domingo, 14 de outubro de 2012

Os carros

As fotos são do Espaço Aberto.










A Missa na Sé

A Missa do Círio foi celebrada na madrugada deste domingo pelo núncio apostólico no Brasil, dom Giovanni d'Aniello, com a presente do arcebispo de Belém, além de outros bispos e sacerdotes.
Depois da celebração, a Imagem Peregrina foi entronizada na berlinda, para o início da romaria.
As fotos são do Espaço Aberto.








A berlinda na Sé

A presença da berlinda em frente à Sé, antes ainda da entronização da Imagem Peregrina de Nossa Senhora, é sempre um espetáculo comovente de devoção.
As fotos são do Espaço Aberto.





sábado, 13 de outubro de 2012

O Círio das Águas

O Círio das Águas.
Sempre um espetáculo comovente.
E diferente.
Como cada Círio é diferente do anterior.
As fotos são do Espaço Aberto.















Um mergulho nas crenças e devoções

Esperança.
Missionário.
Bom Jesus.
São Miguel Arcanjo.
Coração de Jesus.
No Círio Fluvial, como o que terminou há pouco, os nomes dos barcos que navegam em romaria expressam um mergulho nas crenças, nas devoções e nos fervores dessa gente - tanta gente - que vive nos rios da Amazônia.
As fotos são do Espaço Aberto.







Nossa Senhora de Nazaré sob vigília

A imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré aguarda na igreja de Nossa Senhora das Graças, em Ananindeua, o amanhecer do dia para ser levada até Icoaraci, de onde sairá o Círio Fluvial.
As fotos, no tiradas no início desta madrugada, são do Espaço Aberto.






sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Alianças deveriam ser seladas no meio da praça

Tempo de eleições.
Tempo de segundo turno.
Tempo de alianças.
De negociações.
De cambalachos.
Barganhas.
Propostas indecorosas.
Indecentes.
E nunca expressamente reveladas, por serem indecentes e indecorosas.
Isso não é noutro planeta, não.
É aqui em Belém mesmo.
A nós, jornalistas, nos informam de cogitações horrorosas.
De condições inaceitáveis.
Mas as cogitações são acolhidas e as condições, aceitas.
Os mais pragmáticos, digamos assim, dizem que eleição é assim.
Estão certos de essas coisas acontecem e devem ser toleradas porque, ora bolas, são banais.
É?
Matar é banal. Vamos tolerar?
Roubar é banal. Vamos tolerar?
Dar o mole para o guarda de trânsito é banal. Vamos tolerar?
Fazer xixi na rua, aqui em Belém, é banal. Vamos tolerar?
É claro que não.
Então, a parada é a seguinte: essas negociações, como as que selam alianças para o segundo turno, deveriam ser travadas à vista de todo mundo.
Os interessados nas negociações deveriam montar um palanque ali na Praça da República, debaixo daquelas mangueiras ali por perto da Banca do Alvino, e negociar claramente, na frente de todo mundo.
Só assim seriam evitadas as barganhas indecorosas e as condições, como se diz, nada republicanas.
E por serem indecorosas e nada republicanas, as barganhas são desconhecidas, absolutamente desconhecidas dos eleitores.
Os eleitores, no entanto, deveriam saber em que condições o Fulano vai apoiar o Sicrano, e não o Beltrano.
Mas nunca sabem.
Por quê?

Gritar "ladrão" pode. Escrever "ladrão" não pode. Por quê?


Caros e caras.
Com a licença de vocês, o Espaço Aberto precisa comentar um fato que ocorreu no finalzinho de setembro, período em que o blog estava sem atualização.
O fato merece atenção porque se revela como um disparate.
Como a quintessência da imbecilidade.
Trata-se de uma faixa - vejam na imagem acima - em protesto contra a arbitragem, exibida em Recife, antes de partida em que o Náutico ganhou do Atlético-GO por 2 a 0, jogo válido pelo Campeonato Brasileiro.
“Não irão nos derrubar no apito”, dizia a faixa preparada por torcedora e estendida nas arquibancadas.

A partida atrasou cerca de 16 minutos e só começou quando os torcedores concordaram em recolher a mensagem, uma vez que o árbitro Leandro Pedro Vuaden se sentiu ofendido.


Olhem só o que disse o procurador Paulo Schmitt, do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), uma espécie de Supremo do futebol: “Acho que tudo tem regras. Você tem todo o teu direito de se expressar, e faz isso da forma que achar melhor. Você é o senhor de suas vontades. O seu limite é que vai ser avaliado. A gente vai avaliar pela lei”.
É inacreditável.
Schmitt já foi alguma vez a algum estádio?
Se já foi, estava com os ouvidos ligados?
Se já foi, ouviu o que os torcedores disseram, ou melhora, gritaram?
Torcedores, em coro, gritam os maiores impropérios para um árbitro. Qualquer um.
Gritam, em coro, palavrões.
Entoam ofensas inaceitáveis.
Não deveriam fazer isso?
Sim, não deveriam.
Mas fazem.
E o que acontece, quando torcedores gritam palavrões, ofensas e impropérios em coro?
O jogo, simplesmente, segue.
Continua.
Não para.
O árbitro não dá bola.
Porque não deve dar bola mesmo.
Aí, vem uma faixa: “Não irão nos derrubar no apito”.
Pronto.
Acabou-se o mundo.
O árbitro se sentiu ofendido, ofendidíssimo, mesmo que depois, em coro, tenha sido ofendido por toda espécie de impropérios proclamados de forma altissonante, retumbante, estrepitosa.
Então, é mais ou menos assim.
Gritar em coro "ladrão, ladrão, ladrão" pode. O jogo não para.
Escreve numa faixa "ladrão, ladrão, ladrão" não pode. O jogo para. Ou nem começa.
É isso mesmo?
Parece que é.
E o mais impressionante é que coleguinhas - vários - acham que o árbitro e o STJD estão certos.
Mas que coisa!

Círio Cabano



ANDRÉ NUNES

“Paraense, sou ateu. Filosoficamente, materialista. Mas, acima de tudo, sou devoto de Nossa Senhora de Nazaré. Este último atributo, no mês de outubro, transcende os demais. É inerente ao ser paraense. Durante algum tempo, no auge do obscurantismo ideológico da juventude, ainda tentei renegar minha devoção, porém, romântico inveterado, há muito deixei de remar contra a maré. Mergulhei de cabeça no paraensismo: açaí, tacacá, Ver-o-Peso, marés, rios e ilhas, canoas e torço nu. E isso tudo, à imagem do próprio rio amazonas, como em um caudal, deságua em Belém no segundo domingo de outubro.
A colossal procissão do Círio, com seu milhões de romeiros, começa na Catedral da Sé e termina cinco ou seis quilômetros depois na Basílica de Nazaré. Mas um olhar atento vai além, vê que aromaria começa em cada furo, rio, igarapé, ilha ou beiradão. Canoas, ubás, caxiris, barcos a motor, velas ou remo. Começa nas palafitas e nos barrancos. Nos quintais das cidades, no porco cevado, no patarrão, no ralar da mandioca, no tipiti e no moer da folha de maniva, matéria-prima para o almoço do Círio – maniçoba e pato no tucupi. Farto e generoso. Para a família, os amigos e quem mais chegar.
O Círio começa no vestido de chita com babados, decote comportado e comprimento abaixo dos joelhos. Calça e camisa de manga comprida, novas, as únicas mudas de roupas compradas no ano, mas estreadas no Dia da Festa. Sapatos, sandálias, baixas ou de salto.
Tênis? Nenhum. Para acompanhar o Círio de Nazaré se vai descalço. Naturalmente. Começa com banho-de-cheiro. Vinde-cá, priprioca, patichouli, orisa, pau-cheiroso, chama, pau-rosa, catinga-de-mulata. E se vem de todos os cantos do Estado do Pará que, em outubro, se transmuda para além das fronteiras geopolíticas. Invade o Maranhão, o Amazonas, o Amapá. É como se fosse o Estado de Nossa Senhora de Nazaré. Esse é o núcleo central tangido pelas águas, senhora de todos os destinos. Essa é a procissão cabana de antes da estrada, do asfalto, do ônibus, do avião, do arranha-céu, do apartamento, do estacionamento proibido. Esta nova tribo do fast food também é bem-vinda. Por adesão, é claro. No Manto da Virgem e no coração cabano há sempre espaço de sobra. Apenas há que aderir ao espírito secular do Círio. Ficar mundiado pelo bom e pelo bem. Sentir-se igual. Caminhar descalço.
É por tudo isso, pelo peso dessa enorme bagagem da cultura paraense, que todos os anos, quando passa a Berlinda da Santa, este velho comunista se emociona e chora.”

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Esse artigo do escritor ANDRÉ COSTA NUNES, 73 anos, foi publicado em 2007, na revista Veja Belém.

O que ele disse

“[O objetivo do esquema era] um projeto de poder quadrienalmente quadruplicado. Projeto de poder de continuísmo seco, raso. Golpe, portanto."
Ayres Britto (na foto), ministro-presidente do Supremo Tribunal Federal, sobre o mensalão.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Circo. Mais circo. Com palhaços e tudo o mais.


Olhem aqui.
Já divulgamos, aqui no blog, a primeira parte do circo.
Agora, a segunda.
Divirtam-se.
Mas não esqueçam: isso é brincadeira. Mas é sério. Muito sério.
Fora de brincadeira.

Barbosa critica advogados que pretendem acionar OEA


O ministro Joaquim Barbosa, relator da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal, criticou os advogados que pretendem acionar a Organização dos Estados Americanos contra a condenação de seus clientes: “Pergunte a eles [os advogados] se já leram a Constituição brasileira, pergunte a eles se o Brasil é um país soberano o suficiente para tomar suas decisões de maneira soberana”. Segundo Barbosa, a legislação e a jurisprudência brasileira são pacíficas em não permitir recurso nos casos que envolvem réus com foro privilegiado, como é o caso do processo do mensalão.
De acordo com o ministro, é falacioso o argumento de que o juiz que instrui o processo não pode julgar: “É enganar o público leigo e ganhar dinheiro às custas de quem não tem informação”, disse.
O relator ainda informou que, nesta quarta-feira (10/10), deve julgar dois capítulos da ação do mensalão de uma só vez: o sétimo, que trata do crime de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do PT e do PL, e o oitavo, que trata dos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes.
O STF concluirá, ainda na quarta-feira, a análise de quatro dos sete capítulos da denúncia do Ministério Público Federal. Até o momento, 25 dos 37 réus já foram condenados por diversos crimes, como peculato, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Os réus absolvidos até agora são: o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Luiz Gushiken; o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto; o ex-assessor do PL (atual PR) Antônio Lamas; a ex-funcionária de Marcos Valério Geiza Dias; e a ex-diretora do Banco Rural Ayanna Tenório. Alguns desses réus ainda responderão por outros crimes nos capítulos seguintes.

Charge - Duke


"A coragem é o que dá sentido à liberdade"


Eduardo Suplicy foi à tribuna do Senado, ontem.
Da tribuna, leu uma carta de Miruna Genoino.
É filha de José Genoino, condenado pelo Supremo por envolvimento no escândalo do mensalão, quando era presidente do Partido dos Trabalhadores.
Suplicy comoveu-se.
Porque a carta, realmente, é comovente.
Além de comovente, precisa e deve ser conhecida, porque reflete os juízos de uma cidadã que tem todo o direito de expressar suas convicções, suas certezas, suas críticas, apesar de juízos e juízes como os do Supremo, que condenaram seu pai.
Abra-se espaço para que Miruna externe seus juízos sobre o papel da Imprensa. "Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais. Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou", diz ela, num trecho da carta.
Leiam abaixo.

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Com essa frase, meu pai, José Genoino Neto, cearense, brasileiro, casado, pai de três filhos, avô de dois netos, explicou-me como estava se sentindo em relação à condenação que hoje, dia 9 de outubro, foi confirmada.
Uma frase saída do livro que está lendo atualmente e que me levou por um caminho enorme de recordações e de perguntas que realmente não têm resposta.
Lembro-me que quando comecei a ser consciente daquilo que meus pais tinham feito e especialmente sofrido, ao enfrentar a ditadura militar, vinha-me uma pergunta à minha mente: será que se eu vivesse algo assim teria essa mesma coragem de colocar a luta política acima do conforto e do bem estar individual? Teria coragem de enfrentar dor e injustiça em nome da democracia?
Eu não tenho essa resposta, mas relembrar essas perguntas me fez pensar em muitas outras que talvez, em meio a toda essa balbúrdia, merecem ser consideradas...
Você seria perseverante o suficiente para andar todos os dias 14 km pelo sertão do Ceará para poder frequentar uma escola? Teria a coragem suficiente de escrever aos seus pais uma carta de despedida e partir para a selva amazônica buscando construir uma forma de resistência a um regime militar? Conseguiria aguentar torturas frequentes e constantes, como pau de arara, queimaduras, choques e afogamentos sem perder a cabeça e partir para a delação? Encontraria forças para presenciar sua futura companheira de vida e de amor ser torturada na sua frente? E seria perseverante o suficiente ao esperar 5 anos dentro de uma prisão até que o regime político de seu país lhe desse a liberdade?
E sigo...
Você seria corajoso o suficiente para enfrentar eleições nacionais sem nenhuma condição financeira? E não se envergonharia de sacrificar as escassas economias familiares para poder adquirir um terno e assim ser possível exercer seu mandato de deputado federal? E teria coragem de ao longo de 20 anos na câmara dos deputados defender os homossexuais, o aborto e os menos favorecidos? E quando todos estivessem desejando estar ao seu lado, e sua posição fosse de destaque, teria a decência e a honra de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto?
Meu pai teve coragem de fazer tudo isso e muito mais. São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal. Hoje e sempre, empenhado em defender aquilo que acredita e que eu ouvi de sua boca pela primeira vez aos 8 anos de idade quando reclamava de sua ausência: a única coisa que quero, Mimi, é melhorar a vida das pessoas...
Este seu desejo, que tanto me fez e me faz sentir um enorme orgulho de ser filha de quem sou, não foi o suficiente para que meu pai pudesse ter sua trajetória defendida. Não foi o suficiente para que ganhasse o respeito dos meios de comunicação de nosso Brasil, meios esses que deveriam ser olhados através de outras tantas perguntas...
Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento cardíaco? Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil?
Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais. Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou.

Nossa família entra agora em um período de incertezas. Não sabemos o que virá e para que seja possível aguentar o que vem pela frente pedimos encarecidamente o seu apoio. Seja divulgando esse e/ou outros textos que existem em apoio ao meu pai, seja ajudando no cuidado a duas crianças de 4 e 5 anos que idolatram o avô e que talvez tenham que ficar sem sua presença, seja simplesmente mandando uma palavra de carinho. Nesse momento qualquer atitude, qualquer pequeno gesto nos ajuda, nos fortalece e nos alimenta para ajudar meu pai.

Ele lutará até o fim pela defesa de sua inocência. Não ficará de braços cruzados aceitando aquilo que a mídia e alguns setores da política brasileira querem que todos acreditem e, marca de sua trajetória, está muito bem e muito firme neste propósito, o de defesa de sua INOCÊNCIA e de sua HONESTIDADE. Vocês que aqui nos leem sabem de nossa vida, de nossos princípios e de nossos valores. E sabem que, agora, em um dos momentos mais difíceis de nossa vida, reconhecemos aqui humildemente a ajuda que precisamos de todos, para que possamos seguir em frente.

Com toda minha gratidão, amor e carinho,
Miruna Genoino

Charge - J. Bosco

Acesse o Lápis de Memória

VRT é o legado de Duciomar Costa

Olhem aqui.
Duciomar Costa, o huno, devastou Belém.
É fato.
Quem entender diferente, que o assuma e diga.
Porque aqui se assume e se diz: Duciomar foi o pior prefeito de Belém em oito séculos - os quatro que estão para se completar e os quatro que estão no porvir.
Qual seu legado?
Nenhum, é claro.
Mas, se quiserem, Duciomar deixa um legado: o VRT.
Não é BRT (Bus Rapid Transit), não.
É VRT mesmo, a sigla de Vehicle Rapid Transit.
Sim, a via construída por Duciomar para o BRT está abandonada.
As obras pararam há mais de mês.
A prefeitura não tem mais dinheiro para tocá-la.
Duciomar prometeu inaugurar o mondrongo em setembro.
Não inaugurou.
E nem vai inaugurar.
Para fazer de conta que o BRT ainda pode ser concluído em seu mandato, Duciomar fez uma encenação: entrou num ônibus do BRT, percorreu alguns quilômetros e depois deixou o bus paradão, bem em frente à Uepa, na Almirante Barroso, como aparece aí na foto que o blog tirou no início desta madrugada.
Pois é.
A obra terá que ser concluída pelo próximo prefeito.
Resultado: com o abandono da faixa construída para os ônibus do BRT, veículos (vehicles) de passeio estão usando aquela área como ponto de fuga, digamos assim, durante os congestionamentos monstruosos que se formam na avenida Almirante Barroso, sobretudo nos horários do rush.
No início desta semana, uma leitora do Espaço Aberto já viu um táxi invadindo a via abandonada do BRT para atalhar caminho.
Na terça-feira, um leitor do blog viu acontecer o mesmo, desta vez com um táxi, em frente à sede campestre da Assembleia Paraense.
E vários leitores têm visto motocicletas usarem a faixa do BRT para escapar ao trânsito bagunçado, outra obra de Duciomar.
Mas que coisa!
E pensar que Belém ficou submetida a esse dotô por oito anos.
Oito!

"O povo está exausto de heróis"

Da leitora Adelina Braglia, sobre a postagem "Fui prejulgado e linchado", diz Dirceu:

Sinceramente, o primeiro parágrafo da nota do Zé é uma revelação histórica.
O Congresso de Ibiúna foi então um chamamento deliberado ao "heroísmo": ..." Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir!"
Ibiúna, então um município pacatíssimo, teve sua população urbana praticamente dobrada naquele dia, com a chegada dos congressistas. Foi piada durante muitas décadas o fato de terem acabado todos os pãezinhos da cidade. Só isto era suficiente para alertar a repressão. Então tá, Zé. Agora compreendo melhor a sua brilhante estratégia.
Mas, cá pra nós, o povo está exausto de heróis. Eu, pelo menos estou. Os que conheci e o foram verdadeiramente estão mortos. Alguns silenciosamente, sem mídia e sem futuro, nas ruas e nos porões da ditadura.
Queremos cidadãos comuns, que preservem valores comuns quando no poder, tipo: honestidade, verdade, competência e espírito público.

Estacionamento em área imprópria

Vejam só essa parada.
A foto foi remetida por leitor do blog que esteve, ontem, no aeroporto de Belém.
Mostra a área de embarque.
No local, táxis que ficam estacionados, à espera de passageiros.
Pode, Arnaldo?
A regra é clara: não pode.
O motivo é simples: há outros táxis e carros particulares que chegam aos montes ao local, para deixar pessoas que vão viajar.
E o tumulto se estabelece.
O leitor que mandou a foto já disse que fez uma reclamação formal à Infraero.
Sem êxito.
A queixa, como se diz, deve ter entrado por um ouvido e saído por outro.
E explodam-se os queixosos.
Putz!

O que ela disse

"Acho estranho e muito, muito grave que alguém diga com toda tranquilidade ‘houve caixa dois'. Ora, caixa dois é crime, caixa dois é uma agressão à sociedade brasileira."
Cármen Lúcia (na foto) ministra do Supremo Tribunal Federal, ao expressar, no voto pela condenação de José Dirceu, sua indignação contra a tese de que o caixa dois é um crime menor, por ser banal.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um olhar pela lente

Está chegando!!!!

Está chegando o Círio.
A foto é de Fernando Sette Câmara.

Lula silencia sobre o racha no Recife


Do site Brasil 247
Se através de uma carta aberta, o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, deputado federal Pedro Eugênio, fez questão de atribuir a derrota da legenda na disputa pela Prefeitura do Recife ao isolamento em função de “fraturas internas” e da falta de apoio de aliados históricos - no caso o PSB, que lançou o candidato vencedor Geraldo Júlio  -  o mesmo não  fez o ex-presidente Lula em sua página no Facebook. No texto divulgado hoje, Lula fala sobre a vitória do PT em 624 cidades do País e atribui o resultado à militância e aos projetos do partido. Sobre o Recife, onde o PT saiu rachado da disputa e perdeu o comando da capital após 12 anos no poder, nenhuma menção.
O silêncio acerca da derrota acachapante (o senador Humberto Costa obteve o terceiro lugar, pontuando apenas 17% dos votos válidos) é revelador.  O PT conta com o apoio do PSB para vencer a disputa em São Paulo no segundo turno. Ali o candidato do partido, Fenando Haddad,  enfrenta José Serra (PSDB) naquela que talvez seja “a mãe de todas as batalhas” destas eleições. Para o PT, assumir o controle da capital paulista é uma questão de honra, uma vez que Serra é considerado o adversário a ser derrotado a todo custo.
Além disto, a manutenção da aliança com o PSB é fundamental para assegurar a tranquilidade da base governista em nível federal. Sem o apoio dos socialistas o controle do Governo sobre o Congresso ficaria extremamente enfraquecido, algo que não interessa ao PT neste momento. A legenda também vê com desconfiança a movimentação do PSB pelo país afora e teme que o seu presidente, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, se lance ao Palácio do Planalto concorrendo diretamente com a reeleição da presidente Dilma Roussef.
O fato é que estes fatores e o silêncio em torno da derrota do Partido no Recife já estavam meio que previstos. Desde o início do pleito, quando Humberto Costa foi ungido candidato - a despeito das pretensões de reeleição do atual gestor, o correligionário João da Costa - o PT não quis comprar uma briga direta com o PSB e com o seu presidente. A campanha petista foi marcada pela falta de recursos financeiros e pela ausência da presidente Dilma e do ex-presidente Lula no palanque de Humberto. 
Agora, passado o frenesi do primeiro turno, o mutismo em torno da situação no Recife coloca em uma delicada posição de isolamento os dois maiores nomes do PT no Estado: o próprio Humberto Costa e o seu candidato a vice, o ex-prefeito e deputado federal João Paulo.
Com o segundo turno cada vez mais próximo, os caciques das duas legendas terão que tomar cuidado para evitar o recrudescimento da crise entre os partidos.  Se em São Paulo, PT e PSB estão juntos para derrotar José Serra, o mesmo não se repete em outras cidades importantes como Belo Horizonte (MG) e Fortaleza (CE). Ali, ambas as siglas possuem candidatos próprios e a participação de Lula e Dilma, por parte do PT, e de Eduardo Campos, pelo lado do PSB, é considerada essencial para a vitória. O teor dos discursos é que vai definir o saldo final desta situação, mas o silêncio em torno do Recife fala mais do que mil palavras.

Charge - Pelicano


Dirceu, então, foi condenado. Mas, e as provas?

Olhem só.
Vamos falar no português nada castiço.
Dos réus denunciados pela Procuradoria Geral da República no caso do mensalão, José Dirceu, ontem condenado, talvez tenha sido aquele contra o quaul se colheram menos provas.
Dizer que as provas colecionadas contra Dirceu foram escassas, raquíticas, insuficientes talvez seja uma concessão à boa vontade e ao esforço de quantos queiram, de qualquer forma e maneira, incriminá-lo nessa parada.
Mas, se não fizermos essa concessão, não será demais admitir que não se conseguiu, a rigor rigorosíssimo, prova nenhuma da participação de Dirceu nesse esquema.
O fato de o Ministério Público não ter conseguido colher provas contundentes, robustas, bastantes, clamorosas, irretorquíveis contra Dirceu significa que o ex-ministro, verdadeiramente, não participou do esquema?
Não.
Absolutamento não.
É claro, claríssimo que não.
Dirceu pode, sim, ter sido o mentor de tudo isso.
Dirceu pode, sim, ter sido o comandante em chefe.
Dirceu pode, sim, ter sido o "chefe da quadrilha", no dizer do MP.
Dirceu pode, sim, ter sido o mais envolvido, o mais interessado, o mais empenhado em criar um esquema de malfeitorias para influenciar, inclusive, as consciências no Congresso.
Mas quedê as provas?
Os ministros se fizeram essa pergunta.
Implicitamente, nos seus votos, fizeram-se essa pergunta, esse questionamento.
A ministra Rosa Weber, uma das que condenaram José Dirceu, só faltou pedir desculpas ao votar pela condenação de Dirceu.
Disse não acreditar que Genoino, Delúbio e companhia agiram sozinhos, sem a anuência de alguém de cima - no caso, Dirceu - para fazer o que fizeram.
Vários ministros se valeram da tal teoria do domínio do fato para demonstrar que o ex-ministro dominava, conhecia, tinha comando sobre tudo o que os outros implicados faziam para operar o mensalão.
Desculpem aí, mas essa teoria do domínio do fato é uma espécie de guarda-chuva que acolhe todos os indícios - os mais pálidos, os mais remotos, os mais esmaecidos - para demonstrar que uma pessoa está diretamente envolvida num crime.
E aí?
E aí que todos nós, quando nossas condutas - banais, cotidianas, corriqueiras - são postas em dúvida, exigimos daqueles que duvidam de nós que apresentem provas da nossa culpa, não é?
É sempre assim.
Imaginem então no âmbito do Direito Penal.
Imaginem então no caso de uma pessoa que é processada.
Imaginem então no caso de uma pessoa que é acusada da prática de crimes.
As provas, nesses casos, precisam ser ineludíveis, não é?
Sim, admitimos que o Direito Penal desenvolveu sistemas, mecanismos, teorias para permitir que a conexão entre fatos, que a reunião de indícios seja aproveitados para definir se um réu é culpado ou não.
Mas isso deve ser a exceção, e não a regra.
A regra é que as provas tenham a força de convencer os julgadores.
Do contrário, todos nós poderemos cair no guarda-chuva de indícios, sem que nos permitam apresentar provas concretas sobre aquilo de que nos acusam.
Então, é assim.
Dirceu foi condenado.
Dirceu pode ter sido o mais criminoso dos réus do mensalão.
Mas as provas colhidas contra ele estiveram longe, muito longe de ser compatíveis com a posição de comando, de chefia, de precedência, de poder, de influência que, conforme a denúncia, José Dirceu tinha sobre todos os operadoras do esquema do mensalão.

Um Canto para Maria


Patrícia Oliveira, vejam aí, estará hoje à noite na Basílica Santuário de Nazaré.
Talento garantido.

Charge - J. Bosco

Acesse o Lápis de Memória

Jordy garante que não guarda mágoas de Jatene

Jordy durante a campanha (foto pinçada de seu blog): falta de estrutura contribuiu para votação declinante
Sexto colocado na eleição para prefeito de Belém, com 38.067 votos, bem abaixo dos 83.520 que obteve no pleito de 2008, quando ficou em quarto lugar, o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS) garante que não guarda mágoas do governador Simão Jatene, que apoiou o candidato tucano Zenaldo Coutinho.
"De jeito nenhum. O governador apoiou o candidato de seu partido, o PSDB. Era natural que apoiasse um membro de sua legenda. E não há qualquer estranheza nisso, porque o fato de nós, do PPS, sermos aliados do governo no plano estadual, não obrigaria o Jatene a nos apoiar numa eleição municipal. Da mesma forma, o PPS não se sente obrigado a apoiar o Zenaldo no segundo turno apenas porque é aliado no plano estadual", disse Jordy ao Espaço Aberto.
O deputado estima que apenas na próxima segunda-feira é que o partido deverá anunciar oficialmente sua posição sobre quem apoiará no segundo turno - se Edmilson Rodrigues (PSOL) ou Zenaldo. "Na medida do possível, pretendemos adotar uma posição em conjunto com o PV", disse Jordy. Os verdes se coligaram com o PPS e estiveram representados por Zé Francisco, o vice na chapa encabeça pelo deputado.
Jordy atribui sua votação declinante agora, em relação à que recebeu em 2008, a uma série de fatores, inclusive à veiculação, na internet, de um áudio em que a voz de uma pessoa, atribuída supostamente ao deputado, conversa sobre aborto com uma interlocutora.
"Sem dúvida, esse foi um fato muito desgastante. Mas não é só. A eleição, neste ano, foi muito mais competitiva, muito mais disputada. Além disso, não tive nenhuma estrutura para trabalhar. E também fui obrigado a ficar 15 dias ausente da campanha, em decorrência da morte de meu pai, outro duro golpe, já que perdi alguém que era meu conselheiro e meu amigo", disse Jordy.

Campanha começará morna. Mas logo vai esquentar.

O tom da campanha no rádio e na TV, que recomeça amanhã, deverá ser aquele característico que sobrevém às campanhas de primeiro turno.
Os dois candidatos, no caso Edmilson Rodrigues (PSOL) e Zenaldo Coutinho (PSDB), vão cantar vitória.
O psolista dirá que realmente chegou em primeiro, com 252.049 votos, apesar dos ataques de que foi alvo dos adversários por mais de dois meses.
O tucano vai se travestir de vencedor, sob a justificativa de que começou a campanha em terceiro lugar, mas passou ao segundo turno com 237.252 votos, apenas 14.797 abaixo do adversário.
É possível - é possível, vejam bem - que a pancadaria não comece ainda nesta semana, porque o clima em Belém, vocês sabem, é de Círio. E o Círio, além de representar concórdia, confraternização, reunião e ajuntamento, acaba ofuscando, por sua própria grandiosidade, outros eventos, inclusive os relacionados a uma eleição para prefeito.
Mas a partir da próxima segunda-feira, aí é outra história.
As equipes de Edmilson e Zenaldo estão devidamente municiadas para, como se diz, chutar o pau da barraca.
Ou das barracas.
E com a divulgação de novas pesquisas, aí mesmo é que o clima vai esquentar.
Não se espantem, por isso, que esta campanha poderá ser uma das mais violentas a que Belém já assistiu nos últimos tempos.
Tomara que a violência, se for mesmo inevitável, fique apenas no campo verbal.
Tomara.