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sexta-feira, 25 de julho de 2014
O Brasil pacífico. O Brasil da cordura e da hospitalidade.
Olhem, meus caros.
A Copa do Mundo já terminou.
Mas não terminaram - ainda não - as nossas exaltações de que os estrangeiros que visitaram o país voltaram para casa levando do Brasil a imagem da cordialidade, da cordura - isto mesmo, da cordura -, da hospitalidade, do espírito pacífico.
Hehe.
Acreditem se forem capazes.
Compreendam se puderem.
O Mapa da Violência 2014, que compila dados de 2012, revela a ocorrência de 56.337 mortes, o maior número desde 1980. O total é maior, inclusive, do que no conflito da Chechênia, que durou de 1994 a 1996.
A taxa de homicídios também alcançou o patamar mais elevado, com 29 casos por 100 mil habitantes.
A média nacional no número absoluto de homicídios cresceu 7% de 2011 a 2012. Roraima, Ceará e Acre foram as unidades da federação com maior aumento: 71,3%, 36,5% e 22,4%, respectivamente.
Alagoas ainda lidera o ranking no país com 64,6 casos por 100 mil habitantes, número semelhante ao registrado durante a Guerra do Iraque, de 2004 a 2007. A média nacional é de 29 casos por 100 mil.
Outro levantamento, desta vez apresentado pela 7ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, registra a ocorrência de registrou 50.617 casos de estupro em 2012, o que equivale a 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes – o aumento é de 18,17% em relação a 2011, quando a taxa foi de 22,1 por grupo de 100 mil. O número de homicídios dolosos registrados em 2012 foi de 47.136.
O Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio mostrou que em janeiro deste ano houve a maior incidência de roubos dos últimos dez anos. Somados todos os tipos de roubo (residência, coletivos, transeuntes, carros e celulares), houve 13.876 registros – 30% a mais do que janeiro de 2007, quando José Mariano Beltrame assumiu a Secretaria de Segurança do governo Sergio Cabral. Esses números, prestem atenção, são apenas no Rio.
Vocês pensam que esta realidade está longe de nós?
Então, para que não pairem dúvidas, revejam as imagens acima, que o Espaço Aberto divulgou com exclusividade, mostrando um assalto à luz do dia, em plena travessa Benjamin Constant, em Belém, em novembro do ano passado.
Então, é assim.
Os números indicam que é assim.
Como é que um Brasil desses pode transmitir a imagem da cordialidade, da cordura, da hospitalidade e do espírito pacífico.
Digam aí vocês.
Padrão Fuleco: mais do mesmo
FRANCISCO SIDOU
Algumas imagens dispensam palavras. É o caso dessa foto distribuída pelas agências de notícias para o Brasil e para o Mundo. Dunga agradece e beija a mão do "cardeal" José Maria Marin , pelo voto de confiança nele depositado pelos senhores feudais da CBF para "recuperar" a imagem do futebol brasileiro...
Indagado pelos repórteres se não seria a hora de uma "reciclagem" de conceitos e métodos no "futebol de resultados" desastradamente praticado pela seleção brasileira desde a Primeira Era Dunga, que lhe retirou o talento, a graça e a beleza , Marin declarou que justamente essa será a tarefa de Dunga e sua "nova"Comissão Técnica . Quanto a opção por técnicos estrangeiros, Marin também desdenhou dessa hipótese, informando que Dunga e seus "olheiros" viajarão bastante para conhecer o futebol de outros países... Pelo visto, as lições "aplicadas" em casa pela Alemanha (7 x 1 ) e pela Holanda (3x0) não foram suficientes para acordar da letargia os dirigentes do futebol brasileiro. Pepe Guardiola , que realmente faz jus ao título do livro "Treinando equipes vencedoras" , de autoria do Parreira (quanta ironia...) , havia declarado em 2011 que a única seleção que aceitaria treinar para a Copa do Mundo de 2014 seria a brasileira e para ser campeã do mundo.
E justificou sua preferência por ter aprendido, ainda garoto com seu pai, a admirar o talento, a habilidade e a arte com que jogava a seleção brasileira. E acrescentou: não é possível que todo esse patrimônio imaterial possa ser esquecido pela prática atual de um futebol feio e burocrático.
Os velhos senhores feudais da CBF, ao invés de aceitar o desafio do Guardiola e contratá-lo para promover um verdadeiro upgrade no futebol brasileiro, fizeram foi desdenhar de sua proposta. Preferiram o estilo raivoso e turrão de Felipão. Deu no que deu. Algumas frases "cometidas" pelos dirigentes de nosso futebol dão bem uma ideia da cultura do atraso político, que também "contaminou" a seleção brasileira.
Eis algumas "pérolas" da crônica de uma tragédia anunciada pelos senhores feudais que dirigem o futebol brasileiro:
- "Não me sinto em dívida com a torcida brasileira. Fiz aquilo que eu achei que era o mais correto e o melhor."
( Felipão, após o vexame das duas derrotas para a Alemanha ( 7x1) e para a Holanda (3x0)
- "Não temos nada o que aprender lá fora"..
(José Maria Marin, presidente da CBF, ao descartar , do alto de sua exuberante arrogância, a contratação de Pepe Gardiola ou de qualquer outro técnico estrangeiro para promover uma mudança no ultrapassado sistema de jogo da seleção brasileira)
Logo, não se deve esperar muito da propalada renovação do futebol brasileiro, com Dunga, escolhido no "capricho" por sua obediência aos mesmos métodos ultrapassados de um chamado "futebol de resultados " , arauto de velhas e ultrapassadas lições de "disciplina tática" que resultam não em gols , mas na defesa e retranca, chutões a esmo, passes errados para o lado e para trás. Para manter o poder a qualquer custo, na CBF e Federações, esses velhos dirigentes adotam velhacas práticas de um modelo político viciado pelo tráfico de influências, clientelismo, negociações "casadas" de jogadores que devem ser convocados para a seleção ( seus passes serão mais valorizados) , além de favorecimento a parentes e agregados, nepotismo entre outros "ismos" igualmente condenáveis , que estão matando não só futebol da seleção brasileira, mas também a esperança de milhões de brasileiros que cantaram o hino à capela nos estádios , mas que foram ludibriados no seu patriotismo e boa fé pela política da esperteza rapace e mercadológica dos "homens de preto" que comandam a FIFA e a CBF. Mudanças apenas de treinadores , sem renovação nos quadros dirigentes da CBF, não irão resolver os problemas do futebol brasileiro. No atual estágio irão agravá-los, certamente. Em enquete promovida pelo jornal esportivo "Lance" mais de 80% dos torcedores brasileiros ouvidos foram favoráveis à contratação de um treinador estrangeiro, sendo o preferido por larga margem o espanhol Pepe Gardiola, que já treinou equipes vencedoras como Barcelona e o Bayern de Munique, ambos campeões mundiais de clubes sob o seu comando. Contrariando todas essas expectativas de mudanças no triste e burocrático futebol praticado pela seleção brasileira, os velhos senhores feudais da CBF já "bateram o martelo": nada que possa representar uma "revolução" no atual paradigma conservador e burro. Infelizmente, nem a "cassação" pelo voto democrático será possível no caso dos mandatários da CBF, não alcançados pela "fadiga do material" que costuma aposentar velhos políticos cansados de mamar nas tetas públicas, mas incapazes de um gesto de desprendimento em favor da renovação. É o caso do Sarney, que só se retira da política diante da derrota iminente e quase certa caso tentasse novo mandato abusando da boa fé dos irmãos amapaenses. Teremos ainda de conviver com algumas múmias que controlam com mão de ferro os negócios do futebol brasileiro e que se recusam a largar "a rapadura" para gozar no exterior as benesses do dinheiro acumulado ao longo de tantos anos de "batalha". De seus cargos, onde se revezam, só sairão certamente contra sua vontade quando a morte chegar , confirmando a frase do grande Ariano Suassuna, que deixou mais triste ainda o Brasil do bem: "Tudo que é vivo um dia morre". A menos que os senhores congressistas resolvam também sair de sua letargia regiamente remunerada e aprovem a CPI da CBF para abrir a "caixa-preta" daquela milionária entidade, que se julga acima das leis vigentes no País, tal qual a toda poderosa FIFA. Quem sabe não seria um bom começo para uma mudança profilática dos métodos atuais que fazem da CBF a "dona" da Seleção Brasileira, que pela sua importância para o povo brasileiro não deveria ter donos nem senhores feudais? As derrotas costumam deixar mais lições que as vitórias conquistados na base da sorte e do sufoco, como foram os primeiros jogos da seleção na Copa das Copas. O problema é que os soberbos não querem aprender com seus erros. Nem admitir que também podem errar. Como qualquer ser humano.
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FRANCISCO SIDOU é jornalista
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Dunga de volta. Saiam da frente, coleguinhas.
Impressionante, hein?
Fez – e faz – de tudo para não estufar o peito
diante de jornalistas que o odeiam. Com isso, pretende evitar que coleguinhas
continuem a estigmatizá-lo como arrogante, emburrado
e avesso a jornalistas que só pretendem criticar, mas não aceitam críticas.
Na coletiva de ontem, em que foi apresentado
como o substituto de Felipão, coleguinhas e Dunga chegaram a entabolar uma,
como diríamos, entente cordiale.
Como será a entente
cordiale entre Dunga (na foto de André Durão), que não suporta jornalistas, e jornalistas que não
suportam Dunga?
Porque vejam só uma coisa – singela, simples e
direta, em
português de Portugal : treinadores de futebol têm que
treinar; jornalistas devem fazer jornalismo.
Treinadores de futebol têm que fazer o papel
deles; jornalistas, o seu.
Jornalistas, no exercício do jornalismo,
precisam, sim, criticar, apontar erros, cobrar, exigir, discordar.
Treinadores, quando cobrados, criticados e
exigidos por jornalistas, têm, sim, o máximo, o pleno direito de se defender do
que considerarem despropositado, injusto, excessivo.
Como acreditar, portanto, que haverá um entente cordiale entre Dunga, o turrão,
o emburrado, o cara que não tem papas na língua, que nada deixa sem resposta, e
jornalistas que precisam exercer o seu papel de cobrar, exibir e criticar?
Não acreditem nisso.
Ninguém caia na besteira de acreditar nisso.
O máximo que podemos esperar de Dunga e que, no
seu direito de contestar jornalistas, não resvale para a baixeza, para a cavalice injustificada como o tratamento
que a um profissional de Imprensa como Alex Escobar, naquele deplorável
episódio durante a Copa do Mundo de 2010.
É o máximo que podemos esperar dele. Mas achar
que Dunga vai se transformar num lorde, isso é absolutamente improvável.
Aliás, entrevistas coletivas são sempre um
vitrine de todo tipo de jornalismo.
Inclusive dos caricatos, dos vergonhosos.
Na de ontem, por exemplo, um coleguinha,
dirigindo pergunta ao presidente da CBF, José Maria Marin, referiu-se a ele
como uma estadista.
Hehehe.
O poster aqui teve vergonha alheia.
Teve vontade de desligar a televisão.
E desligou mesmo.
Que coisa mais caricata, deplorável e vergonhosa
tratar Marin como estadista.
Sem brincadeira.
E
como todo o respeito, é claro.
Aprendendo com o fracasso
Estamos cansados de ouvir que todo brasileiro é um técnico de futebol. Logo, podemos opinar. A Copa do Mundo chegou ao seu final, com a Alemanha campeã com todos os méritos. Há que se fazer muitos reparos, mas não há dúvidas de que a Copa foi bem-sucedida; vai ficar, com certeza, nos anais da História como uma das mais emocionantes e surpreendentes já realizadas. Embora tenha conquistado o quarto lugar, a campanha da seleção brasileira deixou muito a desejar. Em nenhum momento o Brasil teve em campo um desempenho à altura de suas glórias futebolísticas. A atuação da seleção brasileira nessa Copa teve estreita relação com o que aconteceu com a maioria dos nossos dirigentes políticos, com gestões caracterizadas pelo improviso e pela falta de planejamento.
O desastre, que se consumou nos 7 a 1 para a Alemanha e se reforçou nos 3 a 0 para a Holanda, oferece oportunidade para reflexão e ação. Será muito triste se o futebol brasileiro não conseguir extrair lições que o levem a superar suas precariedades estruturais, a começar pelo caráter amadorístico, patrimonialista e, não raro, corrupto de sua gestão. Durante décadas, fizemos uma administração do esporte mais popular do País como se ainda estivéssemos nos séculos XVII e XVIII, quando assumiu um perfil quase extrativista: entidades e dirigentes voltavam-se à exploração da admirável capacidade do Brasil de produzir talentos futebolísticos.
Ainda num passado recente, os campos de várzea e os campinhos dos clubes estavam cheios de jovens das classes populares, que acorriam em massa aos seus gramados. Tratava-se apenas de peneirá-los para descobrir as pedras mais valiosas, que logo atrairiam multidões aos estádios e surpreenderiam o mundo com sua inventividade. Mas o país mudou; as condições socioeconômicas que propiciavam essa realidade não mais existem. Enquanto isso, o planejamento e a gestão de futebol na Europa avançaram de maneira notável. Além disso, a globalização do esporte levou o velho continente a contar com os melhores atletas do mundo e a conviver com excelência inédita.
É necessário, a qualquer custo, aprender e ter humildade para que se possam prevenir crises futuras, com lições importantes que podem ser aplicadas em várias áreas. Inclusive nesta sofrida crise pós-goleada para a bem preparada seleção germânica. Um resultado que escancarou a crise do futebol brasileiro, reforçado pela derrota contra a Holanda. O fracasso da seleção é uma oportunidade para refletir sobre o atraso do futebol brasileiro e lançar novas bases para o esporte. A primeira lição da crise é a necessidade de dimensioná-la corretamente. Tentativas diversas por motivos distintos de subdimensioná-la, classificá-la como acidente ou determinar motivações ou razões específicas e menores são a pior abordagem possível.
Praticamente tudo já foi escrito sobre a tragédia brasileira do 8 de julho. Todas as piadas foram feitas, todas as críticas - Felipão assumiu a culpa pelo desastre que nos constrangeu terrivelmente diante do mundo inteiro. O país do futebol, a Copa das Copas, a cara da alegria e da descontração, tudo mergulhou no cinza da vergonha absoluta. Tivemos uma seleção despreparada, sem esquema tático definido; em seis minutos, nós, brasileiros, fomos do céu ao inferno, catapultados pela nossa fé inabalável nos milagres da bola, a tal brazuca, por mais distorcida e sem graça que estivesse, e mergulhados na vala comum de inapelável derrota para o disciplinado e, por que não reconhecer?, belo futebol germânico.
Li na Folha de S.Paulo, de 14.07.2014, crônica do notável jornalista Carlos Heitor Cony, fazendo apologia da nossa derrocada futebolística; foi buscar em Oscar Wilde, quando foi preso por sodomia e escreveu alguns de seus melhores poemas, o célebre “De profundis”, apoiado no Salmo 120, incluído entre as preces penitenciais de todos os pecadores, incluindo a Comissão Técnica. No Salmo, há uma pergunta crucial: “Se observares nossas iniquidades, Senhor, quem se salvará?”.
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SERGIO BARRA é médico e professor
sergiobarra9@gmail.com
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Arquibancadas vazias serão um dos legados da Copa?
Vejam aí.
Elucidativo, esclarecedor o infográfico que acompanha chamada da edição da Folha de S.Paulo da última quarta-feira.
Faz uma comparação entre a média de público que três estádios receberam durante a Copa e o público que compareceu na terça-feira para assistir a três jogos.
É impressionante o abismo que se separa as duas situações.
E pergunta-se.
O que farão da arena da Copa construída em Manaus?
O que farão do Mané Garrincha, em Brasília?
O vazio das arquibancadas será um dos legados da Copa?
quarta-feira, 16 de julho de 2014
O que ele disse
"Aconselhada pela vaia, Dilma montou uma cerimônia clandestina para entregar a bola da Copa de 2018 ao 'presidente Plute'. Nem assim conseguiu disfarçar o medo."
Augusto Nunes, jornalista, sobre a presença da presidente da República na final da Copa, no último domingo.
terça-feira, 15 de julho de 2014
Jornalistas e arrogantes. Esses somos nós, jornalistas.
![]() |
| Felipão "orienta" o Brasil no dia dos 7 a 1: e os coleguinhas, por que só agora criticam? |
Antes da Copa, coleguinhas, muitíssimos, entraram no oba-oba do ufanismo.
Nessa condição, eximiram-se de exercer o senso crítico para entrar na onda dos que se diziam muito otimistas com a seleção brasileira, aquela mesma que havia conquistado a Copa das Confederações, no ano passado.
Pois é.
Veio a Copa.
E a seleção se mostrou frustrante.
Decepcionante.
Uma tragédia.
Um vexame.
E os coleguinhas?
Fazem de conta que não é com eles.
Não se dignam dizer simplesmente assim: "Desculpem aí. Mas eu errei. Eu também estava certo de que o Brasil seria hexa. E só fui me dar conta de que isso não seria possível quando a Alemanha goleou o Brasil por 7 a 1".
Assim deveria ser.
Mas não é.
Porque nós, jornalistas, realmente não temos limites em nossas arrogâncias.
Pão, circo e futebol
Do leitor que se identifica como Paulo Bastos, sobre a postagem O que tem a ver a seleção com a Copa?:
É o que dá colocar a diversão (circo) em primeiro lugar, no lugar do trabalho (pão): quando dá errado, vem a desilusão! Deixem de ser bestas! Amanhã esses jogadores, todos, que ganham milhões, estarão é rindo da cara de vocês, assim como já estão rindo de bolso cheio os que se aproveitaram da burrice brasileira de deixar construir tantos estádios, num país repleto de miséria e desigualdades.
É o que dá colocar a diversão (circo) em primeiro lugar, no lugar do trabalho (pão): quando dá errado, vem a desilusão! Deixem de ser bestas! Amanhã esses jogadores, todos, que ganham milhões, estarão é rindo da cara de vocês, assim como já estão rindo de bolso cheio os que se aproveitaram da burrice brasileira de deixar construir tantos estádios, num país repleto de miséria e desigualdades.
Os legados da Copa
Por ANA DINIZ, jornalista, em seu blog Na rede
As teorias conspiratórias: Leonardo Sakamoto criou a melhor de todas no seu blog, tipo o livro de Dan Brown, o "Código da Vinci". Se ele desenvolvesse o tema, quem sabe, conseguiria outro best seller. Mas há pelo menos meia dúzia de outras, tentando explicar como é que o Brasil só não amarelou porque já é amarelo, mas virou mamão passado do ponto.
A discussão política: vai atravessar a campanha eleitoral e, como sempre, pouca coisa restará dela. Há ideias e ideais, mas há, sobretudo, uma enorme incapacidade de trabalho a médio prazo. Torcedor, jogador e cartola querem resultados rápidos e imediatos. Então, tudo fica pelo meio do caminho. E esporte não é exatamente uma prioridade política, a não ser para ocupar garotos de periferia...
Os elefantes brancos: temos agora um rebanho deles. No conto infantil, o grande elefante branco é derrotado por um leão vegetariano. Creio que teremos que importar indianos: só eles conseguem fazer os elefantes trabalharem e pagarem seu sustento. Bem, dentro de dois anos teremos o torneio de futebol olímpico e eles funcionarão de novo. Mas, oh, tristeza! Eles com certeza precisarão de reformas e ajustes...
A desmistificação da Fifa: de repente o Brasil descobriu que, apesar da grama dos campos de futebol ser baixinha, não é pouco o que tem de coelho escondido e saindo desse matinho para as cartolas cada vez mais altas dos dirigentes. Essa desmistificação é ótima: a Fifa caminha para não ser a última palavra em futebol. Podemos falar grosso com ela, agora.
Um gosto amargo para o futebol: e não é por causa da Alemanha. Apesar da goleada, não conseguimos ficar com raiva deles. O gosto amargo foi trazido pela farra da Fifa no Brasil, o que inclui a ladroeira nos ingressos. Descobrimos, de repente, que o esporte que é a nossa alegria é apenas um grande negócio escuso para quem dirige. Que o torcedor é tratado como otário a ser depenado. Principalmente se está do lado de baixo do Equador...
Uma porção de obras inacabadas: talvez elas terminem antes das Olimpíadas no Rio de Janeiro. Nos outros locais provavelmente vão entrar novamente no ritmo usual, isso se não caírem, como o viaduto mineiro. Do que foi feito, ficam os aeroportos e algumas obras de mobilidade. Não sei ao certo quais: desde maio que a página de obras do Portal da Copa não é atualizada.
Uma nova imagem internacional: a imagem do país Brasil melhorou um pouquinho nos quesitos realização e democracia. E a do povo brasileiro ganhou muitos pontos positivos. Talvez que afinal vá sobrar coisa boa dessa história toda, se o fluxo turístico de fato aumentar.
A confraternização com os povos americanos: possivelmente a melhor coisa que a copa nos proporcionou. Os torcedores dos nove países com seleções na copa vieram – a maioria, creio, pela primeira vez – ver de perto o monstruoso Brasil, considerado pelos sulamericanos como imperialista e pelos norteamericanos como terra do fim do mundo. E começaram a demolir o preconceito, da mesma forma como nós, brasileiros, começamos a vê-los com outros olhos.
O nosso lugar: estamos entre as quatro melhores seleções do mundo, mas, diferentemente da Colômbia ou dos Estados Unidos, numa curva descendente. Se aproveitarmos o legado, poderemos reverter a curva; se não, será o declínio.
E, finalmente, a conta: em janeiro de 2013, o site “Os amigos do presidente Lula” informava que as despesas com a Copa seriam 22,46 bilhões de reais, que seriam largamente compensados pela entrada, na economia, de 142 bilhões entre 2010 e 2014. Bem, esse estudo foi igual ao que baseou a decisão de comprar a refinaria de Pasadena: os 142 bilhões não entraram – os mais de dois bilhões de recursos que seriam trazidos pelos turistas previstos não vieram, apesar da invasão argentina - e a despesa subiu para 27 bilhões de reais, segundo o Tribunal de Contas da União. Bem, o Coríntians terá que pagar o custo dos investimentos no Itaquerão, dizem. E eu digo: é mesmo? Pago pra ver... Só o tempo dirá se valeu a pena.
O que ele disse
"De 10, chegamos a uma nota de 9,25. Melhoramos desde a África do Sul. Perfeição não existe."
Joseph Blatter, presidente da Fifa, sobre a Copa do Mundo no Brasil.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Tetra. Com todos os méritos.
Sim, meus caros.
O Espaço Aberto não torceu para a Argentina.
Claro que não.
Torceu para a Alemanha, a melhor seleção deste mundial.
Torceu para a Alemanha, a tetracampeã mundial. Com todos os méritos.
Mas convém reconhecer.
Os hermanos jogaram pra caramba.
Apresentaram o melhor do futebol sul-americano.
A Argentina, que nas partidas anteriores não foi tão brilhante, muito embora tenha sido eficiente, ontem foi brilhante, mas não foi eficiente.
E deu Alemanha.
A Alemanha que, de sobra, sobrou na Copa.
Foi mais time.
Foi mais equipe.
Fez o coletivo preponderar sobre as individualidades.
E foi tetracampeã com um golaço, mas um golaço, de Götze.
Mas, para sermos justos, parabéns à Argentina.
Que ficou em segundo, é certo.
Mas fez uma grande Copa.
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Argentinos foram retirados da sala de cinema de shopping na Doca
Rolou uma certa, como diríamos, tensão dentro de uma das salas Cinépolis, do Boulevard Shopping, da Doca, durante a final da Copa entre Alemanha x Argentina.
A partida foi exibida na telona.
Lá pelas tantas, um grupo de argentinos passou a provocar.
O clima começou a esquentar.
E antes que esquentasse mais, os seguranças foram aos hermanos e, gentilmente, pediram que eles fossem cantar e zoar em outra freguesia.
Felizmente, nenhum deles resistiu.
A exibição da final continuou tranquilamente.
E, no final, a sala explodiu de contentamento, com a confirmação de que a Alemanha faturou o tetra.
E os argentinos zoadores?
Os demais frequentadores da sala foram procurá-los no canal da Doca.
Mas eles não estavam lá.
Hehe.
A partida foi exibida na telona.
Lá pelas tantas, um grupo de argentinos passou a provocar.
O clima começou a esquentar.
E antes que esquentasse mais, os seguranças foram aos hermanos e, gentilmente, pediram que eles fossem cantar e zoar em outra freguesia.
Felizmente, nenhum deles resistiu.
A exibição da final continuou tranquilamente.
E, no final, a sala explodiu de contentamento, com a confirmação de que a Alemanha faturou o tetra.
E os argentinos zoadores?
Os demais frequentadores da sala foram procurá-los no canal da Doca.
Mas eles não estavam lá.
Hehe.
Neuer. Ele sim, foi o melhor. E não Messi.
É brincadeira, né?
Só pode ser brincadeira.
Atribuir a Lionel Messi o prêmio de Bola de Ouro da Copa só pode ser coisa da Fifa, que o grande José Mujica definiu perfeitamente bem.
Lionel Messi, reconheçamos, é um craque.
Um cracaço de bola.
O pessoal aqui da redação acha mesmo que continua a ser o melhor do mundo. É melhor, inclusive, do que Cristiano Ronaldo, atualmente o detentor de melhor do mundo.
Mas uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa.
Uma coisa é Messi ser o melhor do mundo - na opinião aqui do blog, repita-se.
Outra coisa é considerar que ele foi o melhor da Copa.
E não foi.
Vamos ver se concordamos no seguinte.
O colombiano James Rodríguez fez uma Copa espetacular.
Phillip Lam, da Alemanha, fez uma Copa sensacional.
O holandês Robben, descontados os seus espalhafatos, fez uma Copa magistral.
E por último, mas não menos importante, Manuel Neuer (na foto), o goleiraço da Alemanha.
Não seria demais se tivessem dado o título de melhor goleiro para outro e o de Bola da Outo da Copa a Neuer.
O cara é uma máquina, fora de brincadeira.
É igual a um robô.
Parece que foi programado mecanicamente para defender.
É mais do que uma muralha.
É uma fortaleza.
Conceder a Neuer o título de melhor goleiro da Copa foi muito pouco.
Conceder a Messi o título de melhor jogador da Copa é uma brincadeira.
Apesar de Messi ser o melhor do mundo.
Como se sentem agora, hein, hermanos?
Mas que sacada!
O Lance lava a nossa alma.
Melhor do que o Lance para lavar a nossa alma, só mesmo a vitória da Alemanha sobre os hermanos e a conquista do título de tetracampeão mundial.
Seguinte.
Na vitória dos germânicos por 7 a 1 sobre o Brasil, naquele dia mais vergonhoso, mas vexatório, mais deplorável e mais humilhante em todos os 100 anos de história da seleção brasileira, o Olé, diário esportivo mais lido da Argentina, fez troça.
Decime qué se siete... (Diga-me como se sete), provocou o jornal argentino, trocando o siente, do verbo sentir, pelo siete, o número 7, e fazendo referência à musiquinha dos argentinos para zoar os brasileiros.
Vejam a manchete do Olé lá no alto.
Pois é.
Aí, ontem, logo após encerrado o jogo que garantiu a conquista do tetracampeonato à Alemanha, o Lance exibiu em seu site a manchete que vocês veem acima.
Decime qué se siente ahora!, devolve o Lance.
Hehehe.
O Lance lava a nossa alma.
Hermanos x hermanos. Em plena rua.
O pau torou.
O pau quebrou, e quebrou feio, na avenida 9 de Julho, a maior de Buenos Aires, ao término do jogo em que a Alemanha conquistou o tetra no Maracanã.
Olhem o vídeo aí, extraído do site do Olé.
A pátria indescartável
Do jornalista Nélio Palheta (que mandou também a foto), por e-mail, sob o título acima:
Segunda, quarta e sexta são dias de coletar o lixo, descartar inservíveis. Mas, não... , amanhã não vou te descartar, oh Pátria amada, Brasil!
Vou jogar no lixo, sim, todas as mágoas frustrações, perpetradas nos estádios; amanhã vou me desfazer da fantasia que a pátria de chuteiras me fez vestir. Tua vontade frustrada, Pátria Amada Gentil!
O futebol pode ter esmaecido o verde e o amarelo da bandeira de plástico - mera alegoria -, mas não destruiu o verde amarelo do meu coração. Assim como dos demais filhos teus.
O futebol empanou o brilho de algo que o país inteiro almejou como axioma de um Brasil mais feliz, cheio de conquistas permanentes em todos os quadrantes, e não apenas empapado das alegrias restritas às linhas dos gramados ou à mesa do bar _ celebrações efêmeras, por si só descartaveis.
Não, deitada em berço esplêndido e repleta de felicidade é o que mereces em brados retumbantes. Algo como o tri e o penta indeléveis.
O Brasil que eu quero não é esse descartável nas segundas-feiras, depois de um domingo ou uma Copa de frustrações, e sim aquele pelo qual não só 11 lutam, mas aquele de conquistas e lutas cotidianas de 200 milhões de brasileiros.
Com ou sem chuteiras.
O que ela disse
"Queridos jogadores e querida Comissão Técnica, vocês - e o futebol brasileiro - são maiores do que quaisquer resultados passageiros."
Trecho de carta da presidente Dilma Rousseff à seleção brasileira, após a participação frustrante na Copa do Mundo 2014.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Na vitória da Alemanha, o triunfo da civilidade
![]() |
| Hummels: grandeza na vitória. O triunfo da civilidade. |
Ha grandezas nas derrotas.
Como há baixezas e vilanias nas vitórias.
Quando vitórias são acompanhadas de gestos de grandeza, temos o triunfo da civilidade.
O mais completo triunfo.
Cliquem aqui.
Quando clicarem, vocês vão ler a matéria abaixo, sob o título Pacto no Mineiraço?, que está publicada no Olé, o mais importante diário esportivo da Argentina.
A matéria, com base em informações do jornal britânico Daily Mirror, informa que no intervalo de Brasil x Alemanha, quando a seleção de Felipão, apagada e destroçada, já amargava uma surra de 5 a 0, os germânicos teriam feito um pacto.
O pacto entre os alemães teria sido o seguinte: tirar o pé do acelerador, reduzir o ritmo, evitar que o massacre assumisse proporções muita mais vexatórias para a seleção brasileira.
"Deixamos claro que tínhamos que continuar jogando concentrados, jogar seriamente e tentar não humilhar o Brasil. Quando se está no gramado devemos mostrar respeito pelo rival", teria dito o zagueiro alemão Mats Hummels, conforme o jornal britânico citado pelo Olé.
Olhem, a informação confirma uma evidência: foi visível, foi escancarado, foi manifesto que a seleção da Alemanha não fez mais gol porque não quis.
Foi visível que se poupou e não queria mesmo humilhar ainda mais a seleção brasileira, àquela altura já destroçada.
A Alemanha foi grande na vitória. E a civilidade triunfou.
Abaixo, leiam a íntegra da notícia do Olé em espanhol.
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Según Daily Mirror, diario inglés, Mats Hummels, zaguero alemán, habría confiado que, en el entretiempo, el equipo cuando se juntó en el vestuario decidió sacar el pie del acelerador para no empeorar las cosas en Brasil.
Iban cinco y, haciendo cálculos y mirando el desarrollo del juego, podían ser diez. Cien. Mil. Alemania avasallaba a Brasil en el Mineirao y se fue 5-0 al vestuario. Al volver, y si bien llegó a hacer dos goles más, ya no fue el mismo más allá de tener la chance histórica de seguir boleteándolo. Le sobraban motivos además de engrosar su estadística: ¿para qué poner la piernita con semejante ventaja si este domingo se jugaban la final (luego supieron que ante la Argentina)?
Según publicó el diario británico Daily Mirror, el zaguero germano Mats Hummels habría asegurado que todo se trató de un pacto entre sus compañeros en el entretiempo. "Dejamos claro que teníamos que continuar jugando concentrados, jugar seriamente e intentar no humillar a Brasil. Cuando se está en la cancha debemos mostrar respeto por el rival y fue muy importante que así haya sido, sin entrar en gastadas. No queríamos ridiculizar a Brasil...", habría dicho el autor del cabezazo ante Francia que puso a los teutones en semifinales. ¿Creer o reventar?
O que tem a ver a Copa com a seleção?
De um Anônimo, sobre a postagem Da Copa às urnas:
Não entendi o que tem a ver a copa das Copas um evento mundial com a derrota da seleção brasileira em um jogo de futebol.
Já demonstramos ao mundo a nossa falta de educação e civilidade insultando e agredindo verbalmente uma senhora de 67 anos de idade em público, na frente da filha e de várias autoridades. Agora vamos demonstrar que somos tão burros e tão idiotas que não sabemos diferenciar e confundimos jogo de futebol com eleição?
Mas eu acredito que o brasileiro é muito melhor que isso. O tempo dirá.
Não entendi o que tem a ver a copa das Copas um evento mundial com a derrota da seleção brasileira em um jogo de futebol.
Já demonstramos ao mundo a nossa falta de educação e civilidade insultando e agredindo verbalmente uma senhora de 67 anos de idade em público, na frente da filha e de várias autoridades. Agora vamos demonstrar que somos tão burros e tão idiotas que não sabemos diferenciar e confundimos jogo de futebol com eleição?
Mas eu acredito que o brasileiro é muito melhor que isso. O tempo dirá.
O que ele disse
"Foi uma coisa inacreditável, inexplicável. Não consigo explicar. Foi um apagão que teve na nossa equipe. Ficou difícil de reverter. Não existe o “se”. É muito fácil falar depois que as coisas acontecem. Já passei por isso e sei como é conviver com um apagão dentro de campo. Você não consegue fazer nada. Tem que torcer logo para que acenda a luz rápido. Não vim aqui para explicar o que aconteceu na partida. Perguntei e eles não têm como explicar. Se eles não conseguem, quem sou eu para explicar. Tem que lamentar a derrota, ficar triste. Todos os jogadores buscaram isso. E todos são merecedores de estar aqui. Se parar para fazer a convocação novamente 90, 95% vão ser os mesmos jogadores. Não é por causa da perda de um título que os jogadores são ruins. Não tem o que falar. Aconteceu. Faz parte do futebol. Estamos dispostos a tudo dentro de campo. Infelizmente aconteceu com a gente. Não queríamos passar por isso. Principalmente pelas nossas famílias, que acabam sofrendo mais do que a gente. A gente é forte o suficiente para aguentar tudo isso."
Neymar, melhor jogador do Brasil, sobre a tragédia no Mineirão.
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