sexta-feira, 10 de maio de 2013

Comissão recebe anteprojeto que define crime de terrorismo


A Comissão Mista de Consolidação das Leis recebeu nesta quinta-feira (9) a minuta de projeto que define o crime de terrorismo e estabelece penas para a prática.
Embora esteja citado no artigo 5º da Constituição e constar de acordos internacionais ratificados pelo Brasil, o crime não é previsto de forma clara nas leis do País.
O texto apresentado pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) ainda será discutido pelos integrantes da comissão antes de se transformar em projeto de lei e tramitar na Câmara e no Senado.
A comissão foi criada com o intuito de propor a regulamentação dos dispositivos constitucionais que ainda não foram regulamentados e consolidar as leis federais.
A minuta, segundo o deputado, foi elaborada com base no PLS 236/12, de reforma do Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40), proposto por comissão de juristas criada pelo Senado. Miro Teixeira informou ter consultado também outras proposições, totalizando 43 projetos, além de nove tratados, protocolos e convenções internacionais.
Pena maior
O deputado incluiu na minuta pontos que considera "desconfortáveis", com o intuito de que sejam discutidos.
Ao contrário do projeto de reforma do Código Penal, o texto de Miro Teixeira não faz distinção entre quem financia, auxilia ou pratica os atos de terrorismo. A pena prevista vai de 24 a 30 anos, maior que a proposta pelo PLS 236/12, que vai de 8 a 15 anos, podendo chegar a 20 anos se for usada arma de destruição em massa ou outro meio capaz de causar grandes danos. A pena prevista na minuta não exclui as sanções aplicáveis a outros crimes, no caso de ocorrer lesão corporal ou morte.
O projeto define como terrorismo causar terror na população por meio de condutas como o uso, ameaça de uso, transporte e guarda de explosivos, gases tóxicos, venenos, armas biológicas ou outros meios capazes de promover destruição em massa. Além disso, o texto inclui a sabotagem de sistemas de informática e bancos de dados e a sabotagem, com violência ou grave ameaça, de funcionamento de meios de comunicação e de transporte e instalações públicas, entre outros.
Terrorismo no dia a dia
O texto também enquadra como terrorismo atos como incendiar, depredar, saquear, destruir ou explodir meios de transporte ou qualquer bem público ou privado. Segundo o deputado, é preciso proteger a população de maneira permanente, independentemente dos grandes eventos esportivos. “Nossa população vive submetida a alguns atos de terrorismo que ela não percebe. No Rio de Janeiro, o camarada que bota fogo num ônibus cheio de gente e bloqueia a porta para ninguém sair está, sim, causando terror na população”, explicou.
Outro item do projeto é a diferenciação entre movimentos sociais e terrorismo. O texto prevê que não se enquadra no crime a conduta individual ou coletiva de pessoas movidas por propósitos sociais ou reivindicatórios.
A punição poderá ser extinta caso o responsável pelo atos desista voluntariamente de prosseguir a tempo de evitar que o resultado aconteça.

Charge - Samuca


O Estadonet faz cobertura completa do atentado a médico

Olhem só.
Cliquem nos links abaixo.
Tratam da cobertura de OEstadonet.com.br sobre o caso do médico Edson Filho, baleado com quatro tiros, ontem de manhã, dentro do Hospital Regional de Santarém.
As matérias são dos repórteres Miguel Oliveira, Silvia Vieira, Aritana Aguiar e Dannie Oliveira.
Confiram.


Mais ações contra Duciomar Costa

Então é isso.
Ducimar Gomes da Costa, o huno, que acaba de ser condenado pela Justiça Federal por improbidade administrativa e de, em consequência, ter os direitos políticos suspensos por cinco anos, vai colecionar mais ações para o seu alentado, volumoso portfólio.
O Ministério Público do Estado está alinhavando várias ações contra o dotô.
É como já se disse aqui: Duciomar, a esta altura do campeonato, deve estar naquela pose de tô nem aí; ou então estará perguntando "Isso é mesmo comigo?"
Essa postura foi a que ele sempre adotou, durante os oitos anos em que desgovernou Belém.
Nada impede, no entanto, que seja responsabilizado pelos atos afrontosos às leis que porventura tenha praticado.

Charge - Pater


O Pará é imoralmente, despudoradamente vilipendiado



Olhem só.
Reforma tributária impondo prejuízos a alguns e deixando outros tantos no bem-bom é refresco, meus caros.
É refresco!
Ou por outro dizer: tentativas de fazer reforma tributária são momentos especiais em que, em vez de buscar-se o desequilíbrio, decreta-se, isso sim, um equilíbrio fictício que provoca mais desequilíbrios do que aqueles que a pretensa reforma pretendiam eliminar.
Esse projeto que impõe alíquotas diferenciadas para o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), em tramitação no Senado, é um exemplo disso.
O Pará é escandalosamente, imoralmente, despudoradamente vilipendiado.
O projeto determina que as transações que tenham origem nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e no Espírito Santo tenham alíquota do imposto de 7%.
Mas se houve uma areazinha de livre comércio no pedaço, as alíquotas serão de 12%
O Pará não tem nenhuma.
Exploda-se, portanto, o Pará.
Exploda-se!
É preciso que a bancada paraense, independentemente de preferências partidárias e eventuais divergências, se deixe instilar do espírito cabano e faça alguma coisa para impedir essa palhaçada.
Aliás, o projeto dificilmente vai passar.
O próprio governo federal é contra.
Por solidariedade ao Pará?
Não acreditem nisso os paraenses. Nem  de longe.
O governo federal é contra porque o Sul-Sudeste, meus caros, vai perder também.
E muito.
Grandes Estados como São Paulo, Minas e Rio levam um senhor tranco, se esse projeto disparatado passar.
Olhem o infográfico lá em cima.
Foi pinçado pelo Espaço Aberto do site da Folha Online.
Ali está, em resumo resumidíssimo, o alcance e a divisão das perdas.
Aí vocês vão compreender melhor como reformas tributárias também podem juntar, no mesmo barco do disparate, Estados que a União sempre tratou como almoxarifado, caso do Pará, e outros que sempre se sentiram no direito de ser auferir as maiores benesses, por se considerarem aquilo a quem chamam de locomotiva nacional.
Locomotiva nacional?
É brincadeira.
Seria até brincadeira se não fosse trágico o Pará ser escanteado mais uma vez, num arremedo de reforma tributária que nada reforma.
Apenas bagunça.
E desequilibra ainda mais.

#nuncafecheocruzamento. É isso mesmo: nunca feche!



É isso mesmo, meus caros.
#nuncafecheocruzamento.
#nuncafecheocruzamento, porque isso é uma infração de trânsito claramente prevista, normatizada, estatuída.
#nuncafecheocruzamento, porque fechar cruzamentos ajuda a bagunçar, a tumultuar ainda mais o já bagunçado e tumultuado trânsito de Belém.
#nuncafecheocruzamento, porque isso é sinal de incivilidade, de falta de respeito com outros motoristas.
#nuncafecheocruzamento, porque Belém merece que os motoristas que circulam por suas ruas também se empenhem, eles próprios, em fazer sua parte para que o trânsito seja humanizado, e não uma selva por onde trafegam os imprudentes, os insolentes, os selvagens do volante.
No último sábado, o poster estava dando umas tuitadas no perfil do Espaço Aberto no Twitter.
Espontaneamente, lançou-se uma sugestão, direcionada aos seguidores do excelente Belém Trânsito, que são quase 30 mil, para que todos se unissem numa campanha contra o hábito, largamente difundido em Belém, de fechar cruzamentos.
Pronto.
Criou-se logo uma hashtag, que, para que não é usuário do Twitter, é isto aqui - #nuncafecheocruzamento, uma espécie de palavra ou frase que resume um tema em discussão e ajuda a ampliá-lo numa rede social.
E estava aberta a campanha virtual do #nuncafecheocruzamento.
De imediato, dezenas de seguidores aderiam.
Dezenas retuitaram as tuitadas do Espaço Aberto, inclusive jornalistas, que firmaram o compromisso de sugerir às suas chefias de produção - as velhas, antigas chefias de reportagem - pautas sobre o assunto.
Foi o que fez o Portal ORM.
Vejam a matéria, excelente, que está na postagem abaixo. E as fotos, idem.
Mayara Maciel, a autora do texto e das fotos, fez um ótimo trabalho.
Captou imagens contundentes e emblemáticas, confirmando a disseminação de uma prática horrível que precisamos combater.
É necessário nos convencermos de que fechar os cruzamentos - como vocês podem nos vídeos lá no alto, produzidos há dois anos pelo blog, mas ainda atuais - é uma transgressão às leis de trânsito e, além disso, revela falta de educação e de civilidade.
Não dá para nunca fecharmos o cruzamento?
É isto, então: #nuncafecheocruzamento.
Nunquinha.
Abaixo, vejam imagens de postagens no Twitter que deram início à campanha.





SIGA O ESPAÇO ABERTO NO TWITTER

Campanha no Twitter critica fechamento de cruzamentos

Do Portal ORM

Texto e fotos: Mayara Maciel, com supervisão da jornalista Heloá Canali


O que mais irrita motoristas no trânsito de Belém? A pergunta é até difícil de responder, mas para o jornalista Paulo Bemerguy, um dos maiores problemas para quem trafega de carro e até mesmo para os pedestres, é o fechamento dos cruzamentos. Segundo ele, a causa do problema é a falta de educação. A solução: educação!
Por isso, há aproximadamente uma semana, o jornalista lançou na rede social 'Twitter' a campanha #NuncaFecheCruzamento, que visa conscientizar condutores sobre esta questão. A campanha recebeu o apoio do perfil @belemtransito (criado pelo engenheiro Tiago Paolelli), do blog 'Espaço Aberto', e de milhares de 'tuiteiros' que denunciam, diariamente na rede social, situações do dia a dia de quem sofre com os cruzamentos fechados.
 'O Twitter, assim como a maioria das redes sociais, tem grande visibilidade, principalmente entre os jovens. Por isso, acredito que esses canais devem ser utilizados de maneira consciente, não apenas para servirem como espaço de publicação de questões pessoais ou ainda de discussão sobre questões irrelevantes. Temos que utilizar a internet a favor do coletivo, para mostrar os problemas da nossa cidade e quem sabe resolvê-los', afirmou Paulo Bemerguy.

A campanha consiste na divulgação de fotos, por meio do 'Twitter', de veículos que ultrapassam o sinal amarelo e/ou vermelho, fechando o cruzamento e complicando ainda mais o confuso trânsito de Belém.
Segundo Paulo Bemerguy, a campanha começou de maneira despretensiosa. 'Quando estava a caminho do trabalho, no último sábado (4), comentei no twitter o caos que estava o trânsito na Avenida Duque de Caxias por causa do fechamento de um cruzamento. Alertei o @belemtransito e a campanha ganhou notoriedade. Hoje, milhares de pessoas que seguem o meu perfil no Twitter e o perfil @belemtransito são adeptos da campanha', disse.
Encontrar pontos críticos onde a situação acontece não foi uma tarefa difícil. Em poucos minutos a reportagem do Portal ORM flagrou várias situações. Em quase todos os cruzamentos por onde passamos, havia algum motorista bloqueando o trânsito. Em três cruzamentos no decorrer da Rua Domingos Marreiros, por exemplo, encontramos infratores. Veja as fotos!
No cruzamento com a Travessa Dom Romualdo de Seixas, um veículo de passeio deixou furiosos os motoristas que trafegavam na Domingos Marreiros.
Já no Cruzamento entre a Rua Domingos Marreiros com a Avenida Generalíssimo Deodoro, um caminhão baú foi o responsável por deixar ainda mais lento o fluxo no local.
Outro flagrante foi registrado no cruzamento da Domingos com a Avenida Alcindo Cacela. Percebe-se na foto o sinal verde, mas dois veículos de passeio impedem que motoristas sigam em frente.
De acordo com o Art. 128*VIII do Código Brasileiro de Trânsito, fechar cruzamentos é uma infração de gravidade média, com pagamento de multa no valor de R$ 85,13 e perda de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação.
 'O trânsito é o local onde mais se expressa educação ou a falta dela. As pessoas que são mal educadas no convívio social também costumam ser assim no trânsito. Costumo dizer que há os infratores, que são aqueles que não se importam se estão trafegando em alta velocidade em avenidas como a Almirante Barroso, e há ainda os mal educados, que não são capazes de dar passagem a outro veículo no trânsito ou ainda fecham cruzamentos, por exemplo. Então problemas como esse só podem ser resolvidos com educação individual, fiscalização e repressão', afirmou Paulo.
A campanha segue movimentando o Twitter, mas seu reflexo vem ultrapassando as telas dos computadores, tablets e smartphones para chegar onde mais importa: no trânsito. 
A Prefeitura de Belém, por meio da AMUB (Autarquia de Mobilidade Urbana de Belém), responsável por gerenciar o trânsito da capital paraense, admite que o trânsito da cidade tem problemas históricos, responsáveis por afunilar cada vez mais a circulação nas vias, contribuindo para o maior stress dos motoristas e resolveu também iniciar uma campanha educativa,
A partir da próxima semana, 20 agentes de trânsito trabalharão exclusivamente para orientar os motoristas em 10 cruzamentos, considerados os mais críticos da cidade. Eles ficarão divididos em dois turnos (de 7 às 14h e de 14 às 21h) e terão a missão de fazer o trânsito fluir. 'A filosofia desses agentes é educar. É uma equipe diferenciada, que chega junto à população com uma visão de reprimenda às más práticas e está orientada a chamar a atenção de forma a levar a uma ampla conscientização. Eles vão organizar o trânsito para evitar que as vias fiquem fechadas por atitudes dos condutores, e só multarão em última instância. A atuação deles é mais de educação, de garantir a mobilidade a todos', explica Maisa Tobias, superintendente da Amub.

Veja os cruzamentos onde, a partir da próxima semana, agentes estarão para organizar o trânsito:
- Avenida Almirante Barroso com Tavares Bastos
- Avenida Almirante Barroso com a Travessa Humaitá,
- Avenida Visconde de Souza Franco (Doca) com Rua Boaventura da Silva
- Avenida Presidente Vargas com Rua Gama Abreu
- Travessa Quintino Bocaiúva com a Avenida Gentil Bittencourt
- Travessa Mauriti com a Avenida Pedro Miranda
- Avenida Governador José Malcher com Avenida Castelo Branco
- Avenida Governador José Malcher com a Avenida Generalíssimo Deodoro
- Avenida Governador José Malcher com a Travessa Quintino Bocaiúva
- Avenida Governador José Malcher com a Avenida Almirante Barroso

De quem herdamos a grosseria, inclusive no trânsito?

De um Anônimo, sobre a postagem Cruzamentos fechados. De quem a culpa, afinal?:

Sinceramente, gostaria de quem herdamos está falta de educação, grosseria, falta de higiene, soberba, desleixo, ignorância e pseudoesperteza que o paraense tem.
Dizemos aos quatro ventos que somos um povo caloroso e que sabemos receber, mas só se for com os parentes e na época do círio, por que fora isso, haja falta de educação.
Dos portugueses não foi, pois eles são discretos e normalmente educados; será que vem da selvageria dos índios? É pode ser! Mas até eles evoluíram e nós, paraenses, quando vamos?

Maquinistas da Vale dizem ser obrigados a urinar na cabine


Maquinistas que trabalhavam em trens da Vale no Norte e Nordeste do país estão obtendo vitórias na Justiça do Trabalho porque não tinham tempo de ir ao banheiro --faziam necessidades dentro das cabines de comando.
Isso ocorria, segundo os processos, porque os maquinistas não podem, por medida de segurança, passar um minuto sem ativar itens na cabine. Se não o fizerem, um alerta automático é acionado e o trem para em 25 segundos --mecanismo usado para certificar a atenção do condutor.
Ex-trabalhadores relataram que urinavam em copos ou até pela janela da cabine, mesmo local onde faziam suas refeições. Usavam sacos e jornais para defecar.
A Justiça do Trabalho recebeu dezenas de ações de ex-maquinistas da Estrada de Ferro Carajás, que liga o Pará ao Maranhão. Atualmente cerca de 300 maquinistas fazem esse serviço.
Em fevereiro deste ano, por exemplo, o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8) confirmou decisão de primeira instância e fixou indenização por danos morais de R$ 24 mil a um ex-maquinista da Vale.
A questão, contudo, é polêmica e tem suscitado decisões diferentes. Segundo a Vale, de 31 ações sobre o tema, 13 foram favoráveis aos ex-funcionários e 18, à empresa.
A advogada Tacyara Duarte, que defende ex-maquinistas, diz que nas ações vencidas pela Vale prevaleceu o entendimento de que os maquinistas podem parar o trem quando quiserem e usar o banheiro com o trem parado.
Já na ação do TRT-8, a juíza Rosita Nassar considerou "insuficiente" o tempo para o maquinista "realizar suas necessidades fisiológicas e retornar ao painel de controle" sem ter que parar o trem, diz trecho da decisão.
Inicialmente, as equipes dos trens contavam com dois auxiliares do maquinista, mas seus postos foram extintos há mais de dez anos. Com isso, maquinistas passaram a conduzir os trens sozinhos.


OUTRO LADO
A Vale negou que maquinistas sejam obrigados a urinar e defecar dentro das cabines e disse que está recorrendo das decisões desfavoráveis na Justiça do Trabalho.
Afirmou que há paradas durante o trajeto que permitem o uso do banheiro.
A empresa confirmou a existência de dispositivo de segurança para manter o maquinista na cabine. Diz, porém, que o tempo para o alerta é de 90 segundos. Em um dos processos consta que esse tempo é de um minuto.
Segundo a Vale, no trajeto de 265 km entre a estação inicial e a final há 14 pátios de parada, ou seja, o maquinista pode parar para ir ao banheiro a cada 30 km. Em 2010, a velocidade média dos trens em operação comercial foi de 28,89 km/h.
Maquinistas, porém, relataram à Justiça que não sabiam previamente onde seriam as paradas. Dizem que só ficavam sabendo 15 km antes da parada.
A Vale informou ainda que preenche "todas as exigências legais de saúde e higiene no trabalho" e que as cabines dos trens possuem ar-condicionado, frigobar e forno, sendo higienizadas diariamente.

Workshop prepara a nova coleção do Polo Joalheiro

Do Blog São José Liberto

Estimular a criatividade e novos olhares para o cotidiano, a partir de lembranças marcantes do passado. Com esse objetivo, o “Workshop de Geração de Produtos de Acessórios de Moda – Criação de Projetos” resultará na nova coleção de acessórios de moda e manualidades, criada pelos profissionais que fazem parte do Programa Polo Joalheiro do Pará. O workshop, que começou na última terça-feira (7), prossegue até esta sexta-feira (10), no auditório do Espaço São José Liberto.

Cerca de 20 designers participam da atividade, que integra a programação anual do Projeto de Qualificação Profissional do Programa Polo Joalheiro do Pará, uma realização do governo do Estado, por meio da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (Seicom) e do Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama). O workshop visa a melhoria da qualidade dos produtos gerados e o incentivo à atuação do profissional da área de design, dando suporte, ainda, a novos empreendedores que desejam ingressar no mercado por meio do Programa.

Yorrana Maia e Fernando Hage

O processo criativo é ministrado por Yorrana Maia, especialista em Moda e Criação, pela Faculdade Santa Marcelina/SP e professora da Universidade da Amazônia (Unama), e Fernando Hage, mestre em Moda, Cultura e Arte pelo Centro Universitário Senac/SP e professor da Unama. No primeiro dia foram mostradas novas tendências e inspirações na área de Design e Moda. No segundo dia do curso foi trabalhada a parte prática, em que cada aluno buscou inspiração na sua história de vida.

“Na verdade, o que a gente quer é trazer um novo olhar para esse universo que eles já conhecem. A criação é um treino, é treinar o olhar e enxergar naquele universo particular outras formas, outras referências, agregando sempre algo novo para aquilo que a gente já faz. A moda funciona a partir do novo, então, cada projeto tem que agregar algo novo, e o novo está ao nosso redor. São coisas que chamam a nossa atenção a ponto de querermos falar sobre elas. Isso é inspirador para o criador. Basta treinar esse olhar”, explicou Yorrana Maia.
Workshop vai gerar a nova coleção de Moda e Manualidades do Polo Joalheiro

Cem dias de solidão


Nos seus primeiros cem dias de gestão no suntuoso, mas "cupinoso" e "goteiroso" Palácio "Antônio Lemos" , o prefeito Zenaldo Coutinho, ao prestar contas ao distinto público que o elegeu, não teve muitos feitos a comemorar, além das badaladas 380 toneladas de lixo e entulhos retirados dos canais e bueiros da cidade. Deu a entender que ainda não teve tempo sequer para cultivar os frutos de sua própria horta eleitoral, "adubada" pelos três SSS, tantos são os pepinos e abacaxis deixados pelo inefável Dudu.
Dentre os principais, o lixo abundante , os alagamentos diluvianos de bueiros e canais, a Saúde na UTI, o trânsito infernal e a segurança precária. Quanto ao "pepino" do lixo, ele recebeu providencial ajuda do Ministério Público que, em boa hora determinou a assinatura de Termo de Ajuste de Conduta (TAC) entre as prefeituras da área metropolitana de Belém, socializando assim o problema e, espera-se, também sua solução.
No rastro, a Justiça também determinou o cancelamento do suspeito contrato de 25 anos e estratosféricos R$-800 milhões, firmado com empresa "estrangeira" pelo ex-prefeito Dudu, uma espécie de genérico do inefável Odorico Paraguaçu, personagem imortal de Dias Gomes, que retratou magistralmente em "O Bem Amado" os usos e costumes nada edificantes praticados pela maioria dos "profissionais" da política na imensa Sucupira chamada Brasil.
O Lixão do Aurá, por exemplo, já ultrapassou todos os limites prudenciais de convivência civilizada com a população. Seus males ameaçam não só a saúde dos catadores e moradores do entorno, mas, também, a própria sobrevivência das fontes de água potável que abastecem mais de dois milhões de pessoas na Área Metropolitana de Belém.
A coleta do lixo , nos grandes centros urbanos, tem sido fonte inesgotável de mamatas entre empreiteiras e gestores públicos. Muita gente enriquece à custa do lixo, sem meter a mão na massa, mas tão-somente "administrando" a terceirização desse serviço essencial. O novo gestor tem enorme responsabilidade, por exigência legal, em buscar soluções até dez/2013 para a coleta e tratamento dos resíduos sólidos na Grande Belém, algo em torno de 50 toneladas/dia. Reciclar também é preciso, através de cooperativas que aproveitem os atuais catadores do Lixão do Aurá, o que é mais do que justo.
O trânsito de Belém, cada vez mais caótico e neurótico é, na verdade, uma autêntica "herança dinossáurica" de 30 anos de muitos planos, projetos e omissões. O caos urbano que inferniza diariamente a vida dos belenenses só tende a piorar, caso não sejam adotadas algumas medidas práticas pelo novo prefeito, que parece ainda um pouco "assustado'' diante das proporções gigantescas que assumiu o BRT, com aquela intervenção desastrada na Av. Almirante Barroso, fato que apenas tem contribuido para complicar ainda mais a vida da população belenense. Obra mal planejada, iniciada atabalhoadamente e com claras intenções eleitoreiras, o BRT já consumiu mais de R$-100 milhões de recursos públicos e ainda está "travado". Qual fratura exposta, aqueles "destroços" atrapalhando o tráfego na Almirante Barroso, são a mais perfeita tradução do açodamento e da irresponsabilidade com que alguns gestores tratam a "coisa pública". A propósito, ficamos sabendo, através do conceituado Blog do Hiroshi Bogéa, que " no pátio da fábrica Neobus, em Caxias do Sul (RS) estão se deteriorando no sol e na chuva vários ônibus articulados e biarticulados, que a PMB (gestão Dudu) licitou, emitiu empenho, mas teve sua compra cancelada por "deserção". Os fabricantes agora querem receber na Justiça o prejuízo de mais de R$-10 milhões. Mais um abacaxi para Zenaldo descascar.
Embora necessária, mas que chega com colossal atraso de 20 anos, a obra do BRT jamais poderia ter sido iniciada sem a construção dos elevados do Entroncamento e de uma nova via de entrada/saída da cidade, como a Rodovia Independência ou o prolongamento da Av. João Paulo II, a primeira já iniciada e a segunda, com início previsto ainda neste mês de maio.
A sintonia entre os prefeitos dos municípios que integram a Região Metropolitana de Belém e o governo do Estado vai ser fundamental para execução dos projetos do Ação Metrópole, coordenado pelo governo do Estado, com a competente assessoria da Agência Internacional de Cooperação Técnica do Japão (Jica).
Os belenenses, que já sofremos tanto com os efeitos danosos da cultura do atraso, traduzida em intervenções isoladas/ desastradas e obras "cosméticas" no trânsito de Belém, torcem e até oram pelo entendimento entre os novos gestores de Belém, Ananindeua, Marituba, Santa Izabel e Santa Bárbara em torno de um projeto integrado , como proposto pelo governo Jatene. Ninguém aguenta mais o sufoco diário no trânsito caótico e neurótico de Belém. As ruas de uma cidade são como as veias no corpo humano: quando elas entopem o organismo entra em colapso e morre. Não dá mais para esperar. Os congestionamentos colossais nas ruas da cidade, na Rodovia Augusto Montenegro, na Almirante Barroso, na BR-316 e no entorno do "Complexo do Caos" (Entroncamento) estão afetando não só a economia, mas, também , a saúde da população. Os buzinaços, a falta de local para estacionamentos, além do assédio agressivo de abusados flanelinhas, estão afetando gravemente o estado psicológico dos belenenses.
Embora considerado pelos especialistas em transportes públicos como solução inadequada para grandes centros urbanos, com população acima de 1 milhão de habitantes - onde o meio de transporte mais indicado seria o metrô (de superfície, no caso de Belém) - urge a continuação do projeto do BRT, agora integrado ao Ação Metrópole, até para se evitar maiores danos ao erário público municipal, tão dilapidado e maltratado nos últimos oito anos.
O prefeito Zenaldo ainda tem créditos de 1.360 dias para "gastar" no cumprimento das promessas e propostas de sua vitoriosa campanha. Em sã consciência, ninguém poderia esperar que, em cem dias, ele resolvesse algumas das enormes demandas/carências em obras e serviços de que a cidade se ressente. Foi tempo gasto para "arrumar a casa", o que já é tradição, pois concedido com certa tolerância do eleitor a todos os novos governantes eleitos.

O que ela disse


"A Funai não está preparada, não tem critérios claros para fazer gestão de conflito, não tem capacidade para mediação"
Gleisi Hoffmann (na foto), ministra da Casa Civil, ao anunciar que o governo prepara um novo modelo de delimitação das áreas, em que outros órgãos do governo serão ouvidos.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Daniela Mercury e Chico César - À Primeira Vista

A necessidade dos novos TRFs e o estudo do CNJ

Por José Lucio Munhoz, no Consultor Jurídico

Quando alguém se propõe a estudar determinado tema, deve levar em consideração as principais circunstâncias relacionadas à matéria. Para um médico analisar o estado de saúde do paciente, ele deve obrigatoriamente avaliar sua condição cardíaca, taxas do sangue e pressão arterial. Para se analisar os índices de inflação é indispensável observar a elevação dos preços do combustível, transporte, habitação e cesta básica.
Para alguém indicar sobre a conveniência ou não da criação de novos tribunais regionais federais, seria indispensável que apontasse o número de processos anualmente distribuídos, a taxa de congestionamento do tribunal, a quantidade de feitos aguardando julgamento, a carga de trabalho dos desembargadores, a comparação com outros segmentos do Poder Judiciário, a facilidade de acesso do cidadão, o percentual em custos.
No entanto, o estudo do Departamento de Pesquisa Judiciais do CNJ, divulgado em 25 de abril de 2013, não apreciou quaisquer desses dados ou só o fez muito parcialmente. O texto divulgado pelo DPJ analisou poucos elementos quanto ao tema — e os menos importantes para a análise do caso — acarretando uma visão absurdamente restritiva e desamparada de qualquer arcabouço científico.
E todos os significativos e necessários dados técnicos quanto ao tema, como veremos a seguir, mais que justificam a aprovação dos referidos TRFs.
Em número de processos novos por magistrado, anualmente, nos TRFs são distribuídos 3.919 casos por desembargador. Nos TRTs são 1.234 e, nos Tribunais de Justiça, 1.127, o que já é uma média muito acima daquela razoavelmente aceita para países desenvolvidos. No Canadá, por exemplo, um desembargador julga entre 150 e 350 processos por ano, número similar ao verificado em outros países europeus. Portanto, ao contrário do texto referido, a demanda é o maior fator de justificação dos novos TRFs, eis que ela é mais de três vezes superior aos demais segmentos do Judiciário e dez vez mais que aqueles praticados em países desenvolvidos.
A taxa de congestionamento (que demonstra a capacidade dos tribunais julgarem todos os processos que anualmente entram em seus estoques) indica que nos TRFs atuais esse percentual é de 66,6%, enquanto nos TJs é de 49% e nos TRTs é de 24,4%. Ou seja, de cada 100 processos existentes e acumulados nos TRFs, anualmente apenas 34 deles são julgados, em razão da grave carência de estrutura atualmente existente. Lembramos que apenas cinco TRFs, com um total de 134 desembargadores, recebem 525.165 novos processos a cada ano (2011). Não por acaso, a quantidade de processos pendentes de julgamento nos TRFs em 2006 era de 734.769 e em 2011 esse número saltou para mais de um milhão (1.033.772).
A carga de trabalho nos TRFs também é a maior do país, uma vez que está pendente de julgamento um volume de 13.605 processos, em média, para cada desembargador federal. Nos Tribunais de Justiça dos Estados aguardam o julgamento 2.410 processos para cada desembargador e nos TRTs cada julgador, em média, possui 2.036 processos aguardando decisão. Esse dado demonstra que nos TRFs existem seis vezes mais processos aguardando julgamento que nos demais ramos do Poder Judiciário. Para piorar ainda mais a situação, o próprio estudo do DPJ indica que o número de recursos processuais aos TRFs cresceu 12% nos últimos quatro anos, até porque tais tribunais recebem processos oriundos não só da Justiça Federal de primeira instância como também das Varas da Justiça Estadual.
Não raro um recurso de apelação para um TRF pode aguardar cerca de três, quatro, cinco anos para ser julgado. O cidadão merece, obviamente, uma melhor qualidade e celeridade no tratamento de seus litígios por parte do Estado. E a aprovação e instalação dos TRFs aprovados pela PEC 544-C podem contribuir de modo significativo para a melhoria nesse atendimento que, ademais, beneficiará a própria União Federal, uma vez que a Justiça Federal recolhe aos cofres públicos mais de R$ 12 bilhões por ano, ao passo que ela toda (cinco tribunais federais, 600 varas, 1,2 mil juízes e 36 mil servidores) custa ao erário cerca de R$ 7 bilhões. Quatro novos tribunais, portanto, reduzirá significativamente o tempo de duração do processo judicial e favorecerá diretamente a própria União, beneficiária primeira da atuação da Justiça Federal.
Os quatro novos tribunais não representarão gastos percentuais significativos dentro do orçamento total da Justiça Federal, até porque nas cidades sede de sua instalação os atuais tribunais já dispõem de certa estrutura administrativa. Além do mais, sua atuação certamente abreviará o recebimento de significativos valores por parte do Governo Federal, que pode superar em muito os custos com a instalação das novas unidades. O custo, assim, não será nada significativo se comparado com os benefícios decorrentes da medida aprovada.
Deste modo, por todos os ângulos que se olhe o problema, a instalação dos TRFs é uma necessidade que salta aos olhos com grande nitidez, como bem reconheceu o Congresso Nacional ao aprovar a PEC 544-C. Outros dados também iriam nessa mesma direção, como a desproporcionalidade de desembargadores federais em face dos juízes federais, o quantitativo de processo nos TRFs por habitante, etc. Até mesmo por conta desse quadro, convém lembrar que o próprio CNJ já debateu tal tema e aprovou a necessidade de expedição de uma nota técnica favorável à aceleração da aprovação da respectiva PEC, em sua 98ª sessão ordinária.
Assim, não podemos reconhecer como tecnicamente adequado um estudo de um departamento interno do CNJ que não apresenta os índices que acima apreciamos e que, na nossa visão, são imprescindíveis para uma abordagem científica do problema. Ademais, aquele texto, convém lembrar, não foi submetido a qualquer discussão pelos conselheiros e não representa o pensamento do órgão que, como referimos, possui posicionamento em sentido oposto, ou seja, favorável à criação dos TRFs.
Mesmo alguns dos dados apresentados no documento podem ser facilmente contestados por aqueles que conhecem ao menos um pouco da realidade do Poder Judiciário brasileiro, o que compromete a compreensão daquele texto como um estudo apurado do tema.
A grande distância entre o cidadão e os tribunais federais é um dos fatores que prejudica, efetivamente, o acesso dos advogados e partes ao Poder Judiciário, ao menos do modo que imaginamos ser necessário para a facilidade de sua atuação. O TRF da 1ª Região, por exemplo, com sede em Brasília, julga os processos do Amazonas a Minas Gerais, passando por 13 estados.
É claro que o Processo Judicial Eletrônico pode facilitar essa distância, mas ele jamais substituirá a necessidade dos advogados conversarem com os juízes, apresentar memoriais, despachar petições, realizar sustentação oral presencial (que muito difere em resultado e efetividade daquela realizada por videoconferência). Ademais, todos nós sabemos que o pleno acesso à internet ainda não é uma realidade nos estados da região Norte do país ou mesmo no interior de alguns dos estados mais ricos.
Mesmo em tribunais onde já está em pleno funcionamento o PJe, ele não substitui a necessidade desse contato pessoal com os julgadores. O Judiciário deve, sempre, buscar a aproximação com o cidadão e os advogados, de modo a garantir e facilitar o acesso pleno aos seus serviços, não o contrário. Se já constitui um grande custo um advogado sair do Paraná para ir ao TRF-4, em Porto Alegre, tal despesa se mostra incrivelmente maior quando se observa uma viagem do estado do Amazonas em direção à Brasília. Não se pode desprezar, ainda, que um juiz distante dos episódios e desconectado da realidade local pode ter prejudicada a sua compreensão dos fatos, comprometendo a melhor aplicação da Justiça ao caso que ele irá julgar.
Não por acaso, cremos nós, a Ordem dos Advogados do Brasil também apoiou a criação dos novos TRFs.
O texto interno do CNJ faz conjecturas sobre a possibilidade de destinar o julgamento dos recursos decorrentes dos processos com competência delegada (julgados pela Justiça Estadual de primeira instância) aos Tribunais de Justiça dos estados. Em primeiro lugar, a questão somente poderia ser objeto de aprovação mediante emenda constitucional, o que é de todo incerto na atualidade. Em segundo, caso destinados tais processos aos Tribunais de Justiça dos Estados, seria afetada a especialização que o ordenamento justamente destina à Justiça Federal, comprometendo esse princípio e o próprio caráter de unidade na abordagem dos respectivos temas. Em terceiro, seria cobrir um santo e descobrir o outro, pois como vimos os Tribunais de Justiça já possuem uma taxa de congestionamento em torno de 49% e tal medida só faria prejudicar ainda mais tal problema. Por fim, caso seja retirado dos TRFs 15% dos processos que lhe são distribuídos todos os anos, segundo o estudo, isso não geraria significativa melhora, pois em vez dos 3.919 cada desembargador federal continuaria recebendo 3.331 processos/ano, volume impossível de ser vencido pela estrutura atual e que ainda assim justificaria a necessidade de instalação dos TRFs mencionados.
Para que a Justiça Federal de 2º grau atingisse o mesmo nível dos demais segmentos do Poder Judiciário, seria necessário reduzir em 70% o volume de processos anualmente submetidos a grau recursal. Para isso, não há, no estudo, qualquer sugestão mágica.
O texto refere, ainda, que os novos TRFs teriam uma distribuição processual desproporcional, tendo alguns mais processos que outros. Ora, tal fato é circunstância corrente em todo o Poder Judiciário, uma vez que alguns tribunais recebem mais processos que outros, seja na Justiça Estadual seja na Trabalhista ou mesmo na atual estrutura federal. De todo modo, a minoração da distorção deve ser feita pelo número de desembargadores em cada um dos tribunais, de modo que os que recebem mais processos tenham mais desembargadores que os demais, circunstância atualmente adotada para amenizar o problema como ocorre, por exemplo, na Justiça do Trabalho. Assim, se o TRF da 9ª Região terá menor movimento processual que os demais, basta manter-se ali um menor número de desembargadores em comparação aos demais.
De todos os dados técnicos e estatísticos analisados, constantes do programa Justiça em Números do CNJ — edição 2012, se pode constatar, em nossa opinião, que os novos TRFs aprovados pela PEC 544-C são necessários e indispensáveis para se garantir um mínimo de atendimento eficaz aos jurisdicionados, além de permitir um razoável e mais efetivo acesso das partes e advogados ao segundo grau de jurisdição na Justiça Federal.

Charge - Sinfrônio


Paciente planejou atentado a médico em Santarém


O atirador que acertou quatro tiros contra o médico Edson Ferreira Filho, contou na 16ª Seccional de Polícia Civil do Baixo Amazonas, nesta manhã, que havia planejado por várias vezes como tirar a vida do médico com quem fazia tratamento há mais de 10 anos.
Segundo Elionaldo Santos da Silva, que tem 31 anos e é natural de Rurópolis, quando iniciou o tratamento,o médico teria dito que em cinco meses ele estaria curado. “Tomei todos os remédios que ele mandou, fiz terapia e não vi resultado. Só gastando dinheiro e meu tempo durante mais de dez anos. Ele é um impostor, por isso eu resolvi que ia matar esse médico”, disse à reportagem.
Elionaldo disse ainda que tinha pensamentos de que ele era Deus e o médico era o diabo, por isso ele pensava em matá-lo.
Edson Filho estava atendendo uma paciente quando Elionaldo adentrou no consultório já com a arma em punho. Eles tiveram uma rápida discussão e Elionaldo atirou acertando quatro disparos no médico, um deles atingiu o pulmão.
Na Seccional, Elionaldo apresentou documento que atesta que ele sofre de distúrbio mental. Mesmo assim, ele será enquadrado por tentativa de homicídio e caberá à Justiça decidir se ele deverá ser levado para a Penitenciária de Cucurunã, ou encaminhado a um centro especializado em tratamento psiquiátrico.
-----
LEIA MAIS

Médico é baleado dentro do Hospital Regional de Santarém

No Portal Notapajós

Um médico foi baleado por um paciente na manhã desta quinta-feira (9), dentro do Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, oeste do Pará.

A vítima foi o neuropsiquiatra Edson Filho. Ele estaria no consultório atendendo o paciente, quando foi surpreendido pelo atirador, que disparou quatro tiros contra o médico.

Um dos tiros atingiu o pulmão e o médico foi encaminhado a sala de cirurgia.

De acordo com a polícia, o atirador foi identificado como Elionaldo dos Santos Silva de 37 anos, do município de Rurópolis. Segundo as primeiras informações, o suspeito tem distúrbios psicológicos e fazia tratamento psiquiátrico com o médico.

(Foto: Reprodução/TV Tapajós)


A situação causou tumulto dentro do Hospital e outros pacientes teriam tentado linchar o suspeito.
A Polícia foi acionada e prendeu Elionaldo.

Na delegacia de Polícia Civil, Elionaldo relatou que era paciente de Edson Filho há 10 anos e que o médico tinha prometido cura-lo: ‘ele me enganou e disse que eu ia ficar curado’, afirmou.

Charge - J. Bosco


Acesse o Lápis de Memória

De volta

Então é isso, meus caros.
Estamos de volta.
Prometêramos, durante as férias, fazer umas postagens esparsas.
Não fizemos.
O blog pede desculpas.
É que férias, às vezes, embriagam - no bom sentido, é claro.
Embriagados, nem nos lembramos de cumprir as promessas. Até as mais banais.
Acontece.
Mas ausências um pouco além do esperado são necessárias para recarregar as baterias, vocês sabem.
O blogueiro daqui não é blogueiro em tempo integral.
Compromissos profissionais é que tomam, de fato, praticamente todo o tempo do poster.
Por isso mesmo, férias sempre são bem-vindas.
E nos oferecem a sensação de uma certa ebriedade que, aparentemente, poderia indicar que os leitores foram esquecidos.
Mas não foram, não.
Aliás, é muito bom saber que nem os leitores foram esquecidos, nem nos esqueceram.
E tanto é assim que, meio a sério, meio na brincadeira, entre telefonemas, torpedos e comentários anônimos, alguns leitores aproveitaram para destilar o bom-humor, lembrando que as férias do blogueiro estavam iguais às de funcionários públicos: nunca terminavam.
Rsss.
Que maldade de vocês, rapazes e moças!
Que maldade!
Não estigmatizem os funcionários públicos, essa categoria que ainda está por merecer o devido reconhecimento pelo que faz, livrando-se assim de visões deformadas que nasceram e se avolumaram no imaginário popular, por conta dos relapsos de sempre;
Relapsos que existem, vocês sabem, em todos os lugares, em todos os ramos de atividade.
E vamos nós.
Vamos?

SIGA O ESPAÇO ABERTO NO TWITTER

Duciomar Costa condenado. "Isso é mesmo comigo?"

Duciomar Costa: ele coleciona processos e, presume-se, começa a colecionar condenações. Mas não deve estar nem aí.
Acreditem, meus caros.
Duciomar foi condenado.
Acreditem, meus caros, Duciomar deve estar dizendo a estas horas: "Isso é mesmo comigo?".
Duciomar, é de sabença (toma-te!) geral, é o Gomes da Costa, o huno.
Duciomar é o pior prefeito de Belém em oito séculos - os quatro que estão por se completar e os quatro do porvir.
Sentença proferida na última terça-feira pelo juiz federal substituto da 5ª Vara, Bruno Teixeira de Castro, condenou o dotô por improbidade administrativo, acolhendo argumentos e provas apresentadas em juízo pelo Ministério Público Federal, por meio de ação civil pública  (veja os detalhes na postagem abaixo) .
Como decorrência da pena, o juiz também decretou-lhe a suspensão dos direitos políticos por cinco anos.
"Ele agora não deve nem estar tomando conhecimento disso. Está é em Miami, aproveitando", ouviu o poster, ontem à noite, de dois ou três amigos de redação.
É isso mesmo.
Duciomar, em Miami, em Belém, em Jaguaré ou no Afeganistão - não necessariamente nesta ordem -, não deve estar nem aí.
Ele deve estar convicto, a esta altura do campeonato, de que uma condenação a mais, outra a menos, um processo a mais, outro a menos, não vai fazer a menor diferença.
Está certo de que o eleitorado paraense vai tratá-lo como o tratou quando ele concorreu ao cargo de prefeito de Belém, em 2004.
Àquela altura, a campanha dos adversários de Duciomar foi centrada, em grande parte, no fato - incontestável, indesmentível, irretorquível - de que ele fora condenado anos antes, pelo então juiz federal Edison Messias de Almeida, hoje um dos mais notáveis advogados do Pará.
Duciomar foi condenado pelo crime de charlatanismo, eis que prescrevia lentes de grau, como se fosse oftalmologista.
O que aconteceu com Duciomar, mesmo sob uma saraivada de acusações?
Recebeu um prêmio da população de Belém: foi escolhido prefeito da cidade.
Eleito, começou a colecionar processos.
Eleito, começou a protagonizar lances que tornaram sua administração a mais inoperante, a mais desastrada, a mais desorientada em toda a história da capital paraense.
"Isso é mesmo comigo?", deve ter começado a perguntar-se o dotô, tão logo oficiais de justiça começaram a bater às portas da prefeitura.
Seu ceticismo em relação a conceitos morais firmados pelos outros em relação a ele próprio tinha razão - toda a razão - de ser.
Porque o eleitorado de Belém, complacente, tolerante, quase mesmerizado por sentimentos os mais benemerentes, concedeu a segunda premiação a Duciomar: garantiu-lhe o segundo mandato.
E agora?
E agora que Duciomar continuará o mesmo.
Olimpicamente, fará de conta que condenações não são com ele.
Olimpicamente, fará de conta que não é o prefeito mais processado de toda a história de Belém.
Olimpicamente, estufará o peito, empinará a caratonha e vai partir para uma candidatura ao Senado.
E Belém?
E o Pará?
Olimpicamente, vão permitir que Duciomar retorne ao exercício de um mandato eletivo?

SIGA O ESPAÇO ABERTO NO TWITTER

Ex-prefeito de Belém tem direitos políticos suspensos

O ex-prefeito Duciomar Gomes da Costa, que governou Belém por oito anos, no período de 2005-2012, foi condenado nesta terça-feira (7), pela 5ª Vara da Justiça Federal, por improbidade administrativa. Ele é acusado de irregularidades e de não ter finalizado obras de convênios com o governo federal que previam a implementação de melhorias no saneamento básico da Capital paraense.
 A sentença condenatória (veja aqui a íntegra), assinada pelo juiz federal substituto Bruno Teixeira de Castro, impõe ainda ao ex-prefeito a suspensão dos direitos políticos por cinco anos. Ele também ficará obrigado ao ressarcimento integral do dano causado ao erário, bem como ao pagamento de multa civil de R$ 50 mil ao município de Belém.
Duciomar Costa foi ainda proibido de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos. Da sentença ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília (DF).
Na ação civil pública por prática de ato de improbidade que ajuizou perante a Seção Judiciária do Pará, o Ministério Público Federal (MPF) informou que não foram aprovadas as contas de um convênio, no valor de R$ 607 mil. Em outro, só foram aprovados R$ 594 mil de um total de R$ 1,1 milhão repassados ao município. O valor final a ser devolvido ao erário pelo ex-prefeito ainda será calculado pela Justiça.
Contas - Na ação, proposta pelo procurador da República Bruno Soares Valente, o MPF diz que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em 2008, repassou os recursos a Belém e publicou vários pareceres registrando a não aprovação das contas de R$ 607 mil de um convênio para execução de sistema de esgotamento sanitário, além da aprovação de apenas 50% das obras de um convênio para execução de sistema de abastecimento de água.
“Verifica-se que o gestor público demandado não foi probo na administração da coisa pública, na medida em que, recebendo os recursos para realizar obras destinadas a melhoria da saúde e qualidade de vida da municipalidade, deixou construções injustificadamente paralisadas, em completo desrespeito ao erário e aos cidadãos residentes no município de Belém”, diz o magistrado na sentença.
No presente caso, reforça o juiz, “restou devidamente comprovado que o réu deixou de realizar na sua integralidade obras destinadas a melhoria do saneamento e abastecimento de água no município de Belém. Portanto, está evidenciada a má-fé na conduta da parte demandada, que, conscientemente, manteve-se inerte quanto ao seu dever de ofício como gestor municipal.”

Fonte: Justiça Federal - Seção Judiciária do Pará

A selvageria é aqui. Bem ao nosso lado. No nosso quintal.

Olhem aqui.
Vejam só como é a parada.
Belém virou mesmo uma selva.
Selva de violência.
Selva do medo.
Das atrocidades.
Da intranquilidade.
Ontem à noite, por volta das 22h, um casal e a filha - mocinha de 14 anos - trafegavam de carro pela Marquês de Herval, entre Mauriti e Mariz e Barros.
Foram abordados por dois bandidos, que os dominaram.
Revólveres apontados para a cabeça das vítimas, que entraram, é claro, em pânico.
Entraram em pânico não porque perderam R$ 2 mil. Não porque perderam celulares.
Descontrolaram-se porque, como sói acontecer em todo assalto, experimentaram aquela indizível, angustiante sensação de desprezo, abandono e humilhação.
Sentiram-se como a expressão viva da inércia de poderes públicos omissos e de complacências legais intoleráveis, que mantêm atrás das grades cidadãos inocentes e deixa à solta bandidos que não hesitam em atirar primeiro, para perguntar depois.
Vocês devem ter tomado conhecimento de coisas horríveis, nos últimos dias.
Uma dentista - aliás paraense, filha de família também paraense - morreu em São Bernardo (SP), após ser queimada viva por bandidos, uma deles menor de idade.
No Rio, também um menor estuprou uma mulher dentro de um micro-ônibus, na frente de todos os demais passageiros.
Em São Paulo, um menor matou um rapaz de 19 anos com um tiro na cabeça, ao roubar-lhe um celular.
São crimes hediondos, vocês sabem.
Materialmente, são cruéis, torpes, horríveis.
Atrocidades sem fim também acontecem por aqui, perto de nós.
Porque a violência sempre está por perto.
A selvageria sempre nos ronda, nos espreita.
Apelar a quem, afinal?
A quem?
Ir pra Pasárgada, parece, não é mais a solução.
Que não nos entorpeça o medo, porém.
Que o temor não nos acovarde.
Entorpecimento e covardia decretarão o fim da grande, da esmagadora maioria que acredita nas leis e não perde, apesar de tudo, as esperanças de que elas deverão, sempre, demarcar onde termina um ambiente de civilidade e onde começa a selvageria.

SIGA O ESPAÇO ABERTO NO TWITTER

Cruzamentos fechados. De quem a culpa, afinal?

De um Anônimo, sobre a postagem A imbecilidade no meio do caminho. Sobre rodas.:

A culpa não é do prefeito, da Amun ou do Detran: a culpa está na mentalidade, na falta de educação e bom senso daqueles que não só fecham cruzamento, mas também usam a ciclofaixa como via, desrespeitam sinalizações, sejam elas placas ou semáforos.
Conheço o trânsito em outras capitais e vi que o paraense é o mais mau-educado e estressado no trânsito (nem somente no trânsito, mas no dia-a-dia: supermercado, não aguardando quem está na vez terminar de registrar suas compras; filas, procurando sempre passar na frente de outras pessoas, entre outros casos).
Cabe a cada um procurar fazer o que é certo, pois o direito de cada um termina onde começa o do outro.

MPF pede a presença de observadores em Belo Monte

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça Federal que seja permitida a presença de jornalistas e advogados na ocupação feita por indígenas no canteiro de obras da usina de Belo Monte desde o último dia 2 de maio. O MPF também quer que seja permitida a entrada de produtos, alimentos e utensílios essenciais à subsistência, assim como o livre acesso dos profissionais de saúde do Departamento de Saúde Especial Indígena (DSEI). De acordo com denúncias dos indígenas, a Força Nacional estaria bloqueando até a entrada de alimentos.
Os indígenas – Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara - estão acampados à espera de uma negociação com o governo federal, pela ausência das consultas indígenas prévias tanto na hidrelétrica do Xingu quanto nas hidrelétricas que planeja construir no Tapajós. “É neste contexto que deve ser interpretada a manifestação dos indígenas. Um contexto em que o Governo Federal optou por realizar empreendimentos de grande impacto ambiental e social ao arrepio das normas que os deveriam reger. E que, após lançar os povos indígenas do Médio Xingu à situação limítrofe de um etnocídio, iniciam o mesmo processo na região do Tapajós”, diz a manifestação do MPF.
Os dois casos são objeto de ações judiciais do MPF e nos dois casos as obras e estudos estão sendo tocados com bases em decisões liminares, ou seja, provisórias. Belo Monte foi liberada pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto, em agosto de 2012. Já os projetos do Tapajós foram liberados no mês passado pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Félix Fischer.
Os pedidos para garantir o trabalho de jornalistas e advogados estão na manifestação do MPF no processo em que a Norte Energia S.A pede o despejo dos indígenas. O pedido já foi negado pelo juiz federal Sérgio Wolney Guedes na última sexta-feira (6/5). Antes de decidir novamente, ele pediu a manifestação da Procuradoria da República em Altamira. Para o MPF, a manifestação é pacífica e não se justifica o isolamento imposto pela Força Nacional de Segurança, que cerca o local.
De acordo com denúncias dos indígenas, que protocolaram sua pauta de reivindicações no MPF em Altamira, o canteiro de obras está ostensivamente vigiado, com controle rigoroso de entrada e saída. “Afirmam que estaria havendo manipulação de informações por parte da Força Nacional em diversas situações, com objetivo de isolar os indígenas para que desistam da ocupação e/ou para que mudem o perfil pacífico que impuseram à sua presença no local”, narra a manifestação do MPF ao juiz.
Os indígenas também relataram que têm sofrido problemas de saúde (principalmente as crianças), desde que foi proibido o reabastecimento de gás pela Força Nacional, pois não conseguem cozinhar seus alimentos habituais. E que o DSEI não teria tido amplo acesso ao canteiro, para prestar atendimento de saúde indígena. A manifestação já está nas mãos do juiz Sérgio Wolney Guedes, que vai decidir novamente sobre o pedido de despejo.

Fonte: Ministério Público Federal

Mas fazer o quê, né?


A “dura vida” dos réus do mensalão parece não ter fim. Para o maior gladiador, o ex-ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu e seus seguidores, a sorte tinha sido lançada. Dirceu continua achando que foi perseguido. Acredita que sua condenação pelo STF se deu por simples perseguição, sua condenação o contempla com prisão em regime fechado, ele quer mudança para o regime semiaberto, com diminuição da pena e de multas. A turma do PT acha que o STF tornou-se uma fonte de insegurança jurídica.
Os que comungam da judicialização da política sustentam o estandarte de que cabe ao STF “errar por último”. Mas não se trata disso. O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, identifica como alargamento do subjetivismo e inversão processual. No seu entender visível em alguns tópicos, como, por exemplo, a teoria do domínio do fato, perigosíssima para os réus quando sustentada na hipótese de que quanto mais poderoso o criminoso menor o número de evidências ilícitas contra ele. “Se não há prova nenhuma, o acusado, definitivamente, é criminoso” - ironiza o professor. Será que durante tanto tempo que ficamos em frente ao televisor, tudo ali se tratava de falácia?
Agora, todos os 25 condenados no julgamento do mensalão entraram com recursos. Uns com os chamados embargos de declaração, que são para discutir alguma omissão e outros com os embargos infringentes, principalmente quando a votação foi apertada e que pode mudar os rumos da condenação. E, nisso, Dirceu aposta todas as suas fichas – ele foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão por corrupção e formação de quadrilha no processo do mensalão. Ele está com tanta certeza que vai se dar bem, que entrou com pedido de reforma do acórdão e quer o afastamento de seu algoz, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, da relatoria dos autos da ação penal 470 e sua redistribuição para outro ministro da Corte.
Em recurso de embargos de declaração, protocolado no STF, a defesa de Dirceu parte de sua estratégia mais ousada e agressiva desde que o processo começou a ser julgado, em agosto de 2012. A defesa pede redução da pena-base pelo crime de formação de quadrilha imposta a Dirceu sob argumento de que é contraditória e ilegal. Alega ainda a defesa “grave prejuízo causado pelas supressões de falas de alguns ministros seria inadmissível”.
Pelo andar da carruagem, a coisa parece que não terá o rumo esperado pelos 25 condenados. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi claro ao afirmar que só resta aos culpados se conformarem com as punições fixadas pelo STF porque, na opinião dele, a Corte não reduzirá as penas. E disse mais: Tem muitas decisões que só cabe se conformar. Não estamos cuidando de decisão de primeiro grau. Estamos cuidando de uma decisão do Supremo. Não é absurdo que essa decisão do plenário do Supremo seja definitiva.
Portanto, segundo Gurgel, nenhuma modificação do julgamento é compatível com os embargos (recursos que foram protocolados até o fim do prazo legal pelos réus). Nem redução da pena. Os embargos não se prestam a obter novo julgamento. Eles são um meio inidôneo para isso. Com o clima complicado no Congresso, essa confrontação entre os poderes, o Congresso tenta assumir atribuições do STF. E o tribunal volta a se meter nas funções do legislativo, proporcionando um curioso cabo de guerra no Brasil. Na quarta-feira, 24, o ministro Gilmar Mendes do STF determinou, por meio de liminar, a suspensão da votação do projeto que dificulta a criação de novos partidos. Aprovada na Câmara, a proposta veda acesso de novas siglas ao tempo de TV e ao Fundo Partidário.
Segundo Mendes, havia uma “tentativa casuística” de mudarem as regras em favor das legendas existentes. Horas depois, o Congresso reagiu à crescente judicialização da política. Aprovou um texto que submete ao Parlamento as decisões do Supremo sobre súmulas vinculantes e leis constitucionais. Pelo projeto senadores e deputados poderiam dar a última palavra sobre entendimento da Constituição, papel que qualquer cidadão sabe que compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal. Mas fazer o quê, né? O momento pede perseverança.
Sergio Barra é médico e professor.
E-mail: sergiobarra9@mail.com

O que ele disse


"Diversos indígenas praticam diretamente esse garimpo ilegal na Bacia do Rio Tapajós, possuindo balsas que valem em torno de R$ 1 milhão. Outros indígenas cobram pedágio dos garimpeiros, chegando a receber R$ 40 mil por mês para permitir a extração ilegal de ouro na região. A propalada 'defesa da natureza' e a aliança dessas autodenominadas lideranças Munduruku com entidades indigenistas e ambientalistas são suspeitas, pois o garimpo ilegal é uma das maiores agressões à natureza e às comunidades que vivem naquele território."
Trecho de nota divulgada pela Secretaria-Geral da Presidência da República, rejeitando qualquer negociação com índios que, desde a semana passada, ocupam o canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, na região do Xingu, e culpando algumas de suas lideranças por dizimarem o meio ambiente.