terça-feira, 25 de janeiro de 2022
Estão matando o Tapajós, que também está matando as pessoas. A tragédia de agora não é de ontem. É de cinco décadas.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
Governo do estado e Prefeitura de Belém administram o caos na ponte. E precisam explicar claramente por que o pilar desabou.
Desde o início da manhã de 17 de janeiro passado, quando um pilar da ponte de Outeiro veio abaixo, o governo do estado e a Prefeitura de Belém estão administrando o caos, a desorientação, a bagunça e a confusão. É preciso que se diga isso claramente, para evitar que declarações - sejam de autoridades, sejam de cidadãos anônimos -, pinçadas aqui e ali, transmitam a impressão de que, apesar dos pesares, tudo vai bem no reino da Dinamarca. Não. Não vai.
Ressalte-se logo que o caos, a desorientação, bagunça e confusão que sobrevieram ao desabamento do pilar e à consequente interdição da ponte seriam, em quaisquer circunstâncias, absolutamente previsíveis. Até porque, nem a Prefeitura de Belém, nem o governo do Pará, nem o governo da Suíça seriam capazes de, num átimo, num abrir e piscar d'olhos, estabelecer providências imunes a críticas para reorientar as rotinas de estimadas 80 mil pessoas, como as que residem na Ilha de Caratateua e têm na ponte um equipamento público essencial para se locomover.
Portanto, repita-se, o caos era plenamente prevísivel e cabe aos poderes públicos resolvê-los, cada um no âmbito de suas responsabilidades. O que se apresenta como inadmissível é a tentativa de criar-se um cenário enganoso, ilusório, fantasioso que poderia transmitir a impressão de que, mesmo sem ponte, milhares de pessoas já estão indo e vindo felizes da vida - em lanchas, ferry boats, canoas, transatlânticos e sabe-se lá o que mais.
Afinal, por que o pilar desabou? - À tentativa de produzirem-se cenários enganosos, acrescente-se o fundamental: faz-se necessário que o governo do estado venha a público para divulgar clara e enfaticamente os resultados do laudo pericial que indicará se, afinal de contas, o pilar foi atingido por uma balsa ou se simplesmente ruiu.
Essa questão não é, como se diz, de somenos. Não é uma questão menor. Não é uma questão lateral, secundária. E por que não é?
No dia 19 de janeiro passado, uma quarta-feira, na postagem intitulada Nem balsa, nem ônibus, mas o carro do pipoqueiro é que derrubou o pilar da Ponte de Outeiro. É isso?, o Espaço Aberto observou que, se for confirmado que não houve colisão alguma, isso será indício de que o desmoronamento sinaliza que a ponte pode estar seriamente comprometida. "Com isso, será necessária uma prospecção 40 vezes mais apurada, para se avaliar se, em vez de apenas repor um pilar, não será necessário reforçar a estrutura da ponte inteira, que tem 360 metros e exerce uma inegável importância social, eis que liga a Ilha de Outeiro a Belém, no continente", escreveu o blog.
Sem colisão - Neste domingo (24), em seu portal Ver-o-Fato, o jornalista Carlos Mendes assina matéria (leiam aqui a íntegra) informando, com base em fontes confiáveis, que não houve colisão alguma. "A pergunta, afinal, é a seguinte: se a balsa investigada não bateu na ponte, no último dia 17, por qual motivo o pilar caiu e foi tragado pelo rio Maguari? O pilar caiu sozinho? Uma autoridade no assunto, cujo nome o Ver-o-Fato não revelará para evitar perseguições e ameaças, explica que o problema todo originou-se nos 'blocos de coroamento' da ponte", afirma a matéria. Blocos de coroamento são aquelas peças de concreto que fazem ligação entre as estacas que estão cravadas no subsolo e os pilares.
Nos últimos oito anos, lembra Carlos Mendes, "pelo menos cinco abalroamentos, alguns extremamente violentos, atingiram os pilares da ponte. E sempre durante a madrugada ou começo da manhã, quando a fiscalização não existe, a exemplo do restante do dia. Como não houve nenhum reparo, durante todo esse tempo, o nível de saturação a choques nos blocos de coroamento chegou ao limite."
As dúvidas que pairam sobre se houve ou não uma colisão foram confirmadas pelo próprio delegado Daniel Castro, da Polícia Civil, conforme declarações que constam de matéria divulgada na Agência Pará (leia aqui) informou na coletiva que prosseguem as investigações para localizar os responsáveis pelo sinistro. "Pode (o sinistro) ser um empurrador específico ou sucessivos choques de várias embarcações. Estamos fazendo perícias e em breve vamos divulgar a dinâmica: se foi uma embarcação que provocou a queda ou sucessivos choques de diversas embarcações", informou Castro, conforme a Agência Pará.
Viram aí? Sucessivos choques de várias embarcações é uma expressão do delegado que corrobora a apuração do portal Ver-o-Fato, de que os vários abalroamentos ocorridos nos últimos anos podem ter concorrido, juntamente com a falta de manutenção adequada, para que os pilares estejam ficando naturalmente fragilizados e propensos a desabar, sem que para isso tenha sido alvos de uma colisão.
Quanto ao anúncio do governo do estado, de que vai reconstruir a ponte em sete meses, convém evitar que a urgência exigida pela restauração completa de uma estrutura de imprescindível e inegável valor social, como a ponte de Outeiro, leve à eventual inobservância de procedimentos legais inafastáveis. Daí ter sido acertada a convocação tanto do Ministério Público como do Tribunal de Contas do Estado, para acompanharem todo o processo de contratação da empresa que realizará as obras na ponte.
É que gato escaldado, vocês sabem, tem um pavor de água fria.
sábado, 22 de janeiro de 2022
O Pará sem ômicron: esse é um fenômeno que a Ciência ainda precisa desvendar
quarta-feira, 19 de janeiro de 2022
Uma quarta-feira cheia de "canalhas" e militâncias "encanalhadas"
Canalha é quem roubou o povo brasileiro durante anos e quem usou nosso dinheiro pra financiar ditaduras. E quadrilha é o nome do grupo que fez isso, colocado por você, Lula, na Petrobras. Você será derrotado. Só ofende pois não tem como explicar a corrupção no seu Governo.
— Sergio Moro (@SF_Moro) January 19, 2022
Nem balsa, nem ônibus, mas o carro do pipoqueiro é que derrubou o pilar da Ponte de Outeiro. É isso?
Sabem aquela história do agora me deu medo?
Pois é, agora me deu medo saber que, vejam só, não foi uma balsa que abalroou um pilar da Ponte de Outeiro e, logo depois, o pior desabou.
O DOL acaba de informar que não houve colisão alguma. E que o pilar simplesmente desmoronou logo após a passagem um ônibus pela ponte. A informação se respalda no depoimento de um marítimo de 40 anos de idade que teria sido ouvido pela equipe da Delegacia de Polícia Fluvial.
Agora me deu medo, repito.
É que a informação do marítimo confirma depoimentos anteriores, dos tripulantes de uma balsa apreendida cerca de 48 horas após o desabamento do pilar. Eles disseram à polícia que não houve qualquer colisão, acrescentando que tal fato poderá ser corroborado por imagens de uma câmara disponível na embarcação.
Por que essa versão, se confirmada, é de dar medo?
Porque sinalizará que, muito mais do que a avaria num dos pilares, o desmoronamento ocorrido é indício de que toda a estrutura da ponte poderá estar seriamente comprometida. Com isso, será necessária uma prospecção 40 vezes mais apurada, para se avaliar se, em vez de apenas repor um pilar, não será necessário reforçar a estrutura da ponte inteira, que tem 360 metros e exerce uma inegável importância social, eis que liga a Ilha de Outeiro a Belém, no continente.
Diante das discrepâncias entre a suposição inicialmente apontada - de que o pilar veio abaixo porque fora atingido por uma balsa - e o estágio atual da apuração - indicando não ter havido o abalroamento e que o pilar caiu após a passagem de um ônibus -, é fundamental que seja dada ampla, para não dizer amplíssima divulgação no resultado de perícia feita na estrutura da ponte, cujo laudo tem previsão de sair em até dez dias.
Pelo sim, pelo não, e para que nas próximas eleições os caçadores de votos não venham, na caradura, tentar salvar suas aparências com demagogias barata, convém que a Prefeitura de Belém, em parceria ou não com o governo do estado, trate de implementar com urgência uma alternativa que poupe de maiores sacrifícios e atropelos milhares de pessoas que diariamente precisam se deslocar naquela área.
Enquanto isso, acompanhemos as investigações.
E não nos surpreendamos se o próximo lance apontar que nem uma balsa, nem um ônibus, mas uma bicicleta - ou o carro do pipoqueiro - é que derrubou o pilar da ponte.
Zequinha Marinho virou uma espécie de Moro do Pará. Até os direitistas o repelem.
Zequinha Marinho: quase escorraçado de reunião no sul do Pará, ele está a ponto de acordar de manhã, olhar-se no espelho e sentenciar: "Oh, vida: nem eu gosto de mim" |
Zequinha Marinho, o senador que recentemente ingressou no Partido Liberal, depois de debandar do PSC, é uma espécie de Sérgio Moro da direita paraense: ninguém gosta dele e todos duvidam dele, porque todos o consideram um traidor (entre outras coisas).
A rejeição ao senador embica pra cima (mais do que os estratosféricos índices da ômicron) de tal forma que, se bobearem, Sua Excecelência está correndo o risco de, num dia qualquer, acordar de manhã, mirar-se no espelho e sentenciar, desolado: "Oh, vida: nem eu mesmo gosto de mim".
Trajetória de rompimentos - Marinho, quando era vice-governador do Pará no governo Jatene, rompeu com o governador porque não foi escolhido para ser o candidato oficial ao governo do Estado, nas eleições de 2018.
Depois disso, lançou-se ao senado, aliou-se ao MDB de Helder Barbalho, foi eleito e, ora bolas, também rompeu com Helder, que agora usa seu jornal e o de sua família para meter o sarrafo em Marinho, pintado como o emblema da fina-flor do bolsonarismo mais retrógrado (se é que existe algum viés bolsonarista que não o seja).
Em sua nova fase, o senador ingressou no PL depois que o partido arreganhou suas portas para abrigar Bolsonaro e a escória do fanatismo bolsonarista. O Partido Liberal, vocês sabem, é aquele que tem como sua mais alta liderança o nobre, impoluto, honrado e honroso Valdemar Costa Neto, exemplar de pureza ética que foi condenado por participar da roubalheira no Mensalão. Mas isso, é claro, não se deve levar em conta, porque, admitamos, a carne é fraca e todo mundo pode errar, né? (hehehe)
Uma vez em sua nova casa, o PL, Zequinha Marinho começa a alimentar fortes aspirações de ser candidato ao governo do estado, seu sonho que, como dito, foi sepultado em 2018 por Jatene, que preferiu o então deputado estadual Márcio Miranda.
Na condição de pré-candidato, Marinho tem levado ferro pelas ventas. Um ferro acionado, vejam, pela nata dos segmentos reacionários.
Quase escorraçado - Uma das histórias que revelam a rejeição de Marinho entre representantes dos próprios segmentos que ele diz representar indica que, na semana retrasada, o senador quase foi escorraçado (veja a história em detalhes aqui, no blog da jornalista Franssinete Florenzano) de uma reunião em Redenção, no sul do Pará, presentes cerca de 80 fazendeiros locais e de Conceição do Araguaia, Pau D'Arco, Rio Maria, Xinguara, São Félix do Xingu.
Tem mais. Na quinta-feira passada, dia 13, o Partido Liberal no Pará empossou oficialmente sua nova comissão num ato que aconteceu na Churrascaria Boi de Ouro, na Avenida Augusto Montenegro.
A atual diretoria vai coordenar a legenda no pleito de 2022, liderada por Zequinha Marinho e pelo advogado Rogério Barra, filho do deputado federal Delegado Éder Mauro. O objetivo dessa galera, conforme informação enviada pela Assessoria de Imprensa do PL, é "unir legendas que defendam as bandeiras de direita e conservadoras para fortalecer o movimento nas eleições deste ano no Pará."
Não se sabe como será essa união, uma vez que Marinho está sendo repelido até mesmo por segmentos direitistas, como o do agronegócio, que ele tanto defende. Como também está sendo repelido por tucanos (pelo menos aqueles que ainda são fiéis a Jatene), barbalhistas, petistas, comunistas (ainda tem?) e quantos outros istas existam.
Viva Zequinho Marinho!
Se você não gosta dele, junte-se a ele!
Justiça Federal condena vice-prefeito que liderou protesto violento em Jacareacanga
A Justiça Federal condenou (veja a sentença) a quatro anos e um mês de reclusão o vice-prefeito de Jacareacanga (PA), Valmar Kaba Munduruku, por ele ter sido um dos líderes de um protesto violento contra operação realizada em maio de 2021 para combate à mineração ilegal no município.
Na manifestação, garimpeiros ilegais invadiram a base da operação e atiraram rojões, pedras e pedaços de pau na direção dos agentes públicos e dos helicópteros utilizados pelas forças de segurança, deixando dois policiais feridos.
A operação, batizada de Mundurukânia, objetivou o combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Munduruku. Foi realizada por decisão judicial em processo iniciado por ação do Ministério Público Federal (MPF) e também fez parte de medida determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a expulsão de invasores de terras indígenas.
Penas - O regime inicial de cumprimento da pena do vice-prefeito é o semiaberto, estabeleceu a Justiça Federal. Ele também deve perder o cargo público quando a sentença transitar em julgado, ou seja, quando não houver mais possibilidade de apresentar recursos.
Outros dois líderes dos protestos também foram condenados. Allan Everson Dias Carneiro e José Tiago Correia Pacheco foram sentenciados, cada um, a quatro anos e três meses de reclusão em regime inicial semiaberto.
A sentença foi proferida em 15 de dezembro do ano passado. Na semana passada o MPF, autor da denúncia contra os três condenados, requereu à Justiça a análise e pronunciamento sobre a aplicação da pena de perda do cargo público. A aplicação da pena foi confirmada pela Justiça.
Fonte: Ascom do MPF do Pará
segunda-feira, 17 de janeiro de 2022
Casos de Covid crescem de forma avassaladora em Belém e contrariam dados da Sespa e da Sesma
sábado, 15 de janeiro de 2022
As paixões políticas, os noivos, o oficialismo, as artes. A História na vitrine, em 200 anos de jornalismo no Pará.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
Petistas paraenses, alguns em posições de liderança, resistem a Alckmin como vice de Lula
Alckmin e Lula: petistas ainda não engoliram - e parece que nem vão engolir - a possibilidade de um ex-tucano ser companheiro de chapa da maior liderança nacional do PT |
quinta-feira, 13 de janeiro de 2022
Justiça obriga ICMBio a reabrir, para pessoas com deficiência, prazo de inscrições em concurso
A Justiça Federal obrigou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a reabrir, para pessoas com deficiência, o prazo de inscrições do concurso para analistas e técnicos ambientais. A decisão foi assinada na última segunda-feira (10) pela juíza federal Hind Kayath, que atua em Belém (PA). A determinação tem abrangência nacional.
O ICMBio também terá que simplificar a documentação exigida na inscrição como comprovante da deficiência e, se necessário, ampliar o prazo para pagamento de inscrições.
O edital estabelecia que na inscrição as pessoas com deficiência deviam apresentar atestado da deficiência emitido por equipe multiprofissional e interdisciplinar. A Justiça determinou que basta a apresentação de laudo médico simples.
O processo seletivo tem provas previstas para 6 de fevereiro e oferece 171 vagas em seis estados que compõem a Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará e Rondônia).
Exigência ilegal - Segundo o Ministério Público Federal (MPF), que ajuizou a ação, a exigência da apresentação de parecer emitido por equipe multiprofissional e interdisciplinar não pode ser feita no ato da inscrição, para não dificultar ou até impedir que pessoas com deficiência possam concorrer às vagas oferecidas.
A legislação e o edital preveem que, durante o processo seletivo, as pessoas com deficiência serão avaliadas por equipe multiprofissional e interdisciplinar, e por isso não há motivo para que esses candidatos tenham que providenciar essa avaliação por si próprios para poderem se inscrever no concurso, destaca o MPF.
Essa exigência só leva as pessoas com deficiência a terem mais custos e a enfrentarem mais burocracia, registra a ação da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Pará, órgão do MPF. Além disso, outra dificuldade para obtenção do parecer médico multidisciplinar é que o Sistema Único de Saúde (SUS) está sobrecarregado pelo novo aumento de número de casos de covid-19 e pelo surto de gripe, destaca o MPF.
Fonte: Ascom/MPF Pará
quarta-feira, 12 de janeiro de 2022
Em uma semana, "sistemas de saúde deverão entrar em colapso no Brasil"
Pelo ritmo que estamos vendo, em uma semana os sistemas de saúde deverão entrar em colapso no Brasil. O número de infecções aumentará mais ainda nos ambulatórios e provavelmente faltarão mais profissionais da saúde no combate. A maioria dos médicos e enfermeiros foi imunizada com duas doses da CoronaVac e reforço da Pfizer. A CoronaVac foi importantíssima no início, frente à inexistência de outras. Mas ela não protege como as outras em relação a novas variantes. Muitos de nós seremos infectados. De uma forma mais branda em relação ao que se viu há um ano, quando não havia imunizantes no Brasil. Mesmo assim, seremos afastados. Só na minha área do Hospital das Clínicas, de São Paulo, por exemplo, temos 56 profissionais afastados.
Essa aí, ipsis literis, é uma opinião pavorosa, tenebrosa, amedrontadora.
Sua autora não é qualquer uma. Não é uma qualquer.
Trata-se da intensivista e cardiologista Ludhmila Hajjar uma das médicas mais experientes no tratamento da doença no país.
Intensivista e professora de cardiologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, e médica da Rede D'Or, atendeu mais de mil infectados em todos os estágios da doença, entre eles nomes como Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, Dias Toffoli, ministro do STF e Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, cargo para o qual foi chamada por Jair Bolsonaro em março de 2021 e recusou.
As projeções - tenebrosas, vale repetir - da dra. Ludhimila estão em entrevista publicada na edição de O Globo desta quarta-feira (12).
Como ela, outros profissionais, sobretudo infectologistas e virologistas, vêm alertando há mais de duas semanas que as medidas adotadas até agora no Brasil, para pelo menos minimizar os efeitos da altamente transmissível cepa ômicron, ainda são muito tímidas.
E são tímidas porque o número de infectados, a cada dia, bate recorde sobre recorde. A questão central é que, como a eficácia da vacinação tem se mostrado decisiva - uma vez que reduz substancialmente a ocorrência de casos graves e tem evitado o avanço das mortes -, poucos estão encarando a nova fase da pandemia como perigosa.
Mas é perigosa, sim. E muito perigosa.
Projeções como a de Ludhimila Hajjar que o digam.
Vejam como era Belém. Mas vamos conter nossas nostalgias.
Avenida Independência, hoje Magalhães Barata, em perímetro não identificado. Década de 40. |
Boulevard Castilhos França (a foto registra o que é hoje a Praça do Pescador). Anos 30. |
Imagem da Fábrica Palmeira, localizada no Comércio. Hoje funciona no local o Espaço Palmeira. |
Lateral do Theatro da Paz e o paisagismo impecável. Década de 30. |
Avenida Presidente Vargas, quando ainda tinha mão dupla. Ano de 1960. |
Governador José Malcher com Generalíssimo. Nesse quarteirão, alguns casarões ainda estão sendo preservados. |
Theatro da Paz na década de 60. |
O Bosque Rodrigues Alves, que em agosto do ano passado completou 138 anos. |
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
Um gigante do jornalismo deixa um legado inestimável. Que deveria ser uma bússola para todos os jornalistas.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2022
Mudança na presidência do Banpará apanhou muitos de surpresa, menos o presidente. Primeira mulher a comandar o banco tem conhecimento de excelência do sistema financeiro.
Braselino Assunção: primeiros "recados" de que seria substituído começaram no ano passado |
domingo, 9 de janeiro de 2022
Bolsonaro, o tarado
quarta-feira, 5 de janeiro de 2022
Jovem Pan News, o trombone do jornalismo de direita, torna-se pó no fosso do descrédito e vira traço no Ibope
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
Bolsonaristas inundam redes sociais com ameaças de pegar em armas para impedir que suas crianças sejam vacinadas
Vejam os números de Belém sobre a Covid. Mas fungar um na cara do outro, isso ainda é um sonho distante!
Há vários dias, a Secretaria de Saúde de Belém tem divulgado informações indicando que o número de ocupação de leitos clínicos e de UTI por pacientes acometido de Covid-19 é zero. Está zerado. E apenas 12 casos teriam - repito, teriam - sido registrados nos últimos sete dias. A última informação (veja na imagem) foi feita no final da noite desta segunda-feira (3), no Twitter da Prefeitura.
Essa é, sem dúvida, uma notícia alentadora. Mas, de outro lado, é desalentador não dispormos - os órgãos oficiais de Saúde do município e do estado e, em decorrência, nós, o distinto público - de informações verazes, confiáveis e precisas sobre a quantas andam os índices de testagem para o coronavírus em Belém e no Pará, depois do advento da ômicron, a cepa altamente transmissível que há poucos dias há chegou a infectar, em apenas 24 horas, mais de 2 milhões de pessoas no mundo inteiro.
A indisponibilidade dos dados de testagem é dado relevante - muito embora esteja passando despercebido por aqui - porque a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) já detectou um aumento assustador, avassalador de testagens positivas para Covid nos últimos 14 dias, em comparação com período equivalente anterior.
No dia 22 de dezembro, 3.090 dos 22.126 testes realizados deram positivo, o equivalente a 14% do total. Já na quarta-feira (29/12), 5.334 dos 25.998 testes realizados, cerca de 20,5% do total, foram positivos. O número se aproxima do recorde de 27% de exames positivos, registrado em março deste ano. Esses números abrangem 3 mil farmácias em todo o País, mas não sabe quantas em território paraense.
Além dessa incerteza, some-se a precariedade na fiscalização do passaporte vacinal, que se tornou obrigatório no estado a partir da edição do Decreto nº 2044/2021, em vigor a partir de 6 de dezembro do ano passado.
O passaporte é obrigatório em shows, casas noturnas e boates; cinemas, teatros, clubes, bares e afins; academia de ginástica; cultos religiosos; todos os equipamentos turísticos do Estado; eventos esportivos, amadores e profissionais; assim como em reuniões, eventos e festas, realizadas em espaços públicos ou privados. A presença de pessoas não vacinadas só poderá ser possível desde que seja comprovado, por atestado médico, a impossibilidade de administração de quaisquer das vacinas dispensadas.
Todos os estabelecimentos mencionados estão respeitando estritamente as exigências que o decreto estadual prescreve?
Ninguém sabe. E mesmo que ninguém saiba, a ômicron está aí mesmo. A influenza está aí mesmo. E o desgoverno Bolsonaro está aí mesmo, mais uma vez postergando e dando uma de Mané para iniciar a vacinação de crianças na faixa etária dos 5 aos 11 anos.
O cenário que vivemos hoje, felizmente, é muito, mas muito menos doloroso, trágico e caótico do que o visto, por exemplo, até março e abril do ano passado. Mas estamos ainda longe, muito longe, de tirarmos a máscara e começarmos a fungar livremente, sem medo e sem culpa, um na cara do outro, como fazíamos nos tempos - oh, que saudosos tempos! - pré-pandemia.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2022
Pra quê mesmo a audiência pública sobre vacinação em crianças?
Marcelo Queiroga, aquele que, de vez em quando, vê-se presa de surtos negacionistas: o que será feito mesmo depois da audiência pública prevista para esta terça-feira (4)? |
A expectativa geral é de que, nesta terça-feira (4), o Ministério da Saúde realize audiência pública sobre a vacinação de crianças no Brasil.
Como se sabe, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso da vacina da Pfizer contra a Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos de idade, decisão adotada no dia 16 de dezembro, após avaliação técnica do pedido submetido pela farmacêutica no dia 12 de novembro.
Quando se usa a expressão expectativa geral sobre a realização da tal audiência pública, é porque, neste governo de malucos, uma deliberação anunciada neste exato momento pode ser desanunciada no momento seguinte.
Diante dessa, digamos assim, ciclotimia que domina as excelsas sabedorias que integram o desgoverno Bolsonaro, ninguém se assuste se a audiência pública for cancelada daqui a pouco, a menos de 24 horas de sua anunciada realização. Mas parece que não. Parece que vai ter mesmo.
E depois da audiência? - A questão, portanto, é saber quais serão as deliberações do MS após a audiência. Isso porque, ao anunciar a consulta pública, o doutor Queiroga - médico que comanda o ministério e, também ele, aqui e ali vê-se presa de incontroláveis e nefastos surtos negacionistas - usou uma linguagem enviesada para explicitar os objetivos que pretende alcançar.
Ele disse assim: “A Anvisa, através de uma decisão de uma gerencia própria, incluiu a vacina da Pfizer para aplicação em crianças da faixa etária de 5 a 11 anos, esse tipo de avaliação da Anvisa tem foco de analisar a eficácia e segurança do produto dentro do contexto estudado e apresentado pela indústria farmacêutica. A introdução desse produto no âmbito de uma política pública requer uma análise mais aprofundada”, afirmou Queiroga.
Prosseguiu o doutor: "Nós vamos fazer um procedimento administrativo para avaliar a decisão da Anvisa em todos os seus aspectos, para, a partir dessa análise, verificar a implementação dessa decisão no âmbito de uma política pública”.
Vocês entenderam?
Se entenderam, parabéns. Porque eu e muita, mas muita gente, inclusive técnicos, não entendemos.
Concretamente, quais são os balizamentos decorrentens da consulta pública que poderão alterar a essência, o mérito, o ponto nuclear da decisão da Anvisa?
E qual é a essência, o mérito, o ponto nuclear, central da decisão da Anvisa? É de que as evidências científicas disponíveis apontam que a vacina administrada no esquema de duas doses para crianças de 5 a 11 anos pode ser eficaz na prevenção de doença grave e de óbitos.
Pronto. E ponto.
E como o Supremo já proibiu a exigência de prescrição médica para a aplicação da vacina em crianças, o que resta ao Ministério da Saúde fazer? Resta-lhe, tudo indica, agir com presteza, eficiência e eficácia para operacionalizar a imunização para a faixa etária de 5 a 11 anos.
Até que limite a audiência pública será capaz de modificar o cerne dessa decisão?
É o que queremos ver.
domingo, 2 de janeiro de 2022
Lugar de maníaco é no manicômio, não na Presidência da República
O capitão Bruce Bairnsfather, que depois de participar da I Guerra Mundial virou cartunista: no Natal de 1914, pausa para celebrar a paz com inimigos, todos imersos na lama das trincheiras |
Bolsonaro, nos últimos dias de 2021, anda de jet ski e se exibe para fanáticos, enquanto a Bahia conta seus mortos e milhares de desabrigados por enchentes: humano só na forma, não no conteúdo |