quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Combater o racismo com base na lei, sim. Com ódio, não.

Patrícia Moreira: seu ato foi reprovável. Foi criminoso. Mas ela não é um excremento humano. É?
Olhem só.
O preconceito – qualquer um – é horroroso.
A discriminação, idem.
O racismo, idem, idem.
Preconceitos e discriminações – por raça, crenças, cor, sexo, condição social, o que for – são odiosos.
Patrícia Moreira, essa moça que praticou o crime de injúria racial, cometeu um ato deplorável, censurável, reprovável e criminoso, ao chamar de macaco o goleiro Aranha, do Grêmio.
O ofendido, por sua vez, tem plena – pleníssima - razão em sentir-se revoltado, humilhado por ter sido alvo de injúria racial durante partida de futebol.
Patrícia Moreira precisa ser punida?
Precisa. Porque seu ato, repita-se, foi criminoso.
E o Grêmio?
Esse é um lado da questão.
Mas é o seguinte (e toda história tem um mas, não é?).
O que estão fazendo com a agressora é injustificável.
Ele já teve sua casa apedrejada.
Foi ameaçada de morte.
Está sendo tratada como um excremento humano.
Estão a ponto de defender que seja deportada para Guantánamo.
E há vários depoimentos circulando por aí, sustentando que Patrícia não é racista, eis que até chegou a ter um namorado negro.
Ela cometeu um erro – deplorável, sob todos os aspectos. Não importa se agiu no calor da hora, como se diz. O certo é que errou gravemente.
Mas isso justifica que seja tratada como um excremento, um rejeito, um estupor moral irrecuperável?
Esse crime justifica que seja praticamente banida do convívio social – como muitos, subliminarmente, estão defendendo?
É admissível que venha a ser segregada socialmente?
O blog tem convicção de que o goleiro Aranha, se lhe for perguntado, não haverá de aprovar esse, digamos assim, expurgo moral que sua agressora enfrenta.
Sabem por quê? Porque ele, Aranha, sabe o que é a dor da discriminação, do preconceito e do racismo. E nada indica que haverá de concordar com esse banimento que pretendem impor à moça que o ofendeu.
Punição dentro da lei, sim.
Tratar a agressora como um excremento humano, não.
É claro que não.

3 comentários:

ANTONIO Valentim disse...

Se a moda pega...
A propósito, alguém ainda se lembra do bi-racial Wellington Vero?
http://www.bloguedovalentim.com/2014/09/sobre-insultos-raciais.html

Anônimo disse...

Por quê defender a impunidade? Depois reclamam que nesse país tudo e potoca. Daqui à pouco ninguém será punido com um multa de trânsito. Duralex...

Anônimo disse...


Ela já pediu perdão publicamente. Desagravou a sociedade e o ofendido, que não é e nunca será macaco. O jogador deverá perdoa-la.