terça-feira, 12 de março de 2019

Prisões, fotos, presidente abraçado com assassino. É tudo? Não. Estamos só no começo.


Enfim, o começo.
É só o começo.
Na foto acima (reprodução TV Globo), difundida à exaustão nas redes sociais desde o início da manhã desta terça-feira (12), aparecem, à esquerda, Ronnie Lessa, 48 anos, sargento reformado da PM, e à direita, o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, 46 anos.
Lessa é apontado pela Polícia como executor da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ambos assassinados há um ano, no dia 14 de março de 2018, no Rio.
Élcio Vieira de Queiroz é acusado de ter sido o motorista do veículo, um Cobalt prata.
O que já se sabe até agora, segundo revelações da própria polícia?
Que Ronnie Lessa já foi filiado ao MDB de 1999 até 2010, segundo a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Que um terceiro homem estava dentro do carro. Ele também alvejou o carro que conduzia a vereadora.
Que Lessa mora no mesmo condomínio de classe média alta que o presidente Jair Bolsonaro, o Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Que o carro usado nos assassinatos era clonado e não foi encontrado até agora.
Que a arma usada foi uma submetralhadora MP5 9 mm.
Que os tiros foram disparados a uma distância de 2 metros.
Que a munição pertencia a um lote que havia sido vendido para a Polícia Federal de Brasília em 2006. A polícia recuperou nove cápsulas no local do crime.
Que a foto ao lado, em que Jair Bolsonaro e Élcio Queiroz aparecem, não é uma montagem. Não é uma fake. É verdadeira. Foi tirada em 2011, antes da expulsão de Queiroz da PM. E faz parte, inclusive, do material em poder da Polícia.
Isso é tudo?
Não.
Como se disse na primeira linha desta postagem – é só o começo.
Porque o final dessa história terminará com a revelação dos mandantes. E suas prisões, é claro.
Aliás, e por falar em mandantes, o governador do Rio, Wilson Witzel, disse que os dois presos podem fazer uma delação premiada.
Se fizerem, aí então é que este jogo vai começar.
Estamos ainda só na preliminar.

O ambiente político no Brasil virou o de uma terra arrasada. Com direito a "golden shower"


Não tapemos o sol com a peneira.
Ou melhor, não tentemos tapar o sol com a peneira.
E o fato é que, contra fatos, ninguém pode e nem deve brigar.
A cada hediondez que comete nas redes sociais, como o de postar vídeos pornográficos e embarcar em fake news para acusar indevidamente jornalistas, o Capitão presidente da República aponta o dedo para a Imprensa, que ele vê como entretida prazerosamente em conspirações contra seu governo.
Além de apontar o dedo para a Imprensa, o Capitão convoca seus batalhões virtuais para, aos fatos, contrapor mais fake news, mais acusações desprovidas da mínima verdade.
E assim agindo, o Capitão faz exatamente o que acusava (ou ainda acusa?) o PT de fazer: escorar-se em robôs virtuais e valer-se de guerrilheiros midiáticos, que povoam as redes sociais, para expelir mentiras e fazer girar uma pavorosa, tenebrosa e criminosa máquina de moer reputações.
Melhor faria o Capitão se, a críticas a seu governo, respondesse objetivamente com fatos que as contradissessem.
Como não consegue fazer isso, entretém-se também ele, e prazerosamente, em bate-bocas deploráveis.
E presidentes, até mesmo em homenagem ao decoro, não deveriam nunca, jamais, em tempo algum, render-se a um emocionalismo que, embrutecendo-os, acaba tornando-os escravos de clamores populares também irracionais, transformando o ambiente político numa terra de ninguém, numa terra arrasada.
É mais ou menos o ambiente que estamos vendo hoje.
Infelizmente.

Ministério Público abre investigação contra deputado do MDB

promotor Daniel Henrique Queiroz de Azevedo instaurou inquérito civil público para apurar “possíveis irregularidades” que teriam sido cometidas pelo deputado Wanderlan Quaresma (MDB) - na imagem - quando ele ainda exercia o mandato de vereador de Belém.
O Ministério Púbico vai debruçar-se, especificamente, sobre as suspeita de que Wanderlan estaria utilizando funcionários das secretaria municipais para trabalharem em sua clínica, La Fertile, “sendo pagos com dinheiro público”.
O Espaço Aberto tentou ouvir o deputado, mas não consegui.
Para ler mais detalhes, clique aqui para acessar o portal de O Estado Net e a notícia assinada pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto.

Acusados de derrubar florestas nativas em Santarém são condenados a recuperar a área degradada

A Madesa Madeireira Santarém Ltda. e seu sócio Luiz Fernando Ungenheuer foram condenados pela Justiça Federal a recuperar uma área degradada em decorrência de derrubadas ilegais de florestas nativas dentro do assentamento Corta Corda e outras áreas públicas, no município de Santarém, na região oeste do Pará.
Em sentença (clique neste link para ver a íntegra) assinada na sexta-feira, 8 de março, o juiz federal Érico Rodrigo Freitas Pinheiro, da 2ª Vara da Subseção de Santarém, fixou o prazo de 30 dias para que seja apresentado um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas para aprovação do órgão ambiental competente, assinado por profissional habilitado, com anotação de responsabilidade técnica (ART) e cronograma de execução com prazos específicos para cada fase prevista. Após sua aprovação, o plano deverá ser executado nos prazos que autoridade ambiental indicar.
Ao propor a ação, em fevereiro de 2016, o Ministério Público Federal apresentou 12 autos de infração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que fiscalizou a empresa em 2014 e encontrou indícios de várias fraudes.
De acordo com o MPF, os acusados inseriram dados falsos no Sisflora (Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais), criando movimentação fictícia de madeira, para acobertar a comercialização do produto de origem ilegal. O total de madeira ilegal movimentada ultrapassou os 20 mil metros cúbicos, equivalente a cerca de 500 caminhões carregados de toras. A madeira comercializada ilegalmente era das espécies mais lucrativas, como maçaranduba e ipê.
Em suas contestações, a Madesa e Luiz Fernando Ungenheuer fizeram um histórico quanto ao exercício da atividade madeireira e suas dificuldades, alegando que houve erro tanto no preenchimento de documentos analisados pelo Ibama como na medição do volume de madeira objeto de autuação.
Fraudes - O juiz destacou que os réus utilizaram expediente fraudulento para tentar viabilizar exploração irregular de madeira em área de domínio público, chegando a protocolar-se, em nome de Luiz Ungenheuer, familiares e funcionários, processos de regularização fundiária fracionados, com a intenção de afastar a incidência da disposição constitucional que atribui competência ao Congresso Nacional para aprovar alienação ou concessão de terras públicas com área superior a 2.500 hectares. “Ou seja, havia pretensão de exploração florestal em área superior a 2.500ha, mas adotou-se estratégia para burlar a necessidade de aprovação legislativa da concessão da área pública respectiva”, complementa a sentença.
Para o magistrado, a maior parte dos ilícitos decorreu da atuação do proprietário da madeireira. Quanto a uma funcionária da empresa, a sentença considerou que “suas condutas decorrem de obediência hierárquica ao seu patrão, sendo que a autoria deve ser imputada somente a este e à sociedade beneficiária do ilícito.” Érico Pinheiro ressaltou, inclusive, que durante as tratativas conciliatórias, os próprios réus insistiram para que a funcionária não fosse responsabilizada.
“Nestes termos, com a demonstração de ocorrência do dano ambiental, bem como de sua responsabilidade, deve o requerido ser condenado a promover a devida recuperação, bem como a indenizar o prejuízo causado ao meio ambiente, considerando que, mesmo com a atividade reparatória, jamais o meio ambiente atingido retornará às condições anteriores”, fundamentou o juiz. O valor relativo à indenização será apurado no momento da liquidação da sentença.
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Processo nº 0000536-18.2016.4.01.3902 – 2ª Vara (Subseção de Santarém)

segunda-feira, 11 de março de 2019

Que sonho, gente, estarmos vivendo num país assim!


E viva "nóis", gente".
Viva a "nova política".
Viva esse heroico povo brasileiro, que, ao votar em outubro, optou pelo fim do fisiologismo, pelo fim do toma lá dá cá, pelo fim dos "vícios" que maculam a política brasileira há cinco séculos, desde que o Brasil é Brasil.
O resultado é isso aí.
Que satisfação, que prazer, que sonho vermos este País tão renovado, tão revigorado, tão afastado de práticas antigas, tão apegado à ordem unida e tão uniforme, com meninos vestindo azul e meninas vestindo rosa, sem laranjais, sem interferências externas nefastas, com um presidente sereno, ponderado e fiel ao decoro do cargo que ocupa.
É inacreditável que, em menos de três meses, este País tenha virado o país dos nossos sonhos!
Nem acredito isso.
Sem brinca!

É quando a noite chega que o Capitão cai no golden shower e nas fake news



É quando a noite vem, ao que parece, que as teorias conspiratórias e a sede de expor cenas de golden shower se apoderam do Capitão.
Na última terça-feira (05) à noite, quando o país inteiro – ou quase isso – já estava dormindo, começando a se refazer da ressaca do Carnaval, o Capitão foi para o Twitter e divulgou aquele vídeo pornográfico-escatológico-abjeto-obsceno.
Neste domingo, por volta das 20h, quando o país inteiro – ou quase isso – já estava se recolhendo para restaurar as forças e acordar para o batente de segunda-feira, o Capitão, sempre ele, foi para o Twitter e, desta vez, ajudou a disseminar uma odiosa fake news,  atribuindo a uma jornalista do Estado a declaração de que teria “intenção” de “arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”. 
A suposta declaração, que aparece entre aspas no título do texto do Terça Livre, um site conservador que apoia o governo do Capitão, foi atribuída à repórter Constança Rezende. A frase teria sido dita, segundo “denúncia” de um jornalista francês citado pelo Terça Livre, em uma conversa gravada em que a repórter fala da cobertura jornalística das movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).
A gravação do diálogo, porém, mostra que Constança em nenhum momento fala em “intenção” de arruinar o governo ou o presidente. A conversa, em inglês, tem frases truncadas e com pausas. Só trechos selecionados foram divulgados. Em um deles, a repórter avalia que “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”, mas não relaciona seu trabalho a nenhuma intenção nesse sentido.
Enquanto o Capitão publica vídeo pornô e propaga mentiras, a reforma da Previdência, que precisa ser esclarecida, explicada e traduzida para o brasileiro, numa tentativa de convencê-lo de que as mudanças no sistema previdenciário são mesmo necessárias, fica em segundo plano.
Ou em terceiro, sabe-se lá.

domingo, 10 de março de 2019

Bandidos inauguram nova forma de assalto em Belém: o assalto à mão desarmada


A violência em Belém assumiu, digamos assim, várias facetas, vários vieses. Ou, se quiserem, vários disfarces.
A mais nova forma de assalto, em que bandidos, supostamente foragidos do sistema penitenciário, e aparentemente - repita-se, aparentemente - sem armas, se travestem de pedintes, é narrada pelo jornalista Jota Ninos, de Santarém, num texto que ele publicou em seu perfil no Facebook.
O próprio jornalista passou pela experiência dentro de um ônibus, na última sexta-feira (08).
Ao final, ele faz uma pergunta: "Quando será que teremos de volta nossa Belém de outrora?"
Ninos, essa pergunta, nós, os que moramos em Belém, os que adoramos esta cidade e, no caso de quem não nasceu aqui, os que a adotamos como sua, todos nós, Ninos, nos fazemos essa pergunta.
Todo dia, o dia todo. E não obtemos resposta, infelizmente.
O texto é o seguinte:

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Estou em Belém desde ontem, na reta final da recuperação de minha cirurgia realizada em 26/02. Ontem vivi uma experiência surreal, dentro de um ônibus, que passo a relatar.
Depois de andar de um lado para o outro de Uber, por conta da fama de "cidade violenta", resolvi fazer o caminho entre dois shoppings usando um coletivo urbano.
Tudo ia bem no trajeto, até o momento que dois rapazes entraram no ônibus e um deles começou a falar em voz alta para os passageiros. Imaginei logo que era um daqueles "pedintes de ônibus", coisa tão comum em Belém.
Só que ao invés do famoso discurso "eu poderia estar roubando...", o jovem grita em voz alta - e de certa forma, assustadora - que precisava que os passageiros lhe dessem qualquer dinheiro, "pode ser um real, dois reais, cinco reais...", dizia ele aos berros e eu esperando ele falar os motivos do pedido, enquanto seu comparsa passava olhando ameaçador para cada passageiro.
Eu fiquei ouvindo de cabeça baixa, mas de repente uma frase me chamou a atenção: "estamos pedindo a ajuda de vocês porque acabamos de sair da penitenciária e queremos uma vida nova, porque aquilo é um inferno!".
Foi a deixa para que os passageiros começassem a dar dinheiro aos dois. Vi várias mãos trêmulas se estendendo no corredor e entregando moedas de um real ou notas de dois e até de cinco reais para os rapazes. Eu fiquei quieto, mas assustado, achando que estava começando um assalto e não dei dinheiro.
Olhei pro cobrador à minha frente que guardava uma expressão de desconforto, mas com um leve sorriso pendurado na boca como quem soubesse o que estava acontecendo. Terminada a "coleta", os dois agradeceram e desceram do ônibus. Ouvi um burburinho com gente dizendo "Ufa!" ou rindo de forma nervosa da situação.
Foi aí que o cobrador falou pra todos, em voz alta, que havíamos acabado de presenciar uma nova modalidade de violência psicológica da Cidade das Mangueiras: o assalto à mão desarmada!
Segundo o cobrador, essa prática começou recentemente e os jovens geralmente são drogados e se aproveitam do medo das pessoas de assaltos e se apresentam nos ônibus como ex-internos de penitenciárias, conseguindo que as pessoas acabem dando suas "doações espontâneas"...
Quando será que teremos de volta nossa Belém de outrora???

Ninguém pode dizer que nunca foi ajudado pela arbitragem


Essa aqui é nova - pra não dizer novíssima.
No clássico deste sábado à noite, em que empatou com o Vasco por 1 a 1, o Flamengo saiu dizendo horrores da arbitragem.
Os rubro-negros reclamam do pênalti marcado para ao final da partida, e que resultou no gol de empate vascaíno.
A impressão e de que o Flamengo é o único time do Brasil roubado por qualquer arbitragem todas as vezes em que o resultado lhe é adverso.
Mas o Flamengo já foi beneficiado pela arbitragem trocentas milhões de vezes. Já tem até troféu (rsss), como mostra a imagem.
Da mesma forma o Vasco, que já foi salvo pelo árbitro uma infinidade de vezes.
E da mesma forma meu time, o Fluminense, que já chegou praticamente a romper com a Ferj.
Gente!
É muito mimimi. Fora de brincadeira!
Porque uma coisa é criticar a arbitragem.
Outra coisa é achar que todos os árbitros do mundo estão com más intenções contra este ou aquele time, quando empata ou perde.
Parece até que essa galera está aprendendo a teoria da conspiração.
A mesma teoria que anima os espíritos de um certo governo.
Vish!

É só perguntar pro Capitão que ele explica


Lembram-se daquela série especial?
O melhor do Brasil é o brasileiro.
Pois é.
Brasileiros, esses fortes, esses pragmáticos e irreverentes, captam rapidamente certas mensagens e as traduzem com uma criatividade impressionante.
Por exemplo, muitos já aprenderam diretamente o que é golden shower (hehehe), popularizada pela postagem pornográfico-obsceno-abjeta-escatológica do Capitão, esse mito da boa moral e dos bons costumes.
Outros ainda não sabem o que é.
Mas basta procurarem o Capitão que ele explica, ora.
Avante, Brasil!

sábado, 9 de março de 2019

O que ela disse


"Não quis levar (o assunto a Bolsonaro), fiquei tão frustrada, quis retirar a candidatura. Nós que entramos no PSL achávamos que este era um partido do bem. Queríamos mudar este país. Foi um choque tão grande, que, quando fui embora, entrei no carro e fiquei cinco minutos respirando. Como pode? Que nojeira."
Adriana Moreira Borges, ex-candidata a deputada federal pelo PSL-MG, em declarações reproduzidas em O Globo deste sábado (09), confirmando que um ex-assessor do ministro Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo, a procurou propondo repassar-lhe R$ 100 mil do fundo partidário, desde que ela devolvesse R$ 90 mil.

Sob efeito do golden shower, o Capitão parece não saber o que é democracia


Quando qualquer pessoa, do mais anônimo cidadão ao presidente da República, precisa explicar o que disse, após repercussões enviesadas de declarações anterior, então é sinal que disse o que não devia ter dito. Simples assim.
Depois do escândalo do vídeo abjeto e obsceno, que atirou no esgoto o decoro presidencial, o Capitão dá outra demonstração - evidente, inequívoca, clamorosa e (por último, mas não menos importante) risível - de que seus bons discursos são aqueles em que ele pronuncia calado. Seus bons discursos são aqueles em que ele não fala.
Sim, como já se disse aqui, em postagem anterior, Bolsonaro, calado, é o melhorgaroto-propaganda do planeta.
A última do Capitão foi seu discurso no 211° aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais. Ouviu-se do presidente o seguinte:

“A missão será cumprida ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil, daqueles que amam a pátria, daqueles que respeitam a família, daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, daqueles que amam a democracia e a liberdade. E democracia e liberdade só existem quando as suas respectivas Forças Armadas assim o querem”.

Hehe.
Depois dessa absurdez, entraram em campo várias pessoas para explicar o que foi tido. Entraram em campo, inclusive, generais. Ou seja: era melhor que o Capitão continuasse calado e não se aventurasse em externas conceitos sobre o que, parece, não entende.
O Capitão, pra dizer o que disse, ainda devia estar sob o efeito do golden shower de xingamentos e impropérios estridentes, que tomaram conta de todo o País durante o Carnaval e o tiraram do sério, a ponto de levá-lo a publicar o vídeo pornográfico após consultar Carluxo, o pitbull do governo de papai.
A democracia e a liberdade, ao contrário do que imagina o Capitão, não são uma concessão de ninguém, muito menos das Forças Armadas.
As Forças Armadas, e os princípios que as embasam, devem sempre ajustar-se ao arcabouço institucional em que se assenta qualquer Nação.
No caso das Nações democráticas, as Forças Armadas não são fiadoras de nada. Elas estão subordinadas ao Estado Democrático de Direito. Dentro desse esquadro é que devem agir. Apenas e tão somente isso.
E isso acontece com todos os segmentos – a classe política, os médicos, os professores, os garis, os jornalistas, os advogados, os profissionais liberais – todo mundo, enfim.
Democracia e liberdade, Capitão, são a expressão de um pacto político que a sociedade faz em todos os seus segmentos, inclusive as Forças Armadas.
Ao externar esse disparate, o Capitão mal consegue disfarçar sua visão militarista do mundo. Da mesma forma que o vídeo pornográfico externou sua visão muito particular e até divertida, segundo a qual escatologias como as protagonizadas publicamente pelos dois malucos só podem ser coisa de esquerdistas, esquerdopatas, comunistas ou coisa que o valha.
E se os dois homens tiverem votado no Capitão?
Alguém já os chamou pra saber isso?
Enfim, é como já dito e redito: o Capitão sempre fez seus melhores discursos quando está calado.
Aliás, foi praticamente calado que ele ganhou a eleição, né?
Carluxo e o exército de militantes, guerreando com fake News em punho, é que se encarregaram de fazer o resto.
E está dando nisso a que todos estamos assistindo.
Em meio a golden showers intermináveis, vale dizer.

Viva! A maior obra do governo do Capitão é "democratizar" a saliência.


Vejam só.
A nota está em O Globo desta sexta-feira (08), na coluna de Ancelmo Gois.
Como se vê, o Capitão já fez a sua grande obra pela Pátria amada.
O Capitão, em 240 toques no Twitter, transformou-se no maior, mais acreditado e mais visceral propagador de cenas de saliência explícita (hehe) em todo o País.
Não sei se propagar pornografias escatológicas, como fez o Capitão, enquadra-se nos princípios de "gente de bem", uma expressão que ele sempre usa e que representa, a seu ver, aquele contingente especial que preza os mais nobres, edificantes e comoventes valores patrióticos, inclusive o de cantar o Hino Nacional sendo filmado. Não sei.
Mas o certo é que a maior obra do governo Bolsonaro até agora foi dar a conhecer, inclusive à "gente de bem", o que é uma sessão de golden shower a céu aberto.
Credo!

quinta-feira, 7 de março de 2019

Quem são os desparafusados que inspiraram Bolsonaro a fazer o que fez?


Os leitores do blog merecem um pedido de desculpas público deste repórter.
É que eu situava no ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, o único com vários parafusos frouxos no governo do Capitão.
Mas enganei-me (sou um ingênuo, como veem). Porque há outros com vários parafusos frouxos neste governo que, entra dia, sai dia, nos surpreende (e quase sempre nos diverte) cada vez mais.
Por exemplo: quem é ou quem são os desparafusados que inspiraram o Capitão postar um tuíte escatológico, asqueroso e repulsivo, movido pela maldifarçada intenção de disseminar a ideia de que a festa mais popular e democrática do país seria, em verdade, a mais depravada, a mais devassa, despudorada e desregrada do planeta?
Quem são esses desparafusados?
Vejam só.
Nesta terça-feira à noite, até por volta das 20h, quando expeliu a postagem no Twitter, o Capitão estava posto em sossego no Alvorada.
A noite avançava.
As críticas, os deboches, as irreverências, os corinhos com xingamentos e palavrões mencionando expressamente o Capitão, tudo isso, enfim, já havia praticamente parado.
Não se falava mais em Bolsonaro, que àquela altura poderia muito bem dar um boa noite geral e recolher-se para voltar ao batente no dia seguinte. Porque a PEC da Previdência está aí mesmo, né?, tendo no seu garoto-propaganda o mais vigoroso adversário.
Mas não.
Bolsonaro resolveu divulgar cenas com um grau de obscenidade tão violento, tão porco e repugnante que o próprio Twitter, em obediência a seus regramentos internos, resolveu restringir o acesso aos interessados em assisti-lo.
E o que aconteceu, depois disso?
Bolsonaro voltou a ser manchete não apenas no País inteiro. Mas no mundo inteiro. Repita-se: no mundo inteiro. E manchetes esmagadoramente negativas para a imagem da Presidência da República, como instituição, do presidente da República, como o legitimado para exercê-la, e para a imagem do Brasil, pintado como uma República onde o exercente do mais alto cargo não dispõe de discernimento suficiente para identificar sequer a impropriedade de divulgar obscenidades da espécie das que foram divulgadas.
Além das manchetes, o Twitter exibiu durante quase todo o dia esse assuntos entre os cinco primeiros nos TTs (trending topics), que indicam os temas mais discutidos por milhões de pessoas que frequentam a rede social.
Tem mais.
O Palácio do Planalto identificou uma debandada geral de parte dos apoiadores do Capitão na internet.
Juros e dólar fecharam em alta.
Teve reações até de aliados de Bolsonaro. Como Kim Kataguiri, deputado federal do DEM-SP, que escreveu no Twitter: "Há muitas boas razões para criticar o carnaval, não faltam problemas que poderiam ser evidenciados e evitados. Isso não justifica mostrar uma obscenidade para milhões de famílias por meio de uma rede social sob o pretexto de criticar a festa. Isso não é postura de conservador."
E então?
Quem é ou quem são os desparafusados que inspiraram o Capitão a postar o tuíte escatológico, asqueroso e repulsivo?

A verdade, apenas a verdade, sempre a verdade. Essa é a opção do jornalismo.


Dizer a verdade sempre foi – e sempre será, acredito – o básico, imutável, nuclear, fundamental, incontornável papel do jornalismo e dos jornalistas.
Mas não é o que vemos, infelizmente.
Ser o primeiro, dar o furo, estar na frente, sair na frente com uma informação que causará impacto tem sido, por outro lado, a tentação a que o jornalismo – e os jornalistas – não tem resistido, nesta era em que estamos submetido à comunicação on-line.
Alie-se a isso a proliferação de segmentos que se esmeram em ganhar dinheiro disseminando boatarias criminosas, na maioria das vezes por motivações políticas – e teremos um mundo em que as fake news se oferecem como um perigo permanente, nocivo, danoso e lesivo. Inclusive às democracias.
Por isso, esta advertência de Denzel Washington é simplesmente lapidar.
Porque também verdadeiramente irretocável.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Bolsonaro, é fato, nunca teve um Carnaval como este que passou


Na noite deste domingo (05), por volta das 21h, o presidente Jair Bolsonaro surpreendeu milhões de pessoas que estavam no Twitter ao fazer esta postagem.
Quem preferir não vê-la, o repórter a descreve: é um vídeo em que três foliões estão sobre uma marquise, uma laje, uma plataforma, seja o que for. Um deles, seminu, faz gestos como se estivesse apalpando o próprio ânus. Em seguida, abaixa-se para que outro rapaz faça xixi em sua cabeça.
Não se sabe onde é isso. Nem quando é. Mas o certo é que Bolsonaro escreveu o seguinte: “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. (sic) Comentem e tirem suas conclusões.”
Bem, em obediência à ordem unida emitida pelo Capitão, vamos comentar e tirar conclusões.
Os comentários são os seguintes.
Não. Não “é isto que tem virado muitos blocos de rua do carnaval brasileiro” (sic). O Carnaval não é o oceano de depravações, devassidão e esbórnia que o presidente pretendeu nos fazer supor. É uma festa popular que, como tal, também enseja excessos, evidentemente. Inclusive excessos escatológicos como esse, mas que não foram inaugurados agora.
Excessos existem em qualquer concentração popular. No futebol, por exemplo, além de levarem xixi na cabeça, torcedores são mortos – literalmente mortos – em meio a brigas selvagens entre torcedores travestidos de bandidos – ou bandidos travestidos de torcedores. Bolsonaro quer pior excesso do que esse?
E a conclusão?
A conclusão é a seguinte.
Inquestionavelmente, indubitavelmente, indisfarçavelmente, o Capitão deve ter passado o pior Carnaval de sua vida. Isso porque, como não se desgruda do Twitter, deve ter visto, irritado, furioso e constrangido, manifestações em que seu nome foi o tempero principal de um coro de impropérios, palavrões e xingamentos declamados e proclamados, em alto e bom som, em várias grandes cidades do País.
Constrangedor? Sim.
Mas é Carnaval, Capitão. Isso é Carnaval.
Em outros Carnavais, políticos – inclusive e sobretudo presidentes – já foram também muquiados verbalmente por foliões – os nus e os seminus. Neste Carnaval, aconteceu a mesmíssima coisa.
Mas Bolsonaro, como foi alvo de hostilidades verbais, pinça uma cena – que não se sabe onde nem quando se passou – e a expõe com o propósito de chocar, digamos assim, a consciência moral dos brasileiros.
Mas isso é bobagem, presidente.
E sabe o que vai acontecer depois desse vídeo?
Nada.
Porque nem o Carnaval é um oceano de devassidões e depravações, nem deixará de ser um espaço para irreverências e excessos e muito menos deixará de ecoar esses corinhos, digamos assim, incômodos, que deixam políticos fulos da vida.
Tomara que, voltando ao trabalho, a partir desta quarta-feira (05), o Capitão esteja relaxado.
Ou será que até o final de semana vai sair uma PEC acabando com o Carnaval?
Vish! 

terça-feira, 5 de março de 2019

Venezuelanos são reduzidos à condição de lixo humano. E a ONU, onde está?



Isso aí é uma coisa pavorosa, não é?
É a degradação a que são atirados pobres venezuelanos - esfomeados, abandonados, tratados eles próprios como se fossem rejeitos humanos.
Tratados como animais, condenados a saciar-se no lixo.
Literalmente no lixo.
Essas imagens, vocês sabem, ganham o mundo e foram feitas pelo jornalista mexicano Jorge Ramos, da Univisión, durante entrevista que fazia com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Ato contínuo - ou quase -, Maduro escorraçou toda a equipe de jornalistas do Palácio de Miraflores e, logo em seguida, da própria Venezuela.
Além dessa tragédia, humana, temos uma outra, diplomática.
Nessa crise na Venezuela, fala-se em Nicolás Maduro.
Fala-se a Juan Guaidó, o líder oposicionista autoproclamado presidente.
Fala-se em Grupo de Lima.
Em OEA (Organização dos Estados Americanos).
Fala-se em Donald Trump e até, acreditem vocês, em Ernesto Araújo, esse direitista fanático, esse direitista compulsivo que está à frente do Itamaraty, para desdita da diplomacia brasileira, que sempre foi tão respeitada no mundo e caminha célere para se desqualificar no conceito mundial.
Pois fala-se em todos esses.
Mas não se fala na Organização das Nações Unidas (ONU).
A ONU, vergonhosamente, inacreditavelmente, inadmissivelmente, esconde-se nesta crise.
Deixa de assumir um protagonismo que deveria ser dela, sem excluir, é claro, outros tantos canais diplomáticos.
E não se encontra uma saída diplomática para essa tragédia humanitária que se abate sobre a Venezuela.
Uma tragédia que se expressa em pessoas comendo lixo na rua.
Céus!

Rádio FM Senado está quase pronta para entrar no ar em Belém


A Assembleia Legislativa do Pará está ultimando os procedimentos que vão viabilizar a instalação da Rádio FM Senado em Belém. A Alepa terá uma hora pela manhã e uma hora à noite, dentro da grade de transmissão da emissora. Serão necessárias apenas adequações físicas na estrutura disponível na Alepa, sobretudo para acondicionar os equipamentos da própria Assembleia, além dos que forem disponibilizados pelo Senado.
Afonso Galindo, da Alepa, informou ao Espaço Aberto que está tudo pronto para a recepção e transmissão do conteúdo da Rádio Senado. Basta apenas a autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da diretoria, em Brasília.
A instalação da emissora é a última parte de um convênio assinado ainda em 2012, formalizando uma parceria entre a Alepa e o Senado.

domingo, 3 de março de 2019

No Canadá, a “nova política” põe Trudeau no epicentro de um escândalo



Que maravilha, gente!
E não é que temos “nova política” também no Canadá?
Pois é.
O primeiro-ministro Justin Trudeau é uma espécie de Bolsonaro do Norte.
O discurso de Trudeau, no que se refere a exclusões e ódios, não se compara, é claro, ao do Capitão.
Mas ambos, o Capitão e Trudeau, chegaram ao poder pregando práticas novas.
O que estamos vendo por aqui? Laranjais, além de interferências externas nefastas e o toma lá da cá para viabilizar a reforma da Previdência.
E o que estamos vendo no Canadá?
Trudeau, que prometeu fazer um governo baseado na abertura, na decência e no progressismo, está no epicentro de um escândalo.
Há suspeitas de que Sua Excelência foi o sujeito meio oculto num processo de negociação para apoiar uma empresa canadense acusada de subornar o governo da Líbia quando era liderado pelo ditador Muamar Kadafi.
Jornais canadenses expelem indignação. E os partidos da oposição pedem a renúncia do premier.
“Este é um golpe enorme para a marca pessoal de Justin Trudeau e a sua promessa de fazer política de um jeito diferente”, diz Shachi Kurl, diretora-executiva do Angus Reid Institute, empresa de pesquisas sem fins lucrativos sediada em Vancouver. “Esse brilho não foi só amassado ou arranhado. Está completamente arrasado.”
Em último caso, Trudeau pode muito bem pedir uma consultoria sobre nova política ao Capitão.
E vice-versa.

sábado, 2 de março de 2019

Bolsonaro, calado, é um poeta. Só calado ele será garoto-propaganda.


Vejam, vocês mesmos, a que ponto chegou o governo errático, atabalhoado, atrapalhado, confuso, atropelado e destrambelhado do Capitão.
Na quarta-feira (27), ao ser confirmada como a nova líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) defendeu que o Capitão seja erigido à condição de “garoto-propaganda da reforma da Previdência e emendou dizendo textualmente o seguinte: “Ele é um fenômeno de comunicação nas redes e foi chamado pelos líderes para fazer também essa campanha”.
Hehehe.
Pois no dia seguinte, quinta-feira (28), o Capitão teve um encontro com jornalistas, no qual acordou para o fato de que, sim, ele é o presidente da República.
No encontro, entre outras pérolas, não descartou a possibilidade de que a idade mínima para a aposentadoria das mulheres seja fixada em 60 anos, dois a menos do que prevê a PEC da Previdência.
Disse ainda que o modelo proposto para benefícios pagos a idosos carentes poderia ser discutido, além da fórmula de cálculo da pensão por morte.
E aí?
E aí que  o governo do próprio Capitão entrou em pânico. E acontece isso aí, traduzido em manchete de primeira página da Folha de S.Paulo deste sábado (02): ao que parece, o maior opositor dos termos da PEC da Previdência é o próprio governo, pela voz de ninguém menos que do presidente da República, aquele que todos querem ver atuando como garoto-propaganda.
Que goroto-propaganda é esse, gente?
É esse mesmo o garoto-propaganda que vai viabilizar a aprovação da reforma da Previdência?
Convençam-se de um fato: parodiando Romário, em sua célebre tirada sobre Pelé, Bolsonaro, calado, é um poeta, um estadista, um garoto-propaganda de qualquer coisa.
Bolsonaro venceu as eleições porque, justamente, não foi aos debates para debater.
Porque preferiu – como ainda tem preferido – fazer suas alocuções solitárias – enclausurado, isolado, longe de públicos ou de plateias que possam testar seu poder de persuasão, de convencimento sobre qualquer tema.
Por isso, por exemplo, ele não enfrenta jornalistas em uma entrevista coletiva – cara a cara, frente a frente, olho no olho, sem temas preliminarmente proibidos a abordar.
Por isso, por exemplo, o Capitão fugiu de uma entrevistas em Davos, onde fez um discurso meteórico e depois sumiu, evitando conversas com jornalistas do mundo inteiro que gostariam de conhecer suas ideias, inclusive sobre o laranjal que põe sob suspeitas seu filho Flávio Bolsonaro, senador pelo PSL do Rio.
O Capitão, vamos e convenhamos, já é rodado, bastante rodado na vida pública, muito embora tenha sido eleito com um discurso de que inauguraria a “nova política”. Mas sua “novíssima política” é um revival da velha – da velhíssima.
Enfim, como político rodado, Bolsonaro nunca foi acostumado a articular nada, a negociar nada, a participar de contraditórios com ninguém.
Então quer dizer que agora, na condição de presidente, vai virar um garoto-propaganda da PEC da Previdência, que enseja debates sobre temas tecnicamente intrincados?
Então quer diz que agora, na condição de presidente, o presidente será capaz de comandar ele próprio, pessoalmente, uma negociação com todos os segmentos sociais, que têm restrições à reforma como foi proposta?
Com todo o respeito, contem outra.
Porque nessa, sinceramente, nem o Capitão acredita.

A morte do neto de Lula: se vocês querem abjeção e nojo, vão para o Brasil


Como era previsível, as redes sociais, esses trombones da intolerância, estão inundadas, encharcadas, alagadas, congestionadas de postagens que comemoram a morte de uma criança de 7 anos, vítima de meningite.
Por que comemoram?
Porque a criança é um neto do ex-presidente Luiz Inácio da Lula da Silva.
Vamos combinar, gente: chegamos, parece, ao limite do intolerável, do repugnante, do abjeto, do inadmissível. Chegamos ao topo da imbecilidade travestida, digamos assim, de guerrilha política virtual.
Porque, convenhamos, é realmente inconcebível, é intolerável, repugnante, abjeto, inadmissível que alguém possa se regozijar com a morte de uma criança, em circunstâncias trágicas.
É inconcebível, intolerável, repugnante, abjeto, inadmissível que alguém não consiga, por um minuto sequer, apartar-se de seus rancores, de seus preconceitos, de suas predisposições ideológicas nocivas e se aproveite de episódios como este para expelir o que de pior existe no íntimo de um ser humano, apenas com o propósito de evidenciar suas preferências políticas.
É inconcebível, intolerável, repugnante, abjeto, inadmissível que descubramos o Brasil como um País em que milhões de pessoas são capazes de crivar, de submeter seus edificante princípios humanitários ao filtro de critérios políticos. E que, depois desse crivo, depois dessa filtragem saiam pelo ralo o deboche, o despeito, a desumanidade, a raiva.
É inconcebível, intolerável, repugnante, abjeto, inadmissível que tanta gente com filhos e netos se regozije com tragédias que atingem outras pessoas.
Vocês querem desumanidade, gente? Pois vão para o Brasil, que lá tem - à farta, comerciada no varejo pelo motivos mais sórdidos, mais torpes, mais atrozes, mais desumanos, mais vis, mais porcos.
Avante, Brasil!
E todos cantando o hino nacional. Com filmagem, de preferência.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Helder suspende pagamento de pensão vitalícia a Jatene e outros três ex-governadores



O governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Administração (Sead), suspendeu o pagamento de aposentadorias e pensões especiais a ex-governadores e viúvas. O benefício, no valor de R$ 30.471,10, era pago a 4 ex-governadores e 5 viúvas de ex-governadores, gerando um custo total de mais de R$ 274 mil aos cofres públicos.

Tiveram seus pagamentos suspensos os ex-governadores Simao Jatene, Ana Júlia Carepa, Carlos Santos e Aurélio do Carmo. As viúvas que recebiam as pensões são Socorro Gabriel, Terezinha Gueiros, Marilda Nunes, Celina Moraes Rego e Norma Guilhon.

Dos onze ex-governadores e suas viúvas beneficiados pela pensão vitalícia, apenas Jarbas Passarinho e Jader Barbalho abriram mão do pagamento.

A decisão está em conformidade com a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4552, ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB) no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), e que questionou a validade constitucional da aposentadoria especial a ex-governadores. A ação foi julgada procedente, com manifestação favorável à declaração de inconstitucionalidade feita pela Advocacia-Geral da União e pela Procuradoria-Geral da República. O acórdão com a decisão foi publicado em 14 de fevereiro deste ano.

Diante da decisão e da necessidade de superar o déficit fiscal encontrado nas contas do Pará, o Governo do Estado expediu, nesta sexta-feira (1º), ofício informando os ex-governadores sobre o julgamento e comunicando, portanto, a impossibilidade dar continuidade à concessão do referido benefício.

Enfim, Bolsonaro está acordando para o fato de que é presidente


Bolsonaro, parece, está pegando no susto.
Está, como se diz, pegando no tranco.
Está caindo na real: “Sou presidente do Brasil”.
Menos mal que seja assim.
Poderia o presidente perceber-se presidente tão logo venceu as eleições de outubro do ano passado.
Não o fez de imediato, nem mesmo no minuto seguinte ao que tomou posse. Por isso seu governo tem-se mostrado, até aqui, errático, confuso, atabalhoado, hesitante, desorientado e destrambelhado.
Mas o presidente deu demonstrações evidentes de que caiu na real ao convidar jornalistas para um café da manhã, nesta quinta-feira (28).
Reuniu-se com jornalistas profissionais, de diferentes veículos.
Durante o encontro, disse basicamente o seguinte.
Que continuará usando as redes sociais para comunicar-se, mas dará mais relevância às relações do governo com a imprensa profissional, que ele mesmo reconheceu como a mais credenciada e preparada para levar a público temas de interesse coletivo.
Disse claramente que nenhum de seus três filhos – o vereador Carlos, o o deputado Eduardo e o senador Flávio – mandam no seu governo.
Relevou ter dito a Carlos, o pitbull que já derrubou até um ministro e que é tido como um guerilheiro virtual, a dar uma segurada, ou seja, a controlar seus instintos mais primitivos, como diria - lembram-se? - Roberto Jefferson.
Disse ainda que a sua anunciada pretensão de transferir a sede da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jesusalém não está, de fato, nem decidida nem descartada, mas vai subordinar-se a uma avaliação mais acurada dos interesses estratégicos do Brasil. Ou seja (e isto é uma conclusão deste blog): dificilmente, mas muito dificilmente mesmo, Bolsonaro vai tirar a embaixada de Tel Aviv, porque isso representará uma tragédia para o Brasil, em termos estratégicos e comerciais.
Sim, gente.
Bolsonaro, parece, acordou na manhã desta quinta-feira para o fato de que é o presidente do Brasil.
Isso significa que, muito embora todos saibamos sobre suas disposições e predisposições ideológicas e os vieses morais que sempre seguiu, é possível que Jair Bolsonaro apague o facho de suas paixões políticas e abrande o fogo do radicalismo que sempre o notabilizou.
Aguardemos.
E acompanhemos atentamente.

Justiça Federal revoga as prisões temporárias feitas durante a Operação Saldo Zero

O juiz federal Antonio Carlos Almeida Campelo, da 4ª Vara, revogou nesta quinta-feira (28) as prisões temporárias de cinco pessoas que foram presas durante a Operação Saldo Zero, que apura indícios de desvios de recursos na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).
A revogação das prisões ocorreu durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (28). Foram libertados Jardel Rodrigues da Silva, Idelnir do Carmo Vasques Silva, Carlos Albino de Figueiredo Magalhães, Benedito Gomes dos Santos Filho e Jandira Pires Bessa.
O magistrado determinou ainda que seja comunicado à Polícia Federal sobre a necessidade de decretação da prisão preventiva de Wilson José de Mello e Silva Maia e Joely Patrícia Machado de Oliveira, que no momento se encontram foragidos.
Todos os cinco acusados que participaram da audiência de custódia disseram ao juiz que não sofreram qualquer constrangimento por parte dos agentes da PF que os prenderam e que suas garantias legais foram integralmente preservadas, inclusive a de contactar com os respectivos advogados.
Diante do pedido dos advogados, para que as prisões fossem revogadas, o procurador da República Ricardo Negrini sustentou que seria mais conveniente aguardar que a Polícia Federal informasse oficialmente se todas as diligências requeridas foram realmente cumpridas.
Mesmo diante do argumento do representante do Ministério Público Federal (MPF), o juiz se mostrou convencido de que a Operação Saldo Zero colheu elementos probatórios suficientes nesta fase do processo, conforme informações verbais que lhe foram transmitidas por delegado da Polícia Federal.
Ao revogar as prisões, Campelo decidiu aplicar as seguintes medidas cautelares aos acusados: eles não poderão alterar o endereço sem imediata comunicação ao juízo; deverão comparecer a todos os atos do processo; e não poderão se ausentar do Estado do Pará por período superior a 15 dias, sem autorização deste Juízo. Todos ficaram advertidos de que o descumprimento de qualquer cautelar pode ensejar a decretação de prisão preventiva.
Desvios - Autorizada pela 4ª Vara Federal, a Operação Saldo Zero contou com a participação do Ministério Público Federal, Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU) e Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).
Essa força-tarefa apura a atuação de agentes públicos que teriam desviado recursos destinados a projetos de pesquisa, transferidos pela Ufra à Fundação de Apoio à Pesquisa, Extensão e Ensino em Ciências Agrárias (Funpea). Servidores ativos da Universidade (eleitos para cargos de direção da Funpea), sócios de empresas fornecedoras de bens e serviços e funcionários da Fundação são acuados de fazer parte do esquema. O nome “Saldo Zero” faz referência aos valores encontrados nas contas correntes dos projetos, cujos recursos teriam sido desviados.
As investigações começaram em 2018, após denúncia da Reitoria da própria Ufra, que, ao implementar controles internos recomendados pela CGU, identificou fraudes em extratos bancários apresentados pela Funpea.
A CGU também realizou auditoria que constatou que dos R$ 23 milhões repassados à Funpea, entre 2014 e 2018, nenhum dos objetos previstos em 16 projetos examinados foram concluídos, sendo que a maioria sequer foi iniciada. Além disso, não existe perspectiva de conclusão dos projetos em virtude da situação de insolvência da Fundação.
De acordo com as investigações, os recursos eram desviados principalmente pela contratação de empresas ligadas a funcionários da Funpea por meio de licitações direcionadas. Somente uma empresa “de fachada” vinculada a ex-empregados teria recebido pagamentos que totalizam R$ 12.035.399,64 para prestação de serviços de assessoria, porém não comprovados.

Fonte: Justiça Federal - Seção Judiciária do Pará