por Sávio Barreto já não pode mais ser chamado nem de oposição, nem de situação. Apesar de não ter o apoio do presidente Alberto Campos, que defende a candidatura de Eduardo Imbiriba, Sávio recebeu a adesão do atual diretor Antônio Barra Brito, de sete conselheiros secionais e de vários presidentes e membros de comissões.

sábado, 11 de setembro de 2021

Manifestações deste domingo são um risco. Mas é certo que ninguém deve dar trégua a Bolsonaro.

O MBL e o Vem Pra Rua convocaram manifestações para este domingo (12), em todo o País, como resposta aos atos antidemocráticos e golpistas do domingo passado.

Ao que se diz, três partidos de esquerda - PSB, PCdoB e PDT - vão participar. PT e PSOL estão com um pé atrás.

O protesto, que antes tinha como bandeira “nem Bolsonaro nem Lula”, passou a ter como mote principal o jargão “Fora Bolsonaro”. A mudança pretende ampliar o segmento de cidadãos que poderiam participar do ato e fazer frente à manifestação dos bolsonaristas no dia 7 de Setembro, quando 125 mil pessoas estiveram na Avenida Paulista, segundo estimativas do governo de São Paulo.

O MBL e o Vem Pra Rua podem estar se precipitando em convocar essas manifestações. Se não houver muita gente nas ruas, isso seria o suficiente para que bolsonaristas retomem o fôlego e amenizem suas frustrações diante da covardia de Bolsonaro, que primeiro demonstrou disposição de incendiar o País, inclusive recusando-se a cumprir decisões judiciais, mas depois recuou de forma bizarra, afirmando que tudo o que disse, inclusive ofensas a ministros do Supremo, foi obra do "calor do momento".

Mas uma coisa é certa: a mobilização e as pressões contra Bolsonaro não podem parar.

Como já se disse aqui, ninguém deve se iludir que esse cidadão quer a paz, a concórdia, a união e a harmonia entre os poderes, conforme expresso no manifesto que Michel Temer escreveu pra ele.

Bolsonaro continuará criando confusões, propagando mentiras, disseminando suas teorias conspiratórias malucas e reforçando a imagem de um presidente inepto, sem capacidade nenhuma de administrar um país. Isso é tão certo como dois e dois são quatro.

Além da mobilização das ruas, é necessário que, no âmbito do Congresso, os partidos também procurem viabilizar o impeachment.

Ninguém deve dar trégua a Bolsonaro.

Nem por um minuto.

A cada dia em que permanece no poder, Bolsonaro destrói o Brasil e o degrada perante o mundo.

Removê-lo é imperioso. Seja pelo impeachment, seja pelo voto, em 2022.

Na Pedreira ou em Brasília, a mesma sensação de horror diante dos horrores do atentado de 11 de setembro de 2001

À coluna de Olavo Dutra, dois jornalistas dizem onde estavam no dia 11 de setembro de 2001, no momento em que ocorreram os atentados terroristas nos Estados Unidos.

Um deles é Paulo Silber, na época editor-executivo de O LIBERAL. O outro é Ronaldo Brasiliense, com passagem em vários veículos e atualmente com uma coluna também em O LIBERAL.

Confiram abaixo.

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Na rua, perambulando

Paulo Silber
Perambulava pela Yamada da Pedreira, onde fora comprar um ferro elétrico. Ao passar pela seção de vídeo-foto-som, escutei um burburinho e vi rostos assustados passando por mim. Só me dei conta da gravidade quando parei diante da fila de televisores. Um ao lado do outro, como aparelhos siameses, ligados pela mesma tragédia. A mesma imagem repetidas vezes. O mundo atônito acendeu meu dever de ofício e corri para o jornal, sem saber direito o que fazer. Eu era o editor-executivo e tinha que avocar a responsa sobre a cobertura. Pra minha sorte, um anjo da guarda me esperava quando cheguei à redação: José Menezes, o experiente editor de Internacional. Foi tenso e trago a tragédia na memória até hoje. Mas daquele dia também guardo a bela lembrança de como o Menezes foi mestre e parceiro para este jovem aprendiz de feiticeiro.como fazer uma loja virtual


O passado bate à porta

Ronaldo Brasiliense
Quem viveu aquele dia 11 de setembro de 2001 não esquecerá jamais. Eu estava no meu apartamento, em Brasília, vendo o noticiário da TV Globo e vi, ao vivo e em cores, um Boeing 747, ou coisa que o valha, colidir com uma das torres gêmeas de Nova York, símbolo do capitalismo mundial ultrajado pelos fanáticos suicidas de Ozama Bin Laden. Ali, ao lado da mulher e dois filhos pequenos, sabia que estava presenciando uma das cenas terroristas mais chocantes da história da humanidade. Sabia que, a partir dali, o mundo nunca mais seria o mesmo. As guerras do Iraque e do Afeganistão, na vingança yankee, vieram confirmar as previsões de que o combate ao terrorismo não teria mais limites. Hoje, vendo os talebans reassumindo o poder no Afeganistão e o atentado suicida de uma facção do Estado Islâmico no Aeroporto de Cabul, com homem-bomba, matando inclusive 13 militares americanos, pensei com meus botões: o passado bate à porta.como fazer uma loja virtual

Onde você estava em 11 de setembro de 2001?



Eu jamais esquecerei de onde estava nesse dia.

No dia 11 de setembro de 2001, pela manhã, eu estava numa sala de aula da Unama, onde fazia o penúltimo ano do curso de Direito.

Quando saí da aula, por volta das 11h, entrei no carro, liguei o rádio e fiquei intrigado ao ouvir Edson Matoso falar mais ou menos assim na Rádio Rauland: "...muitos analistas acham que isso pode ser o início da Terceira Guerra Mundial".

Fiquei espantado, sem sabe ao certo o que se passava.

Da Unama até chegar em casa, inteirei-me de que dois aviões haviam atingido as Torres Gêmeas.

Em casa, aturdido com aquela notícia, liguei a TV, sentei-me na cama e assisti, sem acreditar, a segunda torre desabando, desfazendo-se, esfarelando-se, pulverizando-se diante dos meus olhos e dos olhos do mundo inteiro.

Ao vivo.

Ao vivo e em cores.

Fiquei ali, acho, uns 10 miutos sem acreditar no que acabara de ver.

Em outubro de 2019, estive em Nova York pela terceira vez, depois do 11 de setembro de 2001, e aí visitei o Memorial.

As fotos que estão acima e abaixo dessa postagem estão lá.

São flagrantes da expressão de pessoas diante do horror, da brutalidade, da selvageria, da destruição, da tragédia que se descortinava diante delas.

Compartilho-as aqui para que sobretudo os mais jovens, que não talvez não se recordem bem desses momentos, possam avaliar a extensão, a magnitudade de um evento que ninguém - ou muito poucos - imaginou fosse capaz de acontecer algum dia.

Mas aconteceu.

E se aconteceu, cabe-nos fazer, cada um a seu alcance e a seu modo, o que for possível para alicerçarmos valores que não tolerem a repetição desse tipo de brutalidade.







quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Bolsonaro, o machão, o mito, o bravo soldado da Pátria, vira um boneco de pelúcia. Que acredita em Bolsonaro?

Bolsonaro, o bravo soldado da Pátria, em foto antiga. Agora, manso, manso, manso. Até quando?

O 7 de Setembro, conforme aqui se disse, acabou com Bolsonaro, que acabou com o Brasil.
Acabado, desgastado, desacreditado, perdido, desorientado, desnorteado e ignorante sobre os rumos a seguir depois de tudo o que fez, Bolsonaro surpreende o País com uma tal Declaração à Nação, redigida pelo ex-presidente Michel Temer.
A tal declaração não é bem uma declaração à Nação, é uma declaração patética da covardia de Bolsonaro.
É uma declaração que declara o oposto do que ali se contém.
É a declaração de que Bolsonaro, além de um covarde, é um irresponsável.
É a declaração de que não possui a menor capacidade para administrar sequer um clube de amigos que se reúne num boteco qualquer.
É a declaração de um desequilibrado, que hoje está desequilibrado e amanhã, mais ainda.
É a declaração de que não tem limites nos desatinos que comete.
Há dois dias, Bolsonaro era o bravateiro em cima de um palanque.
Era um bravateiro estendendo a vista para o horizonte próximo, achando que ali estava toda a Nação, pronta para ajudá-lo a dar um golpe.
Era um bravateiro dizendo que se recusaria a cumprir decisão da Corte Máxima do país, sem atentar que isso daria ensejo a seu impeachment.
Ali estava um bravateiro que convocou caminhoneiros para atos antidemocráticos, mas que se surpreendeu quando os fanáticos começaram a fechar estradas em todo o País.
Ali grunhia um bravateiro em êxtase, iludido de que alguns milhares de pessoas (na Avenida Paulista, calcula-se, eram uns 200 mil) eram a expressão da vontade de 210 milhões de brasileiros.
Em 48 horas, o machão, o mito, o destemido, o corajoso, o bravo soldado da Pátria pede perdão, pede desculpas, diz num telefonema a Alexandre de Moraes, a quem ofendeu, que as ofensas ocorreram, vejam só, no calor do momento.
Bolsonaro virou o boneco de pelúcia - inofensivo, cativante, amoldado para despertar o prazer, a alegria, a concórdia e a paz.
Nessa condição, ele diz que, agora, é o Brasil que importa.
Um Brasil que Bolsonaro destruiu, devastou, rebaixou ao abismo da vergonha.
Quem acredita em Bolsonaro?
Não acredite nele.
Porque, amanhã, Bolsonaro voltará a ser o que ele realmente é.

Farsante. Covarde. Mentiroso. É Luís Roberto Barroso referindo-se a Jair Bolsonaro.


Farsante.
Covarde.
Mentiroso compulsivo.
Desagregador.
É assim, nas linhas e entrelinhas, que o presidente do Tribunal Superior Superior (TSE), Luís Roberto Barroso, refere-se Jair Bolsonaro, num discurso verdadeiramente antológico que pronunciou no plenário da Corte.
Foi melhor porque mais contundente, mais claro, mais direto, mais assertivo, mais desafiador.
Um imbecil não entende quando lhes falam com meias palavras. Ele só entende quando falam pra ele no português de Portugal - ou do Brasil mesmo.
É assim que se deve falar com Bolsonaro - sem meias palavras. Só assim é possível que ele entenda.
Abaixo, na íntegra, o discurso de Barroso.
O Espaço Aberto negritou os trechos mais importantes.

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I. Introdução

1. A propósito dos eventos e pronunciamentos do último dia 7 de setembro, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Luiz Fux, já se manifestou com relação aos ataques àquele Tribunal, seus Ministros e às instituições, com o vigor que se impunha.

2. A mim, como Presidente do Tribunal Superior Eleitoral cabe apenas rebater o que se disse de inverídico em relação à Justiça Eleitoral. Faço isso em nome dos milhares de juízes e servidores que servem ao Brasil com patriotismo – não o da retórica de palanque, mas o do trabalho duro e dedicado –, e que não devem ficar indefesos diante da linguagem abusiva e da mentira.

3. Já começa a ficar cansativo, no Brasil, ter que repetidamente desmentir falsidades, para que não sejamos dominados pela pós-verdade, pelos fatos alternativos, para que a repetição da mentira não crie a impressão de que ela se tornou verdade. É muito triste o ponto a que chegamos.

Þ Antes de responder objetivamente a tudo o que precisa ser respondido, faço uma breve reflexão sobre o mundo em que estamos vivendo e as provações pelas quais têm passado as democracias contemporâneas. É preciso entender o que está acontecendo para resistir adequadamente.

II. A Recessão Democrática no Mundo

1. A democracia vive um momento delicado em diferentes partes do mundo, em um processo que tem sido batizado como recessão democrática, retrocesso democrático, constitucionalismo abusivo, democracias iliberais ou legalismo autocrático. Os exemplos foram se acumulando ao longo dos anos: Hungria, Polônia, Turquia, Rússia, Geórgia, Ucrânia, Filipinas, Venezuela, Nicarágua e El Salvador, entre outros. É nesse clube que muitos gostariam que nós entrássemos.

2. Em todos esses casos, a erosão da democracia não se deu por golpe de Estado, sob as armas de algum general e seus comandados. Nos exemplos acima, o processo de subversão democrática se deu pelas mãos de presidentes e primeiros-ministros devidamente eleitos pelo voto popular. Em seguida, paulatinamente, vêm as medidas que desconstroem os pilares da democracia e pavimentam o caminho para o autoritarismo.

III. Três fenômenos distintos

1. Há três fenômenos distintos em curso em países diversos: a) o populismo; b) o extremismo e c) o autoritarismo. Eles não se confundem entre si, mas quando se manifestam simultaneamente – o que tem sido frequente – trazem graves problemas para a democracia.

2. O populismo tem lugar quando líderes carismáticos manipulam as necessidades e os medos da população, apresentando-se como anti-establishment, diferentes “de tudo o que está aí” e prometendo soluções simples e erradas, que frequentemente cobram um preço alto no futuro.

3. Quando o fracasso inevitável bate à porta – porque esse é o destino do populismo –, é preciso encontrar culpados, bodes expiatórios. O populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco. Pode ser o comunismo, a imprensa ou os tribunais.

. As estratégias mais comuns são conhecidas:

a) uso das mídias sociais, estabelecendo uma comunicação direta com as massas, para procurar inflamá-las;

b) a desvalorização ou cooptação das instituições de mediação da vontade popular, como o Legislativo, a imprensa e as entidades da sociedade civil; e

c) ataque às supremas cortes, que têm o papel de, em nome da Constituição, limitar e controlar o poder.

5. O extremismo se manifesta pela intolerância, agressividade e ataque a instituições e pessoas. É a não aceitação do outro, o esforço para desqualificar ou destruir os que pensam diferente. Cultiva-se o conflito do nós contra eles. O extremismo tem se valido de campanhas de ódio, desinformação, meias verdades e teorias conspiratórias, que visam enfraquecer os fundamentos da democracia representativa. Manifestação emblemática dessa disfunção foi a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, após a derrota de Donald Trump nas eleições presidenciais. Por aqui, não faltou quem pregasse invadir o Congresso e o Supremo.

6. O autoritarismo, por sua vez, é um fenômeno que sempre assombrou diferentes continentes – América Latina, Ásia, África e mesmo partes da Europa –, sendo permanente tentação daqueles que chegam ao poder.

7. Em democracias recentes, parte das novas gerações já não tem na memória o registro dos desmandos das ditaduras, com seu cortejo de intolerância, violência e perseguições. Por isso mesmo, são presas mais fáceis dos discursos autoritários.

8. Uma das estratégias do autoritarismo, dos que anseiam a ditadura, é criar um ambiente de mentiras, no qual as pessoas já não divergem apenas quanto às suas opiniões, mas também quanto aos próprios fatos. Pós-verdade e fatos alternativos são palavras que ingressaram no vocabulário contemporâneo e identificam essa distopia em que muitos países estão vivendo.

9. Uma das manifestações do autoritarismo pelo mundo afora é a tentativa de desacreditar o processo eleitoral para, em caso de derrota, poder alegar fraude e deslegitimar o vencedor.

10. Visto o cenário mundial, falo brevemente sobre o Brasil e os ataques sofridos pela Justiça Eleitoral.

IV. Referências ao TSE e ao processo eleitoral

1. No tom, com o vocabulário e a sintaxe que é capaz de manejar, o Presidente da República fez os seguintes comentários que dizem respeito à Justiça Eleitoral e que passo a responder.

I. “A alma da democracia é o voto”.

1. De fato, o voto é elemento essencial da democracia representativa.

2. Outro elemento igualmente fundamental é o debate público permanente e de qualidade, que permite que todos os cidadãos recebam informações corretas, formem sua opinião e apresentem seus argumentos.

3. Quando esse debate é contaminado por discursos de ódio, campanhas de desinformação e teorias conspiratórias infundadas, a democracia é aviltada.

Þ O slogan para o momento brasileiro, ao contrário do propalado, parece ser: “Conhecerás a mentira e a mentira te aprisionará”.

II. “Não podemos admitir um sistema eleitoral que não fornece qualquer segurança”

1. As urnas eletrônicas brasileiras são totalmente seguras. Em primeiro lugar, elas não entram em rede e não são passíveis de acesso remoto. Podem tentar invadir os computadores do TSE (e obter alguns dados cadastrais irrelevantes), podem fazer ataques de negação de serviço aos nossos sistemas, nada disso é capaz de comprometer o resultado da eleição. A própria urna é que imprime os resultados e os divulga.

2. Os programas que processam as eleições têm o seu código fonte aberto à inspeção de todos os partidos, da Polícia Federal, do Ministério Público e da OAB um ano antes das eleições. Estará à disposição dessas entidades a partir de 4 de outubro próximo. Inúmeros observadores internacionais examinaram o sistema com seus técnicos e atestaram a sua integridade.

3. Ainda hoje, daqui a pouco, anunciarei os integrantes da Comissão de Transparência das Eleições, que vão acompanhar cada passo do processo eleitoral. Nunca se documentou qualquer episódio de fraude.

Þ O sistema é certamente inseguro para quem acha que o único resultado possível é a própria vitória. Como já disse antes, para maus perdedores não há remédio na farmacologia jurídica.

III. “Nós queremos eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública de votos”

1. As eleições brasileiras são totalmente limpas, democráticas e auditáveis. Eu não vou repetir uma vez mais que nunca se documentou fraude, que por esse sistema foram eleitos FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro e que há 10 (dez) camadas de auditoria no sistema.

2. Agora: contagem pública manual de votos é como abandonar o computador e regredir, não à máquina de escrever, mas à caneta tinteiro. Seria um retorno ao tempo da fraude e da manipulação. Se tentam invadir o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, imagine-se o que não fariam com as seções eleitorais!

3. As eleições brasileiras são limpas, democráticas e auditáveis. Nessa vida, porém, o que existe está nos olhos do que vê.

IV. “Não podemos ter eleições onde (sic) pairem dúvidas sobre os eleitores”

1. Depois de quase três anos de campanha diuturna e insidiosa contra as urnas eletrônicas, por parte de ninguém menos do que o Presidente da República, uma minoria de eleitores passou a ter dúvida sobre a segurança do processo eleitoral. Dúvida criada artificialmente por uma máquina governamental de propaganda. Assim que pararem de circular as mentiras, as dúvidas se dissiparão.

V. “Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral”

1. O Presidente da República repetiu, incessantemente, que teria havido fraude na eleição na qual se elegeu. Disse eu, então, à época, que ele tinha o dever moral de apresentar as provas. Não apresentou.

2. Continuou a repetir a acusação falsa e prometeu apresentar as provas. Após uma live que deverá figurar em qualquer futura antologia de eventos bizarros, foi intimado pelo TSE para cumprir o dever jurídico de apresentar as provas, se as tivesse. Não apresentou.

3. É tudo retórica vazia. Hoje em dia, salvo os fanáticos (que são cegos pelo radicalismo) e os mercenários (que são cegos pela monetização da mentira), todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história.

VI. “Não é uma pessoa no Tribunal Superior Eleitoral que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável”.

1. Não sou eu que digo isso. Todos os ex-Presidentes do TSE no pós-88 – 15 Ministros e ex-Ministros do STF – atestam isso. Mas, na verdade, quem decidiu que não haveria voto impresso foi o Congresso Nacional, não foi o TSE.

2. A esse propósito, eu compareci à Câmara dos Deputados após três convites: da autora da proposta, do Presidente da Comissão Especial e um convite pessoal do Presidente daquela Casa. Não fiz ativismo legislativo. Fui insistentemente convidado.

3. Lá expus as razões do TSE. Não tenho verbas, não tenho tropas, não troco votos. Só trabalho com a verdade e a boa fé. São forças poderosas. São as grandes forças do universo. A verdade realmente liberta. Mas só àqueles que a praticam.

4. Foi o Congresso Nacional – não o TSE – que recusou o voto impresso. E fez muito bem. O Presidente da Câmara afirmou que após a votação da Proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O Presidente do Senado afirmou que após a votação da Proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O Presidente da República, como ontem lembrou o Presidente da Câmara, afirmou que após a votação da proposta o assunto estaria encerrado. Não cumpriu a palavra.

5. Seja como for, é uma covardia atacar a Justiça Eleitoral por falta de coragem de atacar o Congresso Nacional, que é quem decide a matéria.

VII. Conclusão

1. Insulto não é argumento. Ofensa não é coragem. A incivilidade é uma derrota do espírito. A falta de compostura nos envergonha perante o mundo. A marca Brasil sofre, nesse momento, uma desvalorização global. Somos vítimas de chacota e de desprezo mundial.

2. Um desprestígio maior do que a inflação, do que o desemprego, do que a queda de renda, do que a alta do dólar, do que a queda da bolsa, do que o desmatamento da Amazônia, do que o número de mortos pela pandemia, do que a fuga de cérebros e de investimentos. Mas, pior que tudo, nos diminui perante nós mesmos. Não podemos permitir a destruição das instituições para encobrir o fracasso econômico, social e moral que estamos vivendo.

3. A democracia tem lugar para conservadores, liberais e progressistas. O que nos une na diferença é o respeito à Constituição, aos valores comuns que compartilhamos e que estão nela inscritos. A democracia só não tem lugar para quem pretenda destruí-la.

Þ Com a bênção de Deus - o Deus do bem, do amor e do respeito ao próximo – e a proteção das instituições, um Presidente eleito democraticamente pelo voto popular tomará posse no dia 1º de janeiro de 2023.

Tentar atrair Bolsonaro para o diálogo é perda de tempo. Porque ele é o caos, é a confusão, é a tragédia.

Bolsonaro: em décadas de vida pública, ele jamais sentou-se a uma mesa para dialogar com alguém

É de estarrecer, sinceramente, assistirmos a personagens de projeção na política brasileira externarem, ao vivo e em cores, sua certeza de que a crise institucional que vivemos é plenamente reversível, desde que Bolsonaro seja convencido a conversar.
São ingênuos, esses personagens.
Desde que começou na vida pública, Bolsonaro já ofereceu demonstrações - bastantes, fartas, eloquentes e deploráveis - de que não sabe conversar, não tem pendores para negociar de forma razoável com ninguém, não sabe o que é dialogar. Ele alimenta-se, compulsivamente, do desejo de criar baderna, confusão, tumulto. Nutre-se do prazer de absorver o negacionismo e promovê-lo à exaustão.
Em toda a sua vida pública de parlamentar, Bolsonaro jamais sentou-se a uma mesa para negociar com alguém.
Projetou-se simplesmente porque dedicou-se a externar sua misoginia, sua homofobia, sua exaltação de tortura. Chamou atenção ao demonstrar seus pendores inegáveis para pregar o ódio e a violência.
Como alguém pode esperar que agora, como um presidente acuado, comandando um governo sufocado por acusações de corrupção e responsável em atirar o país no caos econômico, como alguém, portanto, pode esperar que Bolsonaro abandone seu estilo bravateiro e passe a adotar conduta condizente com quem exerce o cargo de presidente da República?
Bolsonaro é a confusão.
É o caos.
É a maluquice.
É a idiotice.
É a tragédia.
Estão aí 580 mil mortos na pandemia.
Se isso não é um genocídio, o que será?

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

O jornalismo bolsonarista pode até ser parcial. Mas não pode - e nem deve - ser mentiroso!

Uma mensagem como essa é "antidemocrática? Jornalistas bolsonaristas acham que não.
Eles têm lado. Mas não deveriam ser mentirosos e nem tentar travestir Bolsonaro de democrata.

Jornalismo tem lado, meus caros.

É evidente que tem. Aliás, sempre teve. 

Nós, jornalistas, que batemos no peito para dizer que somos isentos e imparciais, corremos o risco de experimentar aquela incômoda sensação do refluxo. E quando tudo volta pra dentro de nós mesmos, o gosto, vocês sabem, é horrível.

Agora, uma coisa precisa ficar clara: fazer um jornalismo que tenha claramente um lado não nos desobriga, como jornalistas, de sempre estar ao lado da verdade.

Vou dar um exemplo.

Tenho lido, em dimensões tsunâmicas, afirmações inacreditáveis de jornalistas bolsonaristas (eles têm lado, portanto) argumentando o seguinte.

1. Quem Bolsonaro foi eleito democraticamente.

2. Que havia milhões de pessoas nas ruas na última terça-feira.

3. Que é um erro taxar os atos de 7 de Setembro de "antidemocráticos".

4. Que Bolsonaro foi eleito pelo voto e, portanto, apenas pelo voto pode ser removido do cargo.

É o que dizem, repito, jornalistas bolsonaristas.

Eles, repito ainda, têm lado.

Mas não podem mentir.

Não podem falsear a verdade.

Não podem tergiversar.

Aos fatos, pois.

1. Bolsonaro foi eleito democraticamente?

Foi. É fato.

2. Havia milhões de pessoas nas ruas do Brasil, neste 7 de setembro?

Provavelmente, sim. Se somarmos as concentrações em todo o País, é certo que passará do milhão, muito embora bolsonaristas (jornalistas, não esqueçam) arrisquem-se a dizer que o número de manifestantes nas ruas era de 220 milhões de pessoas - mais do que a população do país.

3. Os atos de 7 de Setembro não foram "antidemocráticos"?

O jornalismo bolsonarista, que entende terem sido "democráticos" os atos de 7 de Setembro, incorre numa mentira - vulgar, intolerável, descarada, sem vergonha, despudorada.

Abundaram mensagens, nas redes sociais e fora delas, de bolsonaristas pedindo o fechamento do Supremo e do Congresso.

Abundaram mensagens, nas redes sociais e fora delas, de bolsonaristas pregando a invasão e depredação do Supremo e do Congresso.

Abundaram mensagens, nas redes sociais e fora delas, de bolsonaristas "autorizando" o presidente debochado a bandear-se para um golpe (coisa que ele, o debochado, já está urdindo).

Abundaram mensagens, nas redes sociais e fora delas, de bolsonaristas defendendo o tal "poder moderador" das Forças Armadas, no sentido de atribuir-lhes poderes execráveis de promover uma intervenção militar.

Jornalistas bolsonaristas que respondam: é falso considerar esses atos como excrementosos e antidemocráticos?

Claro que não.

Falsos, mentirosos e cínicos são os jornalistas bolsonaristas que viram um caráter "democrático" nas manifestações de domingo.

4. Bolsonaro foi eleito pelo voto e, portanto, apenas pelo voto pode ser removido do cargo.

É isso mesmo, jornalistas bolsonaristas?

Mas como?

Bolsonaro já disse que não aceitará eleições sem voto impresso.

Já disse, expelindo perdigotos verbais, que estão tentando armar uma fraude nas eleições.

O idiota diz isso tudo depois de ter sido eleito deputado por 500 anos.

Então é isso mesmo? Bolsonaro sonha em atentar contra o processo eleitoral, mas devemos acreditar que ele acredita piamente no voto democrático como um instrumento vigoroso que permite a alternância no poder?

É isso?

Meus caros, sejam parciais. Mas não sejam mentirosos e nem idiotas.

O jornalismo bolsonarista tem todo o direito de ser bolsonarista. Mas não tem o direito de ser mentiroso.

Porque a parcialidade é uma coisa. Ter lado é uma coisa.

Outra coisa é a mentira, o engodo, a desfaçatez com que o jornalismo bolsonarista chega ao cúmulo de achar que Bolsonaro é um democrata e que os atos de 7 de Setembro não foram "antidemocráticos".

Que horror, gente!

O Supremo ruge contra os guinchados das ratazanas golpistas

Luiz Fux: "Ninguém fechará este Corte"

O discurso pronunciado há pouco no plenário do Supremo pelo presidente da Corte, ministro Luiz Fux, é como se fosse o rugido do Poder Judiciário contra os guinchados das ratazanas golpistas, expelidos nos atos fascistas de terça-feira, 7 de setembro, em várias cidades.

O discurso de Fux - escorreito, fundamentado, contundente e objetivo - em tudo destoa das excrescências verbais ejetadas por Bolsonaro, nos palanques em Brasília e São Paulo.

O Espaço Aberto selecionou, abaixo, os trechos mais importantes. Quem quiser ler a íntegra, clique aqui.

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Na qualidade de chefe do Poder Judiciário e presidente do Supremo Tribunal Federal, impõe-se uma palavra de patriotismo e de respeito às instituições do país. Nós, magistrados, ministras e ministros do Supremo Tribunal Federal, sabemos que nenhuma nação constrói a sua identidade sem dissenso.

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Ofender a honra dos ministros, incitar a população a propagar discursos de ódio contra a instituição do Supremo Tribunal Federal e incentivar o descumprimento de decisões judiciais são práticas antidemocráticas e ilícitas, intoleráveis, em respeito ao juramento constitucional que fizemos ao assumirmos uma cadeira nesta Corte.

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Os juízes da Suprema Corte – e todos os mais de 20 mil magistrados do país – têm compromisso com a sua independência, assegurada nesse documento sagrado que é a nossa Constituição, que consagra as aspirações do povo brasileiro e faz jus às lutas por direitos empreendidas pelas gerações que nos antecederam.

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O Supremo Tribunal Federal também não tolerará ameaças à autoridade de suas decisões. Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos poderes, essa atitude, além de representar um atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional.

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Num ambiente político maduro, questionamentos às decisões judiciais devem ser realizados não através da desobediência, não através da desordem, não através do caos provocado, mas decerto pelos recursos que as vias processuais oferecem.

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Ninguém, ninguém fechará esta Corte. Nós a manteremos de pé, com suor, perseverança e coragem. No exercício de seu papel, o Supremo Tribunal Federal não se cansará de pregar fidelidade à Constituição e, ao assim proceder, esta Corte reafirmará, ao longo de sua perene existência, o seu necessário compromisso com o regime democrático, com os direitos humanos e com o respeito aos poderes e às instituições deste país.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Acabou o 7 de Setembro. E com ele, acabou Bolsonaro! Que acabou com o Brasil.

Bolsonaro faz discurso ameçador na Avenida Paulista: patético, degradante, chulo, idiota.
O presidente mais inapetente que o Brasil já teve em mais de 500 anos de história.

O 7 de Setembro pariu um rato.
Esperávamos, todos nós, que o 7 de Setembro dos bolsonaristas, convocado pelo próprio Bolsonaro, fosse uma espécie de exibição de um golpismo pintado com as cores - sempre enganosas - do salvacionismo, do resgate de valores patrióticos supostamente solapados por alguma razão.
Que nada!
O 7 de Setembro de Bolsonaro, em vez de exibir o viés salvacionista, para livrar a Nação do comunismo, do esquerdismo e de outros ismos que despertam manias persecutórias nos direitistas atarantados por seus medos e seu fanatismo, pariu a covardia, a baixeza, a idiotice, o desequilíbrio, a maluquice e o desapreço pelo respeito mínimo à etiqueta que deve ser seguida por quem exerce as funções democráticas de presidente da República.
O 7 de Setembro exibiu um Bolsonaro covarde.
Ele não tem coragem de assumir a sua condição de autocrata e põe em marcha seus delírios, buscando culpados nos que tentam frear suas maluquices.
O 7 de Setembro exibiu um Bolsonaro inebriado pela idiotice.
Quando diz, em alto e bom som, que o presidente do Supremo tem de "enquadrar" o ministro Alexandre de Moraes, ele se esquece que Moraes não é empregado de Luiz Fux; ele é um juiz, com independência, no exercício pleno de sua jurisdição. Nessa condição, não se subordina a ninguém, a não ser às leis e à Constituição.
O 7 de Setembro flagrou um Bolsonaro envergonhado de confessar seus temores.
O temor de Bolsonaro é apenas um: o de que ele ou seu filho Carlos, o Carluxo, sejam presos. Por isso, decidiu concentrar todo o seu ódio, todos os seus arroubos autoritários, todo o seu fanatismo em Alexandre de Moraes, sem atentar para o fato de que está, no final da contas, atacando o Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal, e não propriamente o ministro.
Na tentativa de blindar-se, e a um de seus filhos, contra eventuais repressões legítimas do Poder Judiciário, Bolsonaro fulaniza seus ódios e descarrega toda a sua falta de decoro contra um dos integrantes do Supremo. Com isso, acredita que está atacando uma pessoa. Mas não. Está atacando o Poder Judiciário, um dos pilares do Estado Democrático de Direito.
O 7 de Setembro estampou a preocupante ignorância de Bolsonaro. Uma ignorância tamanha (sesquipedal, diria o velho Nelson) que pode voltar-se contra ele mesmo.
Ao dizer que passará a não mais cumprir qualquer decisão que emane da "caneta" de Alexandre de Moraes, Bolsonaro ignora duas coisas: primeiro, que as decisões do ministro não são dele, Moraes, mas do Poder Judiciário; segundo, ignora que descumprimento de decisões judiciais dá ensejo ao cometimento de crime de responsabilidade, conforme previsto expressamente no inciso VIII do artigo 4º da Lei 1.070/1950. E crime de responsabilidade é passível de impeachment.
O 7 de Setembro flagrou Bolsonaro resvalando para o personalismo e para o passionalismo mais deletérios e vergonhosos.
O 7 de Setembro pariu a baixeza de Bolsonaro.
Sua alocução - atropelada, chula, desconectada de qualquer lógica e racionalidade - é pior do que a de um frequentador de boteco que vai embora para casa guiado apenas pelo piloto automático, após ter tomado todas.
Sua postura é, permanentemente, indecorosa, agressiva, destituída das mais rudimentares noções de conveniência.
O 7 de Setembro pariu um personagem desesperado com uma enorme rejeição politica e com sua inapetência para governar.
Bolsonaro é a inflação em disparada.
Bolsonaro é a gasolina nos píncaros.
Bolsonaro é o desemprego. São mais de 14 milhões de brasileiros que se veem na desditosa situação de não ter uma fonte de renda formal.
Bolsonaro é a mortandade (são mais de 580 mil mortos, vítimas de seu desgoverno genocida).
Bolsonaro é a crueldade. Em mais de um ano e meio de pandemia, jamais pisou num hospital para apertar a mão de um doente. Ao contrário, debocha da doença.
Bolsonaro é a corrupção - as revelações de que ele e os filhos cevaram-se, durante anos e anos, nas rachadinhas alimentadas por uma azeitada equipe criminosa que tinha de tudo, inclusive milicianos, essas revelações, portanto, são de estarrecer.
Acabou o 7 de Setembro.
E com ele, acabou Bolsonaro.
Que acabou com o Brasil.

Militares usam "camuflagem" para participar de atos bolsonaristas


Multidão toma conta de um lado da Esplanada, na manhã desta terça (7), nos atos
bolsonaristas, que transcorreram sem tumultos. Estas fotos e as que se encontram abaixo
da postagem são do Espaço Aberto.

Militares encontraram uma forma, digamos assim, bastante inventiva para participar dos atos bolsonaristas que tomaram a Esplanada dos Ministérios na manhã deste 7 de Setembro, em Brasília. O Espaço Aberto pôde ver uns quatro ou cinco envergando uma camisa, com as cores da bandeira brasileira, por baixo de um colete que os identificava claramente como miilitares. E a calça era muito parecida com as que usam integrantes do Exército.
Nada indica que os militares assim trajados eram da PM do Distrito Federal, que teve 100% de seu contingente convocado para integrar o gigantesco esquema de segurança em vigor desde ontem. Mas podem ser PMs de Goiás ou mesmo de outros estados que se dirigiram à Capital Federal para engrossar as manifestações. Ou podem ser militares das forças armadas.
O repórter ainda tentou tirar fotos de uns quatro ou cinco, mas os ângulos e as circunstâncias não lhe permitiriam fazê-lo com um mínimo de segurança. Para quem já sofreu duas fraturas recentes e ainda se encontra na fase de fisioterapia, ser trucidado por bolsonaristas fanáticos é um risco que, convenhamos, deve ser evitado por todos os meios, daí a opção de não fazer as fotos.
Sem tumultos - A Esplanada, como vocês podem ver nas fotos do Espaço Aberto, foi tomada por uma multidão desde as primeiras horas da manhã, apesar de um sol de rachar (nada a ver com a rachadinha do Zero Um, seja bem dito) que castiga o Distrito Federal neste mês de setembro. Mas, pela expectativa e pela movimentação que se viu na última semana, a impressão que se tinha era a de que muito mais gente participaria dos atos.
Apesar do forte policiamento, não houve tumultos. De madrugada, alguns fanáticos tentaram arrancar as grades que protegem o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Palácio do Itamaraty, e passaram a atirar objetos no prédio, mas foram contidos pela polícia.
Agora, é esperar a concentração da Paulista. Bolsonaro prometeu fazer um discurso lá. Em Brasília, ele também falou. Rapidamente, como é de costume, já que não consegue articular mais de duas frases inteligíveis - às vezes, nem mesmo uma. No "pronunciamento", chegou a falar em convocar o Conselho da República, que, tudo indica, o cidadão nem sabe o que é nem para que serve. Que sabe a Paulista inspire o Mitômano a expelir menos excrescências.








segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Brasília sob aparato de segurança gigantesco. Ocupação hoteleira na área central sobe para 90%.

A Alameda das Palmeiras, atrás do Congresso: local já está interditado à circulação de pedestres,
como também toda a área da Praça dos Três Poderes, onde estão o Palácio do Planalto e o STF
(A foto é do Espaço Aberto)

Estou aqui em Brasília.

O aparato de segurança para os atos bolsonaristas programados para esta terça-feira (7) são verdadeiramente impressionantes.

A convicção - forte impressão - que se forma é de que as restrições impostas para o acesso de populares à Esplanada (local da concentração dos bolsonaristas) e à área nas imediações da Torre de TV (onde vão se manifestar os opositores ao governo Bolsonaro) atende à possibilidade concreta de atos de violência que poderão levar, como é desejo de muitos fanáticos, à invasão ou mesmo à depredação dos prédios do Supremo e do Congresso Nacional.

Toda, absolutamente toda, a região central de Brasília ficará sob policiamento reforçado. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) vai revistar pessoas e bloqueará as principais vias da Esplanada dos Ministérios e proximidades da Torre de TV.

Será terminantemente proibido acessar as áreas em que serão realizadas as manifestações portando objetos pontiagudos, garrafas de vidro, hastes de bandeiras e outros materiais que coloquem em risco a segurança de manifestantes e população. A utilização de drones sem autorização no espaço aéreo da Esplanada ficará sob restrições.

Aguarda-se um público gigantesco, sobretudo nos atos bolsonaristas. Na área central da Capital, 90% dos hotéis e pousadas estão lotados por causa das manifestação deste 7 de Setembro. Segundo dados do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília Sindhobar, a ocupação considerada de fluxo normal na capital federal é de 40%.

Em regiões administrativas como Taguatinga, Guará e Águas Claras, a ocupação dos hotéis chegou a 75%, quase todos com apenas uma diária para o Dia da Independência. As reservas atingiram uma ocupação inédita, segundo o Sindhobar.

Agora, resta aguardarmos o comportamento dos manifestantes de um lado e de outro. Sobretudo dos fanáticos (igualmente de um lado e de outro).

A patriotada do jornalismo, que agora tenta eximir a Anvisa da prática de lambanças injustificáveis

Agente da Anvisa barra a continuidade de Brasil x Argentina, no Maracanã: de costas
para a foto, para o bom senso e para a racionalidade no exercício das funções

Como estamos às vésperas de arroubos patrióticos, que maldisfarçam as tentações golpistas, coleguinhas de vários veículos, inclusive alguns de audiência nacional, começam a achar que a Anvisa, ao contrário do que diziam há menos de 24 horas, saiu-se bem, muito bem, nas providências que desaguaram num escândalo, num vexame: a suspensão de Brasil x Argentina, muito embora a partida já tivesse começado havia quase cinco minutos.

Coleguinhas que estão reformulando suas opiniões incorrem, sem brincadeira, numa patriotada.

Isso porque, definitivamente, a Anvisa criou uma grande e inexplicável confusão, muito embora, admita-se, tenha andado bem ao fazer cumprir os regramentos relativos ao controle da pandemia.

Os quatro jogadores argentinos fizeram uma malandragem, ao informar falsamente que não estiveram no Reino Unido?

Fizeram. E não só fizeram, como já estão sendo investigados pelo suposto crime de falsidade ideológica.

A Anvisa fez bem ao exigir que fossem postos em quarentena, conforme previsto em portaria interministerial em vigor desde junho, à qual devem sujeitar-se passageiros que passaram pelo Reino Unido, África do Sul, Irlanda e Índia?

Sim. A Anvisa fez muito bem.

É inadmissível, todavia, que agentes da Anvisa não tenham impedido que a partida começasse, uma vez que, conforme relatos da Agência, os argentinos estavam, literalmente, recusando-se descaradamente a cumprir a quarentena.

E se os agentes da Anvisa quisessem impedir o início do jogo, era muito simples: bastava notificar formalmente o delegado da Conmebol, presente na arena do Corinthians, que nenhum dos quatro atletas poderia entrar jogando, sob pena de responsabilização da própria entidade, por desobediência aos protocolos sanitários em vigor no Brasil.

Mas não.

A Anvisa não fez nada disso.

Ou melhor, até que fez, mas no momento inadequado, ou seja, quando a partida já estava em andamento.

Então, é isso: a Anvisa merece aplausos por ter-se mostrado inflexível na execução de suas competências, mas merece reprovação geral pelos atropelos no exercício de tais competências.

domingo, 5 de setembro de 2021

Em vez de um jogo, um vexame. Isso porque, no Brasil, há bagunça até mesmo quando se tenta cumprir uma lei ou uma regra.

Seleção da Argentina deixa o gramado após ser barrada pela Anvisa: em vez de
um clássico continental, um vexame. Também de dimensões continentais.

Quem postou-se há pouco diante de um aparelho de TV para assistir à partida Brasil x Argentina, pelas Eliminatórias da Copa, assistiu a um vexame e chegou a uma triste conclusão: no Brasil, até quando se tenta cumprir uma regra, uma lei, uma norma, seja o que for, disso pode resultar a bagunça, a confusão, o inexplicável e o injustificável.
A questão - para quem não assistiu ao vexame porque não se liga em futebol - é simples: portaria da Anvisa determina que qualquer pessoa que chegue ao Brasil, tendo passado pelo Reino Unido, África do Sul, Irlanda do Norte ou Índia, precisa observar uma quarentena. Se não concordar com isso, será deportado para o país de origem.
Pronto. Essa é a regra.
O que aconteceu com o elenco da Argentina? Quatro jogadores que estavam no Reino Unido, porque moram lá, chegaram com a delegação. Deveriam, portanto, ser sumariamente deportados ao ingressar no País. A Anvisa alega, no entanto, que eles falsificaram informações, por isso foram admitidos no País.
A Argentina encontra-se no País desde sexta-feira. A Anvisa, certamente, sabia do caso desses quatro jogadores, que, apesar de tudo, permaneceram no País e chegaram até a treinar. Mas, acreditem, apenas na hora, bem na hora do jogo é que a Anvisa entrou  em campo, literalmente, para avisar que a partida não poderia continuar.
O jogo começara havia apenas quatro minutos, quando representantes da Anvisa, escoltados por agentes da Polícia Federal, entraram no gramado da arena do Corinthians e comunicaram que os quatro jogadores não poderiam estar ali.
Resultado: a Argentina se retirou de campo, a Conmebol anunciou o cancelamento da partida e agora resta à Fifa decidir sobre as consequências - se todos os envolvidos neste vexame serão punidos ou se todos serão premiados.
Por que a Anvisa não adotou providências na sexta, no sábado ou até hoje de manhã, se já estava configurada uma irregularidade flagrante, qual seja, a permanência dos quatro jogadores em território nacional?
A Anvisa fez a coisa certa ao barrar a partida?
Fez?
Mas por que resolveu fazê-lo em meio a um vexame, deixando a partida começar para barrá-la?
É porque, no Brasil, até para se cumprir uma regra, uma lei, uma norma, seja o que for, disso pode resultar a bagunça, a confusão, o inexplicável e o injustificável.
Que horror!

Jornal inclui Helder como "genérico" sobre punições a PMs. Mas o Comando Geral da corporação e o MP Militar são mais explícitos.


Em sua edição deste sábado (4), o jornal O Globo inclui o governador do Pará, Helder Barbalho, entre os executivos estaduais que estariam adotando, digamos assim, uma posição genérica em relação aos procedimentos disciplinares que poderão ser adotados em relação a policiais militares que participarem dos atos bolsonaristas de 7 de Setembro. Vejam, acima, o infográfico que ilustra a reportagem e, ao lado, o detalhe da resposta de Helder.
Em levantamento nacional, o jornal apurou que oito governos estaduais vão punir oficiais e praças que participarem das manifestações, dois disseram que os PMs poderão aderir, mas sem farda, dez (entre os quais Helder) não deixam claro quais serão suas condutas e sete não responderam aos questionamentos.
Essa é a situação que cai como uma luva para se aplicar aquela velha máxima, segundo a qual uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
No caso de Helder, ou o governador resolveu, realmente, usar uma linguagem enviesada para despistar sobre o alcance da punição aos PMs que se aventurarem em participar dos atos ou o jornal concluiu seu levantamento antes do dia 2 de setembro, quando o Boletim Geral da PM publicou determinação do comandante geral, coronel Dilson Jr., colocando a tropa de prontidão em todo o estado, o que reforça, assim, a convicção de que as transgressões serão severamente punidas.
Além da determinação do Comando Geral, a clara decisão de punir os transgressores está explícita nas contundentes, públicas e frequentes manifestações do Ministério Público Militar, reiterando que não hesitará em pedir a prisão preventiva de qualquer oficial ou praça que for às ruas em defesa do governo Bolsonaro no dia 7 de Setembro.
Ao preferir uma resposta uma pouca mais dúbia, destoante do sentido punitivo que sobressaem com clareza da determinação do Comando Geral e das manifestações do MP Militar, Helder pode também estar tentando não estimular ainda mais ressentimentos e insatisfações entre os segmentos que, propensos a engrossar o coro em favor de Bolsonaro, agora se veem frustrados de fazê-lo, por força das pressões em contrário do Comando Geral e do Ministério Público Militar.

CNBB alinha-se aos que se repugnam com o discurso de Bolsonaro, que tenta solapar a democracia

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já deixou claramente explícito que a Igreja Católica rejeita enfática e solenemente quaisquer manifestações que pretendam, explícita ou implicitamente, fragilizar as instituições e, em consequência, solapar os pilares da própria democracia.

Num vídeo que até o início da tarde deste domingo já conta com mais de 50 mil visualizações, o presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, faz um apelo à concórdia ("somos irmãos inclusive daqueles com quem não concordamos"), manifesta sua preocupação com o "sentimento de raiva e intolerância" que domina o País, deplora quem incentiva o armamento da população (é o caso do Mitômano, que defende comprar fuzil, em vez de feijão) e exorta a adoção de políticas públicas que voltem sua atenção para as minorias (inclusive os índios, tidos como um estorvo pelo governo Bolsonaro).

Sobre as manifestações programadas para 7 de Setembro, dom Walmor registra uma advertência contundente. "Não se deixe convencer por quem agride os poderes Legislativo e Judiciário. A existência de três poderes impede o totalitarismo, fortalecendo a liberdade de cada pessoa. Indendentemente de suas convições político-partidárias, não aceite agressões às instituições que sustentam a democracia. Agredir, eliminar, hostilizar, ignorar ou excluir são verbos que não combinam com uma democracia que busca cada mais se consolidar", afirma o bispo.

Vejam, no vídeo, a íntegra da mensagem do presidente da CNBB.

sábado, 4 de setembro de 2021

PM decreta prontidão nos quartéis em todo o Pará, à espera de atos bolsonaristas. Mas resistências não estão descartadas.

O Comando Geral da Polícia Militar do Pará já definiu a estratégia para evitar que um expressivo contingente de militares compareçam, fardados ou à paisana, armados ou apenas com a mão no bolso para segurar os documentos de identidade, aos atos programados por bolsonaristas para o dia 7 de Setembro.

Determinação expressa, assinada pelo comandando geral da PMPA, coronel José Dilson de Souza Júnior, obriga que os cerca de 30 mil oficiais e praças da corporação, em todo o território paraense, permaneçam de prontidão a partir da 8h da próxima terça-feira. Ou seja, mesmo quem estiver de folga, deve ficar preparado para eventual convocação.

A determinação consta do Boletim Geral nº 164 da PM, que circulou no dia 2 de setembro (veja imagem acima). Souza Júnior justifica que manter os policiais de prontidão é necessário diante da "necessidade de eventual emprego de uma tropa reserva em razão das inúmeras manifestações sociais marcadas para o dia que se comemora a Independência do Brasil."

Além dessa determinação expressa, o setor de Inteligência da Polícia Militar do Pará intensificou, na última semana, o monitoramento das redes sociais, ambiente onde têm proliferado manifestações mais explícitas de militares dispostos a comparecer aos atos bolsonaristas. Como em outros estados do País, no Pará já estão ocorrendo diversas postagens de oficiais da reserva, que não apenas estimulam a participação do pessoal da ativa nas manifestações como defendem abertamente medidas antidemocráticas para afastar, segundo dizem, uma suposta conspiração de esquerdistas para derrubar o governo Bolsonaro e implantar o comunismo.

O Espaço Aberto apurou que, mesmo determinando a prontidão da tropa em todo o estado, o Comando Geral não está de todo convencido da eficácia da medida para conter os ânimos de muitos oficiais e praças dispostos a burlar a ordem e participar, apenas como cidadãos, dos atos bolsonaristas de 7 de Setembro.

A natureza coercitiva do ato do Comando Geral da PM para tentar frear os ânimos políticos da tropa é consequência de dois fatores. Primeiro: a disposição do governador Helder Barbalho de adotar cautelas que impeçam eventuais manifestações que confiram visibilidade às preferências de amplos segmentos da Polícia Militar ao bolsonarismo, que tem no próprio Helder um de seus opositores. Segundo, a recomendação expressa formulada pelo Ministério Público Militar, para que sejam invocados dispositivos regulamentares e do Código Penal Militar, no sentido de coibir expressamente que policiais e bombeiros participem de atos configuradamente políticos.

Qual o efeito de uma "recomendação"? - Mas uma coisa, sabe-se, é a recomendação. Uma outra, bem diferente, são as consequências advindas de quem desobedecê-la. Em alguns grupos de WhatsApp, policiais têm levantando a tese de que não podem ser tolhidos de exercer condutas que, para eles, são despidas de qualquer conotação política, como seria participar dos atos marcados para terça-feira.

"Isso de o MP Militar dizer que será preso qualquer policial que descumprir a prontidão não se sustenta. Primeiro, porque o MP não prende. Ele pede a prisão de alguém. E quem decidirá será sempre um juiz. Segundo, é discutível se um policial, mesmo participando pacífica e ordeiramente de um ato, poderá ser preso apenas porque não ficou de prontidão, conforme determinação do Comando Geral" avaliou para o Espaço Aberto um advogado com atuação na área militar.

Pelo sim, pelo não, as pressões serão bastante intensificadas neste final de semana, para reforçar, entre oficiais e, sobretudo, entre os praças, a certeza de que eventuais desobediências serão punidas com rigor. Conforme mencionado no ato do Comando Geral, caberá aos comandantes, chefes e diretores "o controle de seus respectivos efetivos para o cumprimento desta determinação".

De volta. Após três meses, o Mitômano escancara suas tentações golpistas.


Quase três meses após sofrer duas fraturas, provenientes de uma queda (da mesma altura, para usar o jargão técnico dos peritos - rss), ei-nos aqui, de volta.

De volta, mas ainda à meia-força; ou com dois terços da força, para ser mais preciso.

As postagens serão, por enquanto, menos frequentes do que gostaríamos, porque as limitações decorrentes das fraturas e da consequente imobilização (que chegou a 45 dias, na mão esquerda) ainda não permitem e nem recomendam exagerar na digitação.

Tais limitações estão sendo superadas, pouco a pouco, em sessões de fisioterapia (mais de 20, até agora), que são, como sabem os que já passaram por isso, dolorosas e exigem muita paciência.

Mesmo assim, precisamos voltar neste momento. Porque precisamos acompanhar a história.

E a história é a seguinte.

Em três meses, o Mitômano está, literalmente, cada vez mais transtornado, desequilibrado, paranoico e disposto, tudo indica, em arquitetar artimanhas antidemocráticas.

Em três meses, seu governo praticamente é uma miragem e, no momento, liquefaz-se sob os efeitos do negacionismo, da enorme rejeição popular, da corrupção e da maluquice.

Em três meses, o Mitômano, definitivamente, rendeu-se às suas tentações golpistas e vai para o tudo ou nada, dependendo dos atos antidemocráticos marcados para 7 de Setembro.

Passemos a acompanhar, portanto, o andar dessa carruagem que carrega aspirações liberticidas.