segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O que ele disse

"Esse foi o mais atrevido caso de corrupção e desvio de recursos no Brasil. Um sistema de enorme desvio com o objetivo de comprar parlamentares".

"Como já ressaltei, o esquema tinha como intenção obter voto no Congresso Nacional. Os parlamentares cooptados receberam pessoalmente os recursos de dinheiro proveniente de lavagem de dinheiro feito por Marcos Valério e dirigentes do Banco Rural."

"A ascendência de Dirceu sobre os demais do grupo fica claro no documento. Ele tinha conhecimento de todos os pagamentos indevidos. Participou diretamente sdas negociações com os parlamentares do Partido Progressista".

"Sinto o dever de fazer o registro de que, em 30 anos de exercício de profissão, jamais enfrentei nada sequer comparável à onda de ataques grosseiros e mentirosos feitos por variados meios para constranger e intimidar o Procurador da República. A voz do Ministério Público continuará a ressoar forte, íntegra e serena".

Roberto Gurgel, procurador-geral da República, no segundo dia de julgamento do mensalão, ao ler um resumo da peça acusatória.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Um olhar pela lente

O Mercado de Carne, no Ver-o-Peso, em Belém.
Exemplar da rara "arquitetura de ferro".
A foto é de Artur V. Iannini.

E se o Supremo errar?

Por FABRÍCIO CAMPOS e CONCEIÇÃO APARECIDA GIORI, no Consultor Jurídico

O alardeado julgamento do “caso” que ficou conhecido como “mensalão” está certamente conseguindo prender a atenção das pessoas. A imprensa, em todas as suas formas de expressão, tem dedicado, nos momentos finais que antecedem o início do julgamento, boa parte de suas pautas com a expectativa do resultado. Não faltaram sequer exercícios de adivinhação, por vezes recobertos por gráficos com as contas exatas das penas possíveis, da prescrição inevitável para alguns e da possibilidade maior de apenamento (como o efetivo cumprimento) para outros.
O rosto de cada réu (comumente denominado “mensaleiro”) precisa aparecer no momento de se explicar ao expectador, ávido por essa informação, qual a probabilidade de sua sorte no julgamento. As defesas, quando todas as perguntas já parecem ter sido respondidas em potencial, são chamadas, talvez por amostragem, apenas para que se confirme a historicidade do julgamento que se pretende único. E novamente, as mesmas perguntas já formuladas em algumas dezenas de vezes são postas aterrorizantemente frente ao defensor na expectativa de uma confirmação, ainda que velada.
E na fileira dos questionamentos impactantes sob a perspectiva do ânimo, um talvez esteja em estado latente ou simplesmente jaz no espaço indefinível entre o mundo das ideias e o planeta renegado onde reside o medo da resposta: O que fazer se o Supremo errar?
Para alguns, quase será um sacrilégio lançar como possível a ideia do erro de julgamento do maior (e último) tribunal do país. Algumas bocas poderão dizer: há a revisão criminal. Sim, e neste caso, após o trânsito em julgado da decisão e do irremediável início (!) do cumprimento da pena, poderá o réu “mensaleiro” rever sua definitiva condenação.
Mas e quanto à possibilidade de uma reanálise do julgamento? O que fazer quando o Supremo Tribunal Federal atua em única instância? O duplo grau de jurisdição, trazido como direito inafastável do réu pelo Pacto de San José da Costa Rica, tratado ratificado pelo Brasil, logo com aceite da validade de seus termos e com o compromisso de os aplicar, deve ser digno da repercussão do “histórico julgamento do mensalão”. Eis o nó: por inviabilidade prática — por faltar a quem recorrer ou a quem tenha expressa previsão para julgar o recurso —, o réu com prerrogativa de foro (regra constitucional) está automaticamente excluído da proteção conferida ao réu “comum” pela Convenção Americana de Direitos Humanos, promulgada pelo Decreto 678, de 1992 (artigo 8º, 2, h e artigo 25)?
O foro por prerrogativa de função pode retirar do réu o direito de insurgência? Noutras palavras, quando a competência para o processo não for de juízes de primeiro grau, o réu passa a não ser mais alcançado pela proteção histórica que lhe é conferida em respeito ao direitos que são reconhecidos internacionalmente? E se históricos são os direitos humanos, não será materialmente constitucional qualquer norma, mesmo que internacional, que disponha de forma mais benéfica que o próprio regramento interno em favor do réu?
Algumas dessas perguntas, senão todas, de uma forma ou de outra, parecem já ter batido à porta do Supremo Tribunal Federal.

Mais aqui.

Charge - Clayton

Romário calado é um poeta



Fora de brincadeira.
Essa função de comentarista de partidas de futebol é uma função das mais ingratas.
De cada dez comentaristas, nove comentam o óbvio ou comentam coisas que apenas e tão somente eles veem.
Agora, foi a vez de Romário, que comentou Brasil 3 x 0 Nova Zelândia, no futebol masculino.
Dos 90 minutos, o cara passou uns 60 dizendo: “Parece que o Brasil não está com vontade de fazer gols”.
E continuou a repetir essa chatice mesmo depois de a seleção fazer 3 a 0 e perder outros gols, um deles, inacreditável, perdido por Neymar.
Depois que se enjoou de repetir o tal “parece que o Brasil não está com vontade de fazer gols”, Romário, com aquela vozinha devagar, arrastada, anasalada e sonolenta, completou: “Esse jogo já está dando sono”.
Romário, em verdade, é que estava dando sono.
Romário, em verdade, tem sido, como comentarista, o que ele mesmo disse (vejam no vídeo), antologicamente, sobre Pelé: “Calado, ele é um poeta”.
É isso: “Romário calado é um poeta”

Charge - Dálcio

O bolão dos advogados dos réus mensalão

Do Consultor Jurídico

A jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, divulgou nesta sexta-feira (3/8) os bastidores do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. Ela retratou em sua coluna as opiniões dos advogados dos réus sobre a cobertura da imprensa ao caso - especialmente a TV Globo - e os votos de ministros.
“O "JN" é o tema da conversa. Muitos deles consideram que as reportagens longas e diárias, em que as acusações contra os réus são repetidas várias vezes em horário nobre, podem influenciar mais alguns ministros, que teriam "medo" do telejornal, do que as defesas que farão de seus clientes no tribunal”, diz um dos trechos da coluna.

Veja abaixo a descrição da colunista sobre os bastidores do mensalão:

"O Marco Aurélio [Mello] subiu no telhado", diz um dos principais advogados do mensalão enquanto vê o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) atirar na direção de outro magistrado, José Antonio Dias Toffoli, na edição do "Jornal Nacional" de anteontem.

Os defensores dos principais réus do caso estão com os olhos grudados na tela da TV Globo. Reunidos no bar da cobertura do hotel Naoum, eles veem Marco Aurélio dizer que será "triste" e "constrangedor" para o STF decidir se Toffoli pode ou não julgar o caso -ele foi advogado do PT no passado.

Marco Aurélio era até então computado como voto eventualmente favorável aos principais réus. Ele já tomou posição impopular em vários processos e sempre criticou ministros que votam "com a turba". Ao dar a entrevista à Globo, no entanto, o ministro sinalizava, na opinião de vários advogados, que votará pela condenação.

E Toffoli? Aguentaria a pressão do "Jornal Nacional" ou se declararia impedido de julgar, perguntavam-se alguns. "Ele é um pouco medroso", opinava um deles. "Não é, ele vai votar, sim", dizia outro. Toffoli era considerado voto certo pela absolvição. "Nós podemos cair num paradoxo de ele ficar no julgamento, mas ficar fraco e condenar um monte de gente", afirmava um terceiro.

A cobertura do Naoum vai ficando cada vez mais cheia. Vários advogados chegam para se juntar aos ex-ministros Márcio Thomaz Bastos e José Carlos Dias e aos advogados Arnaldo Malheiros Filho e Celso Vilardi, hospedados lá. Alguns tomam uísque. Outros, cerveja ou água.

O "JN" é o tema da conversa. Muitos deles consideram que as reportagens longas e diárias, em que as acusações contra os réus são repetidas várias vezes em horário nobre, podem influenciar mais alguns ministros, que teriam "medo" do telejornal, do que as defesas que farão de seus clientes no tribunal.

Dez advogados saem para um restaurante. Thomaz Bastos, Dias e Malheiros ficam no hotel. Querem dormir cedo.

Num táxi, a caminho do jantar, os palpites se avolumam. Delúbio Soares dificilmente escapará da condenação. Alguns réus terminarão o mês presos e algemados. Mas pelo menos uns dez serão absolvidos.

Sob a condição de não terem seus nomes publicados, os advogados dão à coluna suas opiniões sobre os votos de cada ministro no caso do principal réu: José Dirceu.

A ministra Cármen Lúcia? "Essa condena até Papai Noel na véspera de Natal", opina um advogado. "Eu já acho que ela absolve até Judas na véspera do enforcamento", palpita o taxista, provocando risos gerais.

O ministro Joaquim Barbosa? Condena. Carlos Ayres Britto? Condena. Marco Aurélio Mello? "Ele não subiu no muro, ele já se atirou da janela. Condena todo mundo", prossegue o advogado.

O ministro Ricardo Lewandowsky? "Ele vem com um grande voto. Vai dar a volta por cima." Todos concordam. Toffoli? Absolve. Luiz Fux? Absolve. "Mas ele é meio vaidoso", opina outro.

Em relação aos demais, as opiniões se dividem.

A ministra Rosa Weber? Mistério. "Não sei. Todos achavam que sim, absolveria, pela ligação com a presidente Dilma Rousseff. Mas ela me recebeu com uma frieza glacial", diz um dos defensores. "Tá todo mundo assustado, porque ela chamou o juiz Sergio Moro para auxiliá-la. Ele é muito duro, condenado

O espetaculoso falatório no Supremo

Mas que coisa, hein?
No primeiro dia de julgamento do mensalão, tivemos um espetáculo.
Tivemos um espetaculoso falatório.
A Corte gastou horas para apreciar um tema que já fora debatido: a velha questão da prerrogativa de foro e a consequente supressão do duplo grau de jurisdição.
Vamos admitir como plausível a ponderação do ministro-revisor, Ricardo Lewandowski, de que a competência pode ser debatida a qualquer tempo.
Perfeito. Pode.
Vamos admitir ainda que o ministro precisasse de um tempinho para expor o seu posicionamento, em favor do desmembramento do processo.
Admitamos, por terceiro, que essa exposição tivesse relevância, porque, como Sua Excelência mesmo alertou, suas consequências estavam cingidas a um dos mais bens mais preciosos de qualquer pessoa: a liberdade.
Admitidos esses fatores, pergunta-se: mas o ministro precisava gastar todo aquele tempão para expor a íntegra do seu voto?
Por que não o resumiu?
Por que não enfrentou os pontos principais da questão e os enfatizou?
Não sabia o ministro que ali, naquele momento, estava fazendo uma exposição para seus iguais, para seus pares, que já sabem de tudo aquilo de cor e salteado?
Por que, enfim, não se abreviou aquele debate?
É também – observem no também - por isso que o Supremo está atopetado de processos.
Suas Excelências falam demais.
Expõem demais.
Debatem demais.
A título de quê?
A propósito de quê, se muitas e muitíssimas questões podem ser aceleradas?
Se debates como esse, demorados e prolongados além da conta, perdurrem, o mensalão será, sim, julgado em agosto.
Mas em agosto de 2050.
Podem apostar.

MP Eleitoral lança o disque-denúncia

O Ministério Público Eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançaram o serviço de atendimento telefônico para comunicação de denúncias sobre irregularidades nas eleições 2012.
Com o serviço o cidadão terá a possibilidade de denunciar todo tipo de irregularidades, como propaganda ilegal, tentativas de compra de votos, participação de candidatos em inaugurações de obras públicas e arrecadação irregular de recursos para a campanha.
Nas eleições de 2010, foram formalizadas 384 denúncias pelo serviço.
O disque-denúncia eleitoral atenderá pelo número 0800-0960002 de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Nos 15 dias anteriores às eleições o atendimento será feito 24 horas por dia, durante todos os dias da semana, incluindo os sábados e domingos.
Além do disque-denúncia, as irregularidades podem ser informadas ao Ministério Público Eleitoral pela internet, no formulário disponível em http://www.prpa.mpf.gov.br/institucional/pre/denuncia, disponível para os cidadãos todos os dias da semana, 24 horas por dia.

Fonte: Ministério Público Eleitoral

O que ele disse

“Um escritor deve sempre dizer a verdade, a não ser que seja jornalista”

“Metade dos americanos nunca votou para presidente, e metade jamais leu um jornal. Esperamos que seja a mesma metade.”

“Quando alguém me pergunta se posso guardar um segredo, respondo: ‘Por que eu deveria, se você não pôde’?”

“Estilo é você saber quem é, e dizer o que quiser, sem dar a mínima importância para o resto.”

“Toda pessoa pronta para disputar a presidência dos Estados Unidos deveria, automaticamente, ser impedida de concorrer.”

Gore Vidal, escritor norte-americano, que morreu na última terça-feira, aos 86 anos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Um olhar pela lente

Aqui também é Belém.
A foto é de Macapuna.

Abba - Thank You for the Music

Charge - Paixão

O bate-boca de Galvão e suas intimidades



E o Galvão, hein?
Volta a ser notícia.
Ontem à noite, ao vivo e em cores, no Conexão Sportv, protagonizou um bate-boca imperdível, eletrizante, digamos assim, com Renato Maurício Prado, que integra a bancada do programa.
O bate-boca foi por causa de uma brincadeira de Renato.
Galvão exasperou-se.
Exasperando-se, fez o estilo Galvão.
Seu estilo é assim: travar intimidade com os outros fora da telinha e transpor essa intimidade para suas aparições na telinha. Permite-se, pois, tirar confiança com muita gente.
Para o Parreira, por exemplo, ele chamou num programa de Parreirinha, um tratamento que talvez nem a mulher do Parreira lhe concede.
Pois é.
Ao tranpor essas intimidades para a telinha, agride o telespectador.
É que o telespectador, que não participa das intimidades de Galvão com certos personagens, fica achando que ele está fazendo grosserias.
Vejam o caso de Arnaldo César Coelho, o comentarista de arbitragem da Globo.
Ha tempos, há muito tempo que Galvão o trata com o bobo da corte - tanto nas narrações como em outros programas, inclusive agora, no Conexão Sportv.
O impressionante é que Arnaldo se presta a esse papel.
Galvão faz de Arnaldo um pateta, um paspalho, um objeto de diversão.
E isso acontece, inclusive, quando o comentarista faz intervenções interessantes, mas que são ridicularizadas por Galvão Bueno.
Ele, Galvão, já disse em entrevista que "eu adoooooooooro o Arnaldo. Ele é meu amigo".
Mas Arnaldo é amigo do Galvão.
E não dos telespectadores.
E quando Galvão faz grosseiras brincadeira com "o Arnaldo", aquilo soa como uma agressão aos telespectadores.
Ontem, a pé de pau aconteceu porque Renato, aproveitando o clima descontraído do programa, tirou confiança com o apresentador, que depois começou com aquelas suas encenações, para deixar tudo por menos.
E tentou deixar tudo por menos não propriamente porque passou dos limites, não porque propriamente se excedeu, mas para minimizar a repercussão nas redes sociais, conforme fez questão de frisar o próprio Galvão.
Mas Galvão nunca consegue.
Porque está sempre a se exceder em suas intimidades.
Nas intimidades, repita-se, que são dele, e não do telespectador.

Charge - Humberto

O mensalão revela as entranhas desta República

Marco Aurélio Mello: ele acha que o julgamento do mensalão deve ser como outro qualquer. Fala sério!
O Supremo começa a julgar hoje o caso do mensalão.
Hoje, por supuesto, não é um dia qualquer.
Porque o Supremo não é um tribunal qualquer.
E porque esse processo do mensalão não é um processo qualquer, data venia, mil datas máximas venias o ministro Marco Aurélio Mello, que, com aquele seu tom empostado, elevou sua voz para sustentar a patacoada de que esse caso, para a Corte, deveria ser como todos os outros.
O ministro, se não fosse ministro do Supremo, estaria brincando.
Como é ministro, deve ter falado sério. O que não impede que consideremos suas assertivas uma brincadeira.
Esse caso do mensalão revela as entranhas da República.
Desta nossa República nada republicana.
O mensalão exala as práticas dos porões, do arreglos, dos jeitinhos, dos interesses espúrios, do esconde-esconde de dinheiro contabilizado sob os vernizes do faz de conta.
Quando o então presidente Lula, sentado ao ar livre, num ambiente verdejante de Paris, disse em alto e bom o som o que o então ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos - hoje, não coincidentemente, atuando no caso do mensalão -, o orientou a dizer, quando Lula, portanto, disse que o mensalão não passava de doações não contabilizadas de campanha, o famoso caixa 2, ali estava uma proclamação formal e histórica de que a política brasileira se faz conhecer nos covões.
E nas estranhas, e não à luz do Sol, que se conhece a política brasileira.
Covões, o plurão de covão, tem aqui a mesma acepção de fossos, poços, valas, porões e coisa parecida.
Nesses ambientes, caixa 2 é coisa pequena, banal, desprezível.
É crimezinho.
É coisa de somenos.
É coisa desimportante.
Lula, em outras palavras, disse o seguinte: "Nós [não propriamente os petistas, mas os condestáveis da política] não nos rebaixaríamos a tanto. Ficamos sempre nos limites da sarjeta. Dai pra baixo nós não ousamos ir. Nossos limites vão até o caixa 2. E daí não passamos".
A Procuradoria-Geral da República foi ver melhor.
Encontrou coisas abaixo dos covões, das valetas, dos poços.
Encontrou coisas abaixo das sarjetas.
Descobriu o Ministério Público, curiosamente, que o mensalão nunca existiu.
Porque não existe, é claro, a figura do mensalão como categoria penal.
Existe, sim, lavagem de dinheiro.
Formação de quadrilha.
Peculado.
Gestão fraudulenta.
São essas condutas a que respondem os 38 réus, que a partir de hoje, e provavelmente pelos próximos 30 dias, vão a julgamento no Supremo.
São culpados?
Não sabemos.
São inocentes?
Não sabemos.
Precisamos, por isso, deixar que o Supremo julgue.
Tranquilamente.
Independentemente.
Tecnicamente.
E conscientemente.
Mas, certamente, o processo do mensalão não é um caso qualquer.
Quem achar que é não conhece os porões da República brasileira.
Ou então acha que estabelecer limites para a prática de crimes - como não ir além do caixa 2, por exemplo - é ato tão edificante que justificaria até erigir-se uma estátua à honra de quem fizesse tal opção.
Putz!
Esse é o Brasil do mensalão.
Sem tirar nem pôr.

O mensalão. Uma retrospectiva.

Não há impedimento para Toffoli julgar o mensalão

De um Anônimo, sobre a postagem Excepcionalidades no julgamento do mensalão. Por quê?:

É impressionante a cultura do desprezo que existe no Brasil pelas mais elementares conquistas da civilização em termos de garantias de direitos civis.
Ora, se o ministro Peluso se aposentasse antes do julgamento haveria o julgamento ainda que somente com dez ministros, como tantas vezes já ocorreu no STF. Se houvesse empate sobre a culpabilidade de alguém, ocorreria o que acontece todos os dias em dezenas de Cortes por este país afora: o réu não seria condenado, pois não se logrou formar-se uma maoria que o julgasse culpado - por que tem que ser diferente neste processo?
No caso do ministro Toffoli, não há impedimento deste ter sido advogado de alguém que hoje é processado, desde de que não tenha atuado no processo como advogado deste. É o que diz a lei. E, pelo que li na impresa, a atual companheira do ministro Toffoli nunca atuou como advogada de José Dirceu neste processo, teria sido, quanto Dias Toffoli não era Mnistro, advogada de outro réu, professor Luizinho e se afastado antes do Ministro assumir o STF.
O que se poderia alegar no caso de Dias Toffoli seria sua militância política anterior no PT. Todavia, aqui se trata de suspeição por foro íntimo, que somente é declarada pelo próprio ministro. E tem que ser assim, senão abre-se espaço ara a chicana, com advogados inescrupulos levantando suspeições sob motivos subjetivos e assim afastando juízes que considerem menos "simpáticos" a seus clientes. Detalhe: o ministro Toffoli já atuou em dois recursos no bojo do processo, sem que ninguém houvesse questionado, e nos dois não foi favorável aos réus.
Portanto, não se trata de ingenuidade, mas sim de repelir a razão cínica que, sob o manto da justiça como vingança pública, quer ver neste processo não um julgamento, mas um patíbulo.

Eleições da OAB em novembro podem ser manuais

Por RODRIGO HAIDAR, do Consultor Jurídico

As eleições das 27 seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, marcadas para novembro, poderão ser manuais. Os advogados terão de, possivelmente, desaposentar as urnas de lona, cédulas de papel e canetas porque o Tribunal Superior Eleitoral não emprestará as urnas eletrônicas para a disputa da OAB, como comumente é feito.
Segundo o TSE, o motivo é que o sistema das urnas está sendo atualizado. “A consequência é não ser possível, no período de atualização das máquinas, a cessão de urnas eletrônicas para usos estranhos às eleições oficiais”.
Segundo o tribunal, a atualização do software das urnas para as eleições municipais de outubro faz com que elas fiquem incompatíveis para uso em eleições parametrizadas — feitas por sindicatos, universidades e outras instituições, como a OAB, com o empréstimo das urnas eletrônicas. “Daí a inviabilidade da cessão ou empréstimo das urnas para a realização de outros pleitos que não as eleições brasileiras até a data da conclusão da atualização do equipamento (julho de 2013)”.
O presidente do Conselho Federal da OAB, Ophir Cavalcante Junior, disse que, diante da negativa do TSE, a Ordem vem estudando outras soluções. Uma delas seria o empréstimo apenas das urnas do Distrito Federal, que não são usadas nas eleições municipais. Outra é o uso de outro sistema eletrônico seguro, que seja aprovado pelo Conselho Federal.
A segunda opção vem sendo conversada com o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. Segundo Ophir, as conversas devem avançar na semana que vem. Caso nenhuma das duas soluções se torne possível, as eleições serão manuais.
O TSE ressaltou, em nota, que “a Justiça Eleitoral cede, costumeiramente, com base em protocolos de cooperação técnica, urnas eletrônicas para uso de entidades de classe e mesmo de governos estrangeiros, sendo, às vezes, também emprestadas para treinamento de eleitores”. Mas, até se completar a atualização do sistema das urnas eletrônicas, os protocolos de cooperação serão aplicados somente quando não houver comprometimento da garantia eleitoral dos cidadãos.

Resolução da Aneel prejudica doações a entidades sociais

As Apaes do Pará e instituições prestadoras de serviços de assistência social no Pará participam nesta quinta-feira, às 8h, de audiência pública, no auditório Dr. João de Miranda Leão Filho do Centro de Ciências Jurídicas da UFPA. O objetivo da audiência é debater a nova resolução da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que prejudica a cobrança de doações para instituições sociais através da fatura de consumo de energia elétrica.
A Aneel, através de uma Nota Técnica da sua equipe em análise aos termos da Resolução nº 414, pretende alterar o artigo 121 da Resolução para instituir um duplo código de barras em faturas de consumo de energia elétrica para distinguir o consumo das doações consignadas nas faturas por contrato com as concessionárias. O modelo proposto causará um custo elevado para as empresas concessionárias na sua implantação. A captação de doações terá sérios prejuízos, pois a arrecadação no novo modelo inviabilizará a relação das concessionárias com as instituições, atingindo, por exemplo, doações para a Campanha Apae Energia que hoje representa a maior arrecadação das trinta e três Apaes do Estado, fundamental para a manutenção dos serviços de atenção à pessoa com deficiência intelectual dos usuários das Apaes.
A audiência pública é para mobilizar além do Estado do Pará como todo território nacional, uma vez que a consignação de doações de faturas de energia elétrica já é praticada em vários estados brasileiros, beneficiando muitas instituições prestadoras de serviços de assistência social, educação e saúde, dentre elas inúmeras Apaes.
As Audiências Públicas para debater o tema começarão pelo Estado do Pará, seguindo para Fortaleza, São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre, Brasília, dentre outras.

Fonte: Assessoria de Imprensa

O que eles disseram sobre o mensalão

"O que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente"
Presidente Lula, dizendo, em 2005, que o mensalão não passou de um caixa dois.

"Nós dilapidamos o nosso capital moral perante a sociedade"
Tarso Genro, então presidente nacional do PT.

"Não organizei, não sou chefe, jamais participaria da compra de votos de parlamentares"
José Dirceu, então ministro da Casa Civil.

"Se eu tivesse um buraco para me meter, entraria nele para sempre"
Marcos Valério, o publicitário então carequinha - hoje nem tanto - que operou os dutos do mensalão.

"O PT é um navio que foi atingido, está prestes a afundar e se recusa a jogar a carne podre fora para ficar mais leve"
Jefferson Peres, senador (PDT-AM) já falecido.

"Zé Dirceu, se você não sair daí [da Casa Civil] rápido, vai fazer réu um homem de bem [o então presidente Lula]"
Roberto Jefferson (na foto) então deputado federal (PTB-RJ), que denunciou e pela primeira vez cunhou o termo mensalão, para designar uma suposta mesada que parlamentares receberiam mensalmente para votar com o governo Lula.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Um olhar pela lente


O Chateau de Fontainebleau, na França.
A foto é do blog.

"Voz do Brasil" ganha imagem e vira opção na internet


No Comunique-se

Há mais de 70 anos no ar com notícias s0bre os Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, além do Tribunal de Contas da União, a 'Voz do Brasil' passará a ser transmitido em vídeo na internet. Os primeiros 25 minutos do programa, que tratam do poder executivo, serão produzidos pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e exibidos simultaneamente na rede, a partir desta quarta-feira, 1º, às 19h, horário em que as emissoras de rádio são obrigadas a dar espaço para a atração.
A transmissão será feita a partir de um moderno estúdio. No site da EBC, será possível acompanhar reportagens e entrevistas sobre as políticas públicas e ficar informado sobre os principais fatos diários relacionados ao governo federal e ao cotidiano da população.
Para marcar a estreia do formato, serão entrevistados ao vivo do estúdio o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. Em pauta, o aumento da distribuição de remédios gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a ampliação do número de vagas em creches para as crianças do Plano Brasil Sem Miséria. Os internautas podem enviar perguntas aos convidados pelo Twitter @avozdobrasil e gravar participações que serão veiculadas durante o programa.

Charge - Nani

Raí processa jornalista que insinuou namoro homossexual

Do UOL Esporte

O ex-jogador Raí deu entrada nesta terça-feira com uma ação na Justiça contra a jornalista Fabíola Reipert, blogueira do Portal R7, e contra o próprio veículo, pela publicação de notícias que insinuaram que o atleta teria um envolvimento afetivo com o apresentador da TV Globo Zeca Camargo.
No último dia 16, a blogueira publicou que a "emissora (Globo) proibiu os programas da casa de associar os nomes de Zeca Camargo e Raí", completando com as perguntas: "O que será que eles têm para esconder, hein? E o que têm em comum?". Fabíola Reipert estava repercutindo notícia anterior publicada por ela mesma, que dava conta de que "um belo ex-jogador de futebol teria deixado a mulher em troca de um novo amor. Ele foi morar com um apresentador da Globo, que ainda não saiu publicamente do armário".
As publicações geraram ampla repercussão na internet e nas redes sociais, que passaram a reproduzir o boato de suposto relacionamento homossexual entre os dois. Desde então, Raí não havia se manifestado publicamente a respeito do assunto. Já o apresentador da Globo apenas afirmara que "não falaria sobre boatos".
Na última terça-feira, porém, o sócio de Raí em uma empresa de gestão de imagem, Paulo Velasco, informou que o ex-jogador decidira "tomar as medidas judiciais cabíveis contra os autores do boato".
"Informamos que foi proposta ação judicial referente ao falso boato publicado na internet em relação ao Raí. Esperamos com isso, além da retratação e indenização por parte dos responsáveis, colaborar para a construção de um jornalismo sério e verdadeiro", afirmou Velasco, que também responde pela assessoria de imprensa de Raí.
De acordo com ele, não existe nenhum fundamento nas informações divulgadas sobre o suposto relacionamento entre Raí e Zeca Camargo. "Trata-se de uma notícia falsa, desrespeitosa e sem pé nem cabeça", disse Velasco.
O valor da indenização proposta não foi divulgado.
O UOL Esporte tentou contato com a jornalista na manhã desta quarta-feira e não conseguiu. Zeca Camargo também foi procurado para comentar o assunto, mas a reportagem não obteve resposta até a publicação.

Charge - J. Bosco

Acesse o Lápis de Memória

Campanha em Barcarena já tem registro policial


A campanha eleitoral começa a esquentar em Barcarena.
Com direito a fuxicos para a puliça resolver a parada.
Ontem, foi assim.
Um boletim de ocorrência foi registrado na polícia contra militantes do PMDB.
Eles são suspeitos de confeccionar faixas com nomes de candidatos dentro de recinto público, no caso uma escola municipal.
A faixa - vejam na foto acima, remetida para o blog - trazia o nome do candidato a prefeito Laurival Cunha, o Laurivalzinho.
Os suspeitos disseram ao delegado Maurício Pires que estavam usando o espaço apenas para secar a tinta das faixas.
O diretor da escola, por sua vez, disse não saber que o uso da unidade escolar para trabalho dos militantes era crime eleitoral.
Inacreditavelmente, foi o que disse o diretor.
Putz!
Sua Senhoria, é claro, não precisar saber de minudências sobre lei eleitoral.
Mas, pelo sim, pelo não, não seria recomendável que ele rejeitasse a cessão de espaço da escola mesmo para um trabalho, digamos assim, aparentemente inocente, mas de natureza inequivocamente eleitoral?

Cartunista ganha Menção Honrosa em concurso

O cartunista, chargista e ilustrador Waldez, de O LIBERAL/Amazônia, já está providenciando o passaporte.
Turquia à vista.
A viagem é parte de mais um prêmio que ele fatura, o Sucess Award, uma espécie de Menção Honrosa do XXIX Concurso Internacional de Cartuns Aydin Dogan 2012.
A premiação consiste de um Certificado de Menção Honrosa da Fundação Aydin Dogan, US$ 500 e três dias de visita a Istambul, para a cerimônia de premiação, marcada para o dia 9 de outubro.
O artista turco Dogan Arslan e o iraniano Javad Alizadeh são os vencedores do Primeiro Prêmio.
O artista sérvio Vladmir Stankovski ficou com o Segundo Prêmio e Pawel Kuczynski, da Polônia, é o vencedor do Terceiro Prêmio.
Além de Waldez, também ganharam Menção Honrosa José Antonio Costa (Brasil), Ludo Goderis (Bélgica), Musa Gumus (Turquia), Muhitin Koroglu (Turquia), Alyieh Mazaheri (Irã), Rodrigo Mineu (Brasil), Negin Naghyev 9Irã), Sergey Riabokov (Ucrânia), Cai Weidong (China) e Bert M. L Witte (Holanda).
O cartum premiado foi esse que vocês veem acima.
Waldez faz uma abordagem de fundo social para mostrar os contrastes entre a fartura e a carência, entre miliardários e miseráveis que ainda revelam intoleráveis exclusões de bilhões de pessoas no mundo inteiro.
Inclusive em Belém.

Sopa de siglas. Orgia de letrinhas.



Alianças, vocês sabem, põem na mesma cama, ou melhor, no mesmo palanque aliados e inimigos.
No final das contas, ninguém sabe quem é quem.
Apresenta-se, como o Espaço Aberto já comentou, um cenário de siglas mil e coerência partidária zero. Zeríssimo.
Um sopa de letrinhas.
Ou uma orgia de letrinhas.
Assistam ao vídeo.

O que ele disse

“O CQC virou um programa de bundão”.
Rafinha Bastos, humorista e ex-integrante da bancada do CQC, da Band, em entrevista no Roda Viva, da TV Cultura.