Os alenquerenses, onde quer que se encontram, encontram-se desde em estado de graça.
O Diário Oficial de ontem publica a Lei nº 7.113, sancionada em 19 de março passado, pela governadora Ana Júlia Carepa, que declara como patrimônio cultural e artístico do Estado do Pará a dança do marambiré, um dos tesouros mais preciosos do folclore de Alenquer, na região oeste do Estado.
A lei é curta. Tem apenas dois artigos. O segundo determina que a declaração contida em lei tem como objetivo a preservação, conservação e proteção às formas de expressão, objetos, documentos, fantasias e músicas da dança do marambiré.
O site Alenqueremos levanta uma discussão: marambiré ou murambiré ? “Certamente há uma correlação entre elas; entretanto, em Alter-do-Chão, no município de Santarém, a dança do Marambiré é absolutamente distinta da manifestação intitulada Dança do Murambiré, na cidade de Alenquer. Em Alter-do-Chão, a dança constitui-se numa simples marcha: a coreografia é meio complicada; o ritmo, alegre e excitante. Em Alenquer, porém, ela é quase um ritual e chega a existir um Grupo de Dança do Congo com o Rei, a Rainha, a Princesa do Congo e mais 17 vassalos”, explica o site.
O procurador de justiça aposentado Luiz Ismaelino Valente compõe “Marambiré”, que tem letra dele e música do médico Francisco Flaiury Valente.
Os autores, ambos alenquerenses, dizem que a composição é um é um “tributo à cultura negra e ao marambiré do Pacoval do tempo antigo: ao Arauto, Mestre Eládio, dona Coroca, Velho Árgeo Milharal. À Raimunda Poeira, ao Carolino, ao Inácio, ao Santa Rita... E a tanta gente que o tempo não esquece
Jamais! É assim a “Marambiré”:
INTRODUÇÃO
“Aiuê te-cundê
Gurupê, moaxiá, ambirá,
Bambauá ererê!” (bis)
Refrão:
O marambiré
É do Pacoval.
Terra de preto bamba
Gente que não tem mal. (bis)
I
Não há beleza mais linda
Nem nas noites de luar
Que com a beleza da Rosa
A gente vá comparar. (bis)
(refrão)
II
A senhora Dona Rosa
Era prosa sim senhor,
Rosa sem ter espinhos
Não é rosa e não é flor. (bis)
(refrão)
III
Não há feitiço que doa
Quando é de bem querer
– Em Pacoval, terra boa,
Dona Rosa foi viver. (bis)
(refrão)
IV
Do “remédio” desses pretos
Basta só uma colher
– Pois se doma até as cobras
Quanto mais uma mulher! (bis)
(refrão)
V
A senhora Dona Rosa
Se casou com o preto Assis
– Mas se antes era prosa,
Ao depois viveu feliz! (bis)
(refrão)
VI
Foi a Rainha do Congo
Quem dançou no terreiro.
É a rainha da festa
É a mulher do guerreiro.
Foi a Rainha do Congo
Quem dançou no terreiro.
É a rainha da festa
É a Raimunda Poeira!
“Aiuê te-cundê
Gurupê moaxiá ambirá
Bambauá ererê!”
Já ouvir falar muito dessa história aqui em Alenquer,da mulher branca quer de uma hora para outra se apaixonou perdidamente por um morador do quilombo,e a quem diga que até hoje é assim,se um quilombola se apaixomar por alguem,esse alguem lá vai morar,muito interesante.
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