sexta-feira, 5 de junho de 2015

Igreja é parte legítima para defender propriedade registrada em nome de santo

Do STJ

Um terreno doado a São Sebastião pertence à Igreja Católica. A decisão é da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que refutou o argumento segundo o qual a Mitra Diocesana não poderia agir no processo por falta de autorização para representar os interesses do santo. Para os ministros, a doação a santo presume-se que é feita à igreja, uma vez que, nas declarações de vontade, vale mais a intenção do que o sentido literal da linguagem. Essa é a regra do artigo 112 do Código Civil (CC).  
Nascido no século 3 na cidade francesa de Narbonne, primeira colônia romana fora da Itália, São Sebastião é o santo defensor da igreja. Sua generosidade, amplamente reconhecida entre os católicos, foi retribuída por fiéis com a doação de um terreno no município de Paracatu (MG).
A área de 350 hectares, dentro da fazenda Pouso Alegre, foi registrada em nome do próprio São Sebastião, em 1930. A Mitra Diocesana de Paracatu vendeu grande parte do imóvel, reservando 45 hectares onde estão localizados a igreja de São Sebastião, um cemitério centenário e uma escola. A igreja, atualmente, está sendo restaurada pelo Patrimônio Histórico Nacional e por fiéis.
Na década de 90, um casal conseguiu na Justiça a retificação da área da fazenda para incluir os 45 hectares de São Sebastião. A Mitra ajuizou ação de anulação da retificação. O juiz de primeira instância, considerando “induvidoso que a Igreja Católica, por meio de seu bispo diocesano, representa os interesses dos santos no plano terreno”, afastou a alegação de ilegitimidade ativa da Mitra e declarou nula a retificação de área, decisão mantida pelo tribunal estadual.

Sem autorização
No recurso ao STJ, o casal contestou a possibilidade de São Sebastião receber doações e a legitimidade da Mitra para representá-lo. Citando o artigo 6º do CC, alegou que “ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei”.
Argumentou que o CC não faz qualquer alusão aos santos como pessoas naturais ou jurídicas dotadas de capacidade civil. “Não há como pleitear direito de uma figura que não é reconhecida no ordenamento jurídico”, afirmou, ao classificar o santo como “absolutamente incapaz”.
“Ainda que se pudesse incluir os santos no rol das pessoas capazes, não existe nos autos qualquer autorização legal para que a recorrida represente o aludido santo”, completou o advogado do casal.
Ele alegou também que o título de transferência da propriedade ao santo seria nulo porque não observou a forma prescrita nos artigos 166 do CC e 176 da Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos).

Código Canônico
Para o relator do recurso, ministro João Otávio de Noronha, a regra do artigo 112 do CC autoriza a compreensão de que “quem doa ao santo está, na realidade, doando à igreja”. E de acordo com o artigo 393 do Código Canônico, “em todos os negócios jurídicos da diocese, é o bispo diocesano quem a representa”.
Noronha destacou que a Lei de Registros Públicos, editada em 1973, não se aplica a fatos passados, ocorridos em 1930, ano do registro da propriedade. Além disso, o acolhimento do pedido dos recorrentes geraria uma situação que o relator classificou como curiosa: “Se, eventualmente, fosse declarada a nulidade do título aquisitivo da área registrada em nome do santo São Sebastião, todos os registros subsequentes seriam atingidos, inclusive o dos recorrentes, uma vez que a área retificanda tem origem na própria fazenda Pouso Alegre, outrora pertencente ao santo.”
O ministro observou ainda que ficou demonstrada no processo a falta de citação de alguns vizinhos quando foi proposta a ação de retificação de área, “circunstância suficiente para a declaração de procedência do pedido de nulidade”.


Charge - Mário Alberto


Charge para o Lance

Como Blatter, Ronaldo é um fenômeno de candidez


 É inacreditável, gente.
Absolutamente inacreditável.
Ronaldo Fenômeno é um fenômeno de inocência.
É um fenômeno de pureza, de inocência, de ingenuidade.
Depois que Blatter, o cândido que não é burro, renunciou à presidência da Fifa, Ronaldo pede que Del Nero também deixe a presidência da CBF.
Diz Ronaldo:

“Adoraria que ele renunciasse também. Ele não tem dado um grande exemplo. É evidente a relação que ele (Del Nero) tem com o ex-presidente (José Maria Marin, preso na Suíça). É revoltante a gente ver a administração do futebol brasileiro e mundial nessa crise corrupção. Eu espero que essas investigações se intensifiquem a fundo e se intensifiquem principalmente aqui no Brasil. Seria muito bom ele aproveitar o momento e renunciar.”

Hehe.
Leiam lá – e releiam, para ter a certeza de que leram certo: “É revoltante a gente ver a administração do futebol brasileiro e mundial nessa crise corrupção.”
Cuma?
Ronaldo nasceu ontem?
Está no futebol desde anteontem?
Descobriu na sexta-feira passada que há uma quadrilha de dimensões internacionais usando o chamado mundo do futebol para se locupletar?
Ronaldo, o que hoje considera “revoltante a gente ver a administração do futebol brasileiro e mundial nessa crise corrupção”, não sabia que já havia corrupção no futebol à época da Copa, quando foi o garoto-propaganda da competição, encumpinchado com Blatter, Marin, Del Nero et caterva?
Sabem de mais uma coisa?
Em outubro de 2013, Romário, hoje senador, mas então deputado federal, sentou a pua, baixou o malho nos responsáveis pela organização da Copa no Brasil.
Sentou o sarrafo no então presidente da CBF, José Maria Marin, em Ronaldo e Bebeto, membros do Comitê Organizador Local.
Em declarações ao The New York Times, Romário disse assim:

“Ou Ronaldo e Bebeto não sabem o que está acontecendo, ou estão fingindo que não sabem. De qualquer maneira, isso é ignorância.”

É isso.
Vai ver que Ronaldo diz hoje tudo o que acaba de dizer porque, em 2013, não sabia o que estava acontecendo.
Ronaldo, meus caros, é um fenômeno de candidez.
Igualzinho a Joseph Blatter.
Igualzinho a José Maria Marin.
Igualzinho a Del Nero.
Vish!

A Temple é Top Mega

Os parabéns do Espaço Aberto ao pessoal da Temple por essa conquista.


Seccionais da OAB devem decidir sobre atuação de advogado em órgãos locais


A decisão do Conselho Federal da OAB sobre a incompatibilidade entre a advocacia a participação de órgãos administrativos de julgamento só tem abrangência federal. A deliberação sobre os colegiados administrativos fiscais dos estados e municípios são de responsabilidade das seccionais da OAB.
O entendimento é da Comissão Especial de Direito Tributário do Conselho Federal, que se reuniu no dia 28 de maio. Segundo a decisão, os órgãos locais possuem características e regimes jurídicos próprios e a consulta do Ministério da Fazenda, por causa da repercussão da operação zelotes, da Polícia Federal, se referia especificamente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da pasta (Carf). 
No Conselho Administrativo Fiscal da Prefeitura de Recife, por exemplo, um dos dois conselheiros do contribuinte é indicado pelo Executivo após lista tríplice elaborada pela OAB de Pernambuco, permitida uma única recondução.
A incompatibilidade entre a advocacia e o cargo de conselheiro do Carf foi decidida pelo Conselho Federal da OAB no dia 18 de maio, após consulta da Fazenda. O colegiado decidiu que ao caso se aplica o artigo 28, inciso II, do Estatuto da Ordem, que diz que a advocacia é incompatível com a função de membro de órgão julgador.
Na ocasião, por causa dos debates realizados em Plenário, ficou acertado que seria encaminhada a matéria para a Comissão de Direito Tributário para saber se havia repercussão da decisão em outros órgãos. Os advogados que são conselheiros do Carf têm o prazo de 15 dias, contados a partir de 27 de maio, para decidir pela permanência no colegiado ou pelo exercício da advocacia privada.

A operação zelotes investiga indícios de que conselheiros do Carf estavam cobrando propina para decidir a favor de empresas em julgamentos administrativos. O Carf é um órgão paritário em que os contribuintes podem contestar administrativamente multas aplicadas pela Receita Federal.

Charge - Regi


Charge para o Correio Amazonense.

O que ele disse


“A OAB, na prática, foi laranja do PT”
[...]
“Não sou contra doações de pessoas físicas. Agora, do jeito que essa questão estava sendo colocada, numa ação que proíbe doações de empresas e permite apenas de pessoas físicas, iríamos criar um grande laranjal no País”.
[...]
“Tenho certeza de que isso aconteceria [uma fraude em massa do processo eleitoral]. Você acha que as cooperativas de trabalhadores não arrumariam milhares de doadores? Que a turma do Stédile [referindo-se ao líder do MST, João Pedro Stédile] não faria o mesmo?”
Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, rebatendo acusações de que seria contra doações de pessoas físicas às campanhas políticas, porque isso favoreceria partidos de esquerda, que contam com uma militância mais organizada.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Prédio da OAB não terá nome de conselheiro, mas do pai dele

A propósito da postagem OAB dá nome de conselheiro do TCM a prédio em Ananindeua, a Ordem, por meio de sua Assessoria de Imprensa, mandou para o blog a matéria abaixo, que também poderá ser acessada diretamente aqui, sob o título Advogados que militam em Ananindeua terão nova sede a partir deste mês.
Leiam a a matéria a seguir e, logo abaixo, comentários do Espaço Aberto.

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A diretoria da OAB-PA inaugura dia 9 de junho, às 11h, a nova sede da subseção de Ananindeua - um sonho antigo dos advogados daquele município.
A diretoria da OAB PARÁ - Jarbas Vasconcelos, presidente, Alberto Campos, vice-presidente e o diretor tesoureiro Eduardo Imbiriba - acompanhada pelos conselheiros Dennis Serruya, Magda El Hosn e Fábio Moura, o vice-presidente da comissão de prerrogativas da OAB, Rodrigo Godinho e ainda a superintendente da instituição Solange Souza, visitaram no final da manhã de hoje, 02 de junho, o últimos detalhes das obras de construção da sede da subseção da OAB em Ananindeua,  que levará o nome "Luiz Daniel Lavareda Reis", pai do Conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios – Daniel Lavareda.
Hoje também a comitiva da OAB visitou os fóruns da cidade e distribuíram convite aos advogados para que compareçam à inauguração. O juiz federal do trabalho/TRT 8° Região, Océlio Morais, já confirmou presença na inauguração da nova sede
O prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro - grande parceiro da OAB para construção da sede - bem como o procurador geral do município Sebastião Godinho e todo o corpo jurídico que atua em Ananindeua, já confirmaram presença na cerimônia de inauguração.
“Hoje a sede da OAB em Ananindeua é alugada. Essa nova sede, a Ordem poderá oferecer melhor atendimento aos advogados e destes aos seus clientes, com conforto, segurança, toda equipada. Essa é a marca da nossa gestão.”, disse Jarbas Vasconcelos
Projeto
O presidente OAB/PA, Jarbas Vasconcelos, e o prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro, assinaram o convênio, a instituição recebeu incentivo financeiro no valor de R$ 150.000,00 para construção da sede, por isso temos a obrigação de acompanhar todo o processo de construção do prédio, e com isso prestarmos conta do que está sendo feito por essa gestão da Ordem para garantir melhorias nas condições de trabalho do advogado, além de dar continuidade ao projeto de interiorização da instituição - compromisso que assumimos durante nossa campanha.
A OAB do Pará oficiou o pedido de auxílio financeiro ao Conselho Federal da OAB para a construção das sedes subseccionais de Parauapebas, Xinguara, Redenção e Ananindeua em abril de 2013. Na solicitação, a seccional paraense apresentou projeto de sede de subseção, que compreende terreno de 300 metros quadrados e uma área construída de 189,07 metros quadrados.
“A sede tem dois pavimentos (térreo e o pavimento superior), com recepção, quatro salas, estação de trabalho e atendimento, quatro banheiros, copa/cozinha e auditório com 60 lugares.”, disse Wilson Gama Filho, um dos engenheiros responsáveis pela obra.
Atualmente, encontra-se em construção a sede da subseção de Redenção.

Foto: Yan Fernandes

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Do Espaço Aberto:

Viram aí na matéria da OAB?
Conclusão: o blog errou.
Pronto: errou.
Acresça-se, porém, o seguinte: o blog errou porque a OAB-PA errou. Ela errou primeiro, o blog errou em seguida.
Foi a OAB-PA que errou na origem. E induziu outros - entre os quais advogados e o Espaço Aberto - a cometerem o mesmo erro.
Explique-se. Para explicar, vejam novamente a imagem abaixo.

Viram?
É a imagem do convite que está na postagem OAB dá nome de conselheiro do TCM a prédio em Ananindeua.
Está escrito lá que a nova sede "receberá o nome de Daniel Lavareda Reis".
Daniel Lavareda Reis é um dos conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios.
Como o blog recebeu o convite?
Recebeu-o pelo WhatsApp, exatamente às 13h07 de ontem, 2 de junho. Vejam ao lado, a imagem da recepção da mensagem no telefone do repórter, com o horário plenamente visível.
O emissor da mensagem é absolutamente fidedigno nas suas informações. Jamais, repito, jamais agiria de má-fé.
Por que mandou a mensagem acompanhada da imagem do convite?
Porque mandaram pra ele.
Quem mandou?
Provavelmente não o ex-presidente da CBF, que está na Suíça, preso e sem direito a celular, largamente usado por bandidos no Brasil, mesmo os que estão presos.
Provavelmente quem remeteu o convite para a fonte do blog, advogado, não o presidente do Afeganistão.
Foi a OAB do Pará, ora bolas.
E mandou o convite redigido erradamente.
Porque a própria OAB, em seu perfil no Facebook, tratou de corrigir o convite.
Vejam abaixo, o texto modificado.




Viram?
Aí já não consta mais nem que o prédio receberá nome de Daniel, de Luiz, de José, de Paulo, enfim, de ninguém.
A informação de que se chamará "'Luiz Daniel Lavareda Reis', pai do Conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios – Daniel Lavareda" consta apenas da matéria.
Então é o seguinte: instaure a OAB o competente, tradicional e padronizado procedimento apuratório para descobrir quem disparou o convite errado por e-mails, por zaps e seja lá por que meios tenham sido remetidos.
Quem mandou o texto errado?
Por que mandou?
Para que mandou?
Para quantos mandou?
Apure-se, pois.
De qualquer forma, palmas para a OAB.
Primeiro, porque corrigiu o seu próprio erro.
Segundo, e mais importante, porque foi fiel aos seus estatutos, aos seus regramentos internos, aos seus próprios escrúpulos éticos, formalmente expressos, deixando de cometer uma afronta legal que seria nominar a nova sede da Subseção de Ananindeua com o nome de pessoa viva.
É isso.

OAB dá nome de conselheiro do TCM a prédio em Ananindeua



Muito bem, meus caros.
Advogados e advogadas do Pará, comemorai.
Exultai, todos e todas (vish!)
A Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, inaugura sua nova sede na próxima terça-feira, dia 9.
Veja o convite ao lado. E observe um detalhe nada desprezível – muito pelo contrário: o prédio terá nome. Será denominado de “Daniel Lavareda Reis”, que está vivo; aliás, está vivíssimo, não duvidem.
Não flor dos seus 51 anos, Daniel Lavareda Reis vem a ser, para quem não o conhece, um dos conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que hospeda, registre-se, um, somente um e apenas um site de conselheiro: o de Daniel Lavareda Reis (clique aqui). A foto que aparece nesta postagem, inclusive, foi pinçada do site.
Por que a menção ao fato de Sua Excelência o conselheiro estar vivo, vivíssimo, na flor dos seus 51 anos?
É porque o Estatuto da Advocacia e da OAB, no parágrafo único de seu artigo 151 (vejam na imagem acima) é claro, explícito, objetivo e inequívoco ao vedar que salas e dependências da OAB recebam nomes de pessoas vivas.
Ora, se o veto é explícito para salas e dependências, o que não se dizer para o prédio inteiro, hein?
Advogados – vários -, muito embora sinceramente comovidos com a homenagem prestada a Lavareda e, muito mais, enternecidos com a inauguração do novo prédio da Subseção, ponderam se o próprio conselheiro, que é um juiz, um julgado, um magistrado de contas estará à vontade sendo o alvo de uma distinção que o estatuto da OAB não permite.
Sabe-se lá.
De qualquer forma, estão aí o convite, está aí o dispositivo estatutário e está lá, na rua Cláudio Sander nº 1.599, o prédio que terá a denominação “Daniel Lavareda Reis”.
É assim.
Talvez não pudesse ser assim.
Mas é.

Blatter é inocente. É um cândido. Mas não é burro.

Blatter e Valcke no congresso da Fifa, na semana passada: o ele se partiu. E Blatter saiu de fininho.
(Foto de Amd Wiegmann/Reuters)
Apostem, ou melhor, apostemos no seguinte.
Joseph Blatter, esse indivíduo que ontem, finalmente, resolveu largar o filé em que se agarrava há 17 anos na presidência da Fifa, poder ser tudo - ingênuo, inocente, um cândido, um elemento acima de qualquer suspeita e tudo o mais.
Mas não é burro.
Decididamente, Joseph Blatter não é burro.
Aliás, todos os integrantes dessa corja que agora está na cadeia e outros mais que poderão vir a ser presos nada têm de burros.
Sim, muitos de vocês acharão o contrário.
Muitos de vocês poderão achar que são burros, sim, porque se meteram em falcatruas e foram descobertos.
Mas olhem, meus caros: a Fifa é um lamaçal não é de hoje. Os esquemas eram - sempre foram - muito azeitados. São décadas e décadas de roubalheiras. E só agora que os ingênuos e inocentes foram apanhados.
E quanto a Blatter, por que se diz que não é burro?
Porque ele resistiu na presidência até o momento em que acreditava, firmemente, não haver indícios para que alguém o fisgasse.
Eis que o The New York Times revelou que Jérôme Valcke transferiu propinas de nada menos de R$ 32 milhões para contas controladas por esse gigante das boas práticas e dos bons costumes Jack Warner, na época presidente da Concacaf, a confederação de futebol das Américas do Norte e Central.
Pronto.
Valcke sempre foi o braço direito de Blatter.
Quebrou-se, assim, o elo de resistência que sustentava o elemento à frente da presidência da Fifa. Rompido o elo, o cartola não teve outra alternativa que não a de sair de fininho para tratar de se defender.
Resta saber se conseguirá colher provas para contestar as que, eventualmente, vierem a incriminá-lo como envolvido no escândalo.

Violência: o problema é que o Pará é colônia do Brasil


De um leitor do Espaço Aberto, sobre a postagem Mais policiais nas ruas não acaba com a violência:

Modus in rebus, como dizem os juristas. Uma coisa é direitos sociais; outra coisa é crime.
Dizer que a ocorrência criminosa está vinculada diretamente à pobreza é de um preconceito intolerável e, pior: empurra o problema com a barriga para daqui a cinco gerações, tempo necessário para que funcionem os aportes de educação e renda aplicados hoje nas periferias.
Digo que é preconceito porque, se houvesse essa ligação direta pobreza-crime, não teríamos crime de colarinho branco...
O nosso problema está principalmente no fato de que o combate ao crime tem sido capilar, tipo segurança de boate: o policial militar fica lá esperando a bronca. O policial civil está atolado: o volume de homicídios não permite investigação que preste em quase nenhum.
Não há ações que persigam o principal motivo deste banho de sangue. E qual o principal motivo? A instalação, no Pará, de um polo de droga.
Recentemente um navio saiu daqui para a Holanda (foi pego lá) carregadinho de cocaína. Que é que a Polícia Federal tem feito, afinal, além de chatear quem vai fazer compras em Miami?
É óbvio que o pobre é mais exposto à tentação da riqueza fácil mesmo com alto risco, mas, contraposto a cada avião, há pelo menos dez garotos pobres que estão batalhando a vida no trabalho legal.
Nosso problema é que ainda somos colônia do Brasil...

Assédio nos ônibus urbanos



Acredito que grande parte da população brasileira não saiba que o transporte urbano é um serviço público. E, por essa falta de consciência, muita gente sofre calada os piores tipos de abuso no interior dos ônibus que rodam nas cidades. Gostaria, hoje, de conversar com você sobre esse importante serviço e sobre o quanto ele se tornou um meio constrangedor, para não dizer perigoso. Gostaria que empresários, profissionais da área, parlamentares e gestores públicos lessem este artigo e fizessem alguma coisa para restaurar o direito da população.
Andar de ônibus no Brasil é uma das piores aventuras. Durante todo o trajeto, inúmeras pessoas não passageiras são admitidas para vender um variado mundo de coisas. Outras simplesmente pedem algum tipo de ajuda material. Nada contra o estado de penúria do nosso semelhante. Nada contra ajudar quem precisa, porém, é preciso dar ao passageiro o direito de ir e vir sem ser molestado.
Quando entramos numa condução urbana, acabamos de realizar um negócio jurídico municipal. Celebramos um contrato que nos garante um transporte seguro até o nosso destino. Esse contrato é firmado através da tarifa que pagamos. Veja que as empresas de ônibus não podem reajustar o preço das passagens. Podem sugerir. Não podem reajustar porque somente o prefeito da cidade tem autoridade para realizar esse ato. Então, cada passageiro é um usuário desse serviço público. As empresas exploram os itinerários criados pelo Estado. Não podem criar novas linhas. Não podem suprimi-las. Cabe ao governo abrir licitações sob a modalidade de concessão. O transporte urbano é um serviço público.
Agora, veja a qualidade do serviço que a nossa população está recebendo. Você entra num ônibus neste Brasil, e não tem mais sossego, principalmente em algumas linhas. Até supostos ex-presidiários aparecem para constranger o passageiro. Depois de contar toda uma história, o sujeito pode sair-se com esta pérola: “Olha, gente, eu sei roubar, mas preferi entrar aqui para pedir...”. Valha-me, Deus, isso é um absurdo, algo intolerável.
É impressionante que algumas cidades tenham tirado os fumadores de cigarro dos ônibus mas permitido que a população vivesse hoje uma situação tão constrangedora com vendedores e pedintes. É preciso fazer alguma coisa para que as pessoas tenham paz no interior dos coletivos. A realidade do mercado informal existe. A mazela social campeia. Mas, vamos dar ao passageiro o direito de ir e vir em paz porque ele está pagando por esse serviço público.
O transporte urbano está submetido às regras do direito do consumidor. O Estado é submisso a essa lei toda vez que presta um serviço. O passageiro do transporte urbano também é um consumidor, um consumidor que deve ser respeitado dentro dessa relação concessionário-usuário. Ele paga a tarifa imposta pelo Estado para receber a contraprestação de um serviço digno. Comparando, um exemplo contrário mostraria um consumidor da empresa de energia elétrica pagando direitinho suas contas para no final ter um serviço medíocre. Não. Pagamos água para termos água. Luz, para termos luz. Passagem urbana, para termos um transporte, não uma feira, não um assédio a cada parada, não um constrangimento de ouvir o que não pagamos para ouvir.
Eu quero hoje fazer um apelo aos nossos administradores públicos. Um apelo aos profissionais. Um apelo aos nossos parlamentares: vamos olhar essa situação. É vergonhoso o que acontece no interior do transporte coletivo de algumas cidades brasileiras. Eu sei que algum trabalho deve ter sido feito. Eu imagino que sindicatos de empresas de ônibus devem bater nessa tecla, assim quanto bons profissionais zelam pelo recinto do seu ambiente de trabalho. Mas é forçoso reconhecer que é preciso mais.
O cidadão precisa ser respeitado enquanto passageiro e consumidor. O ônibus não pode ser um espaço de constrangimento. As pessoas têm o direito à paz enquanto se deslocam. Aproveitar esse intervalo para outras finalidades estranhas é tratar os passageiros sem o respeito que merecem.

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RUI RAIOL é escritor
www.ruiraiol.com.br

O que ele disse


Ferreira Gullar, poeta, em comentário antigo - mas sempre atualíssimo - sobre as posições políticas do cantor, compositor e escritor Chico Buarque.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Varas de Marabá passam a atuar com o Processo Judicial Eletrônico

Do CNJ

O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região implantou, na semana passada (25/5), o sistema de Processo Judicial Eletrônico (PJe) nas quatro varas trabalhistas de Marabá. Desenvolvido mediante parceria inédita entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Superior da Justiça do Trabalho e diversos Tribunais brasileiros, o PJe-JT é um sistema de tramitação eletrônica de processos judiciais que permite aos magistrados, advogados e demais participantes da relação processual a prática de todos os atos diretamente no sistema, assim como o acompanhamento do processo durante todas as suas fases, via internet.
Com a implantação da ferramenta, todas as varas trabalhistas do Fórum de Marabá passarão a tramitar pelo PJe-JT. Isso significa que as novas ações já poderão se beneficiar do sistema, garantindo, principalmente, agilidade às ações.

Capacitação
Para uso do sistema, o TRT da 8ª Região realiza uma série de cursos de capacitação para todos os públicos que passarão a usar o sistema, começando pelo seu corpo de servidores e magistrados. Os cursos também são oferecidos pelo Tribunal para advogados, procuradores do Trabalho e do Estado, além de estudantes que atuam na tomada de reclamação.
A pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o TRT da 8ª Região adiou a implantação do sistema PJe em Altamira em um mês, garantindo assim um tempo mais amplo para capacitação dos advogados, além de seus servidores e magistrados.

Cronograma
Com a última implantação ocorrida em 2013, o sistema de PJe já é uma realidade em todas as Varas do Trabalho de Belém e Macapá, além de Castanhal e Ananindeua, as primeiras a receber o sistema. Com a implantação em Marabá, já são 34 das 53 Varas do Trabalho da JT da 8ª Região funcionando no PJe.
A próxima a receber o sistema será a Vara do Trabalho de Altamira, em 18 de junho, seguida de Paragominas, no dia 22. As Varas de Santa Isabel e Santarém receberão o PJe no próximo semestre.

Charge - S. Salvador


Charge para o Estado de Minas.

Uma semana antes, a “alternativa Noronha” foi anunciada


Consignemos, registremos o seguinte.
No dia 22 de maio, exatamente às 7h da matina, foi postada aqui no Espaço Aberto, sob o título Helenilson e Noronha são alternativas para a Sefa, a seguinte informação:

Cresce a cotação na bolsa de apostas sobre quem será o substituto, na Secretaria da Fazenda, do secretário José Tostes Neto, que deixará o cargo para assumir, a partir de 1º de junho, o posto de diretor do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para a América Latina.
Ontem à noite, começaram a circular dois nomes como alternativa para o governador Simão Jatene indicar como o novo titular da Sefa.
Um deles é o de Helenilson Pontes, atualmente à frente da Secretaria de Educação. Advogado tributarista dos mais competentes, já tendo sido sócio de banca de advocacia das mais conceituadas em São Paulo, Helenilson com outra vantagem: é merecedor de grande confiança de Jatene.
O outro nome possível é de Nilo Rendeiro de Noronha, atual subsecretário de Administração Tributária. É ele que tem assumido a Sefa, nas ausências e nos impedimentos de Tostes.

Isso foi no dia 22, como vocês mesmos pode conferir lá na postagem.
No dia 29, ou seja, uma semana depois, Nilo Noronha (na foto) foi confirmado secretário.
É só para consignar.
É só para registrar.

E a Hilux sobre pranchas acabou num jornal britânico


Espiem só.
Sabem aquela entrada triunfal de uma Toyota Hilux numa embarcação ancorada num porto da Bernardo Sayão, em Belém?
Sabem a façanha - ou a irresponsabilidade - que o Espaço Aberto mostrou aqui, nesta segunda-feira, e que você pode acompanhar no vídeo aí embaixo?
Pois é.
Ontem, por e-mail, o jornalista Emanuel Villaça, que se encontra em Cambridge, em temporada de estudos, informou o seguinte:

E a irresponsabilidade ganhou destaque no The Sunday Times, aqui na Inglaterra. No jornal de domingo, uma coluna do jornal indica o endereço do YouTube para verem a façanha.

É isso, meus caros.
Estão aí as fotos que o Villaça mandou, da página dominical do The Sunday Times sobre essa parada impressionante que se registrou aqui em Belém.
Uma Hilux sobre duas pranchas, quem diria, não acabou no Irajá.
Acabou num jornal britânico.
Quem diria!

E quem não faz o mesmo que Marin fez?


De um leitor do Espaço Aberto, sobre a postagem Respeitem Marin. Respeitemos suas habilidades e apetites.:

Se fossem só as entidades de futebol, mas está incutida em quase todas as atividades, especialmente aqui no Brasil.
É empresário que não dá a nota fiscal e se der calçam as notas;
É gente que corrompe o guarda de trânsito;
É quem deixa de fiscalizar para favorecer algum amigo ou empresa;
É quem julga com mão menos pesada do que exige a lei, a fim de prevaricar;
É quem julga com mão mais pesada, criando dificuldade para vender facilidade;
É quem combina preços para aumentar seus lucros e ainda tem a cara-de-pau de criar uma associação para mascarar de legalidade esse crime;
Dá pra elencar mais uns duzentos motivos.... mas não perderei tempo...
Os sistemas já existem e de regra são bons. Mude-se a moral ou preparem-se para que as coisas fiquem piores.

MPF ajuizou mais de 200 ações por improbidade de 2013 a 2015


Levantamento feito pelo Ministério Público Federal no Pará revelou que, de janeiro de 2013 a 25 de maio deste ano, foram ajuizadas 241 ações de improbidade administrativa contra agentes públicos no Estado, alcançando gestores, ex-gestores e servidores, além de particulares que se beneficiaram das irregularidades e causaram prejuízo aos cofres públicos. No país todo, foram ajuizadas pelo MPF um total de 5.445 ações no período.

Dentre as irregularidades encontradas estão, por exemplo, procedimentos licitatórios fraudulentos, desvio de verbas públicas, inconsistências na prestação de contas ou mesmo a sua omissão. As atribuições do MPF abarcam os atos de improbidade administrativa praticados por agentes públicos federais ou de outros entes políticos – estados e municípios –, desde que envolvam a aplicação de recursos federais. A responsabilidade também pode recair sobre os particulares que concorrem para a conduta ilícita ou que tenham se beneficiado da má gestão das verbas públicas.

Em linhas gerais, as ações do Ministério Público pedem que os acusados sejam condenados à perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio e ainda a ressarcir integralmente o dano; tenham suspensos os direitos políticos; paguem multa civil; sejam proibidos de contratar com a administração ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios; além de perderem a função pública.

Em alguns casos, as irregularidades servem de parâmetro para a propositura de ações penais contra os agentes, quando os fatos também configurarem crime. Na fixação das penas, é considerada a extensão do dano causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelo infrator.

Campanha – O combate à corrupção é tema de campanha lançada no último dia 25 pelo Ministério Público Federal (MPF) em parceria com a Associação Ibero-Americana de Ministérios Públicos (AIAMP). Denominada #CorrupçãoNão, a ação visa ampliar o debate sobre o assunto, além de conscientizar as pessoas sobre o papel do Ministério Público no enfrentamento a este tipo de crime.

A campanha #CorrupçãoNão tem foco na internet e visa atingir, principalmente, jovens de 16 a 33 anos. A ideia é explorar as redes sociais. A escolha do público-alvo levou em conta o potencial mobilizador da rede e da indignação dos jovens em torno do assunto.

Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pesquisas recentes da Transparência Internacional apontam que os jovens são os mais incomodados com a corrupção. “Eles também são os mais dispostos a encarar as mudanças culturais necessárias ao enfrentamento da corrupção”, explicou. Ele ressaltou, ainda, que esta é uma oportunidade para reforçar o papel do Ministério Público brasileiro no combate à corrupção nas esferas cível, criminal e, ainda, na recuperação de ativos.

O site da campanha, com todos os vídeos, imagens e áudios sobre a iniciativa, além de informações sobre como você pode colaborar, é ohttp://corrupcaonao.mpf.mp.br. 

O que ele disse


“O alvo não é Dilma, mas o Lula; têm medo que ele volte a se candidatar.”
[...]
“Apesar de não ser membro do partido, de ter minhas desavenças e de votar em outros candidatos e outros partidos em eleições locais. Mas sempre soube que o problema deste país é a miséria, a desigualdade. O PT não resolveu tudo, mas conseguiu atenuar. Isso é inegável. O PT tem melhorado as condições de vida da população mais pobre.”
Chico Buarque, cantor, compositor e escritor, em entrevista ao jornal El País.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Barbra Streisand - Somewhere

Com base em fotos do Facebook, juiz suspende auxílio-doença

As fotos publicadas no Facebook por uma trabalhadora que recebia auxílio-doença concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) devido a um quadro de depressão grave foram usadas pela Advocacia-Geral da União para conseguir, na Justiça, suspender o benefício e comprovar que ela tinha condições de trabalhar.
Em novembro de 2013  um perito atestou que ela apresentava depressão grave e a declarou incapaz temporariamente para o trabalho. Em novo laudo de abril de 2014, outro médico confirmou o quadro psiquiátrico e estendeu o benefício por mais três meses. Porém, a Advocacia-Geral da União demonstrou, com a ajuda de postagens e fotos no Facebook, que o estado de saúde da segurada não coincidia com os sintomas da doença.
Os procuradores federais explicaram que o quadro clínico da doença "caracteriza-se por humor triste, perda do interesse e prazer nas atividades cotidianas, sendo comum uma sensação de fadiga aumentada". Também ressaltaram que o paciente ainda "pode se queixar de dificuldade de concentração, apresentar baixa autoestima e autoconfiança, desesperança, ideias de culpa e inutilidade, visões pessimistas do futuro, ideias suicidas".
As publicações feitas pela trabalhadora entre abril e julho de 2014 na rede social, contudo, são fotos de passeios em cachoeiras e acompanhadas por frases que demonstram alegria, como "não estou me aguentando de tanta felicidade", "se sentindo animada" e "obrigada senhor, este ano está sendo mais que maravilhoso".
Diante das provas apresentadas, o perito reviu o laudo médico anterior. "Entendemos que uma pessoa com um quadro depressivo grave não apresentaria condições psíquicas para realizar passeios, emitir frases de otimismo, entre outros. Portanto, consideramos que a paciente apresentou cessada sua incapacidade após o exame pericial", declarou.
Acolhendo os argumentos apresentados pela AGU, o Juizado Especial Federal Cível de Ribeirão Preto considerou abril de 2014 como a data em que cessou a incapacidade da trabalhadora.

Charge - Luscar


Trabalho para a Charge Online.

Demora em nomeações põe gente à beira da explosão


Não duvidem.
Os interessados - diretamente ou indiretamente - no preenchimento de cargos federais aqui no Pará estão a ponto de explodir.
Encontram-se à beira de um ataque de nervos.
Esperam os interessados, urgentemente, que o vice-presidente Michel Temer, articulador político do governo, tenha habilidade suficiente para conduzir as coisas e colocá-las nos seus devidos eixos,
O que mais irrita os interessados é a demora, claro.
Poucos entendem a razão para tantas, digamos assim, delongas.
Se Temer não abreviar as nomeações, há gente disposta a cuspir fogo.
Pra todo lado, vale dizer.

A façanha - ou irresponsabilidade - num porto da Bernardo Sayão


Espiem só como é a parada.
Olhem só o nível de segurança com que operam esses portos da orla de Belém.
Vejam as imagens acima. São impressionantes. Você torce como se estivesse num Fla-Flu como o de ontem, no Maracanã. Ou num Re-Pa.
Num Fla-Flu ou num Re-Pa, você torce – desculpa aê pela imparcialidade – pelas vitórias de Fluminense e Remo (rss).
Na imagem acima, você torce para que o carro não caia, com motorista e tudo, nas águas do rio Guamá.
As cenas foram colhidas há una dez dias, num porto da Bernardo Sayão, quase chegando ao portão do campus básico da UFPA.
O veículo, uma Toyota Hilux, entrou no barco para se transportado até Manaus.
E entrou se equilibrando – quase literalmente se equilibrando - em duas pranchas, meus caros.
A façanha teve até narrador e torcedores, que ao final, a La Galvão, gritam “é tetraaaaaa, é tetraaaaaa”, quando o veículo entra no barco.
A façanha é tanta que, até o início desta madrugada, esse mesmo vídeo, originalmente postado no Facebook, já somava mais de 930 mil de visualizações. E no YouTube, mais de 800 mil.
Façanha mesmo?
Ou aventura?
Ou irresponsabilidade?
Ou maluquice?
Não se trata bem disso. Não se trata muito de entrar no mérito da perícia, da destreza – se é que vocês querem isso – do motorista.
Trata-se de avaliar as responsabilidades da direção do porto e do proprietário da embarcação.
Se eu chego lá e digo que quero me atirar com carro e tudo no Guamá, isso será problema meu.
Mas se quero transferir um carro para dentro de um barco e ali ocorre um acidente, de quem será a responsabilidade?
Do dono do carro?
Da embarcação?
Do porto, que não oferece meios seguros para esse tipo de operação?
Sabe-se lá.
Mas é preciso saber. Porque, segundo garante fonte segura ao Espaço Aberto, maluquices dessa natureza são comuns nesse porto – e em alguns outros que operam na orla da Bernardo Sayão.

XIX Feira Pan-Amazônica do Livro – simbiose de culturas

Dança do Japão, dança do Pará, gastronomia, rituais e livros. Muitos livros. São 96 mil títulos que estão sendo oferecidos em dezenas de estandes.A Feira Pan-Amazônica do Livro, aberta na última sexta-feira, no Hangar Centro de Convenções e Feiras, em Belém, pretende aproximar culturas distantes, feitas de símbolos e elementos que aparentemente não se combinam, mas que podem, sim, aproximar-se e conviver harmonicamente.
A Feira do Livro deste ano, que chega à sua 19ª edição, homenageia o Japão e marca os 120 anos da celebração do Tratado da Amizade, processo migratório que trouxe para o Brasil, especialmente para os Estados do Pará, Paraná e São Paulo, milhares de japoneses.
O grande homenageado desta vez é o pernambucano Ariano Suassuna. Escritor, dramaturgo, poeta, romancista e ensaísta falecido em 2014, ele escreveu obras clássicas da literatura como “O Auto da Compadecida”. Ariano tinha um apreço especial pela Feira do Livro. E tanto é assim que compareceu seis vezes ao evento.
Entre os estandes, a reportagem do Espaço Aberto destaca o da Editora da UFPA. Tem um design sóbrio, mas confortável. É um dos pouquíssimos estandes que oferece poltronas para se degustar as obras que são vendidas lá, inclusive os volumes do carro-chefe da editora, a coleção reeditada dos Diálogos de Platão.
Mas a grande novidade da Feira é o contato com a cultura japonesa. Um dos espaços mais procurados é o estande que apresenta o caminho do chá.
O hábito remonta a uma escola tradicional do chá e vem sendo transmitido durante mais de 300 anos, desde a Era Edo, que terminou na segunda metade do Século XIX. O princípio do caminho do chá dos samurais é “respeitar a si e ao próximo” e preservar o “espírito da harmonia”, princípio milenar no Japão. Consumir chá com doces representar buscar soluções para a paz mundial e para a preservação da natureza e das pessoas.
Uma exposição fotográfica mostra imagens que têm tudo a ver com o Japão e com o Pará. Ali aparece o cultivo da pimenta-do-reino, no município de Santo Antonio do Tauá, e a colheita de hortaliças, em Santa Izabel do Pará.
O traço doméstico da cultura do Japão está retratado num jogo de cartas em família, numa residência de japoneses em Monte Alegre, na região oeste do Estado. O porto de Tomé-Açu ficou registrado como aquele que se tornou a porta de entrada para os primeiros imigrantes que escolheram o Pará como sua nova Pátria.
E se você se programar para visitar a feira num dia em que a cultura paraense for o show, talvez esse seja o momento de conferir os nossos ritmos, como a dança do tacacá.
A XIX Feira Pan-Amazônica do Livro segue até o dia 7 de junho, um domingo, no Hangar – Centro de Convenções, com entrada franca.

Fica, Gerson. Basta arrecadar 20 milhões de euros.

Sabem de uma coisa?
Os repórteres da editoria de Esporte aqui do Espaço Aberto - todos eles tricolores - estão dispostos a ir para as ruas e dar uma início à campanha "Fica, Gerson".
Sabem de outra coisa?
Os repórteres da editoria de Esporte aqui do Espaço Aberto - todos eles tricolores - precisam, urgentemente, passar a sacolinha para arrecadar 20 milhões de euros, cerca de R$ 70 milhões, para que Gerson fique.
Sem brincadeira, meus caros: Gerson, o meia do Flu, é um craque.
O que ele fez ontem, na jogada do terceiro gol do Fuminense contra o Flamengo, pagou o ingresso de quem foi ao Maracanã.
Aqui no blog já se escreveu várias vezes que um passe ou a jogada que dão origem a um gol são, muitas vezes, mais bonitos que o próprio gol.
Pois vejam o lance aí em cima.
O garoto, que só tem 18 anos, domina a bola, dá um corte no zagueiro e teria condições até mesmo de tentar a finalização e fazer o gol, uma vez que tem uma ótima pontaria.
Mas o que fez?
Serviu ao Fred.
De bandeja, como dizem os coleguinhas.
Com açúcar e com afeto, como dizem outros.
Uma joia de jogador como esse precisa, ou melhor, precisaria ficar no Fluminense para ser lapidada lá mesmo.
A questão é que Gerson já está praticamente no Barcelona, que adiantou ao Tricolor 12 dos 20 milhões de euros que vai desembolsar para ter Gerson.
Vocês aí, tricolores, quem se habilita a passar a sacolinha?
São apenas 20 milhões de euros. Hehehe.
Ah, sim.
E a vitória de ontem foi daquelas que só um time de guerreiros consegue, hein?
Quem não viu, acredite: foi uma vitória dessas que se pode chamar de épicas.
O Fluminense virou o intervalo ganhando por 2 a 1. No início do segundo tempo, com o lance magistral de Gerson, como acabamos de comentar, Fred faturou o terceiro.
Logo depois, por volta dos 5 minutos, Giovani foi expulso. Em seguida, o próprio Gerson saiu contundido. E se não bastasse, Wagner e Fred estavam absolutamente exaustos. E tanto é assim que o atacante saiu no finalzinho, porque não aguentava mais andar em campo.
Resumo da ópera: da metade do segundo tempo até o final, o Fluminense, que tinha dez em campo, a rigor só contava com oito, porque Wagner e Fred, repita-se, quase não se sustentavam mais em pé.
Mas isso tudo tudo valorizou ainda mais os 3 a 2.
Ufa!
Só mesmo um time de guerreiros para suportar.

No Cité, menos barulho também é um bom tempero


A parada é a seguinte.
Que o Cité é um dos melhores restaurantes de Belém não é novidade alguma.
Que os garçons são dos mais atenciosos que atendem nas casas da cidade, idem.
Que o local tem uma decoração bem interessante, idem, idem.
A novidade - uma boa novidade, vale dizer - é que o Cité está menos barulhento.
Uma das reclamações reiteradas que muitos clientes fazem, quando avaliam o Cité, é que o barulho das músicas é excessivo, impedindo até mesmo que as pessoas conversem.
Mas olhem, pelo menos no almoço de domingo estava tudo na medida. O som, inclusive.
Mas mesmo que os decibéis estivessem um pouquinho - apenas um pouquinho - além da conta, isso não seria suficiente para tirar o gosto desse filhote na manteira com ervas, acompanhado de arroz com brócolis e batatas grelhadas.
Mas o espetáculo mesmo está ai ao lado: a sobremesa.
Morangos - um pouco aquecidos - com sorvete de creme.
Putz!
A avaliação do pessoal da editoria de Gastronomia (rss) aqui do blog diz que a sobremesa era pra se comer aquela Torre Eiffel que é um dos destaques na decoração do Cité. E quem chegasse lá em cima, era pra desfraldar a bandeira e cantar o hino nacional.
O Cité, vocês sabem, fica na Almirante Wandenkolk, entre Municipalidade e Senador Lemos, bem perto do Roxy.

Educação autônoma e saudável


As últimas semanas no Brasil precisam ser olhadas de maneira diferenciada. Foram semanas marcadas por assassinatos e violências com requintes de crueldade. A grande maioria por menores, essa garotada que não tem lar e faz da rua seu mundo pessoal. Hoje, no mundo inteiro é assim. Em periferias ou áreas conflagradas, em guerras, as mortes recebem menos atenção do que os crimes em área turística, de lazer, buscada por nativos e estrangeiros. Por envolver menores de idade, esse crime obriga políticos e sociedade a examinar com lupa sua imagem no espelho. Falta, sobretudo, vontade política digna, que forme cidadãos e não bandidos. Falta planejamento familiar para evitar paternidade e maternidade aos 13, 14 ou 16 anos. Falta, na "pátria educadora", Educação com maiúscula, para todos e de qualidade em tempo integral.
Há quem faça investimento numa didática afetiva, cuja saída é estimular o autoconhecimento. Desenvolver teorias importantes sobre tipos de personalidades e comportamentos sociais. É assim que o psiquiatra e pesquisador chileno Claudio Naranjo (na foto) investe nessa linha para evitar que "a educação atual produza zumbis". Sua trajetória pode ser classificada como irrepreensível pelo mais ortodoxo dos avaliadores. Foi um dos indicados ao Nobel da Paz deste ano. Há mais de três décadas, ele e a fundação que leva seu nome pregam que os educadores devem ser mais amorosos, afetivos e acolhedores. Acredita que essa maneira, é a forma mais eficaz de ajudar todos os alunos - não só os melhores - a efetivamente aprender "e assim mudar o mundo".
Seguindo a linha de raciocínio de Naranjo, se queremos mudar o mundo, temos de investir em educação. Não se muda a economia, porque ela representa o poder que quer manter tudo como está. Também não mudaremos o mundo da caserna. Também não mudaremos o mundo por meio da diplomacia, como querem as Nações Unidas - sem êxito. Para ter um mundo melhor, temos de mudar a consciência humana. Daí o interesse do pesquisador pela educação. É mais fácil mudar a consciência dos mais jovens.
O atual modelo educacional parece obsoleto na opinião de Naranjo. Há um sistema que instrui e usa de forma fraudulenta a palavra educação para designar o que é apenas a transmissão de informações. Trata-se em sua opinião de um programa que rouba a infância e a juventude das pessoas, ocupando-as com um conteúdo pesado, transmitido de maneira catedrática e inadequada. O aluno passa horas ouvindo, inerte, como funciona o intestino de um animal, como é a flora num local distante e os nomes dos afluentes de um grande rio. É uma aberração ocupar todo o tempo da criança com informações tão distantes dela, enquanto há tanto conteúdo dentro dela que pode ser usado para que ela se desenvolva. É um sistema que quer um rebanho para robotizar. A criança é preparada, por anos, para funcionar num sistema alienante e não para desenvolver suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas.
A educação atual desperdiça talentos, rotulando-os com transtornos e distúrbios. Cientista chileno, Humberto Maturama, exemplificou a Naranjo que a membrana celular não deixa entrar aquilo que ela não precisa. A célula tem um modelo em seus genes e sabe o que necessita para construir-se. Um eletrólito que não lhe servirá não será absorvido. Podemos usar essa metáfora para a educação. As perturbações da educação são uma resposta sã a uma educação insana. As crianças são tachadas como doentes com distúrbios de atenção e de aprendizado, mas em muitos casos trata-se de uma negação sã da mente da criança de não querer aprender o irrelevante.
O papel do educador é leva-lo a descobrir, refletir, debater e constatar. Para isso, é essencial estimular o autoconhecimento, respeitando as características de cada um. Naranjo esteve no Brasil para participar do evento sobre educação básica Encontro de Educadores.  A educação é a única forma de mudar o mundo.

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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com

O que ele disse


"Há quem diga que, diante do momentoso caso Lava Jato, o mensalão transmudou-se em mensalinho"
Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal, em entrevista ao jornal O Estado de  São Paulo.