quinta-feira, 11 de outubro de 2012

"O povo está exausto de heróis"

Da leitora Adelina Braglia, sobre a postagem "Fui prejulgado e linchado", diz Dirceu:

Sinceramente, o primeiro parágrafo da nota do Zé é uma revelação histórica.
O Congresso de Ibiúna foi então um chamamento deliberado ao "heroísmo": ..." Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir!"
Ibiúna, então um município pacatíssimo, teve sua população urbana praticamente dobrada naquele dia, com a chegada dos congressistas. Foi piada durante muitas décadas o fato de terem acabado todos os pãezinhos da cidade. Só isto era suficiente para alertar a repressão. Então tá, Zé. Agora compreendo melhor a sua brilhante estratégia.
Mas, cá pra nós, o povo está exausto de heróis. Eu, pelo menos estou. Os que conheci e o foram verdadeiramente estão mortos. Alguns silenciosamente, sem mídia e sem futuro, nas ruas e nos porões da ditadura.
Queremos cidadãos comuns, que preservem valores comuns quando no poder, tipo: honestidade, verdade, competência e espírito público.

Estacionamento em área imprópria

Vejam só essa parada.
A foto foi remetida por leitor do blog que esteve, ontem, no aeroporto de Belém.
Mostra a área de embarque.
No local, táxis que ficam estacionados, à espera de passageiros.
Pode, Arnaldo?
A regra é clara: não pode.
O motivo é simples: há outros táxis e carros particulares que chegam aos montes ao local, para deixar pessoas que vão viajar.
E o tumulto se estabelece.
O leitor que mandou a foto já disse que fez uma reclamação formal à Infraero.
Sem êxito.
A queixa, como se diz, deve ter entrado por um ouvido e saído por outro.
E explodam-se os queixosos.
Putz!

O que ela disse

"Acho estranho e muito, muito grave que alguém diga com toda tranquilidade ‘houve caixa dois'. Ora, caixa dois é crime, caixa dois é uma agressão à sociedade brasileira."
Cármen Lúcia (na foto) ministra do Supremo Tribunal Federal, ao expressar, no voto pela condenação de José Dirceu, sua indignação contra a tese de que o caixa dois é um crime menor, por ser banal.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um olhar pela lente

Está chegando!!!!

Está chegando o Círio.
A foto é de Fernando Sette Câmara.

Lula silencia sobre o racha no Recife


Do site Brasil 247
Se através de uma carta aberta, o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, deputado federal Pedro Eugênio, fez questão de atribuir a derrota da legenda na disputa pela Prefeitura do Recife ao isolamento em função de “fraturas internas” e da falta de apoio de aliados históricos - no caso o PSB, que lançou o candidato vencedor Geraldo Júlio  -  o mesmo não  fez o ex-presidente Lula em sua página no Facebook. No texto divulgado hoje, Lula fala sobre a vitória do PT em 624 cidades do País e atribui o resultado à militância e aos projetos do partido. Sobre o Recife, onde o PT saiu rachado da disputa e perdeu o comando da capital após 12 anos no poder, nenhuma menção.
O silêncio acerca da derrota acachapante (o senador Humberto Costa obteve o terceiro lugar, pontuando apenas 17% dos votos válidos) é revelador.  O PT conta com o apoio do PSB para vencer a disputa em São Paulo no segundo turno. Ali o candidato do partido, Fenando Haddad,  enfrenta José Serra (PSDB) naquela que talvez seja “a mãe de todas as batalhas” destas eleições. Para o PT, assumir o controle da capital paulista é uma questão de honra, uma vez que Serra é considerado o adversário a ser derrotado a todo custo.
Além disto, a manutenção da aliança com o PSB é fundamental para assegurar a tranquilidade da base governista em nível federal. Sem o apoio dos socialistas o controle do Governo sobre o Congresso ficaria extremamente enfraquecido, algo que não interessa ao PT neste momento. A legenda também vê com desconfiança a movimentação do PSB pelo país afora e teme que o seu presidente, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, se lance ao Palácio do Planalto concorrendo diretamente com a reeleição da presidente Dilma Roussef.
O fato é que estes fatores e o silêncio em torno da derrota do Partido no Recife já estavam meio que previstos. Desde o início do pleito, quando Humberto Costa foi ungido candidato - a despeito das pretensões de reeleição do atual gestor, o correligionário João da Costa - o PT não quis comprar uma briga direta com o PSB e com o seu presidente. A campanha petista foi marcada pela falta de recursos financeiros e pela ausência da presidente Dilma e do ex-presidente Lula no palanque de Humberto. 
Agora, passado o frenesi do primeiro turno, o mutismo em torno da situação no Recife coloca em uma delicada posição de isolamento os dois maiores nomes do PT no Estado: o próprio Humberto Costa e o seu candidato a vice, o ex-prefeito e deputado federal João Paulo.
Com o segundo turno cada vez mais próximo, os caciques das duas legendas terão que tomar cuidado para evitar o recrudescimento da crise entre os partidos.  Se em São Paulo, PT e PSB estão juntos para derrotar José Serra, o mesmo não se repete em outras cidades importantes como Belo Horizonte (MG) e Fortaleza (CE). Ali, ambas as siglas possuem candidatos próprios e a participação de Lula e Dilma, por parte do PT, e de Eduardo Campos, pelo lado do PSB, é considerada essencial para a vitória. O teor dos discursos é que vai definir o saldo final desta situação, mas o silêncio em torno do Recife fala mais do que mil palavras.

Charge - Pelicano


Dirceu, então, foi condenado. Mas, e as provas?

Olhem só.
Vamos falar no português nada castiço.
Dos réus denunciados pela Procuradoria Geral da República no caso do mensalão, José Dirceu, ontem condenado, talvez tenha sido aquele contra o quaul se colheram menos provas.
Dizer que as provas colecionadas contra Dirceu foram escassas, raquíticas, insuficientes talvez seja uma concessão à boa vontade e ao esforço de quantos queiram, de qualquer forma e maneira, incriminá-lo nessa parada.
Mas, se não fizermos essa concessão, não será demais admitir que não se conseguiu, a rigor rigorosíssimo, prova nenhuma da participação de Dirceu nesse esquema.
O fato de o Ministério Público não ter conseguido colher provas contundentes, robustas, bastantes, clamorosas, irretorquíveis contra Dirceu significa que o ex-ministro, verdadeiramente, não participou do esquema?
Não.
Absolutamento não.
É claro, claríssimo que não.
Dirceu pode, sim, ter sido o mentor de tudo isso.
Dirceu pode, sim, ter sido o comandante em chefe.
Dirceu pode, sim, ter sido o "chefe da quadrilha", no dizer do MP.
Dirceu pode, sim, ter sido o mais envolvido, o mais interessado, o mais empenhado em criar um esquema de malfeitorias para influenciar, inclusive, as consciências no Congresso.
Mas quedê as provas?
Os ministros se fizeram essa pergunta.
Implicitamente, nos seus votos, fizeram-se essa pergunta, esse questionamento.
A ministra Rosa Weber, uma das que condenaram José Dirceu, só faltou pedir desculpas ao votar pela condenação de Dirceu.
Disse não acreditar que Genoino, Delúbio e companhia agiram sozinhos, sem a anuência de alguém de cima - no caso, Dirceu - para fazer o que fizeram.
Vários ministros se valeram da tal teoria do domínio do fato para demonstrar que o ex-ministro dominava, conhecia, tinha comando sobre tudo o que os outros implicados faziam para operar o mensalão.
Desculpem aí, mas essa teoria do domínio do fato é uma espécie de guarda-chuva que acolhe todos os indícios - os mais pálidos, os mais remotos, os mais esmaecidos - para demonstrar que uma pessoa está diretamente envolvida num crime.
E aí?
E aí que todos nós, quando nossas condutas - banais, cotidianas, corriqueiras - são postas em dúvida, exigimos daqueles que duvidam de nós que apresentem provas da nossa culpa, não é?
É sempre assim.
Imaginem então no âmbito do Direito Penal.
Imaginem então no caso de uma pessoa que é processada.
Imaginem então no caso de uma pessoa que é acusada da prática de crimes.
As provas, nesses casos, precisam ser ineludíveis, não é?
Sim, admitimos que o Direito Penal desenvolveu sistemas, mecanismos, teorias para permitir que a conexão entre fatos, que a reunião de indícios seja aproveitados para definir se um réu é culpado ou não.
Mas isso deve ser a exceção, e não a regra.
A regra é que as provas tenham a força de convencer os julgadores.
Do contrário, todos nós poderemos cair no guarda-chuva de indícios, sem que nos permitam apresentar provas concretas sobre aquilo de que nos acusam.
Então, é assim.
Dirceu foi condenado.
Dirceu pode ter sido o mais criminoso dos réus do mensalão.
Mas as provas colhidas contra ele estiveram longe, muito longe de ser compatíveis com a posição de comando, de chefia, de precedência, de poder, de influência que, conforme a denúncia, José Dirceu tinha sobre todos os operadoras do esquema do mensalão.

Um Canto para Maria


Patrícia Oliveira, vejam aí, estará hoje à noite na Basílica Santuário de Nazaré.
Talento garantido.

Charge - J. Bosco

Acesse o Lápis de Memória

Jordy garante que não guarda mágoas de Jatene

Jordy durante a campanha (foto pinçada de seu blog): falta de estrutura contribuiu para votação declinante
Sexto colocado na eleição para prefeito de Belém, com 38.067 votos, bem abaixo dos 83.520 que obteve no pleito de 2008, quando ficou em quarto lugar, o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS) garante que não guarda mágoas do governador Simão Jatene, que apoiou o candidato tucano Zenaldo Coutinho.
"De jeito nenhum. O governador apoiou o candidato de seu partido, o PSDB. Era natural que apoiasse um membro de sua legenda. E não há qualquer estranheza nisso, porque o fato de nós, do PPS, sermos aliados do governo no plano estadual, não obrigaria o Jatene a nos apoiar numa eleição municipal. Da mesma forma, o PPS não se sente obrigado a apoiar o Zenaldo no segundo turno apenas porque é aliado no plano estadual", disse Jordy ao Espaço Aberto.
O deputado estima que apenas na próxima segunda-feira é que o partido deverá anunciar oficialmente sua posição sobre quem apoiará no segundo turno - se Edmilson Rodrigues (PSOL) ou Zenaldo. "Na medida do possível, pretendemos adotar uma posição em conjunto com o PV", disse Jordy. Os verdes se coligaram com o PPS e estiveram representados por Zé Francisco, o vice na chapa encabeça pelo deputado.
Jordy atribui sua votação declinante agora, em relação à que recebeu em 2008, a uma série de fatores, inclusive à veiculação, na internet, de um áudio em que a voz de uma pessoa, atribuída supostamente ao deputado, conversa sobre aborto com uma interlocutora.
"Sem dúvida, esse foi um fato muito desgastante. Mas não é só. A eleição, neste ano, foi muito mais competitiva, muito mais disputada. Além disso, não tive nenhuma estrutura para trabalhar. E também fui obrigado a ficar 15 dias ausente da campanha, em decorrência da morte de meu pai, outro duro golpe, já que perdi alguém que era meu conselheiro e meu amigo", disse Jordy.

Campanha começará morna. Mas logo vai esquentar.

O tom da campanha no rádio e na TV, que recomeça amanhã, deverá ser aquele característico que sobrevém às campanhas de primeiro turno.
Os dois candidatos, no caso Edmilson Rodrigues (PSOL) e Zenaldo Coutinho (PSDB), vão cantar vitória.
O psolista dirá que realmente chegou em primeiro, com 252.049 votos, apesar dos ataques de que foi alvo dos adversários por mais de dois meses.
O tucano vai se travestir de vencedor, sob a justificativa de que começou a campanha em terceiro lugar, mas passou ao segundo turno com 237.252 votos, apenas 14.797 abaixo do adversário.
É possível - é possível, vejam bem - que a pancadaria não comece ainda nesta semana, porque o clima em Belém, vocês sabem, é de Círio. E o Círio, além de representar concórdia, confraternização, reunião e ajuntamento, acaba ofuscando, por sua própria grandiosidade, outros eventos, inclusive os relacionados a uma eleição para prefeito.
Mas a partir da próxima segunda-feira, aí é outra história.
As equipes de Edmilson e Zenaldo estão devidamente municiadas para, como se diz, chutar o pau da barraca.
Ou das barracas.
E com a divulgação de novas pesquisas, aí mesmo é que o clima vai esquentar.
Não se espantem, por isso, que esta campanha poderá ser uma das mais violentas a que Belém já assistiu nos últimos tempos.
Tomara que a violência, se for mesmo inevitável, fique apenas no campo verbal.
Tomara.

Que mensalão que nada!

Olhem só.
Vamos deixar de conversa fiada.
Vamos deixar de brincadeira.
Porque não passam - ou não passaram - de brincadeira os vaticínios de que o mensalão poderá ou poderia influenciar no resultado das eleições.
Não influenciou no primeiro turno.
E não deverá influenciar no segundo.
Mensalão?
Que mensalão?
Qual?
Onde?
Como?
Por quê?
Perguntem ao eleitor dos cafundós de Belém, do Pará e do Brasil.
Eles não sabem o que é isso.
Não sabem e, provavelmente, não querem saber.
Se falarem em Supremo Tribunal Federal para uma massa inestimável de brasileiros, eles não haverão de compreender o alcance de suas atribuições e como se comporta no âmbito das instituições.
Brasileiros, vocês sabem, não votam pensando em partidos.
Votam em gente.
E não querem saber se a gente em que votam é do PMDB, PSDB, PT, PXC ou PSY, se é que estas duas últimas siglas existem.
O resultado está aí em cima, no infográfico do G1.
Vejam e concluam.
Em pleno julgamento do mensalão - que poucos, repita-se, sabem o que é -, o PT, mesmo no olho do furacão do mensalão, seguido do PSDB e do PSB, foram os partidos que mais elegeram prefeitos no primeiro turno.
O PT conquistou 8 das 33 maiores prefeituras que já tiveram o resultado decidido no primeiro turno, seguido do PSDB, com seis. Em seguida vem o PSB (com cinco prefeituras), o PDT, DEM e PMDB (todos com três municípios cada). Com um município estão PSD, PR, PC do B, PP, PTN e PV.

Que mensalão que nada!

Agenda dos candidatos


Zenaldo Coutinho (PSDB)
8h - caminhada no bairro do Bengui. Concentração: rua Betânia com a Rua Santa Izabel.
15h - grava para o programa eleitoral obrigatório.
19h - reúne-se com a coordenação de campanha.

Edmilson Rodrigues (PSOL)
9h - participa de sessão na Assembleia Legislativa do Pará.
16h - anúncio público de apoio do PT e de Alfredo Costa à candidatura de Edmilson Rodrigues, no Hotel Regente (avenida Governador José Malcher, entre ruas Rui Barbosa e Benjamin Constant).

"Fui prejulgado e linchado", diz Dirceu


A íntegra da nota divulgada pelo ex-ministro José Dirceu, tão logo se consumou sua condenação, pelo Supremo Tribunal Federal, por corrupção ativa.

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AO POVO BRASILEIRO

No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.
Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.
Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.
Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.
Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.
Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.
A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.
Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.
Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.
Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.
Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.

Vinhedo, 09 de outubro de 2012
José Dirceu

Incra fica proibido de criar novos assentamentos no Pará

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está proibido de instalar novos assentamentos em todo o Estado do Pará sem o prévio Licenciamento Ambiental e Cadastro Ambiental Rural. A decisão (veja a íntegra) consta de liminar expedida pelo juiz federal Arthur Pinheiro Chaves, da 9ª Vara, especializada no julgamento de ações de natureza ambiental.
Na mesma decisão, o Incra também fica obrigado a adotar medidas para cessar o desmatamento em todos os 2.163 assentamentos instalados em território paraense, apresentando mensalmente as imagens de satélite à 9ª Vara federal, como forma de demonstrar que está cumprindo a decisão judicial.
A Justiça Federal determinou ainda que o Incra apresente, em 90 dias, um plano de recuperação de todas as áreas degradadas apontadas em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal. Em 30 dias, acrescenta a decisão, deverá o órgão apresentar um plano de trabalho para a conclusão dos cadastros ambientais rurais e licenciamentos ambientais de todos os assentamentos no Pará. Em caso de descumprimento da decisão, o Incra será multado em R$ 10 mil por dia.
O MPF alega na ação que os projetos de assentamentos instalados pelo Incra em todo o Estado têm promovido desmates de grandes extensões, muitos dos quais verificados no interior de unidades de conservação, provocando agressões ao bioma da Amazônia paraense. Segundo a ação, os danos que ocorrem no interior dos assentamentos, em áreas destinadas à desapropriação para reforma agrária, têm crescido continuamente nos últimos anos.
Na decisão, o juiz Arthur Chaves concordou com o entendimento do Ministério Público de que os procedimentos adotados pelo Incra na criação e instalação de assentamentos vêm promovendo a destruição e danos irreversíveis ao meio ambiente em todo o Pará. “Vale destacar a obrigatoriedade do licenciamento de atividades potencial ou efetivamente causadoras de poluição ou degradação ambiental como de fundamental relevância na promoção do princípio da prevenção, que informa as normas relacionadas com a proteção dos recursos naturais”, destaca o juiz.
Como exemplo da destruição em assentamentos do Incra, o juiz menciona dados colhidos pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), indicando que 29,4% do desmatamento anual na Amazônia Legal ocorrem no interior dos assentamentos, ou seja, dos 742.779 quilômetros quadrados de área desmatada, 133.644 quilômetros quadrados se situam dentro dos 2.163 assentamentos.
O juiz Arthur Chaves considerou relevantes as conclusões de levantamento do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia). No período 1997-2010, segundo a entidade, de 1.440 assentamentos analisados, abrangendo uma área de 174.307 quilômetros, cerca de 30% da área de assentamentos, correspondentes a 53.150 quilômetros quadrados, foram desmatados. Destes 30%, 17% da área desmatada, correspondente a 30.472 quilômetros quadrados, teriam ocorrido a em momento anterior ao assentamento, já os 13% restantes ocorreram após a criação.

Assassinato
Ao classificar de “tormentosa” a questão fundiária no Pará, o juiz Arthur Chaves relembra casos como o do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stan, ocorrido em fevereiro de 2005, no município de Anapu (PA), e episódios como o massacre de Eldorado dos Carajás, em que 19 sem-terra foram mortos durante confronto com a Polícia Militar, em abril de 1996.
“Casos emblemáticos com do de Dorothy Stang e de Eldorado de Carajás, ainda na década de 1990, chamaram a atenção do mundo para a questão, denotando a necessidade de uma distribuição mais justa de terras em que a prática, historicamente, tem sido a da grilagem (vide o caso Carlos Medeiros, conhecido como o “fantasma” e que seria, ante o descontrole dos registros cartorários, proprietário de área superior à da superfície do próprio Estado do Pará) e da exploração desenfreada e violenta da terra, inclusive por parte de madeireiras e pecuaristas”, diz Arthur Chaves.
Na tentativa de resolver questões como essas, ressalta o magistrado, o Incra não pode ignorar princípios da ordem constitucional e legal, uma vez que a reforma agrária, como o conjunto de medidas que visem promover a melhor distribuição de terra, mediante modificação do regime de sua posse e uso, a fim de atender o princípio de justiça social, só pode ocorrer através do cumprimento da função sócio-ambiental da propriedade distribuída ou a ser distribuída.
Arthur Chaves chega à conclusão de “que não há e não pode haver nenhum problema ou conjuntura, por mais abrangente e importante que se apresente, que seja capaz de autorizar soluções prejudiciais ao resguardo da natureza e do meio ambiente, sob pena de cobrança de um preço a recair de forma mais pesada justamente sobre a população campesina e interiorana mais pobre, que visa se beneficiar com a reforma agrária e que vive basicamente dos recursos naturais destruídos com a atuação predatória ao meio ambiente.”

Fonte: Justiça Federal - Seção Judiciária do Pará

Mais um ineditismo no Pará

No Blog da Franssinete, sob o título acima:

O município de Monte Alegre foi o único do País a ter votação através de processo manual. No RJ, houve o caso de só uma seção eleitoral sem urna eletrônica.
Mas o babado forte é que os candidatos mais votados, Jardel Vasconcelos (PMDB) e Sérgio Monteiro (PT) conhecido como Dr. Sérgio, festejaram o resultado das eleições em duas carreatas, e ambos se declaram vitoriosos. Ou seja: há dois prefeitos eleitos, até que o TSE dê a palavra final.
A questão é que o promotor de justiça Jorge Delano impugnou a candidatura de Jardel Vasconcelos, mas o juiz Thiago Tapajós Gonçalves manteve a candidatura. Em sede de recurso, o TRE-PA o declarou inelegível por ser ficha suja. O caso está sub judice. Jardel teve mais votos, porém se o TSE mantiver a decisão com base na Lei da Ficha Limpa ele perderá o mandato.

Entre o crer e o ser


Eu estava apreciando a tarde na porta de casa quando uma senhora que passava pela rua me fez a seguinte pergunta: “Você acredita que a Terra será restaurada por Deus e aqui será um paraíso?”. Respondi-lhe que, em matéria de religião, não me interesso muito pelas coisas futuras, mas a mulher triplicou. Eu, idem. Quando percebi que a fita havia engatado - ainda sou desse tempo - respirei fundo e mergulhei mais adentro em minhas convicções.
Eu disse àquela senhora que o meu crer não é nada diante do ser. Do ponto de vista da verdade acerca disto ou daquilo, pouco importa o que eu penso ou deixo de pensar a respeito. Se a restauração da Terra é algo que Deus determinou em seus planos, o meu ponto de vista é indiferente. Deus fará e pronto. Agora, se referido paraíso é mera construção teórica, humana e teológica, nada adiantará eu acreditar nele.
Posso rir e chorar perante essa ideia paradisíaca, mas o meu crer não mudará o ser. Com isso, a mulher se foi, não sem antes me interrogar de novo. No meio da argumentação, citei à minha interlocutora dois exemplos teológicos que encontro no segmento evangélico. Primeiro, a questão do Milênio, um período de mil anos quando Jesus governará o mundo antes do temível Juízo Final. Matéria nada pacífica. Só alguns entendem que a Bíblia fala em sentido literal.
Outra questão se refere ao retorno de Cristo para resgatar seus seguidores nos dias finais. Uns dividem esse resgate em duas fases, uma invisível, quando haveria um tipo de rapto; e outra visível, quando virá para implantar o dito reino milenial.
Do ponto de vista da verdade, esses fatos independem da nossa fé. Haverá. De uma forma ou de outra. Portanto, não devo esquentar a cabeça. Não é assunto meu. É assunto reservado ao Soberano. A religião é algo construído. Ela pode estar assentada sobre um fato verdadeiro. Mas pode também abrigar uma infinidade de coisas que não têm nada a ver com o seu fundamento, ou ainda ter imaginário, a religião pode servir para mim enquanto movimento social, enquanto sentimento e convicção, mas, não tem o poder de tornar verdadeira a minha crença. Minha fé não cria deuses, exceto na minha cabeça.
Do ponto de vista cristão, as verdades são absolutas. Existem ou não existem. Nossa fé deve entrar em ação a partir de um mínimo de certeza. Um mínimo de conhecimento do processo de formação de nossa crença. Por que eu acredito nisto? Quem foi a primeira pessoa a afirmar isto ou aquilo? Que interesses podem estar em jogo? Qual o contexto do surgimento da minha fé? Como se desenvolveu? Eu creio em algo verdadeiro? Minha procura observa a vida diária. Ela insistiu. Eu repeti a resposta. A uma base falsa. Logo, se eu construo minha fé nesse universo de emoção tem condições de validar a verdade? É possível que eu chegue a acreditar até mesmo em deuses falsos? O meu Deus e toda a fé que exerço nele sobre a Terra tem uma correspondência verdadeira no lugar de sua habitação?
É interessante que, do ponto de vista da verdade, por mais devotado ou incrédulo que eu seja, minhas convicções não têm o poder de criar ou de anular o que é espiritualmente real. Independe da minha fé. Se é real, e eu creio nele, nada muda ali. Se não existe, e eu acredito, minha fé é nula e não pode criá-lo. Contudo, para o cristão que busca um norte para sua maneira de crer ou descrer, só resta a Bíblia. A Escritura é o repositório da verdade. Referência absoluta da fé. Nossa crença está assegurada ali? Ótimo! Prossigamos em crer. Calou-se o livro sagrado? Ponderemos.

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RUI RAIOL é escritor
www.ruiraiol.com.br

O que ele disse

"Na discussão com os partidos tratamos de apoio material. Mas tudo dentro da lei. As pessoas tomam decisões pragmáticas na vida. Alguns partidos me apoiaram porque eu era favorito. Não tem pecado nisso. Na política tem gente pragmática. Não se está lidando num ambiente de pureza. Está lidando no ambiente da política. Se eu não fosse o favorito, não agregaria em torno de mim 20 partidos. Não vou entregar meu governo para eles. Se podem somar voto, por que vou recusar apoio?"
Eduardo Paes, prefeito reeleito do Rio, ao admitir com todas as letras que o ambiente de pureza passa longe, muito longe da política. Principalmente quando se trata de alianças.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

É brincadeira. Mas é sério. Seriíssimo.


Olhem só.
Vejam o SuperMoura.
Vejam o Ninguém.
O Hermano.
São impagáveis.
Inacreditavelmente impagáveis.
Sim, a gente ri à beça quando os vê pedindo votos.
Temos que rir. É o que nos resta.
Mas não há como concluir que muita gente não tem qualquer noção, absolutamente nenhuma noção sobre o sentido da representação parlamentar.
Fora de brincadeira.
De toda brincadeira.

Jornalistas reclamam de furtos no Palácio do Planalto


Jornalistas que trabalham no Palácio do Planalto continuam reclamando de furtos dentro da sala do Comitê de Imprensa. Dois e-mails foram enviados para a assessoria de comunicação - nos dias 14/8 e 24/9 - solicitando mais segurança, mas nada foi feito até o momento.

IMPRENSA apurou com alguns repórteres que já foram furtados diversos objetos, entre eles, alimentos, maquiagem, remédio, guarda-chuva, gravador, livro e maço de cigarros, além de cabos e pequenos equipamentos. Na sexta-feira, por exemplo, um aparelho de telefone fixo foi levado do local.

Na última segunda-feira (24/9), o portal R7 divulgou nota sobre o furto mais recente sofrido pelo jornalista Romoaldo de Souza. Entre a tarde da sexta-feira (21/9) e de segunda, Souza teve uma bolsa com equipamentos de trabalho como pen drives, cartões de memória e modem furtada de dentro de sua gaveta na sala do comitê.

O jornalista afirmou que registrou o caso no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), através de uma carta estregue e recebida de volta. Questionado, o órgão respondeu à IMPRENSA que "até o presente momento, o GSI não foi notificado oficialmente sobre tais ocorrências".

A nota do Gabinete de Segurança Institucional  explica que, de acordo com  Lei Nº 10.683, de 28 de maio de 2003, "compete ao GSI a segurança dos palácios presidenciais e das residências do Presidente e Vice-Presidente da República. Dentro desse contexto, no caso específico do Palácio do Planalto, essa atribuição legal do GSI é complementada pela segurança orgânica exercida pelos demais órgãos em suas respectivas dependências internas".
Mais segurança
Na época do primeiro e-mail, enviado em 14 de agosto, a assessoria de comunicação respondeu que tomaria medidas e colocariam um escaninho para manter os objetos fechados, mas até o momento o móvel não foi instalado. Já o segundo e-mail, ainda não foi respondido. Procurada, a assessoria não se manifestou sobre o assunto.

Os incidentes começaram há cerca de quatro ou cinco meses e tem ocorrido geralmente nos fins de semana e durante o horário de almoço. Atualmente, as portas da sala não ficam trancadas, não há chaves nas mesas e nem câmeras internas no local.

Charge - Aroeira


PSOL procura o PP de Gerson em busca de apoio

O PSOL, partido do candidato Edmilson Rodrigues, quer o apoio do PP, que no primeiro turno disputou as eleições para prefeito de Belém com o radialista Jefferson Lima, terceiro colocado no pleito, com 99.714 votos (12,89%).
O presidente estadual do PP, ex-deputado Gerson Peres, disse há pouco ao Espaço Aberto que já conversou com Marinor Brito, eleita vereadora com 21.723 votos, a maior votação para a Câmara.
"Ela veio aqui conosco. Conversamos. Eu anotei as suas ponderações e ficamos de decidir. Também já recebemos um convite para conversar com o Zenaldo, o que faremos em breve. E como não somos donos de nada, nem do partido, vamos travar essas conversas para tomar uma posição na próxima quinta-feira", adiantou Gerson.
Ele manifestou estranheza diante de declarações reiteradas de Jefferson Lima, que pretende anunciar apoio pessoal a um dos dois candidatos, independentemente do posicionamento que o PP vier a tomar.
"Eu realmente estranho essas declarações do Jefferson. Ele é um homem livre, independente e realmente pode assumir suas posições. Mas eu gostaria de conversar com ele. Aliás, espero ainda conversar. Nos falamos ontem, por telefone. Ele marcou que viria conversar comigo, mas não veio", informou o presidente do PP.

Índios e pescadores voltam a ocupar Belo Monte

Cerca de 120 manifestantes  indígenas das etnias Xipaia, Kuruaia, Parakanã, Arara do rio Iriri, Juruna e Assurini uniram-se aos pescadores, que estão há 24 dias protestando contra o barramento definitivo do rio Xingu (PA), e ocuparam novamente, por volta das 19h desta segunda-feira (8), a ensecadeira do canteiro de obras de Pimental para paralisar a construção de Belo Monte. Os indígenas tomaram as chaves de caminhões e tratores na ensecadeira, e os trabalhadores tiveram que deixar o local a pé.
De acordo com os manifestantes, a ação, que é pacífica, ocorre em função do completo descumprimento dos acordos firmados pelo Consórcio Norte Energia com os indígenas depois da última ocupação da ensecadeira, entre junho e julho deste ano; o não cumprimento de grande parte das condicionantes; a total falta de diálogo da empresa com os pescadores; e a ameaça concreta de alagamento de parte de Altamira com o barramento definitivo do rio Xingu. Pequenos agricultores, moradores de Altamira e oleiros da região devem se juntar aos protestos ao longo da semana.
Os manifestantes acusam o empreendimento de fechar o rio sem que tenha sido solucionada a transposição de barcos de um lado a outro da ensecadeira, como exige a Licença de Instalação (LI) outorgada pelo Ibama.
De acordo com o órgão, o fechamento do rio não poderá ocorrer e a empresa não poderá interromper o fluxo de embarcações até que o sistema provisório de transposição de embarcações esteja em pleno funcionamento (item 2.6 da LI).
Segundo os pescadores, a ensecadeira, que tem mais de 5 km, deve ser concluída nos próximos dias. “O que temos aqui é uma cena de terra arrasada. A ilha de Pimental foi completamente destruida, só é árvore no chão, e a água está podre. É muito chocante”, afirma um dos manifestantes.
De acordo com os indígenas, desta vez a ocupação deve permanecer até que todos os acordos firmados em julho tenham sido cumpridos. Os pescadores também reafirmam a intenção de permanecer por tempo indeterminado.

Fonte: Xingu Vivo para Sempre

Charge - J. Bosco

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"Agora eu vou mostrar quem ele é", avisa Edmilson

Edmilson (em foto remetida por sua assessoria): se precisar, chumbo grosso durante o segundo turno
Então é assim.
Edmilson Rodrigues vem aí.
Com arma engatilhada.
Com balas - várias - na agulha.
E pronto para o que der e vier.
Em conversa com o Espaço Aberto, por telefone, o candidato do PSOL, que disputará no dia 28 deste mês o mandato de prefeito de Belém, em segundo turno, demarcou precisamente os rumos, a direção e o tom de sua campanha.
"Na nossa campanha, agora em segundo turno, eu só pretendo falar coisas boas, positivas para Belém. Minha intenção é apenas mostrar as nossas propostas de governo. Mas, se for preciso, eu vou mostrar quem ele é. Tenho uma equipe de altíssimo nível colhendo dados para mostrar quem são aqueles que se beneficiaram da privataria e que apoiaram o massacre de Eldorados dos Carajás", dispara Edmilson, sempre guardando mais balas na agulha.
O ele, a que se refere o candidato psolista, é o deputado federal Zenaldo Coutinho, candidato do PSDB, que vai disputar o segundo turno com Edmilson, ambos separados por apenas 14.797 votos, uma diferença de1,91%, conforme o resultado das urnas em primeiro turno.
Edmilson ressaltou sem meias palavras, ao Espaço Aberto, que dispõe elementos, inclusive, para revelar supostos envolvimentos de familiares de Zenaldo - presidente da Assembleia Legislativa do Estado no biênio 1995-1996 - com Mônica Pinto. Ex-servidora da Alepa, ela detonou uma série de denúncias que ensejaram o ajuizamento de várias ações, inclusive criminais, pelo Ministério Público.
"É fato que a Mônica é amiga, há muitos anos, da mulher do Zenaldo. Ambas se relacionavam inclusive pelo Facebook. Os links já foram, é claro, retirados. Mas nós temos como recuperar tudo isso", afirmou Edmilson Rodrigues.
O candidato do PSOL considera que o fato de ter começado na campanha com 49% das intenções de votos, mas posteriormente deslizando para um empate quase matemático com Zenaldo ao final do primeiro turno, deve-se basicamente ao impacto dos ataques que sofreu dos adversários e ao pouco tempo de que dispôs para rebater as críticas e acusações, ou "baixarias", como Edmilson as classifica.
"Agora, não. É o segundo turno. É uma outra eleição. Os tempos são iguais para os dois candidatos. Terei tempo suficiente para me defender. Se ele [Zenaldo] optar pelo caminho da baixaria, nada ficará sem resposta. Prefiro que meus dez minutos sejam utilizados com propostas sérias, indicando que nosso governo será de mudança. Mas, se for necessário, terei tempo para mostrar quem são o Zenaldo e seus aliados. Temos muitas histórias para contar", reforçou o candidato.

"Não farei acordo como o que Edmilson fez", diz Zenaldo

Zenaldo (em foto remetida por sua assessoria) festeja passagem ao segundo turno: "Não fugirei aos debates"

"Minha atuação na Assembleia Legislativa do Estado, quando fui presidente da Casa no biênio 1995-1996, foi séria, transparente. Em quem o diz, além de mim, é o Ministério Público do Estado, na pessoa dos promotores Nelson Medrado e Arnaldo Azevedo. Não tenho nada a esconder. Quanto ao Edmilson, basta você procurar no Portal da Transparência. Lá, estão expostos os atos públicos de sua equipe, da qual vários membros se encontram no rol dos inelegíveis", disse ao Espaço Aberto, também por telefone, o candidato do PSDB a prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, em resposta às críticas de seu concorrente do PSOL.
Zenaldo garantiu que a servidora Mônica Pinto, como tantos outros servidores, foram nomeados legalmente durante sua gestão e sempre conduziram de forma irretocável, não ensejando qualquer reparo ético no exercício das funções para as quais estavam incumbidos na Assembleia Legislativa do Estado.
"Tanto a Mônica como tantos outros foram contratados e se portaram de forma absolutamente séria. Durante minha presidência, todos se conduziram com a maior seriedade possível. E o Ministério Público comprovou isso inteiramente", reforçou o tucano.
Zenaldo disse que, se Edmilson quiser partir para ataques de baixo nível, será uma opção que o candidato psolista terá que assumir. Mas avisou que não se furtará a travar qualquer debate sobre questões de interesse interesse público. "Eu não fugirei ao debate. Aliás, acho que os debates serão necessários para esclarecer e expor as nossas posições, as nossas propostas", disse o tucano.
"Como denunciei no primeiro turno, por exemplo, pretendo deixar claro que nunca fiz, não faço e não pretendo fazer qualquer acordo com empresários de ônibus, como o Edmilson fez. Faço questão de não ter o apoio de empresários de ônibus. Investirei em transporte de qualidade e rejeitarei, se for prefeito, os aumentos de passagem absurdos como os que ocorreram no período em que o Edmilson foi prefeito de Belém", acrescentou Zenaldo.
O candidato do PSDB disse que sua passagem para o segundo turno com uma diferença de pouco mais de 14 mil votos, após ter começado a campanha como o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, confirma sua certeza de que conseguiria "tocar no coração das pessoas", conforme expressões do próprio Zenaldo.
"Acho que estamos conseguindo apresentar um conjunto de propostas concretas, viáveis e focadas num projeto de união verdadeira para Belém. Uma visão moderna de que só se constroi um projeto público de maneira coletiva. Eu saiba que essas propostas teriam ressonância junto aos eleitores de Belém. Acho que o dia 7 de outubro foi o ápice de uma sequência de momentos positivos que tivemos na campanha. E vamos continuar com essa estratégia", assegurou o tucano.

Agenda dos candidatos


Edmilson Rodrigues
9h - sessão da Assembleia Legislativa do Pará;
16h - reunião com a coordenação de campanha, no comitê.

Zenaldo Coutinho
O candidato passará o dia reunindo-se com a coordenação de campanha, definindo estratégias para o segundo turno.

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Informações de responsabilidade dos comitês de campanha

Meu querido, meu velho, meu amigo Eros Bemerguy


Caros amigos.
Ninguém deve, acho, comparar as dores que sentimos pela perda das pessoas que amamos com as dores que outros sentem por eventos - inevitáveis, como se sabe - da mesma natureza.
Porque as dores são de cada um.
São muito particulares, pessoais.
E cada qual as suporta, processa ou supera conforme circunstâncias e condições que nem sempre conseguimos, humanamente, controlar.
Mas é certo que as dores são, incomparavelmente, menos torturantes, menos lancinantes quando as sofremos sob o consolo, o carinho e a solidariedade de muitos, muitíssimos amigos.
Desde o falecimento de meu pai Eros Bemerguy, no dia 27 de setembro, tenho recebido, juntamente com minha irmã e demais familiares, dezenas, quase chegando à centena, de mensagens.
Pelo celular, por e-mail, em comentários postados neste blog (vejam aqui), pessoalmente, enfim, de várias formas têm nos chegado o consolo, o carinho e a solidariedade que nos confortam imensamente.
Da mesma forma como não tive, conforme disse, palavras para retratar fielmente quem foi Eros Bemerguy e o que ele representou para os que privaram mais intimamente de seu convívio, não tenho palavras para agradecer a tanta gente.
Gostaria apenas de destacar duas mensagens, dentre as dezenas, repito, que recebi.
Uma é a do obidense Rider Nogueira de Brito, ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho.
A outra é do jornalista Carlos Mendes.
Uma, a de Rider, retrata o valor de uma grande, profunda e eterna amizade.
A outra, a de Mendes, expressa com exatidão o sentido da partida de quem parte feliz, como foi o caso de Eros Bemerguy.
Leiam.

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"ERA O MEU 'COMODORO' E MEU PROFESSOR DE PESCARIAS"

Soube, com grande tristeza da morte do Eros, meu amigo e parceiro de pescarias há mais de quatro décadas. Era o meu "comodoro" e foi o meu professor de pescarias, quem me introduziu na pesca com zagaia na embocadura do Rio Curuá-Una, lá nos idos de 1968, homem reto, confiável, trabalhador, amigo, respeitado na comunidade santarena por sua postura, por seu exemplo de cidadão, esposo e pai. Se costuma dizer que ninguém é rei na sua terra, mas o Eros o foi, de enorme respeitabilidade, de muitos admiradores, o homem em que se podia confiar em qualquer circunstância, foi enfim para todos nós e para a comunidade mocoronga um exemplo.
Faleceu em circunstâncias que considero própria daqueles que têm merecimento com Deus: morreu sem sofrer, rápido e  fazendo o que mais gostava de fazer em termos entretenimento - pescando, rodeado de amigos. Seu desaparecimento deixa órfãos não apenas seus filhos queridos - os caros amigos, mas todos nós seus amigos que sempre o admiramos.
Que Deus os console e abençoe neste momento tão triste e doloroso, que o é também para todos nós. Um abraço sentido e amigo do Rider de Brito.

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EROS BEMERGUY, O BOM PESCADOR

Amigo Paulo Bemerguy

Já te disse por telefone, mas agora escrevo aqui no Espaço: força para superar esse momento. A frase é banal, um chavão. Não sei o que dizer, em situações como esta, para demonstrar minha solidariedade ao amigo que tanto admiro.
Não tenho outras palavras para manifestar minha tristeza, por saber que estás triste. Depois de ler o que escreveste, porÉm, fiquei menos triste ao saber que teu pai subiu para outro plano fazendo o que mais gostava: pescar.
Ah, quem dera que todos fizessem uma boa pescaria no oceano de iniquidades em que nos equilibramos cotidianamente para sobreviver.
Há os que pescam ódio e colhem ódio.
Há os que pescam arrogância e só colhem arrogância.
Há os que pescam poder e, muitas vezes, se afogam no poder.
Mas há os que pescam o bem e distribuem o bem, ajudando a quem necessita.
Há os que pescam amor e só dividem amor.
Há também os que amam o rio e são felizes para sempre, até no último adeus.
Como Eros Bemerguy, que partiu feliz, sem mágoas, ou sofrimento.
Que Deus acolha em sua nau celestial esse bravo e feliz pescador.

Carlos Mendes

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Eros Bemerguy foi homem de hábitos simples.
Muito simples.
Várias vezes, mais falando a sério do que em tom de brincadeira, disse a vários de seus familiares - a mim, inclusive - que só queria uma coisa quando nos deixasse: que no seu sepultamento fosse tocada a música de Roberto Carlos "Meu querido, meu velho e amigo", que ele adorava e, muito provavelmente, o enternecia e o convidava para se lembrar de seu pai, o meu avô - saudoso e eternamente querido - Vidal Bemerguy.
Sua vontade foi satisfeita, tanto na saída do corpo do velório para o cemitério de Nossa Senhora dos Mártires como na Missa de Sétimo Dia celebrada, em Santarém, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Por isso, permitam-me prestar esta homenagem a Eros Bemerguy aqui no blog, disponibilizando o vídeo lá em cima e a letra, abaixo.

Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo


Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse olhar cansado, profundo
Me dizendo coisas, num grito, me ensinando tanto do mundo...
E esses passos lentos, de agora, caminhando sempre comigo,
Já correram tanto na vida,
Meu querido, meu velho, meu amigo
Sua vida cheia de histórias e essas rugas marcadas pelo tempo,
Lembranças de antigas vitórias ou lágrimas choradas, ao vento...
Sua voz macia me acalma e me diz muito mais do que eu digo
Me calando fundo na alma
Meu querido, meu velho, meu amigo
Seu passado vive presente nas experiências
Contidas nesse coração, consciente da beleza das coisas da vida.
Seu sorriso franco me anima, seu conselho certo me ensina,
Beijo suas mãos e lhe digo
Meu querido, meu velho, meu amigo
Eu já lhe falei de tudo,
Mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto...
Olhando seus cabelos, tão bonitos,
Beijo suas mãos e digo
Meu querido, meu velho, meu amigo

Mestre da sutileza


Exatamente por essa época, lá pelos idos de 2009, a cidade já respirava o natal dos paraenses, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. Frequentava o Baú Bistrô, do amigo e cronista Denis Cavalcante, e em um dos muitos papos, falava da admiração que tenho pelo jornalista e escritor Zuenir Ventura e que já tinha lido dois de seus livros, 1968 - “O ano que não terminou” e “1968 - O que fizemos de nós”. E se houvesse oportunidade, gostaria de conhecê-lo pessoalmente.
Às sextas-feiras, com pontualidade quase britânica, comparecia ao bar do Baú, local que elegi com o amigo Pimentel, para as libações alcoólicas, como ele gostava de se expressar. Alojávamo-nos no terceiro setor onde ficava o Baú do Livro, um sebo que tinha de um tudo, inclusive raridades. E numa dessas garimpagens, encontrei um livro do mestre Zú, “Cidade Partida”, Companhia das Letras, edição de 1994. Por curiosidade, comecei a folhear o livro e lá encontrei o autógrafo do autor, feito no ano do lançamento, no Rio de Janeiro a uma leitora amiga. Comprei o livro e depois o li.
Um dia, antes de sorver a primeira taça de cerveja, a curiosidade falou mais alto e lá ia eu para mais uma garimpagem. E mais uma vez fui premiado ao encontrar outra obra do mestre Zú, “Minhas Histórias Dos Outros”, Editora Planeta do Brasil, edição de 2005. Óbvio, comprei e também o li. Gosto muito do estilo e da sensibilidade do Zuenir, um dos mais brilhantes jornalistas de nosso tempo. Como ele mesmo diz: “Não viemos à Terra para julgar, nem para prender ou condenar, viemos para olhar e depois contar. Não somos juízes, não somos promotores, somos jornalistas, somos testemunhas de nosso tempo, uma testemunha crítica, não necessariamente de oposição, mas implacavelmente crítica”.
A leitura é, sobretudo, um exercício de interpretações pessoais. O resultado é cativante. Uma noite, lendo, e já quase para dormir, era próximo das 23h, o celular tocou. Era o Denis: “Gostarias de conhecer o Zuenir? Ele está na Feira do Livro (no Hangar) e vem jantar aqui no Baú”. Não tive dúvida. Um banho para espertar e segui para o Bistrô. Dessa vez, ficamos na área livre. Próximo da meia-noite, eis que chega Mestre Zú. Denis nos apresentou e logo em seguida, com a intimidade que tinha com o cronista, solicitou sua cerveja de eleição: “Denis, cadê a cerpinha?” Para encurtar a história, varamos a madrugada conversando. Zuenir é o papo, a noite não poderia ter sido melhor.
No ano seguinte, ele retorna nessa mesma época para a Feira do Livro (no Hangar), agora acompanhado do Luiz Fernando Veríssimo, ambos com suas esposas. Telefonei para o Denis, que teve a gentiliza de me apanhar e me levar até ao Hilton Hotel, onde estavam hospedados. Saí de casa com uma mochila com alguns livros do Zuenir (inclusive, aquele já autografado e que recebeu um segundo autógrafo) e também alguns do Veríssimo. Tiramos fotos e tive todos os livros autografados.
Recentemente, concluí a leitura de seu último livro, “Sagrada Família”, lançado pela Alfaguara. Romance de forte fundo autobiográfico, Zuenir explora com malícia e sutileza as entranhas do Brasil de 1940. O garoto, que narra a história, diz ter perdido ali a sua inocência. Só ao final da leitura, porém, o leitor terá a real dimensão do significado dessa expressão no Brasil nos anos da Segunda Guerra Mundial. Inocência, no caso, é um termo que está relacionado à moral e hipocrisia. O certo é que vale a pena ler Zuenir.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ele disse

"É muito difícil já termos uma opinião formada sobre isso. Que houve um grau de interferência, é evidente. Cidades do interior de São Paulo mais conservadoras nós tivemos mais dificuldades. É evidente que em São Paulo isso teve o seu peso, mas é muito difícil quantificar."
Gilberto Carvalho, secretário geral da Presidência da República, admitindo o impacto do mensalão nas eleições municipais.